{"id":6276,"date":"2026-05-05T16:29:29","date_gmt":"2026-05-05T19:29:29","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6276"},"modified":"2026-05-05T16:38:08","modified_gmt":"2026-05-05T19:38:08","slug":"o-universo-de-gilead-nao-cabe-no-rosto-de-june","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6276","title":{"rendered":"O Universo de Gilead n\u00e3o cabe no rosto de June"},"content":{"rendered":"<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Escrevi <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6250\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">h\u00e1 n\u00e3o muito tempo<\/a> que, para mim, apenas duas s\u00e9ries merecem nota 10: <em>Arquivo X<\/em> e a primeira temporada de <em>The Handmaid\u2019s Tale<\/em>. Sou t\u00e3o entusiasta das investiga\u00e7\u00f5es dos agentes Mulder e Scully que praticamente n\u00e3o falo deles no meu blog \u2014 guardei tudo para o meu livro <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=rua-paraiba\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">\u201cRua Para\u00edba\u201d<\/a>.<\/p>\n<p>Quanto a <em>The Handmaid\u2019s Tale<\/em>, escrevi em <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3909\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">um texto de 2018<\/a> que a hist\u00f3ria narra um futuro pr\u00f3ximo em que uma seita religiosa radical assassina o presidente dos Estados Unidos e metralha o Congresso para tomar o poder. O pa\u00eds \u00e9 rebatizado como Gilead e a vida sofre transforma\u00e7\u00f5es violentas: boa parte das mulheres tem de viver segregada e, para cada fun\u00e7\u00e3o \u2014 esposa, aia, \u201ctia\u201d \u2014, elas devem usar roupas com cores espec\u00edficas. A religiosidade de teor crist\u00e3o imposta pelos governantes \u00e9 opressiva e domina cada aspecto da exist\u00eancia.<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">A primeira temporada da s\u00e9rie \u00e9 baseada no <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3792\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">romance de Margaret Atwood<\/a> e impressiona pelo contraste entre a viol\u00eancia extrema dos governantes e a aparente paz de ruas e casas limp\u00edssimas, habitadas por pessoas uniformizadas. Gilead \u00e9 uma ditadura militar-religiosa que ocupa quase todo o antigo territ\u00f3rio americano, com exce\u00e7\u00e3o do Alasca e do Hava\u00ed, enquanto o Canad\u00e1 permanece como uma democracia independente e ref\u00fagio para exilados.<\/p>\n<p>Margaret Atwood criou um universo fascinante e assustador que impacta at\u00e9 hoje f\u00e3s de <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=filmes-de-terror\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">filmes de terror<\/a> e de <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=distopia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">distopias<\/a> \u2013 como eu. O impacto da obra foi t\u00e3o grande que os trajes das aias chegaram a ser usados em <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2018\/aug\/03\/how-the-handmaids-tale-dressed-protests-across-the-world\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">protestos reais ao redor do mundo<\/a>.<\/p>\n<p>As duas primeiras temporadas retrataram bem esse mundo complexo. Dali em diante foi ladeira abaixo &#8211; n\u00e3o sei se por cansa\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o, pregui\u00e7a no roteiro ou uma paix\u00e3o cega pelo rosto da protagonista, June (vivida pela \u00f3tima Elisabeth Moss). Na trama, ela tem a filha roubada pelo Estado e acaba se envolvendo com um motorista que ascende a Comandante, dividida entre esse novo la\u00e7o e o marido que a espera no ex\u00edlio.<\/p>\n<p>Em um looping que durou quatro temporadas, June foge para o Canad\u00e1, volta para Gilead atr\u00e1s da filha, tenta organizar uma guerrilha, retorna ao territ\u00f3rio livre e volta novamente para se encontrar romanticamente com seu amante em meio ao caos. Entre perigos e alian\u00e7as pol\u00edticas improv\u00e1veis, o espectador \u00e9 condenado a encarar o rosto da atriz em closes intermin\u00e1veis em todos os epis\u00f3dios. N\u00e3o sei realmente como consegui assistir a este neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Para quem queria explorar as nuances de Gilead, a frustra\u00e7\u00e3o foi constante: passamos 95% do tempo focados exclusivamente na jornada repetitiva de June. Felizmente, para provar que o problema n\u00e3o era a tem\u00e1tica, a Disney+ lan\u00e7ou <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4389\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">\u201cOs Testamentos\u201d<\/a>, s\u00e9rie baseada na continua\u00e7\u00e3o escrita por Atwood.<\/p>\n<p>A nova s\u00e9rie finalmente se passa em Gilead, explorando o sistema e outros personagens. Vi apenas o in\u00edcio e j\u00e1 estou amando. \u00c9 o sinal definitivo de que ningu\u00e9m mais aguentava o foco excessivo em June, por melhor atriz que Elisabeth Moss seja. O universo de Gilead \u00e9 grande demais para ficar escondido atr\u00e1s de um \u00fanico rosto.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Imagem obtida no Google Gemini.<\/em><\/p>\n<p><em>Se voc\u00ea estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.substack.com\/p\/o-leitor-descuidado\">aqui<\/a> cadastre seu e-mail.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrevi h\u00e1 n\u00e3o muito tempo que, para mim, apenas duas s\u00e9ries merecem nota 10: Arquivo X e a primeira temporada de The Handmaid\u2019s Tale. Sou t\u00e3o entusiasta das investiga\u00e7\u00f5es dos agentes Mulder e Scully que praticamente n\u00e3o falo deles no meu blog \u2014 guardei tudo para o meu livro \u201cRua Para\u00edba\u201d. Quanto a The Handmaid\u2019s Tale, escrevi em um texto de 2018 que a hist\u00f3ria narra um futuro pr\u00f3ximo em que uma seita religiosa radical assassina o presidente dos Estados Unidos e metralha o Congresso para tomar o poder. O pa\u00eds \u00e9 rebatizado como Gilead e a vida sofre transforma\u00e7\u00f5es violentas: boa parte das mulheres tem de viver segregada e, para cada fun\u00e7\u00e3o \u2014 esposa, aia, \u201ctia\u201d \u2014, elas devem usar roupas com cores espec\u00edficas. A religiosidade de teor crist\u00e3o imposta pelos governantes \u00e9 opressiva e domina cada aspecto da exist\u00eancia. A primeira temporada da s\u00e9rie \u00e9 baseada no romance de Margaret Atwood e impressiona pelo contraste entre a viol\u00eancia extrema dos governantes e a aparente paz de ruas e casas limp\u00edssimas, habitadas por pessoas uniformizadas. Gilead \u00e9 uma ditadura militar-religiosa que ocupa quase todo o antigo territ\u00f3rio americano, com exce\u00e7\u00e3o do Alasca e do Hava\u00ed, enquanto o Canad\u00e1 permanece como uma democracia independente e ref\u00fagio para exilados. Margaret Atwood criou um universo fascinante e assustador que impacta at\u00e9 hoje f\u00e3s de filmes de terror e de distopias \u2013 como eu. O impacto da obra foi t\u00e3o grande que os trajes das aias chegaram a ser usados em protestos reais ao redor do mundo. As duas primeiras temporadas retrataram bem esse mundo complexo. Dali em diante foi ladeira abaixo &#8211; n\u00e3o sei se por cansa\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o, pregui\u00e7a no roteiro ou uma paix\u00e3o cega pelo rosto da protagonista, June (vivida pela \u00f3tima Elisabeth Moss). Na trama, ela tem a filha roubada pelo Estado e acaba se envolvendo com um motorista que ascende a Comandante, dividida entre esse novo la\u00e7o e o marido que a espera no ex\u00edlio. Em um looping que durou quatro temporadas, June foge para o Canad\u00e1, volta para Gilead atr\u00e1s da filha, tenta organizar uma guerrilha, retorna ao territ\u00f3rio livre e volta novamente para se encontrar romanticamente com seu amante em meio ao caos. Entre perigos e alian\u00e7as pol\u00edticas improv\u00e1veis, o espectador \u00e9 condenado a encarar o rosto da atriz em closes intermin\u00e1veis em todos os epis\u00f3dios. N\u00e3o sei realmente como consegui assistir a este neg\u00f3cio. Para quem queria explorar as nuances de Gilead, a frustra\u00e7\u00e3o foi constante: passamos 95% do tempo focados exclusivamente na jornada repetitiva de June. Felizmente, para provar que o problema n\u00e3o era a tem\u00e1tica, a Disney+ lan\u00e7ou \u201cOs Testamentos\u201d, s\u00e9rie baseada na continua\u00e7\u00e3o escrita por Atwood. A nova s\u00e9rie finalmente se passa em Gilead, explorando o sistema e outros personagens. Vi apenas o in\u00edcio e j\u00e1 estou amando. \u00c9 o sinal definitivo de que ningu\u00e9m mais aguentava o foco excessivo em June, por melhor atriz que Elisabeth Moss seja. O universo de Gilead \u00e9 grande demais para ficar escondido atr\u00e1s de um \u00fanico rosto. Imagem obtida no Google Gemini. 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