{"id":6230,"date":"2026-04-05T09:55:48","date_gmt":"2026-04-05T12:55:48","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6230"},"modified":"2026-03-22T20:02:15","modified_gmt":"2026-03-22T23:02:15","slug":"o-grupo-terrorista-baader-meinhof-5-dois-livros-e-um-documentario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6230","title":{"rendered":"O grupo terrorista Baader-Meinhof: 5. Dois livros e um document\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O grupo guerrilheiro alem\u00e3o Baader-Meinhof, formalmente conhecido como <strong>Fra\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Vermelho (RAF)<\/strong>, estruturou-se em tr\u00eas \u201cgera\u00e7\u00f5es\u201d:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>A gera\u00e7\u00e3o dos fundadores:<\/strong> Andreas Baader, Ulrike Meinhof e Gudrun Ensslin. Esta \u00e9 a fase mais c\u00e9lebre do grupo e encerrou-se com o suic\u00eddio coletivo dos tr\u00eas em 1977, na pris\u00e3o de <strong>Stammheim<\/strong>.<\/li>\n<li><strong>A segunda gera\u00e7\u00e3o:<\/strong> Surgiu com o intuito de libertar os l\u00edderes da primeira gera\u00e7\u00e3o, presos em 1972. Esta fase culminou no <strong>\u201cOutono Alem\u00e3o\u201d<\/strong> de 1977, com o sequestro e assassinato do empres\u00e1rio Hanns Martin Schleyer e o desvio do voo <em>Landshut<\/em> da Lufthansa. Os principais expoentes desta fase foram Siegfried Haag, Brigitte Mohnhaupt e Christian Klar.<\/li>\n<li><strong>A terceira gera\u00e7\u00e3o:<\/strong> Ao contr\u00e1rio das anteriores, esta foi a mais enigm\u00e1tica. Seus membros levavam vidas aparentemente normais e executaram atentados de precis\u00e3o cir\u00fargica, como o assassinato de Alfred Herrhausen, chefe do Deutsche Bank, em 1989. O grupo dissolveu-se formalmente em abril de 1998, enviando um comunicado \u00e0 imprensa declarando que \u201ca guerrilha urbana sob a forma da RAF agora \u00e9 hist\u00f3ria\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Li recentemente a edi\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas do extraordin\u00e1rio <em>Baader-Meinhof: The Inside Story of the R.A.F.<\/em>, de Stefan Aust (460 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Anthea Bell, Oxford University Press). Publicado originalmente em 1985, o livro detalha a g\u00eanese do grupo e o in\u00edcio da segunda gera\u00e7\u00e3o. Aust, que era colega de reda\u00e7\u00e3o da jornalista (e futura terrorista) Ulrike Meinhof, insere passagens em primeira pessoa, como o relato de quando resgatou as filhas dela \u2014 Regine e Bettina \u2014 de um acampamento na Sic\u00edlia para devolv\u00ea-las ao pai. Essa trajet\u00f3ria \u00e9 retratada no filme <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6103\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\"><em>O Grupo Baader-Meinhof<\/em><\/a> (2008), baseado na obra de Aust.<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">\u00c9 poss\u00edvel assistir no <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=VZrFw9r0wbM&amp;list=PL_75N2_gC117udGCD6dRLHCVtPwbk-IHd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">YouTube <\/a>ao document\u00e1rio em seis partes <em>The Red Army Faction<\/em> (2017), dirigido por Anne \u00c9ven e Christopher Gerisch. Falado em alem\u00e3o com legendas em ingl\u00eas, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 espetacular, apresentando imagens de arquivo not\u00e1veis e conferindo import\u00e2ncia equivalente \u00e0s tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es do movimento.<\/p>\n<p>A <strong>Rep\u00fablica Democr\u00e1tica Alem\u00e3 (RDA\/DDR)<\/strong> \u2014 a face comunista da Alemanha dividida \u2014 ofereceu suporte estrat\u00e9gico \u00e0 RAF. O regime n\u00e3o apenas forneceu apoio log\u00edstico e financeiro, como tamb\u00e9m serviu de ref\u00fagio, garantindo emprego e moradia a militantes que desejavam abandonar a luta armada. Com a Reunifica\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 em 1990, foi relativamente simples para o novo governo identificar esses ex-membros, uma vez que a lista de cidad\u00e3os da Alemanha Ocidental que haviam obtido asilo no Leste era extremamente curta.<\/p>\n<p>Esse panorama, explorado no document\u00e1rio supracitado, despertou meu interesse por <em>Stasil\u00e2ndia: Hist\u00f3rias por Tr\u00e1s do Muro de Berlim<\/em>, de Anna Funder (376 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de George Schlesinger, Companhia das Letras). Escrito no estilo do <em>New Journalism<\/em>, o livro \u00e9 narrado em primeira pessoa (descrevendo inclusive hist\u00f3rias do cotidiano da autora na Alemanha, como uma hil\u00e1ria visita a uma piscina p\u00fablica) e resgata o cotidiano na antiga RDA atrav\u00e9s de entrevistas com v\u00edtimas e defensores do regime. Embora o tom das mem\u00f3rias seja sombrio, a leitura \u00e9 fascinante e transformou a extinta DDR em um dos meus \u201c<a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=interesses-estranhos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">interesses estranhos<\/a>\u201d \u2014 ao lado do Per\u00edodo Permiano, do Imp\u00e9rio Wari ou do Papado de Avignon. Aguardem novos textos sobre este pa\u00eds que n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<hr \/>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\"><em>Imagem que acompanha o texto obtida no Gemini.<\/em><\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\"><em>Se voc\u00ea tiver interesse em receber este e outros textos meus semanalmente, clique <a href=\"https:\/\/open.substack.com\/pub\/fabriciomuller\/p\/dois-livros-e-um-documentario?r=2m0pd&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=true\">aqui<\/a> e cadastre seu e-mail.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grupo guerrilheiro alem\u00e3o Baader-Meinhof, formalmente conhecido como Fra\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Vermelho (RAF), estruturou-se em tr\u00eas \u201cgera\u00e7\u00f5es\u201d: A gera\u00e7\u00e3o dos fundadores: Andreas Baader, Ulrike Meinhof e Gudrun Ensslin. Esta \u00e9 a fase mais c\u00e9lebre do grupo e encerrou-se com o suic\u00eddio coletivo dos tr\u00eas em 1977, na pris\u00e3o de Stammheim. A segunda gera\u00e7\u00e3o: Surgiu com o intuito de libertar os l\u00edderes da primeira gera\u00e7\u00e3o, presos em 1972. Esta fase culminou no \u201cOutono Alem\u00e3o\u201d de 1977, com o sequestro e assassinato do empres\u00e1rio Hanns Martin Schleyer e o desvio do voo Landshut da Lufthansa. Os principais expoentes desta fase foram Siegfried Haag, Brigitte Mohnhaupt e Christian Klar. A terceira gera\u00e7\u00e3o: Ao contr\u00e1rio das anteriores, esta foi a mais enigm\u00e1tica. Seus membros levavam vidas aparentemente normais e executaram atentados de precis\u00e3o cir\u00fargica, como o assassinato de Alfred Herrhausen, chefe do Deutsche Bank, em 1989. O grupo dissolveu-se formalmente em abril de 1998, enviando um comunicado \u00e0 imprensa declarando que \u201ca guerrilha urbana sob a forma da RAF agora \u00e9 hist\u00f3ria\u201d. Li recentemente a edi\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas do extraordin\u00e1rio Baader-Meinhof: The Inside Story of the R.A.F., de Stefan Aust (460 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Anthea Bell, Oxford University Press). Publicado originalmente em 1985, o livro detalha a g\u00eanese do grupo e o in\u00edcio da segunda gera\u00e7\u00e3o. Aust, que era colega de reda\u00e7\u00e3o da jornalista (e futura terrorista) Ulrike Meinhof, insere passagens em primeira pessoa, como o relato de quando resgatou as filhas dela \u2014 Regine e Bettina \u2014 de um acampamento na Sic\u00edlia para devolv\u00ea-las ao pai. Essa trajet\u00f3ria \u00e9 retratada no filme O Grupo Baader-Meinhof (2008), baseado na obra de Aust. \u00c9 poss\u00edvel assistir no YouTube ao document\u00e1rio em seis partes The Red Army Faction (2017), dirigido por Anne \u00c9ven e Christopher Gerisch. Falado em alem\u00e3o com legendas em ingl\u00eas, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 espetacular, apresentando imagens de arquivo not\u00e1veis e conferindo import\u00e2ncia equivalente \u00e0s tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es do movimento. A Rep\u00fablica Democr\u00e1tica Alem\u00e3 (RDA\/DDR) \u2014 a face comunista da Alemanha dividida \u2014 ofereceu suporte estrat\u00e9gico \u00e0 RAF. O regime n\u00e3o apenas forneceu apoio log\u00edstico e financeiro, como tamb\u00e9m serviu de ref\u00fagio, garantindo emprego e moradia a militantes que desejavam abandonar a luta armada. Com a Reunifica\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 em 1990, foi relativamente simples para o novo governo identificar esses ex-membros, uma vez que a lista de cidad\u00e3os da Alemanha Ocidental que haviam obtido asilo no Leste era extremamente curta. Esse panorama, explorado no document\u00e1rio supracitado, despertou meu interesse por Stasil\u00e2ndia: Hist\u00f3rias por Tr\u00e1s do Muro de Berlim, de Anna Funder (376 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de George Schlesinger, Companhia das Letras). Escrito no estilo do New Journalism, o livro \u00e9 narrado em primeira pessoa (descrevendo inclusive hist\u00f3rias do cotidiano da autora na Alemanha, como uma hil\u00e1ria visita a uma piscina p\u00fablica) e resgata o cotidiano na antiga RDA atrav\u00e9s de entrevistas com v\u00edtimas e defensores do regime. Embora o tom das mem\u00f3rias seja sombrio, a leitura \u00e9 fascinante e transformou a extinta DDR em um dos meus \u201cinteresses estranhos\u201d \u2014 ao lado do Per\u00edodo Permiano, do Imp\u00e9rio Wari ou do Papado de Avignon. Aguardem novos textos sobre este pa\u00eds que n\u00e3o existe mais. Imagem que acompanha o texto obtida no Gemini. 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