{"id":6179,"date":"2026-02-22T13:27:22","date_gmt":"2026-02-22T16:27:22","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6179"},"modified":"2026-02-22T13:27:22","modified_gmt":"2026-02-22T16:27:22","slug":"do-monstro-de-tully-ao-deserto-de-moradi-uma-imersao-na-narrativa-sensorial-de-thomas-halliday-e-nos-ecossistemas-perdidos-do-nosso-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6179","title":{"rendered":"Do Monstro de Tully ao Deserto de Moradi &#8211; uma imers\u00e3o na narrativa sensorial de Thomas Halliday e nos ecossistemas perdidos do nosso planeta."},"content":{"rendered":"<p>Uma s\u00e9rie de acontecimentos pouco usuais na minha rela\u00e7\u00e3o com livros ocorreu com aquele que \u00e9 objeto do presente texto. Explico.<\/p>\n<p>Recentemente, inaugurou-se uma nova livraria no shopping que mais frequento aqui em Curitiba e me senti na obriga\u00e7\u00e3o de comprar uma obra para prestigiar o novo empreendimento. O livro escolhido foi\u00a0<strong>\u201cOutros Mundos \u2013 Uma Jornada pelos Mundos Extintos da Terra\u201d<\/strong>, de Thomas Halliday (Editora Objetiva, 400 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Luiz Ant\u00f4nio Oliveira de Ara\u00fajo, lan\u00e7ado originalmente em 2022).<\/p>\n<p>A sequ\u00eancia de fatos incomuns prossegue: o livro \u00e9 de Paleontologia (assunto sobre o qual eu nunca havia lido uma obra inteira, por mais que fa\u00e7a pesquisas sobre o per\u00edodo Permiano); eu nunca tinha ouvido falar dele (\u00e9 raro eu comprar um livro sem nenhuma informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via); eu sabia que iria gostar muito (como poderia prever?); e, ao l\u00ea-lo, tive a certeza de que a cr\u00edtica o amara \u2014 o que se confirmou, pois a obra \u00e9 t\u00e3o excepcional que n\u00e3o restam d\u00favidas a respeito.<\/p>\n<p>A ideia por tr\u00e1s de \u201cOutros Mundos\u201d \u00e9 genial: a partir do presente, o paleobi\u00f3logo Thomas Halliday utiliza uma narrativa imersiva para transportar o leitor por dezesseis ecossistemas do passado da Terra, retrocedendo do Pleistoceno (h\u00e1 20 mil anos) at\u00e9 o Ediacarano (h\u00e1 mais de 500 milh\u00f5es de anos). Para cada ecossistema, o autor escolheu um s\u00edtio paleontol\u00f3gico espec\u00edfico. Por exemplo, para o famoso Per\u00edodo Jur\u00e1ssico (155 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), Halliday descreve o s\u00edtio da Su\u00e1bia, na Alemanha, no cap\u00edtulo 8, intitulado \u201cFunda\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 t\u00e3o maravilhosamente escrito que, como eu desconhecia a trajet\u00f3ria de Halliday, cheguei a pensar que ele fosse um romancista ou poeta que decidira escrever sobre ci\u00eancia \u2014 mas n\u00e3o, ele \u00e9 um paleobi\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o. De todo modo, ele consegue descrever locais h\u00e1 muito perdidos no tempo com tantos detalhes expressivos que temos a n\u00edtida impress\u00e3o de estarmos l\u00e1.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, o trecho a seguir abre o Cap\u00edtulo 5, \u201cCiclos\u201d, no qual o autor descreve o s\u00edtio de Ilha Seymour, na Ant\u00e1rtida, no Eoceno, h\u00e1 41 milh\u00f5es de anos:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<em>\u2019Eppur si muove\u2019 \/ \u2018No entanto, se move\u2019 \u2014 Galileu Galilei<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018Tornaram-se espectrais no crep\u00fasculo sob a noite solit\u00e1ria\u2019 \u2014 Virg\u00edlio, Eneida<\/em><\/p>\n<p>A praia se enche de guinchos das aves marinhas, as mais velhas chamando insistentemente seus companheiros, os jovens pretendentes procurando poss\u00edveis locais de nidifica\u00e7\u00e3o. Repleto de chifres de unic\u00f3rnio dos carac\u00f3is marinhos turritella, de gastr\u00f3podes Polynices espiralados e das placas lisas dos capuzes das am\u00eaijoas Cucullaea, o cascalho foi transformado em um terreno f\u00e9rtil excepcionalmente movimentado. Pintando as rochas de branco com guano, o excremento infunde em tudo um cheiro acre e amoniacal, os fosfatos se infiltrando na areia e alterando a pr\u00f3pria qu\u00edmica da rocha que tudo isso se tornar\u00e1. Ninhos de pedregulhos foram constru\u00eddos em cada brecha, os p\u00e1ssaros menores preferindo nidificar nas fendas ou abrigados pela vegeta\u00e7\u00e3o, os p\u00e1ssaros maiores ao ar livre, por necessidade. Uma grande enseada abrigada a sotavento de uma pen\u00ednsula t\u00eanue e alongada, perto de onde um riacho rasga um precip\u00edcio na margem arenosa at\u00e9 ao estu\u00e1rio do rio, \u00e9 um local ideal para a cria\u00e7\u00e3o de filhotes. Ao redor da praia, as encostas s\u00e3o \u00edngremes e densamente arborizadas; um bosque suspenso de\u00a0<em>Nothofagus<\/em>, faias do sul com cascas escamosas, escorre pela encosta, entrecortadas por um denso aglomerado de con\u00edferas \u2014 arauc\u00e1rias, ciprestes, pin\u00e1ceas, todas retidas de ep\u00edfitas, plantas que s\u00f3 crescem na superf\u00edcie de outras. Vinhas e lianas, samambaias e musgos pilosos espraiados pelas infloresc\u00eancias complexas e exibicionistas das proteas formam uma paleta verde-tua. A umidade dos ventos mar\u00edtimos do oeste se transformou em chuva ao atingir a estreita faixa de terra que se projeta no oceano Ant\u00e1rtico.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, \u201cOutros Mundos\u201d foi aclamado pela cr\u00edtica como um triunfo da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. O\u00a0<em>The Sunday Times<\/em>\u00a0classificou-o como uma obra de \u201criquezas inimagin\u00e1veis\u201d e o\u00a0<em>The Wall Street Journal<\/em>\u00a0definiu Halliday como um \u201cpoeta entre os paleont\u00f3logos\u201d. O rigor da obra foi validado pela revista\u00a0<em>Nature<\/em>, que a descreveu como uma jornada fascinante que nos for\u00e7a a reavaliar nossa exist\u00eancia diante do \u201ctempo profundo\u201d. Essa combina\u00e7\u00e3o de autoridade t\u00e9cnica e narrativa sensorial \u2014 comparada pelo\u00a0<em>The Telegraph<\/em>\u00a0a uma experi\u00eancia \u201cquase alucinat\u00f3ria\u201d \u2014 elevou o texto al\u00e9m dos limites de um livro cient\u00edfico comum.<\/p>\n<p>Para ve\u00edculos como o\u00a0<em>The Guardian<\/em>, o livro se destacou por sua estrutura inovadora que retrocede no tempo, tornando a ci\u00eancia complexa acess\u00edvel e emocionalmente impactante. Ao focar na reconstru\u00e7\u00e3o de ecossistemas inteiros, em vez de apenas f\u00f3sseis isolados, Halliday criou um\u00a0<em>best-seller<\/em>\u00a0que ressoa como um alerta contempor\u00e2neo sobre a fragilidade da vida e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A \u00fanica sugest\u00e3o que deixo para o futuro leitor \u00e9: leia esta obra-prima com o\u00a0<em>Google Images<\/em>\u00a0por perto. Assim, \u00e9 poss\u00edvel visualizar os locais, animais e plantas descritos. Foi em uma dessas buscas que descobri o\u00a0<strong>Monstro de Tully<\/strong>, uma das criaturas mais esquisitas que j\u00e1 passaram por este planeta. Deixo voc\u00eas com parte da descri\u00e7\u00e3o deste estranho animal, extra\u00edda do cap\u00edtulo 11, \u201cCombust\u00edvel \u2013 Mazon Creek, Illinois, EUA \u2013 Carbon\u00edfero \u2013 309 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s\u201d:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cMas \u00e0s vezes, como acontece com um animal espec\u00edfico que vive no estu\u00e1rio salobro do Mazon Creek, as extravag\u00e2ncias da sele\u00e7\u00e3o natural e a aus\u00eancia de criaturas semelhantes no registro fossil\u00edfero criam uma complei\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica t\u00e3o incomum que torna quase imposs\u00edvel qualquer tipo de conex\u00e3o. [&#8230;] Diante de algo totalmente novo, nosso primeiro instinto \u00e9 buscar uma met\u00e1fora no sobrenatural, no n\u00e3o natural. Sob as ondas que cobrem a cunha de \u00e1gua salgada [&#8230;] nada uma criatura indescrit\u00edvel que chamamos de Monstro de Tully.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos monstros lend\u00e1rios da criptozoologia moderna [&#8230;] o Monstro de Tully \u00e9 real, mas n\u00e3o sabemos muito mais sobre ele. [&#8230;] Eles t\u00eam o corpo na forma de um torpedo segmentado, duas barbatanas onduladas na cauda, meio parecidas com as asas de uma lula. O focinho \u00e9 comprido e fino, como a mangueira de um aspirador de p\u00f3, e m\u00f3vel, com uma garra min\u00fascula cheia de dentes na ponta. Para aumentar ainda mais a confus\u00e3o, h\u00e1 uma barra s\u00f3lida passando de um lado para o outro na parte superior da criatura, hastes horizontais onde se encontram \u00f3rg\u00e3os bulbosos de algum tipo, que se costuma considerar serem seus olhos.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>(Imagem que acompanha o texto: o Monstro de Tulli \u2013 Reuters &#8211; obtida no jornal ingl\u00eas <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/science\/2016\/mar\/18\/tully-monster-mystery-of-the-300-million-year-old-fossil-finally-solved\" rel=\"nofollow ugc noopener\">The Guardian<\/a><\/p>\n<p>Se voc\u00ea estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.substack.com\/p\/do-monstro-de-tully-ao-deserto-de\">aqui<\/a> e cadastre seu e-mail.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma s\u00e9rie de acontecimentos pouco usuais na minha rela\u00e7\u00e3o com livros ocorreu com aquele que \u00e9 objeto do presente texto. Explico. Recentemente, inaugurou-se uma nova livraria no shopping que mais frequento aqui em Curitiba e me senti na obriga\u00e7\u00e3o de comprar uma obra para prestigiar o novo empreendimento. O livro escolhido foi\u00a0\u201cOutros Mundos \u2013 Uma Jornada pelos Mundos Extintos da Terra\u201d, de Thomas Halliday (Editora Objetiva, 400 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Luiz Ant\u00f4nio Oliveira de Ara\u00fajo, lan\u00e7ado originalmente em 2022). A sequ\u00eancia de fatos incomuns prossegue: o livro \u00e9 de Paleontologia (assunto sobre o qual eu nunca havia lido uma obra inteira, por mais que fa\u00e7a pesquisas sobre o per\u00edodo Permiano); eu nunca tinha ouvido falar dele (\u00e9 raro eu comprar um livro sem nenhuma informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via); eu sabia que iria gostar muito (como poderia prever?); e, ao l\u00ea-lo, tive a certeza de que a cr\u00edtica o amara \u2014 o que se confirmou, pois a obra \u00e9 t\u00e3o excepcional que n\u00e3o restam d\u00favidas a respeito. A ideia por tr\u00e1s de \u201cOutros Mundos\u201d \u00e9 genial: a partir do presente, o paleobi\u00f3logo Thomas Halliday utiliza uma narrativa imersiva para transportar o leitor por dezesseis ecossistemas do passado da Terra, retrocedendo do Pleistoceno (h\u00e1 20 mil anos) at\u00e9 o Ediacarano (h\u00e1 mais de 500 milh\u00f5es de anos). Para cada ecossistema, o autor escolheu um s\u00edtio paleontol\u00f3gico espec\u00edfico. Por exemplo, para o famoso Per\u00edodo Jur\u00e1ssico (155 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), Halliday descreve o s\u00edtio da Su\u00e1bia, na Alemanha, no cap\u00edtulo 8, intitulado \u201cFunda\u00e7\u00e3o\u201d. O livro \u00e9 t\u00e3o maravilhosamente escrito que, como eu desconhecia a trajet\u00f3ria de Halliday, cheguei a pensar que ele fosse um romancista ou poeta que decidira escrever sobre ci\u00eancia \u2014 mas n\u00e3o, ele \u00e9 um paleobi\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o. De todo modo, ele consegue descrever locais h\u00e1 muito perdidos no tempo com tantos detalhes expressivos que temos a n\u00edtida impress\u00e3o de estarmos l\u00e1. Para se ter uma ideia, o trecho a seguir abre o Cap\u00edtulo 5, \u201cCiclos\u201d, no qual o autor descreve o s\u00edtio de Ilha Seymour, na Ant\u00e1rtida, no Eoceno, h\u00e1 41 milh\u00f5es de anos: \u201c\u2019Eppur si muove\u2019 \/ \u2018No entanto, se move\u2019 \u2014 Galileu Galilei \u2018Tornaram-se espectrais no crep\u00fasculo sob a noite solit\u00e1ria\u2019 \u2014 Virg\u00edlio, Eneida A praia se enche de guinchos das aves marinhas, as mais velhas chamando insistentemente seus companheiros, os jovens pretendentes procurando poss\u00edveis locais de nidifica\u00e7\u00e3o. Repleto de chifres de unic\u00f3rnio dos carac\u00f3is marinhos turritella, de gastr\u00f3podes Polynices espiralados e das placas lisas dos capuzes das am\u00eaijoas Cucullaea, o cascalho foi transformado em um terreno f\u00e9rtil excepcionalmente movimentado. Pintando as rochas de branco com guano, o excremento infunde em tudo um cheiro acre e amoniacal, os fosfatos se infiltrando na areia e alterando a pr\u00f3pria qu\u00edmica da rocha que tudo isso se tornar\u00e1. Ninhos de pedregulhos foram constru\u00eddos em cada brecha, os p\u00e1ssaros menores preferindo nidificar nas fendas ou abrigados pela vegeta\u00e7\u00e3o, os p\u00e1ssaros maiores ao ar livre, por necessidade. Uma grande enseada abrigada a sotavento de uma pen\u00ednsula t\u00eanue e alongada, perto de onde um riacho rasga um precip\u00edcio na margem arenosa at\u00e9 ao estu\u00e1rio do rio, \u00e9 um local ideal para a cria\u00e7\u00e3o de filhotes. Ao redor da praia, as encostas s\u00e3o \u00edngremes e densamente arborizadas; um bosque suspenso de\u00a0Nothofagus, faias do sul com cascas escamosas, escorre pela encosta, entrecortadas por um denso aglomerado de con\u00edferas \u2014 arauc\u00e1rias, ciprestes, pin\u00e1ceas, todas retidas de ep\u00edfitas, plantas que s\u00f3 crescem na superf\u00edcie de outras. Vinhas e lianas, samambaias e musgos pilosos espraiados pelas infloresc\u00eancias complexas e exibicionistas das proteas formam uma paleta verde-tua. A umidade dos ventos mar\u00edtimos do oeste se transformou em chuva ao atingir a estreita faixa de terra que se projeta no oceano Ant\u00e1rtico.\u201d N\u00e3o \u00e0 toa, \u201cOutros Mundos\u201d foi aclamado pela cr\u00edtica como um triunfo da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. O\u00a0The Sunday Times\u00a0classificou-o como uma obra de \u201criquezas inimagin\u00e1veis\u201d e o\u00a0The Wall Street Journal\u00a0definiu Halliday como um \u201cpoeta entre os paleont\u00f3logos\u201d. O rigor da obra foi validado pela revista\u00a0Nature, que a descreveu como uma jornada fascinante que nos for\u00e7a a reavaliar nossa exist\u00eancia diante do \u201ctempo profundo\u201d. Essa combina\u00e7\u00e3o de autoridade t\u00e9cnica e narrativa sensorial \u2014 comparada pelo\u00a0The Telegraph\u00a0a uma experi\u00eancia \u201cquase alucinat\u00f3ria\u201d \u2014 elevou o texto al\u00e9m dos limites de um livro cient\u00edfico comum. Para ve\u00edculos como o\u00a0The Guardian, o livro se destacou por sua estrutura inovadora que retrocede no tempo, tornando a ci\u00eancia complexa acess\u00edvel e emocionalmente impactante. Ao focar na reconstru\u00e7\u00e3o de ecossistemas inteiros, em vez de apenas f\u00f3sseis isolados, Halliday criou um\u00a0best-seller\u00a0que ressoa como um alerta contempor\u00e2neo sobre a fragilidade da vida e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A \u00fanica sugest\u00e3o que deixo para o futuro leitor \u00e9: leia esta obra-prima com o\u00a0Google Images\u00a0por perto. Assim, \u00e9 poss\u00edvel visualizar os locais, animais e plantas descritos. Foi em uma dessas buscas que descobri o\u00a0Monstro de Tully, uma das criaturas mais esquisitas que j\u00e1 passaram por este planeta. Deixo voc\u00eas com parte da descri\u00e7\u00e3o deste estranho animal, extra\u00edda do cap\u00edtulo 11, \u201cCombust\u00edvel \u2013 Mazon Creek, Illinois, EUA \u2013 Carbon\u00edfero \u2013 309 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s\u201d: \u201cMas \u00e0s vezes, como acontece com um animal espec\u00edfico que vive no estu\u00e1rio salobro do Mazon Creek, as extravag\u00e2ncias da sele\u00e7\u00e3o natural e a aus\u00eancia de criaturas semelhantes no registro fossil\u00edfero criam uma complei\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica t\u00e3o incomum que torna quase imposs\u00edvel qualquer tipo de conex\u00e3o. [&#8230;] Diante de algo totalmente novo, nosso primeiro instinto \u00e9 buscar uma met\u00e1fora no sobrenatural, no n\u00e3o natural. Sob as ondas que cobrem a cunha de \u00e1gua salgada [&#8230;] nada uma criatura indescrit\u00edvel que chamamos de Monstro de Tully. Ao contr\u00e1rio dos monstros lend\u00e1rios da criptozoologia moderna [&#8230;] o Monstro de Tully \u00e9 real, mas n\u00e3o sabemos muito mais sobre ele. [&#8230;] Eles t\u00eam o corpo na forma de um torpedo segmentado, duas barbatanas onduladas na cauda, meio parecidas com as asas de uma lula. O focinho \u00e9 comprido e fino, como a mangueira de um aspirador de p\u00f3, e m\u00f3vel, com uma garra min\u00fascula cheia de dentes na ponta. 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