{"id":6154,"date":"2026-01-25T11:00:41","date_gmt":"2026-01-25T14:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6154"},"modified":"2026-01-25T02:20:24","modified_gmt":"2026-01-25T05:20:24","slug":"blind-willie-mctell-o-algoritmo-perfeito-do-country-blues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6154","title":{"rendered":"Blind Willie McTell: o algoritmo perfeito do Country Blues"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Nos \u00faltimos tempos, tenho ouvido alguns artistas de forma intensiva por per\u00edodos de poucos meses, para logo depois deix\u00e1-los de lado \u2014 antes que o interesse se esgote definitivamente, como aconteceu com o Madredeus (nunca \u00e9 demais repetir).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nesse esquema, tive fases com a banda indie californiana <\/span><a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5365\"><b>The Brian Jonestown Massacre<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, o rapper <\/span><a href=\"http:\/\/xxxtentacion\"><b>XXXTentacion<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, a cantora pop <\/span><a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=gracie-abrams\"><b>Gracie Abrams<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, a banda de black metal polonesa <\/span><a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5550\"><b>Mg\u0142a<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, o punk do <\/span><b>NOFX<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, a genialidade de <\/span><b>Mozart<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e o metal denso do <\/span><a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6050\"><b>Neurosis<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Sobre alguns deles j\u00e1 escrevi por aqui, e os links seguem nos nomes citados. A &#8220;bola da vez&#8221; agora \u00e9 o cantor de country blues <\/span><b>Blind Willie McTell<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> (1898-1959), que nasceu e faleceu no estado americano da Ge\u00f3rgia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 escrevi outros textos sobre o country blues \u2014 o blues rural e ac\u00fastico que floresceu entre os anos 20 e 60 \u2014 que podem ser lidos <\/span><a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=country-blues\"><span style=\"font-weight: 400\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. \u00c9 um estilo de que gosto muito; volta e meia a Val\u00e9ria comentava sobre &#8220;aqueles negros antigos&#8221; que eu tanto amava ouvir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre os muitos bluesmen do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, confesso que, inicialmente, tive certa dificuldade em me conectar com McTell. Eu o conheci atrav\u00e9s de <\/span><b>Jack White<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, dos White Stripes, banda que admiro at\u00e9 hoje. White tem uma devo\u00e7\u00e3o profunda pelo bluesman da Ge\u00f3rgia: com os Stripes, gravou covers de &#8220;Lord, Send Me An Angel&#8221; e &#8220;Your Southern Can Is Mine&#8221;, al\u00e9m de ter dedicado a obra-prima <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De Stijl<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2000) inteiramente a McTell e ao designer Gerrit Rietveld. Essa admira\u00e7\u00e3o seguiu em sua carreira solo, onde ele continuou a evocar o mestre, seja em performances ao vivo de &#8220;The Dying Crapshooter&#8217;s Blues&#8221; ou no lan\u00e7amento de cole\u00e7\u00f5es raras de McTell atrav\u00e9s de seu selo, a Third Man Records.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro que admira profundamente o cantor \u00e9 <\/span><b>Bob Dylan<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, que lan\u00e7ou a m\u00fasica &#8220;Blind Willie McTell&#8221; em 1983, considerando-o um &#8220;evangelista do blues&#8221; \u2014 algu\u00e9m capaz de transformar a dor em algo transcendente e tecnicamente perfeito. Apesar dessas refer\u00eancias, no in\u00edcio dos anos 2000, as grava\u00e7\u00f5es de McTell me soavam estranhas: achei que havia ragtime demais e blues de menos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu estava errado, claro. Blind Willie McTell \u00e9 mais suave que contempor\u00e2neos como <\/span><b>Charley Patton<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><b>Blind Willie Johnson<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> ou <\/span><b>Blind Lemon Jefferson<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, e suas melodias no viol\u00e3o de doze cordas s\u00e3o lindas e viciantes. Cego de nascimento e de fam\u00edlia pobre, ele teve uma educa\u00e7\u00e3o formal rara: era alfabetizado em Braille, o que lhe permitiu desenvolver uma compreens\u00e3o intelectual e estruturada da m\u00fasica \u2014 sofistica\u00e7\u00e3o que transparece em suas composi\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo a Wikip\u00e9dia:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEle nunca produziu um disco de grande sucesso, mas teve uma prol\u00edfica carreira em diferentes gravadoras e sob diversos nomes nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930. Em 1940, foi registrado pelo folclorista John A. Lomax para a Biblioteca do Congresso. Permaneceu ativo nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950, tocando nas ruas de Atlanta, muitas vezes com seu parceiro Curley Weaver. Suas \u00faltimas grava\u00e7\u00f5es surgiram em uma sess\u00e3o improvisada em 1956. McTell faleceu tr\u00eas anos depois, devido a complica\u00e7\u00f5es do diabetes e do alcoolismo, sem viver para ver o renascimento da m\u00fasica folk em que muitos de seus pares foram &#8216;redescobertos&#8217;.\u201d<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Agora que escuto Blind Willie McTell boa parte do dia, pego-me pensando no que j\u00e1 comentei <\/span><a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5216\"><span style=\"font-weight: 400\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">: como seria incr\u00edvel ter uma m\u00e1quina do tempo para conhec\u00ea-lo e v\u00ea-lo tocar ao vivo, junto a outros gigantes daquela \u00e9poca. <\/span><\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><em>Se voc\u00ea estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique <a href=\"https:\/\/open.substack.com\/pub\/fabriciomuller\/p\/blind-willie-mctell-o-algoritmo-perfeito?r=2m0pd&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=true\">aqui<\/a> e cadastre seu e-mail.<\/em><\/p>\n<p><em>Imagem que acompanha o texto: Blind Willie Mctell em Novembro de 1940 durante uma sess\u00e3o de grava\u00e7\u00f5es num quarto de hotel em Atlanta, Ge\u00f3rgia, para John e Alan Lomax, obtida na <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Blind_Willie_McTell\">Wikip\u00e9dia<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tempos, tenho ouvido alguns artistas de forma intensiva por per\u00edodos de poucos meses, para logo depois deix\u00e1-los de lado \u2014 antes que o interesse se esgote definitivamente, como aconteceu com o Madredeus (nunca \u00e9 demais repetir). Nesse esquema, tive fases com a banda indie californiana The Brian Jonestown Massacre, o rapper XXXTentacion, a cantora pop Gracie Abrams, a banda de black metal polonesa Mg\u0142a, o punk do NOFX, a genialidade de Mozart e o metal denso do Neurosis. Sobre alguns deles j\u00e1 escrevi por aqui, e os links seguem nos nomes citados. A &#8220;bola da vez&#8221; agora \u00e9 o cantor de country blues Blind Willie McTell (1898-1959), que nasceu e faleceu no estado americano da Ge\u00f3rgia. J\u00e1 escrevi outros textos sobre o country blues \u2014 o blues rural e ac\u00fastico que floresceu entre os anos 20 e 60 \u2014 que podem ser lidos aqui. \u00c9 um estilo de que gosto muito; volta e meia a Val\u00e9ria comentava sobre &#8220;aqueles negros antigos&#8221; que eu tanto amava ouvir. Entre os muitos bluesmen do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, confesso que, inicialmente, tive certa dificuldade em me conectar com McTell. Eu o conheci atrav\u00e9s de Jack White, dos White Stripes, banda que admiro at\u00e9 hoje. White tem uma devo\u00e7\u00e3o profunda pelo bluesman da Ge\u00f3rgia: com os Stripes, gravou covers de &#8220;Lord, Send Me An Angel&#8221; e &#8220;Your Southern Can Is Mine&#8221;, al\u00e9m de ter dedicado a obra-prima De Stijl (2000) inteiramente a McTell e ao designer Gerrit Rietveld. Essa admira\u00e7\u00e3o seguiu em sua carreira solo, onde ele continuou a evocar o mestre, seja em performances ao vivo de &#8220;The Dying Crapshooter&#8217;s Blues&#8221; ou no lan\u00e7amento de cole\u00e7\u00f5es raras de McTell atrav\u00e9s de seu selo, a Third Man Records. Outro que admira profundamente o cantor \u00e9 Bob Dylan, que lan\u00e7ou a m\u00fasica &#8220;Blind Willie McTell&#8221; em 1983, considerando-o um &#8220;evangelista do blues&#8221; \u2014 algu\u00e9m capaz de transformar a dor em algo transcendente e tecnicamente perfeito. Apesar dessas refer\u00eancias, no in\u00edcio dos anos 2000, as grava\u00e7\u00f5es de McTell me soavam estranhas: achei que havia ragtime demais e blues de menos. Eu estava errado, claro. Blind Willie McTell \u00e9 mais suave que contempor\u00e2neos como Charley Patton, Blind Willie Johnson ou Blind Lemon Jefferson, e suas melodias no viol\u00e3o de doze cordas s\u00e3o lindas e viciantes. Cego de nascimento e de fam\u00edlia pobre, ele teve uma educa\u00e7\u00e3o formal rara: era alfabetizado em Braille, o que lhe permitiu desenvolver uma compreens\u00e3o intelectual e estruturada da m\u00fasica \u2014 sofistica\u00e7\u00e3o que transparece em suas composi\u00e7\u00f5es. Segundo a Wikip\u00e9dia: \u201cEle nunca produziu um disco de grande sucesso, mas teve uma prol\u00edfica carreira em diferentes gravadoras e sob diversos nomes nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930. Em 1940, foi registrado pelo folclorista John A. Lomax para a Biblioteca do Congresso. Permaneceu ativo nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950, tocando nas ruas de Atlanta, muitas vezes com seu parceiro Curley Weaver. Suas \u00faltimas grava\u00e7\u00f5es surgiram em uma sess\u00e3o improvisada em 1956. McTell faleceu tr\u00eas anos depois, devido a complica\u00e7\u00f5es do diabetes e do alcoolismo, sem viver para ver o renascimento da m\u00fasica folk em que muitos de seus pares foram &#8216;redescobertos&#8217;.\u201d Agora que escuto Blind Willie McTell boa parte do dia, pego-me pensando no que j\u00e1 comentei aqui: como seria incr\u00edvel ter uma m\u00e1quina do tempo para conhec\u00ea-lo e v\u00ea-lo tocar ao vivo, junto a outros gigantes daquela \u00e9poca. *** Se voc\u00ea estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail. Imagem que acompanha o texto: Blind Willie Mctell em Novembro de 1940 durante uma sess\u00e3o de grava\u00e7\u00f5es num quarto de hotel em Atlanta, Ge\u00f3rgia, para John e Alan Lomax, obtida na Wikip\u00e9dia<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6156,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[1141,1130,1131,374,383,1142,1138,1139,975,1132,1134,1143,897,1146,1140,283,1145,1136,1137,869,1135,1133,940,1144],"class_list":["post-6154","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-bibliografia-musical","tag-blind-willie-mctell","tag-blues-rural","tag-bob-dylan","tag-country-blues","tag-de-stijl","tag-estados-unidos","tag-georgia","tag-gracie-abrams","tag-historia-do-blues","tag-jack-white","tag-lord-send-me-an-angel","tag-mgla","tag-mozart","tag-musica-acustica","tag-neurosis","tag-nofx","tag-piedmont-blues","tag-ragtime","tag-the-brian-jonestown-massacre","tag-the-white-stripes","tag-violao-de-12-cordas","tag-xxxtentacion","tag-your-southern-can-is-mine","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6154"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6161,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6154\/revisions\/6161"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6156"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}