{"id":6140,"date":"2026-01-10T14:20:12","date_gmt":"2026-01-10T17:20:12","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6140"},"modified":"2026-01-10T14:20:12","modified_gmt":"2026-01-10T17:20:12","slug":"quem-e-vivo-sempre-aparece-4-the-real-thing-do-faith-no-mode","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6140","title":{"rendered":"Quem \u00e9 vivo sempre aparece: 4.&#8221;The Real Thing&#8221;, do Faith No Mode"},"content":{"rendered":"<p>Os astros de rock dos anos 1980 \u2014 pelo menos os que eu ouvia \u2014 eram sempre impec\u00e1veis. As roupas eram bonitas e os cabelos armados com esmero. As cores podiam ser vibrantes ou em xadrez preto e branco, mas tudo era harmonioso. A maioria dos cantores abotoava as camisas at\u00e9 o pesco\u00e7o, e muita gente imitava o visual do Velvet Underground. A batida era quase sempre seca, a ponto de ser f\u00e1cil reconhecer o \u201ctoque dos anos 80\u201d ao ouvir, hoje, alguma banda daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, em 1989, surgiu uma banda completamente diferente da paisagem da \u00e9poca: o Faith No More. O cantor, Mike Patton, usava bermuda (uma heresia), cabelos compridos (outra heresia) e, o pior de tudo, camisetas que mais pareciam roupas coloridas de crian\u00e7a. A voz n\u00e3o chegava a ser igual \u00e0 do Pato Donald, mas lembrava um pouco o personagem da Disney. E, como se n\u00e3o bastasse, a banda tinha um instrumentista que usava barba! Quase ningu\u00e9m no rock usava barba naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a cr\u00edtica \u2014 refiro-me \u00e0 Bizz, a revista que eu lia e decorava \u2014 falava bem. Creio que at\u00e9 a Veja entrevistou Mike Patton, mas n\u00e3o tenho certeza. Segundo as descri\u00e7\u00f5es, o som era pesado, uma mistura de metal com rap que tinha tudo para me agradar \u2014 eu, que cheguei a enviar uma carta para a revista defendendo o primeiro disco dos Beastie Boys (que unia rock e hip hop, mas fora detestado pelos cr\u00edticos da Bizz).<\/p>\n<p>De fato, como esperado, apesar do visual &#8220;problem\u00e1tico&#8221;, amei o disco <em>The Real Thing<\/em>. S\u00f3 anos mais tarde descobri que era o terceiro da banda, mas o primeiro com Mike Patton. A faixa-t\u00edtulo sempre foi a minha preferida: com varia\u00e7\u00f5es de ritmo, ora pesado, ora suave, e nuances vocais que alternavam entre o canto e o rap, seus mais de oito minutos me conquistaram de cara. O disco todo, nessa pegada de peso e suavidade, era praticamente perfeito. Inclusive, <em>The Real Thing<\/em> foi fundamental para o que viria a ser o &#8220;Nu Metal&#8221; ou &#8220;Alternative Metal&#8221;, estilos que eu gosto muito at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>J\u00e1 do \u00e1lbum seguinte, <em>Angel Dust<\/em> (1992), n\u00e3o gostei nem um pouco; achei-o pretensioso e esquisito demais. Mais tarde, tive amigos que amavam a ampla discografia de Patton e suas in\u00fameras colabora\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o gostei de quase nada, exceto por uma coisa ou outra do Fant\u00f4mas, o supergrupo que ele criou com Buzz Osborne, Trevor Dunn e Dave Lombardo.<\/p>\n<p>De tempos em tempos, volto a ouvir muito o <em>The Real Thing<\/em>, e ultimamente tenho estado em uma dessas fases. Por isso, achei uma boa ideia ressuscitar a s\u00e9rie \u201cQuem \u00e9 vivo sempre aparece\u201d, sobre sons retomados ap\u00f3s muito tempo e m\u00fasicos que eu nunca havia citado no blog.<\/p>\n<p>Se escrever este texto me far\u00e1 dar uma chance ao restante da carreira de Mike Patton? Quem sabe.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Se voc\u00ea estiver interessado em receber este e outros textos semanalmente, clique <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.substack.com\/p\/o-filme-se-nao-nos-quem\">aqui<\/a> e cadastre seu e-mail.<\/p>\n<p>Imagem que acompanha o texto obtida na <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Real-Thing-Faith-No-More\/dp\/B000002LHA\">Amazon<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astros de rock dos anos 1980 \u2014 pelo menos os que eu ouvia \u2014 eram sempre impec\u00e1veis. As roupas eram bonitas e os cabelos armados com esmero. As cores podiam ser vibrantes ou em xadrez preto e branco, mas tudo era harmonioso. 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J\u00e1 do \u00e1lbum seguinte, Angel Dust (1992), n\u00e3o gostei nem um pouco; achei-o pretensioso e esquisito demais. Mais tarde, tive amigos que amavam a ampla discografia de Patton e suas in\u00fameras colabora\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o gostei de quase nada, exceto por uma coisa ou outra do Fant\u00f4mas, o supergrupo que ele criou com Buzz Osborne, Trevor Dunn e Dave Lombardo. De tempos em tempos, volto a ouvir muito o The Real Thing, e ultimamente tenho estado em uma dessas fases. Por isso, achei uma boa ideia ressuscitar a s\u00e9rie \u201cQuem \u00e9 vivo sempre aparece\u201d, sobre sons retomados ap\u00f3s muito tempo e m\u00fasicos que eu nunca havia citado no blog. Se escrever este texto me far\u00e1 dar uma chance ao restante da carreira de Mike Patton? Quem sabe. *** Se voc\u00ea estiver interessado em receber este e outros textos semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail. 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