{"id":6103,"date":"2025-12-14T13:55:26","date_gmt":"2025-12-14T16:55:26","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6103"},"modified":"2025-12-14T13:55:26","modified_gmt":"2025-12-14T16:55:26","slug":"o-grupo-terrorista-baader-meinhof-3-tres-filmes-terrorismo-olimpiadas-e-drogas-na-alemanha-dos-anos-70","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6103","title":{"rendered":"O grupo terrorista Baader-Meinhof: 3. Tr\u00eas Filmes: Terrorismo, Olimp\u00edadas e Drogas na Alemanha dos Anos 70"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u201cO Grupo Baader-Meinhof\u201d<\/strong>\u00a0(Alemanha\/Fran\u00e7a\/Rep\u00fablica Tcheca, 2008, 150 min) \u00e9 um filme dirigido por Uli Edel e estrelado por Martina Gedeck, Moritz Bleibtreu e Johanna Wokalek. A obra narra a hist\u00f3ria da \u201cprimeira gera\u00e7\u00e3o\u201d do grupo terrorista alem\u00e3o, composta por Andreas Baader, Gudrun Ensslin e Ulrike Meinhof.<\/p>\n<p>O filme \u00e9 baseado em \u201cDer Baader-Meinhof Komplex\u201d, de Stefan Aust, publicado em 1985 e considerado um dos melhores livros sobre o tema. \u00c9 interessante como algumas cenas do livro s\u00e3o fielmente reproduzidas no filme. Posso citar a tens\u00e3o \u2014 cultural e disciplinar \u2014 entre terroristas palestinos e os ativistas alem\u00e3es, que ficavam nus \u2014 homens e mulheres juntos \u2014 em p\u00fablico durante um treinamento militar na Jord\u00e2nia. Outra cena marcante \u00e9 a de Andreas Baader dando de presente seu casaco de couro para um terrorista rec\u00e9m-chegado, s\u00f3 porque o novato havia gostado da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>O filme \u00e9 excelente, mantendo a tens\u00e3o o tempo todo e com atua\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias. A semelhan\u00e7a entre Johanna Wokalek, a atriz que interpreta Gudrun Ensslin, e a pr\u00f3pria terrorista \u00e9 t\u00e3o grande que chega a ser assustadora. Ensslin era namorada de Andreas Baader e era mais importante dentro do grupo do que Ulrike Meinhof, apesar de o nome desta \u00faltima compor o t\u00edtulo popular do grupo, que era oficialmente chamado de Rote Armee Fraktion (RAF).<\/p>\n<div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p>Nestas pesquisas sobre a Alemanha dos anos 1970, acabei tendo a sorte de encontrar, como propaganda principal da Prime Video, o filme de 2024\/2025,\u00a0<strong>\u201cSetembro 5\u201d<\/strong>, dirigido por Timur Bekmambetov (Alemanha\/EUA &#8211; 94 min). O filme se concentra na transmiss\u00e3o esportiva da rede americana ABC durante o Massacre de Munique em 1972, o ataque terrorista a atletas israelenses durante os Jogos Ol\u00edmpicos.<\/p>\n<p>\u201cSetembro 5\u201d \u00e9 filmado como se fosse uma pel\u00edcula dos anos 1970, e o cuidado com a reprodu\u00e7\u00e3o da tecnologia daquela \u00e9poca \u00e9 espetacular. Os t\u00e9cnicos da rede americana ABC tinham que lutar pelo \u00fanico sat\u00e9lite dispon\u00edvel para os Estados Unidos; muitas informa\u00e7\u00f5es eram obtidas por uma r\u00e1dio local \u2013 e apenas uma tradutora (vivida pela atriz Lena Urzendowsky) conseguia traduzir para os americanos o que se dizia. Havia tamb\u00e9m uma dificuldade gigantesca em transportar as enormes c\u00e2meras para os locais onde o atentado estava ocorrendo, e assim por diante. Fascinante.<\/p>\n<p>Existia sim uma rela\u00e7\u00e3o entre os terroristas palestinos, do grupo Setembro Negro, que assassinaram onze atletas israelenses nas Olimp\u00edadas de 1972, e os terroristas alem\u00e3es. Essencialmente, o Baader-Meinhof atuava como uma c\u00e9lula de apoio local para o Setembro Negro em solo alem\u00e3o, baseada na convic\u00e7\u00e3o de que todos estavam lutando contra o mesmo sistema ocidental. Conforme discutido anteriormente, inclusive, os ativistas alem\u00e3es fizeram treinamento militar com os palestinos na Jord\u00e2nia. Para corroborar este fato, uma das principais reivindica\u00e7\u00f5es do Setembro Negro era a liberta\u00e7\u00e3o de centenas de prisioneiros palestinos detidos em Israel. Crucialmente, eles tamb\u00e9m exigiram a liberta\u00e7\u00e3o de l\u00edderes da RAF, como Andreas Baader e Ulrike Meinhof, que estavam presos em cadeias alem\u00e3s.<\/p>\n<div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p>Tamb\u00e9m foi uma sorte ter encontrado na Prime Video o an\u00fancio de\u00a0<strong>\u201cEu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostitu\u00edda\u201d<\/strong>\u00a0(1981, Alemanha Ocidental &#8211; 131 min), baseado no livro de mesmo nome. A hist\u00f3ria da garota de classe m\u00e9dia que se vicia em hero\u00edna na Berlim Ocidental dos anos 1970 e acaba se prostituindo para sustentar o v\u00edcio resultou num dos livros mais importantes que li na vida: eu era adolescente e fiquei t\u00e3o assustado com o relato \u2013 e as fotos \u2013 da obra que tenho certeza que esta leitura me tirou toda e qualquer vontade de usar drogas il\u00edcitas, at\u00e9 hoje. Mas nunca tinha visto o filme, ao qual s\u00f3 assisti agora. Como todos os citados neste texto, ele \u00e9 extraordin\u00e1rio, com \u00f3timas atua\u00e7\u00f5es e tens\u00e3o do in\u00edcio ao fim.<\/p>\n<p>Pode-se argumentar que o que conecta as hist\u00f3rias de Christiane F. e do Baader-Meinhof \u00e9 o desespero de uma juventude que se sentia isolada e sem futuro, seja encontrando sentido na revolu\u00e7\u00e3o ou no v\u00edcio. Tenho minhas ressalvas em rela\u00e7\u00e3o a esta teoria, dados os problemas que muitas pessoas enfrentam com o uso abusivo de drogas, seja na Berlim dos anos 1970 ou em muitos outros lugares e \u00e9pocas.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 sim algumas rela\u00e7\u00f5es inequ\u00edvocas entre as duas obras: no filme de 1981, a cena da primeira rela\u00e7\u00e3o entre Christiane F. e seu namorado Detlev ocorre num quarto onde, com grande destaque, aparece o famoso p\u00f4ster de \u201cProcura-se\u201d da pol\u00edcia alem\u00e3 com a foto do rosto de Ulrike Meinhof. Mais do que isso, o alem\u00e3o Uli Edel \u00e9 o diretor dos dois filmes!<\/p>\n<p>N\u00e3o tem como n\u00e3o dizer que as hist\u00f3rias tr\u00e1gicas do grupo Baader-Meinhof e de Christiane F. n\u00e3o est\u00e3o relacionadas.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Imagem obtida no Gemini.<\/em><\/p>\n<p><em>Se voc\u00ea estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO Grupo Baader-Meinhof\u201d\u00a0(Alemanha\/Fran\u00e7a\/Rep\u00fablica Tcheca, 2008, 150 min) \u00e9 um filme dirigido por Uli Edel e estrelado por Martina Gedeck, Moritz Bleibtreu e Johanna Wokalek. A obra narra a hist\u00f3ria da \u201cprimeira gera\u00e7\u00e3o\u201d do grupo terrorista alem\u00e3o, composta por Andreas Baader, Gudrun Ensslin e Ulrike Meinhof. O filme \u00e9 baseado em \u201cDer Baader-Meinhof Komplex\u201d, de Stefan Aust, publicado em 1985 e considerado um dos melhores livros sobre o tema. \u00c9 interessante como algumas cenas do livro s\u00e3o fielmente reproduzidas no filme. Posso citar a tens\u00e3o \u2014 cultural e disciplinar \u2014 entre terroristas palestinos e os ativistas alem\u00e3es, que ficavam nus \u2014 homens e mulheres juntos \u2014 em p\u00fablico durante um treinamento militar na Jord\u00e2nia. Outra cena marcante \u00e9 a de Andreas Baader dando de presente seu casaco de couro para um terrorista rec\u00e9m-chegado, s\u00f3 porque o novato havia gostado da pe\u00e7a. O filme \u00e9 excelente, mantendo a tens\u00e3o o tempo todo e com atua\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias. A semelhan\u00e7a entre Johanna Wokalek, a atriz que interpreta Gudrun Ensslin, e a pr\u00f3pria terrorista \u00e9 t\u00e3o grande que chega a ser assustadora. Ensslin era namorada de Andreas Baader e era mais importante dentro do grupo do que Ulrike Meinhof, apesar de o nome desta \u00faltima compor o t\u00edtulo popular do grupo, que era oficialmente chamado de Rote Armee Fraktion (RAF). Nestas pesquisas sobre a Alemanha dos anos 1970, acabei tendo a sorte de encontrar, como propaganda principal da Prime Video, o filme de 2024\/2025,\u00a0\u201cSetembro 5\u201d, dirigido por Timur Bekmambetov (Alemanha\/EUA &#8211; 94 min). O filme se concentra na transmiss\u00e3o esportiva da rede americana ABC durante o Massacre de Munique em 1972, o ataque terrorista a atletas israelenses durante os Jogos Ol\u00edmpicos. \u201cSetembro 5\u201d \u00e9 filmado como se fosse uma pel\u00edcula dos anos 1970, e o cuidado com a reprodu\u00e7\u00e3o da tecnologia daquela \u00e9poca \u00e9 espetacular. Os t\u00e9cnicos da rede americana ABC tinham que lutar pelo \u00fanico sat\u00e9lite dispon\u00edvel para os Estados Unidos; muitas informa\u00e7\u00f5es eram obtidas por uma r\u00e1dio local \u2013 e apenas uma tradutora (vivida pela atriz Lena Urzendowsky) conseguia traduzir para os americanos o que se dizia. Havia tamb\u00e9m uma dificuldade gigantesca em transportar as enormes c\u00e2meras para os locais onde o atentado estava ocorrendo, e assim por diante. Fascinante. Existia sim uma rela\u00e7\u00e3o entre os terroristas palestinos, do grupo Setembro Negro, que assassinaram onze atletas israelenses nas Olimp\u00edadas de 1972, e os terroristas alem\u00e3es. Essencialmente, o Baader-Meinhof atuava como uma c\u00e9lula de apoio local para o Setembro Negro em solo alem\u00e3o, baseada na convic\u00e7\u00e3o de que todos estavam lutando contra o mesmo sistema ocidental. Conforme discutido anteriormente, inclusive, os ativistas alem\u00e3es fizeram treinamento militar com os palestinos na Jord\u00e2nia. Para corroborar este fato, uma das principais reivindica\u00e7\u00f5es do Setembro Negro era a liberta\u00e7\u00e3o de centenas de prisioneiros palestinos detidos em Israel. Crucialmente, eles tamb\u00e9m exigiram a liberta\u00e7\u00e3o de l\u00edderes da RAF, como Andreas Baader e Ulrike Meinhof, que estavam presos em cadeias alem\u00e3s. Tamb\u00e9m foi uma sorte ter encontrado na Prime Video o an\u00fancio de\u00a0\u201cEu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostitu\u00edda\u201d\u00a0(1981, Alemanha Ocidental &#8211; 131 min), baseado no livro de mesmo nome. A hist\u00f3ria da garota de classe m\u00e9dia que se vicia em hero\u00edna na Berlim Ocidental dos anos 1970 e acaba se prostituindo para sustentar o v\u00edcio resultou num dos livros mais importantes que li na vida: eu era adolescente e fiquei t\u00e3o assustado com o relato \u2013 e as fotos \u2013 da obra que tenho certeza que esta leitura me tirou toda e qualquer vontade de usar drogas il\u00edcitas, at\u00e9 hoje. Mas nunca tinha visto o filme, ao qual s\u00f3 assisti agora. Como todos os citados neste texto, ele \u00e9 extraordin\u00e1rio, com \u00f3timas atua\u00e7\u00f5es e tens\u00e3o do in\u00edcio ao fim. Pode-se argumentar que o que conecta as hist\u00f3rias de Christiane F. e do Baader-Meinhof \u00e9 o desespero de uma juventude que se sentia isolada e sem futuro, seja encontrando sentido na revolu\u00e7\u00e3o ou no v\u00edcio. Tenho minhas ressalvas em rela\u00e7\u00e3o a esta teoria, dados os problemas que muitas pessoas enfrentam com o uso abusivo de drogas, seja na Berlim dos anos 1970 ou em muitos outros lugares e \u00e9pocas. Mas h\u00e1 sim algumas rela\u00e7\u00f5es inequ\u00edvocas entre as duas obras: no filme de 1981, a cena da primeira rela\u00e7\u00e3o entre Christiane F. e seu namorado Detlev ocorre num quarto onde, com grande destaque, aparece o famoso p\u00f4ster de \u201cProcura-se\u201d da pol\u00edcia alem\u00e3 com a foto do rosto de Ulrike Meinhof. Mais do que isso, o alem\u00e3o Uli Edel \u00e9 o diretor dos dois filmes! N\u00e3o tem como n\u00e3o dizer que as hist\u00f3rias tr\u00e1gicas do grupo Baader-Meinhof e de Christiane F. n\u00e3o est\u00e3o relacionadas. Imagem obtida no Gemini. 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