{"id":6066,"date":"2025-11-15T12:23:01","date_gmt":"2025-11-15T15:23:01","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6066"},"modified":"2026-03-22T19:39:46","modified_gmt":"2026-03-22T22:39:46","slug":"o-grupo-terrorista-baader-meinhof-1-introducao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6066","title":{"rendered":"O grupo terrorista Baader-Meinhof: 1. Introdu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Para uma crian\u00e7a que acompanhava o notici\u00e1rio nos anos 1970, o nome Baader-Meinhof tinha algo de assustador e algo de charmoso. Assustador porque era um grupo terrorista alem\u00e3o de extrema-esquerda, e charmoso porque, pelo menos para mim, remetia a um pa\u00eds desenvolvido, a Alemanha \u2014 de onde veio, ali\u00e1s, meu sobrenome (t\u00e3o popular por l\u00e1 quanto Silva por aqui). Embora eu tenha acompanhado o sequestro e assassinato do ex-primeiro-ministro italiano Aldo Moro pelo grupo terrorista Brigadas Vermelhas, a for\u00e7a do Baader-Meinhof estava numa certa viol\u00eancia e amea\u00e7a difusa, j\u00e1 que seus atos terroristas \u2013 pelo menos para a crian\u00e7a que eu era \u2013 eram muito menos claros do que o ocorrido na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Um aspecto ir\u00f4nico desta hist\u00f3ria \u00e9 que \u201cBaader-Meinhof\u201d n\u00e3o era o nome que o grupo terrorista aplicava a si mesmo, mas foi dado pela imprensa, depois de uma fuga espetacular ocorrida em 14 de maio de 1970. Naquela ocasi\u00e3o, o l\u00edder do grupo, Andreas Baader, foi resgatado da cust\u00f3dia policial na biblioteca de um instituto em Berlim, pulando pela janela junto com outros ativistas e a jornalista Ulrike Meinhof \u2014 que havia usado o pretexto de uma entrevista para facilitar o resgate, executado por c\u00famplices armados. Se fosse batizar o grupo pelo nome de seus l\u00edderes, ele deveria se chamar \u201cBaader-Ensslin\u201d \u2014 e me refiro aqui \u00e0 namorada de Andreas Baader, Gudrun Ensslin, que era praticamente t\u00e3o importante nas decis\u00f5es quanto ele. De todo modo, o grupo se autodenominava RAF (Rote Armee Fraktion, ou seja, Fra\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Vermelho), uma prov\u00e1vel provoca\u00e7\u00e3o com o nome da Real For\u00e7a A\u00e9rea Brit\u00e2nica, que tem o mesmo acr\u00f4nimo (Royal Air Force).<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O Baader-Meinhof fez uma s\u00e9rie de inc\u00eandios e explos\u00f5es em pr\u00e9dios privados e p\u00fablicos, roubos a banco e sequestros, e eram considerados t\u00e3o perigosos \u2013 j\u00e1 que normalmente recebiam a tiros os policiais que tentavam prend\u00ea-los \u2013 que foi constru\u00eddo um pr\u00e9dio novo dentro da Pris\u00e3o de Stammheim com um tribunal no andar t\u00e9rreo e uma unidade de deten\u00e7\u00e3o de alta seguran\u00e7a (c\u00e9lulas) nos andares superiores, apenas para o julgamento dos terroristas.<\/p>\n<p>O grupo foi t\u00e3o comentado pelo mundo todo que at\u00e9 um vi\u00e9s cognitivo \u2013 a ilus\u00e3o de frequ\u00eancia \u2013 no qual uma pessoa percebe um conceito, palavra ou produto espec\u00edfico com mais frequ\u00eancia ap\u00f3s ter tomado conhecimento dele recentemente, \u00e9 chamado de \u201cFen\u00f4meno Baader-Meinhof\u201d. O termo foi cunhado em 1994 por um leitor de um jornal em St. Paul, Minnesota (EUA), que escreveu uma carta dizendo que havia lido sobre o Grupo Baader-Meinhof e, logo em seguida, o viu mencionado em outro lugar. Outros leitores compartilharam experi\u00eancias semelhantes, e o nome \u201cpegou\u201d para descrever a Ilus\u00e3o de Frequ\u00eancia. Mesmo a banda Legi\u00e3o Urbana tem uma m\u00fasica chamada \u201cBaader-Meinhof Blues\u201d, o que ajuda a mostrar como o nome do grupo ficou gravado no inconsciente coletivo.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>O Baader-Meinhof, assim como o povo etrusco, o Imp\u00e9rio Wari, o Per\u00edodo Permiano, os Papas de Avignon e S\u00e3o Lu\u00eds de Tolosa, \u00e9 um dos meus interesses estranhos. Pretendo escrever aqui ainda alguns textos sobre o grupo terrorista alem\u00e3o \u2013 o pr\u00f3ximo, j\u00e1 engatilhado, \u00e9 sobre a supracitada m\u00fasica \u201cBaader-Meinhof Blues\u201d.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\"><em>(Foto que acompanha o texto: Andreas Baader e Gudrun Ensslin. Cr\u00e9dito da foto: 31.out.1968\/Associated Press, obtida na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2017\/10\/1928340-recordacoes-de-um-outono-alemao-violento-voltam-a-tona.shtml\">Folha de S\u00e3o Paulo<\/a>. 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Embora eu tenha acompanhado o sequestro e assassinato do ex-primeiro-ministro italiano Aldo Moro pelo grupo terrorista Brigadas Vermelhas, a for\u00e7a do Baader-Meinhof estava numa certa viol\u00eancia e amea\u00e7a difusa, j\u00e1 que seus atos terroristas \u2013 pelo menos para a crian\u00e7a que eu era \u2013 eram muito menos claros do que o ocorrido na It\u00e1lia. Um aspecto ir\u00f4nico desta hist\u00f3ria \u00e9 que \u201cBaader-Meinhof\u201d n\u00e3o era o nome que o grupo terrorista aplicava a si mesmo, mas foi dado pela imprensa, depois de uma fuga espetacular ocorrida em 14 de maio de 1970. Naquela ocasi\u00e3o, o l\u00edder do grupo, Andreas Baader, foi resgatado da cust\u00f3dia policial na biblioteca de um instituto em Berlim, pulando pela janela junto com outros ativistas e a jornalista Ulrike Meinhof \u2014 que havia usado o pretexto de uma entrevista para facilitar o resgate, executado por c\u00famplices armados. Se fosse batizar o grupo pelo nome de seus l\u00edderes, ele deveria se chamar \u201cBaader-Ensslin\u201d \u2014 e me refiro aqui \u00e0 namorada de Andreas Baader, Gudrun Ensslin, que era praticamente t\u00e3o importante nas decis\u00f5es quanto ele. De todo modo, o grupo se autodenominava RAF (Rote Armee Fraktion, ou seja, Fra\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Vermelho), uma prov\u00e1vel provoca\u00e7\u00e3o com o nome da Real For\u00e7a A\u00e9rea Brit\u00e2nica, que tem o mesmo acr\u00f4nimo (Royal Air Force). O Baader-Meinhof fez uma s\u00e9rie de inc\u00eandios e explos\u00f5es em pr\u00e9dios privados e p\u00fablicos, roubos a banco e sequestros, e eram considerados t\u00e3o perigosos \u2013 j\u00e1 que normalmente recebiam a tiros os policiais que tentavam prend\u00ea-los \u2013 que foi constru\u00eddo um pr\u00e9dio novo dentro da Pris\u00e3o de Stammheim com um tribunal no andar t\u00e9rreo e uma unidade de deten\u00e7\u00e3o de alta seguran\u00e7a (c\u00e9lulas) nos andares superiores, apenas para o julgamento dos terroristas. O grupo foi t\u00e3o comentado pelo mundo todo que at\u00e9 um vi\u00e9s cognitivo \u2013 a ilus\u00e3o de frequ\u00eancia \u2013 no qual uma pessoa percebe um conceito, palavra ou produto espec\u00edfico com mais frequ\u00eancia ap\u00f3s ter tomado conhecimento dele recentemente, \u00e9 chamado de \u201cFen\u00f4meno Baader-Meinhof\u201d. O termo foi cunhado em 1994 por um leitor de um jornal em St. Paul, Minnesota (EUA), que escreveu uma carta dizendo que havia lido sobre o Grupo Baader-Meinhof e, logo em seguida, o viu mencionado em outro lugar. Outros leitores compartilharam experi\u00eancias semelhantes, e o nome \u201cpegou\u201d para descrever a Ilus\u00e3o de Frequ\u00eancia. Mesmo a banda Legi\u00e3o Urbana tem uma m\u00fasica chamada \u201cBaader-Meinhof Blues\u201d, o que ajuda a mostrar como o nome do grupo ficou gravado no inconsciente coletivo. *** O Baader-Meinhof, assim como o povo etrusco, o Imp\u00e9rio Wari, o Per\u00edodo Permiano, os Papas de Avignon e S\u00e3o Lu\u00eds de Tolosa, \u00e9 um dos meus interesses estranhos. Pretendo escrever aqui ainda alguns textos sobre o grupo terrorista alem\u00e3o \u2013 o pr\u00f3ximo, j\u00e1 engatilhado, \u00e9 sobre a supracitada m\u00fasica \u201cBaader-Meinhof Blues\u201d. *** (Foto que acompanha o texto: Andreas Baader e Gudrun Ensslin. 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