{"id":5906,"date":"2025-07-13T18:46:27","date_gmt":"2025-07-13T21:46:27","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5906"},"modified":"2025-07-13T18:46:27","modified_gmt":"2025-07-13T21:46:27","slug":"a-outra-terra-uma-pequena-obra-prima-de-ficcao-cientifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5906","title":{"rendered":"A Outra Terra &#8211; Uma pequena obra-prima de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica"},"content":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou quando a colunista da Folha,\u00a0<strong>Lygia Maria<\/strong>, publicou em sua conta no X (@lygia_maria) que &#8220;<strong>A Outra Terra<\/strong>&#8220;, filme de Mike Cahill de 2011, era sua resposta para a pergunta da conta @TheCinesthetic: &#8220;cite um filme que te surpreendeu, mas sobre o qual ningu\u00e9m fala&#8221;. Junto com a resposta, vinha a bela fotomontagem que acompanha este texto. Ao ver a imagem, que mostra uma &#8220;outra Terra&#8221; vista do nosso planeta, tive a intui\u00e7\u00e3o de que gostaria do filme \u2013 e comentei isso com a colunista \u2013, mas n\u00e3o imaginava o quanto.<\/p>\n<p>&#8220;A Outra Terra&#8221; inicia com\u00a0<strong>Rhoda Williams<\/strong>\u00a0(Brit Marling), a protagonista, celebrando com amigos sua entrada no famoso MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Pouco depois, em uma cena no carro, ela ouve no r\u00e1dio a not\u00edcia da descoberta de um novo planeta, semelhante \u00e0 Terra, e vis\u00edvel no c\u00e9u. Enquanto dirige, ela se inclina para fora da janela para observar este novo astro, chamado no filme de\u00a0<strong>Terra 2<\/strong>, e acaba causando um acidente grav\u00edssimo. Declarada culpada, Rhoda passa quatro anos na pris\u00e3o. Ao sair, abandona os estudos, come\u00e7a a trabalhar como servente de limpeza e tenta lidar com a culpa, buscando conversar com o motorista do carro que atingiu. Conforme o filme avan\u00e7a, a &#8220;Terra 2&#8221; vai se tornando cada vez maior no c\u00e9u, e not\u00edcias sobre seu estranho comportamento s\u00e3o constantemente veiculadas em diversas cenas.<\/p>\n<p>&#8220;A Outra Terra&#8221; \u00e9 filmado de maneira aparentemente amadora, frequentemente com cores dessaturadas e c\u00e2mera na m\u00e3o. Sua aus\u00eancia de polimento faz com que n\u00e3o pare\u00e7a um filme &#8220;cinematogr\u00e1fico&#8221; convencional. O clima, ao mesmo tempo lento e meio esquisito, me fez lembrar um dos meus filmes preferidos, &#8220;<strong>Imp\u00e9rio dos Sonhos<\/strong>&#8221; (<em>Inland Empire<\/em>), de David Lynch, de 2006 \u2013 embora este, \u00e9 preciso dizer, seja bem mais estranho que &#8220;A Outra Terra&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a atua\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Brit Marling<\/strong>\u00a0me remeteu bastante \u00e0 grande atriz\u00a0<strong>Liv Ullmann<\/strong>\u00a0em filmes do cineasta sueco\u00a0<strong>Ingmar Bergman<\/strong>\u00a0(1918-2007), como &#8220;Gritos e Sussurros&#8221;, &#8220;Persona&#8221; e &#8220;Cenas de um Casamento&#8221;. N\u00e3o s\u00f3 as duas s\u00e3o fisicamente parecidas, como possuem um estilo de atua\u00e7\u00e3o contido e minimalista, com uma not\u00e1vel capacidade de comunicar muito atrav\u00e9s dos olhos, transmitindo profundidade, sofrimento ou uma complexidade silenciosa. \u00c9 importante ressaltar que, apesar de ser um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, &#8220;A Outra Terra&#8221; mergulha em uma ang\u00fastia existencial \u2013 a culpa \u2013 como se fosse uma obra do mestre sueco.<\/p>\n<p>No entanto, a solu\u00e7\u00e3o para os conflitos suscitados ao longo do filme n\u00e3o me agradou tanto, provavelmente porque me lembrou que esta pequena obra-prima, por mais esquisita e existencial que seja, \u00e9, no fim das contas, uma hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Quem se interessar em receber meus textos semanalmente, clique <a href=\"https:\/\/open.substack.com\/pub\/fabriciomuller\/p\/a-outra-terra?r=2m0pd&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=true\">aqui<\/a> e cadastre seu e-mail.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou quando a colunista da Folha,\u00a0Lygia Maria, publicou em sua conta no X (@lygia_maria) que &#8220;A Outra Terra&#8220;, filme de Mike Cahill de 2011, era sua resposta para a pergunta da conta @TheCinesthetic: &#8220;cite um filme que te surpreendeu, mas sobre o qual ningu\u00e9m fala&#8221;. 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