{"id":5878,"date":"2025-07-13T04:15:05","date_gmt":"2025-07-13T07:15:05","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5878"},"modified":"2025-07-13T04:15:05","modified_gmt":"2025-07-13T07:15:05","slug":"tres-livros-de-teor-erotico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5878","title":{"rendered":"Tr\u00eas livros de teor er\u00f3tico"},"content":{"rendered":"<p>Eu comprei \u201cPorcos com asas\u201d, de Marco Lombardo Radice e Lidia Ravera (Editora Brasiliense, 185 p\u00e1gina, tradu\u00e7\u00e3o de Maria Celeste M. Leite Souza, publicado originalmente em 1976), provavelmente recomendado pela Veja.<\/p>\n<p>O livro come\u00e7a assim:<\/p>\n<blockquote><p>Caralho. Caralho, caralho, caralho. Buceta. Buceta peluda, quente, cheirosa. Buceta de putinha. Nada&#8230; Antes, falando estas coisas, eu gozava ou, pelo menos, me vinha vontade&#8230; Quando eu estava com meus amigos, dizia estas palavras e depois ca\u00eda na gargalhada. Quando eu estava sozinha, pensava nelas, falava a meia voz e, ligeira, enfiava a m\u00e3o dentro da minha calcinha, de olho na porta e de ouvidos t\u00e3o atentos que eu podia ouvir at\u00e9 o ranger das escadas. Era o p\u00e2nico total. Depois, eu bem que cortaria minha m\u00e3o, mas na hora era t\u00e3o bom&#8230; Era como uma felicidade molhada, explosiva, um grito abafado, e pronto!&#8230; Agora, mesmo quando estou sozinha, \u00e9 como se estivesse com\u00a0outras\u00a0pessoas d\u00e1 vontade de rir. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 que eu tenha vontade de rir: eu rio porque nunca estou s\u00f3, mesmo quando n\u00e3o tem ningu\u00e9m, tem sempre um cretino para me julgar.<\/p>\n<p>Caralho inchado, caralho duro, com a pele peluda e a cabe\u00e7a pelada saindo pra fora: j\u00e1 peguei em sete. Isso n\u00e3o me abalou muito, n\u00e3o. Mas eles n\u00e3o s\u00e3o todos iguais: uns t\u00eam um jeit\u00e3o doente, outros, um ar saud\u00e1vel. Uns todos enrugados, outros lisinhos. P\u00f4, at\u00e9 agora, nada! Vou tirar meu pijama e deitar de barriga pra cima, como se estivesse morta&#8230;<\/p>\n<p>Necrot\u00e9rio: mesa de m\u00e1rmore. Cheiro forte de desinfetante. Luz fixa. Sil\u00eancio pesado: Ant\u00f4nia P., 16 anos, sexo feminino, jaz morta (cubro meu rosto com o len\u00e7ol). Ru\u00eddo de passos: um grupo de pessoas, compungidas, se aproxima, guiadas por um homem de avental branco: um tipo bonito, mas com um ar ausente de cuidador de cad\u00e1veres (francamente, um tipo que vive no meio de cad\u00e1veres deve ser muito espiritual). Atr\u00e1s dele v\u00eam por ordem: mam\u00e3e, vestida com aquele conjunto preto que ela fez no ano passado (parece cruel, mas espero que ela tenha o bom gosto de n\u00e3o querer se parecer comigo, pelo menos enquanto eu estiver no necrot\u00e9rio), palid\u00edssima, finalmente sem nenhuma maquilagem.\u00a0 Papai, ligeiramente ofegante, com um len\u00e7o branco em volta daquele pesco\u00e7o bovino, parece estar \u00e0 beira de um enfarte. Tia Bice, seca e antip\u00e1tica, n\u00e3o perde um detalhe (que diabo ela veio xeretar aqui, se ela nunca me aturou?). Ele, de jeans e camiseta (n\u00e3o queriam que Ele entrasse, mas Ele contestou, resoluto: &#8220;Ou voc\u00eas me deixam v\u00ea-la ou me mato aqui mesmo!&#8221;). Eles abrem alas e, com respeito, o observam passar. O homem de avental branco levanta o len\u00e7ol. Meus cabelos se espalham suavemente sobre o m\u00e1rmore branco; foram lavados para que fosse removido o sangue seco e agora brilham sobre o m\u00e1rmore como se fossem seda dourada. Meu rosto est\u00e1 p\u00e1lido e sereno, sem espinhas (acho que os mortos n\u00e3o t\u00eam espinhas). O sil\u00eancio se enche\u00a0de\u00a0solu\u00e7os.<\/p><\/blockquote>\n<p>O livro fez um sucesso imenso quando publicado por aqui, no in\u00edcio dos anos 1980, que foi quando o li pela primeira vez. O livro se apresenta como o di\u00e1rio \u00edntimo de dois adolescentes, Rocco e Ant\u00f4nia, que vivem em Roma entre 1975 e 1976, e s\u00e3o ligados ao Partido Comunista Italiano.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do relacionamento dos dois, com idas e voltas, \u00e0s vezes parece uma Sess\u00e3o da Tarde, mas as cenas de sexo s\u00e3o sempre descritas de maneira expl\u00edcita. E, por mais que as quest\u00f5es sociais pare\u00e7am datadas para o leitor de hoje, o livro serve como uma introdu\u00e7\u00e3o ao pensamento da esquerda italiana nos anos 1970, uma \u00e9poca que me interessa bastante.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nos anos 1980 que li pela primeira vez \u201cO mundo pecaminoso que vivi\u201d, de Myl\u00e8ne Demarst. Publicado pela Luzeiro Editora e com 143 p\u00e1ginas, o livro se declara como uma hist\u00f3ria real, sobre as aventuras sexuais da autora, que na verdade seria uma importante atriz francesa de cinema \u2013 e na edi\u00e7\u00e3o consta at\u00e9 o nome do tradutor, um tal de Rubens F. Lucchetti. Mais do que isso, o livro seria a continua\u00e7\u00e3o de outra edi\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias sexuais da autora, chamado \u201cConfiss\u00f5es de uma Estrela\u201d.<\/p>\n<p>Mas tudo isso, ao que tudo indica, \u00e9 falso. Myl\u00e8ne Demarst deve ser uma autora (ou autor) brasileira, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma men\u00e7\u00e3o deste nome no Google fora daqui \u2013 e mesmo em pesquisas brasileiras, a autora s\u00f3 aparece em disserta\u00e7\u00f5es sobre livros censurados, como \u201cESCREVER \u00c9 SUBVERSIVO: Censura a livros er\u00f3ticos e pornogr\u00e1ficos na Ditadura Civil-Militar Brasileira.\u201d, de Julina Belinaso<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 razoavelmente bem escrito, as aventuras da \u201catriz\u201d s\u00e3o meio exageradas, mas nada que comprometa muito. E o final apresenta o texto de \u201cA inicia\u00e7\u00e3o de Eug\u00eania\u201d, uma \u201cpe\u00e7a em um ato, inspirada no Marqu\u00eas de Sade\u201d. Conforme apresentado em \u201cO mundo pecaminoso que vivi\u201d, a pe\u00e7a \u201cfoi encenada no Teatro Royal, de Budapest (sic)\u201d. Duvido que ela tenha sido encenada!<\/p>\n<p>Segue o trecho final do cap\u00edtulo 4 do livro de Myl\u00e8ne Demarst:<\/p>\n<blockquote><p>Inopinadamente, ele atirou-se sobre n\u00f3s. Primeiro atacou-me, beijando-me o p\u00fabis e a vagina, depois Christine, fazendo o mesmo.<\/p>\n<p>Desabotoei os bot\u00f5es da frente de suas cal\u00e7as e comecei a acariciar e excitar com beijos l\u00fabricos o seu membro. Aos poucos ele foi endurecendo e principiei a masturb\u00e1-lo enquanto me oferecia toda aberta, para o contato manual de Carl, que beijava os seios de Christine ou sugava-os, e com as m\u00e3os trabalhava avidamente nas n\u00e1degas da mo\u00e7a.<\/p>\n<p>Assim permanecemos naqueles deliciosos contatos de m\u00e3os e bocas. \u00c9 uma das coisas mais maravilhosas que se pode imaginar: assim, gozamos profundamente, muito mais do que no coito. Atravessamos v\u00e1rios espasmos, mas ningu\u00e9m, nenhum dos tr\u00eas, arredava p\u00e9. O odor de sexo excitava-nos muito mais.<\/p>\n<p>Completamente esgotados, ca\u00edmos no tapete e acordamos algumas horas mais tarde. E tudo se renovou.<\/p>\n<p>No auge da orgia, Carl se desprendeu de n\u00f3s e foi at\u00e9 o telefone. Falou alguma coisa. Depois, voltou para os nossos carinhos.<\/p>\n<p>Da\u00ed meia hora, chegavam tr\u00eas rapag\u00f5es de f\u00edsico atl\u00e9tico. Carl recebeu-os alegremente. N\u00f3s est\u00e1vamos completamente nus; imediatamente, eles tamb\u00e9m se despiram. Bebemos u\u00edsque puro e nos entregamos \u00e0 mais depravada das uni\u00f5es sexuais\u00a0que\u00a0pode\u00a0haver.<\/p>\n<p>Eu sentia que estava sendo penetrada por tr\u00e1s por um membro enorme, enquanto tinha o membro de Carl entre meus l\u00e1bios e sugava-o deliciosamente.<\/p>\n<p>Uma m\u00e3o acariciava-me\u00a0a\u00a0vagina.<\/p><\/blockquote>\n<p>***<\/p>\n<p>&#8220;Tudo o que voc\u00ea n\u00e3o queria saber sobre sexo&#8221;, de Ad\u00e3o Iturrusgarai e Mirian Goldenberg (Record, 2005), \u201cse prop\u00f5e a desvendar e discutir a sexualidade de uma forma leve, mas, ao mesmo tempo, bastante informativa e provocadora\u201d.<\/p>\n<p>O livro tem cartuns do autor e questionamentos da autora, e tem momentos mais e menos interessantes. Alguns cartuns s\u00e3o bons, como este, abaixo:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-23-as-16.33.04_8fbe69d7.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-5881\" src=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-23-as-16.33.04_8fbe69d7-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-23-as-16.33.04_8fbe69d7-169x300.jpg 169w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-23-as-16.33.04_8fbe69d7-576x1024.jpg 576w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-23-as-16.33.04_8fbe69d7-768x1366.jpg 768w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-23-as-16.33.04_8fbe69d7-864x1536.jpg 864w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-23-as-16.33.04_8fbe69d7.jpg 899w\" sizes=\"(max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><\/a><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> BELINASO, Juana. Escrever \u00e9 subversivo: censura a livros er\u00f3ticos e pornogr\u00e1ficos na Ditadura Civil-Militar Brasileira. 2020. 120 f. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Gradua\u00e7\u00e3o em Arquivologia) \u2013 Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/229628. Acesso em: 23 jun. 2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu comprei \u201cPorcos com asas\u201d, de Marco Lombardo Radice e Lidia Ravera (Editora Brasiliense, 185 p\u00e1gina, tradu\u00e7\u00e3o de Maria Celeste M. Leite Souza, publicado originalmente em 1976), provavelmente recomendado pela Veja. O livro come\u00e7a assim: Caralho. Caralho, caralho, caralho. Buceta. Buceta peluda, quente, cheirosa. Buceta de putinha. Nada&#8230; Antes, falando estas coisas, eu gozava ou, pelo menos, me vinha vontade&#8230; Quando eu estava com meus amigos, dizia estas palavras e depois ca\u00eda na gargalhada. Quando eu estava sozinha, pensava nelas, falava a meia voz e, ligeira, enfiava a m\u00e3o dentro da minha calcinha, de olho na porta e de ouvidos t\u00e3o atentos que eu podia ouvir at\u00e9 o ranger das escadas. Era o p\u00e2nico total. Depois, eu bem que cortaria minha m\u00e3o, mas na hora era t\u00e3o bom&#8230; Era como uma felicidade molhada, explosiva, um grito abafado, e pronto!&#8230; Agora, mesmo quando estou sozinha, \u00e9 como se estivesse com\u00a0outras\u00a0pessoas d\u00e1 vontade de rir. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 que eu tenha vontade de rir: eu rio porque nunca estou s\u00f3, mesmo quando n\u00e3o tem ningu\u00e9m, tem sempre um cretino para me julgar. Caralho inchado, caralho duro, com a pele peluda e a cabe\u00e7a pelada saindo pra fora: j\u00e1 peguei em sete. Isso n\u00e3o me abalou muito, n\u00e3o. Mas eles n\u00e3o s\u00e3o todos iguais: uns t\u00eam um jeit\u00e3o doente, outros, um ar saud\u00e1vel. Uns todos enrugados, outros lisinhos. P\u00f4, at\u00e9 agora, nada! Vou tirar meu pijama e deitar de barriga pra cima, como se estivesse morta&#8230; Necrot\u00e9rio: mesa de m\u00e1rmore. Cheiro forte de desinfetante. Luz fixa. Sil\u00eancio pesado: Ant\u00f4nia P., 16 anos, sexo feminino, jaz morta (cubro meu rosto com o len\u00e7ol). Ru\u00eddo de passos: um grupo de pessoas, compungidas, se aproxima, guiadas por um homem de avental branco: um tipo bonito, mas com um ar ausente de cuidador de cad\u00e1veres (francamente, um tipo que vive no meio de cad\u00e1veres deve ser muito espiritual). Atr\u00e1s dele v\u00eam por ordem: mam\u00e3e, vestida com aquele conjunto preto que ela fez no ano passado (parece cruel, mas espero que ela tenha o bom gosto de n\u00e3o querer se parecer comigo, pelo menos enquanto eu estiver no necrot\u00e9rio), palid\u00edssima, finalmente sem nenhuma maquilagem.\u00a0 Papai, ligeiramente ofegante, com um len\u00e7o branco em volta daquele pesco\u00e7o bovino, parece estar \u00e0 beira de um enfarte. Tia Bice, seca e antip\u00e1tica, n\u00e3o perde um detalhe (que diabo ela veio xeretar aqui, se ela nunca me aturou?). Ele, de jeans e camiseta (n\u00e3o queriam que Ele entrasse, mas Ele contestou, resoluto: &#8220;Ou voc\u00eas me deixam v\u00ea-la ou me mato aqui mesmo!&#8221;). Eles abrem alas e, com respeito, o observam passar. O homem de avental branco levanta o len\u00e7ol. Meus cabelos se espalham suavemente sobre o m\u00e1rmore branco; foram lavados para que fosse removido o sangue seco e agora brilham sobre o m\u00e1rmore como se fossem seda dourada. Meu rosto est\u00e1 p\u00e1lido e sereno, sem espinhas (acho que os mortos n\u00e3o t\u00eam espinhas). O sil\u00eancio se enche\u00a0de\u00a0solu\u00e7os. O livro fez um sucesso imenso quando publicado por aqui, no in\u00edcio dos anos 1980, que foi quando o li pela primeira vez. O livro se apresenta como o di\u00e1rio \u00edntimo de dois adolescentes, Rocco e Ant\u00f4nia, que vivem em Roma entre 1975 e 1976, e s\u00e3o ligados ao Partido Comunista Italiano. A hist\u00f3ria do relacionamento dos dois, com idas e voltas, \u00e0s vezes parece uma Sess\u00e3o da Tarde, mas as cenas de sexo s\u00e3o sempre descritas de maneira expl\u00edcita. E, por mais que as quest\u00f5es sociais pare\u00e7am datadas para o leitor de hoje, o livro serve como uma introdu\u00e7\u00e3o ao pensamento da esquerda italiana nos anos 1970, uma \u00e9poca que me interessa bastante. *** Tamb\u00e9m nos anos 1980 que li pela primeira vez \u201cO mundo pecaminoso que vivi\u201d, de Myl\u00e8ne Demarst. Publicado pela Luzeiro Editora e com 143 p\u00e1ginas, o livro se declara como uma hist\u00f3ria real, sobre as aventuras sexuais da autora, que na verdade seria uma importante atriz francesa de cinema \u2013 e na edi\u00e7\u00e3o consta at\u00e9 o nome do tradutor, um tal de Rubens F. Lucchetti. Mais do que isso, o livro seria a continua\u00e7\u00e3o de outra edi\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias sexuais da autora, chamado \u201cConfiss\u00f5es de uma Estrela\u201d. Mas tudo isso, ao que tudo indica, \u00e9 falso. Myl\u00e8ne Demarst deve ser uma autora (ou autor) brasileira, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma men\u00e7\u00e3o deste nome no Google fora daqui \u2013 e mesmo em pesquisas brasileiras, a autora s\u00f3 aparece em disserta\u00e7\u00f5es sobre livros censurados, como \u201cESCREVER \u00c9 SUBVERSIVO: Censura a livros er\u00f3ticos e pornogr\u00e1ficos na Ditadura Civil-Militar Brasileira.\u201d, de Julina Belinaso[1]. O livro \u00e9 razoavelmente bem escrito, as aventuras da \u201catriz\u201d s\u00e3o meio exageradas, mas nada que comprometa muito. E o final apresenta o texto de \u201cA inicia\u00e7\u00e3o de Eug\u00eania\u201d, uma \u201cpe\u00e7a em um ato, inspirada no Marqu\u00eas de Sade\u201d. Conforme apresentado em \u201cO mundo pecaminoso que vivi\u201d, a pe\u00e7a \u201cfoi encenada no Teatro Royal, de Budapest (sic)\u201d. Duvido que ela tenha sido encenada! Segue o trecho final do cap\u00edtulo 4 do livro de Myl\u00e8ne Demarst: Inopinadamente, ele atirou-se sobre n\u00f3s. Primeiro atacou-me, beijando-me o p\u00fabis e a vagina, depois Christine, fazendo o mesmo. Desabotoei os bot\u00f5es da frente de suas cal\u00e7as e comecei a acariciar e excitar com beijos l\u00fabricos o seu membro. Aos poucos ele foi endurecendo e principiei a masturb\u00e1-lo enquanto me oferecia toda aberta, para o contato manual de Carl, que beijava os seios de Christine ou sugava-os, e com as m\u00e3os trabalhava avidamente nas n\u00e1degas da mo\u00e7a. Assim permanecemos naqueles deliciosos contatos de m\u00e3os e bocas. \u00c9 uma das coisas mais maravilhosas que se pode imaginar: assim, gozamos profundamente, muito mais do que no coito. Atravessamos v\u00e1rios espasmos, mas ningu\u00e9m, nenhum dos tr\u00eas, arredava p\u00e9. O odor de sexo excitava-nos muito mais. Completamente esgotados, ca\u00edmos no tapete e acordamos algumas horas mais tarde. E tudo se renovou. No auge da orgia, Carl se desprendeu de n\u00f3s e foi at\u00e9 o telefone. Falou alguma coisa. Depois, voltou para os nossos carinhos. Da\u00ed meia hora, chegavam tr\u00eas rapag\u00f5es de f\u00edsico atl\u00e9tico. Carl recebeu-os alegremente. 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