{"id":586,"date":"2015-04-06T05:21:56","date_gmt":"2015-04-06T05:21:56","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=586"},"modified":"2015-03-31T05:33:57","modified_gmt":"2015-03-31T05:33:57","slug":"low-de-david-bowie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=586","title":{"rendered":"Low, de David Bowie"},"content":{"rendered":"<p>Os discos <em>Low<\/em>, <em>Heroes<\/em> e <em>Lodger<\/em> foram produzidos em Berlim pela parceria do cantor David Bowie com o grande m\u00fasico e produtor Brian Eno (entre muitas outras coisas, integrante fixo da primeira forma\u00e7\u00e3o de Roxy Music e criador de \u00e1lbuns sensacionais em sua carreira solo, como <em>Another Green World<\/em> e <em>Before and After Science<\/em>). Destes tr\u00eas \u00e1lbuns da chamada &#8220;fase alem\u00e3&#8221; de Bowie (que foi de 1977 a 1979), o primeiro deles, <em>Low<\/em>, costumeiramente \u00e9 considerado o melhor. N\u00e3o \u00e9 para menos: combinando m\u00fasica pop, tecnologia eletr\u00f4nica e alguma influ\u00eancia da m\u00fasica erudita de vanguarda, o disco \u00e9 brilhante em quase todos os aspectos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><span class=\"textgr\">O vinil de <em>Low<\/em> foi pensado em termos de dois lados bem distintos: o A \u00e9 mais pop; o B, mais experimental. Mas nem tudo \u00e9 t\u00e3o simples como parece. No lado pop, gra\u00e7as \u00e0s t\u00e9cnicas de grava\u00e7\u00e3o utilizadas, a voz e os instrumentos parecem robotizados, quadrados, esquisitos. As m\u00fasicas t\u00eam uma atmosfera estranha, sintetizada e meio depressiva \u2013 e que acabou influenciando profundamente o p\u00f3s-punk de bandas como Joy Division, Cure, Sisters Of Mercy e Bauhaus.<\/span><\/p>\n<p>Ele come\u00e7a com \u201cSpeed Of Life\u201d, uma instrumental com um tema t\u00e3o simples quanto marcante \u2013 gra\u00e7as a pequenos sons eletr\u00f4nicos aqui e ali, j\u00e1 se come\u00e7a a perceber que este n\u00e3o \u00e9 um disco comum. Depois vem \u201cBreaking Glass\u201d, que \u00e9 interessante e tem uma letra estranha: &#8220;Querida, eu tenho quebrado vidros em seu quarto de novo\/ Escute\/ N\u00e3o olhe o carpete, eu fiz algo horr\u00edvel ali&#8221;. A pr\u00f3xima, \u201cWhat In The World\u201d, n\u00e3o envelheceu muito bem mas o mesmo n\u00e3o se pode dizer da seguinte, \u201cSound And Vision\u201d. A letra \u00e9 et\u00e9rea e bastante sugestiva (&#8220;Vagando na minha solid\u00e3o, sobre minha cabe\u00e7a\/ Voc\u00ea n\u00e3o se espanta \u00e0s vezes\/ A respeito de som e vis\u00e3o?&#8221;), a melodia simples, grudenta e dan\u00e7ante. Com as t\u00e9cnicas de grava\u00e7\u00e3o j\u00e1 descritas, esta can\u00e7\u00e3o se transformou em um dos maiores sucessos da carreira de David Bowie \u2013 a ponto de, em 1987, ter sido chamada de <em>Sound + Vision<\/em> uma grande turn\u00ea de revis\u00e3o da carreira do cantor, acompanhada do relan\u00e7amento de toda a sua discografia anterior. \u201cAlways Crashing The Same Car\u201d, a quarta, \u00e9 interessante, mas um pouco mon\u00f3tona. Fechando o lado pop vem outra grande can\u00e7\u00e3o, \u201cBe My Wife\u201d. Aqui o tema \u00e9 inesquec\u00edvel e marcante, a letra simples e direta (&#8220;\u00c0s vezes voc\u00ea se sente t\u00e3o sozinho\/ \u00c0s vezes voc\u00ea est\u00e1 perdido\/ Eu morei no mundo todo\/ Eu deixei cada lugar&#8221;).<\/p>\n<p>O lado B, experimental, come\u00e7a com \u201cA New Career In A New Town\u201d, uma m\u00fasica instrumental com efeitos eletr\u00f4nicos e um tema bem simples. O t\u00edtulo, (&#8220;Uma Nova Carreira em uma Nova Cidade&#8221;), prepara o ouvinte para o que se ouvir\u00e1 a partir dali: em seu primeiro disco em Berlim, Bowie come\u00e7a a criar algo totalmente diferente do que tinha feito at\u00e9 ent\u00e3o. A mudan\u00e7a para valer come\u00e7a na pr\u00f3xima m\u00fasica, provavelmente a melhor do disco. Longa, lenta e quase que totalmente eletr\u00f4nica e instrumental (h\u00e1 pequenos trechos cantados, mas numa linguagem incompreens\u00edvel), \u201cWarsawa\u201d tem bel\u00edssimas linhas que v\u00eam e v\u00e3o, em efeitos para l\u00e1 de arrepiantes. A seguinte, \u201cArt Decade\u201d, mant\u00e9m-se no mesmo esp\u00edrito da anterior, para a alegria (e o espanto, por que n\u00e3o?) do ouvinte. Depois vem \u201cWeeping Wall\u201d, agitada, obsessiva e minimalista, uma obra-prima diferente da parceria Bowie\/Eno. Outra faixa lenta e longa fecha o disco com chave de ouro. Com uma sucess\u00e3o de climas e temas extraordin\u00e1rios, \u201cSubterraneans\u201d \u00e9 quase do mesmo n\u00edvel de \u201cWarsawa\u201d.<\/p>\n<p>Em resumo, <em>Low<\/em> tem um lado A pop que viria a influenciar decisivamente a m\u00fasica da d\u00e9cada seguinte e um lado B experimental que est\u00e1 entre as coisas mais sofisticadas e belas j\u00e1 feitas por um m\u00fasico popular \u2013 ao lado de, por exemplo, <em>Before and After Science<\/em>, disco solo de Brian Eno, e <em>100th Window<\/em>, do Massive Attack. Convenhamos, n\u00e3o \u00e9 pouco.<\/p>\n<p><em>(texto publicado no <a href=\"http:\/\/www.mondobacana.com\/edicao-33-rock-de-inverno-5\/colecao-low.html\" target=\"_blank\">Mondo Bacana<\/a> em 2008)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os discos Low, Heroes e Lodger foram produzidos em Berlim pela parceria do cantor David Bowie com o grande m\u00fasico e produtor Brian Eno (entre muitas outras coisas, integrante fixo da primeira forma\u00e7\u00e3o de Roxy Music e criador de \u00e1lbuns sensacionais em sua carreira solo, como Another Green World e Before and After Science). Destes tr\u00eas \u00e1lbuns da chamada &#8220;fase alem\u00e3&#8221; de Bowie (que foi de 1977 a 1979), o primeiro deles, Low, costumeiramente \u00e9 considerado o melhor. 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