{"id":5785,"date":"2025-03-30T16:50:51","date_gmt":"2025-03-30T19:50:51","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5785"},"modified":"2025-03-30T16:50:51","modified_gmt":"2025-03-30T19:50:51","slug":"o-mar-visto-da-janela-trecho-do-meu-novo-romance-3040-a-ser-publicado-ainda-neste-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5785","title":{"rendered":"O mar visto da janela &#8211; trecho do meu novo romance &#8220;3040&#8221;, a ser publicado ainda neste ano"},"content":{"rendered":"<p>Hoje \u00e0 tarde a Sara tem uma competi\u00e7\u00e3o de surfe na piscina de ondas n.1 do nosso Edif\u00edcio, vou aproveitar para falar com ela sobre o estado de nervos do Benjamin, num piquenique num Andar Livre depois da competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A piscina de ondas se situa no mesmo primeiro piso do Edif\u00edcio, que tamb\u00e9m \u00e9 o piso da Rodovi\u00e1ria, e \u00e9 alucinadamente linda. Ela tem a altura de um andar de Cub\u00edculos mais um Andar Intermedi\u00e1rio e um Andar Livre \u2013 uns dez metros, ent\u00e3o. O que \u00e9 maravilhoso na piscina \u00e9 que ela \u00e9 de frente para o mar: as janelas s\u00e3o enormes, v\u00e3o praticamente do ch\u00e3o ao teto do andar, e a gente v\u00ea o mar na Natureza logo ali na frente. Eu gosto muito de ficar olhando para a praia pela janela, de ver as ondas indo e vindo, e gosto muito quando chove l\u00e1 fora. Uma vez fui assistir a uma competi\u00e7\u00e3o da Sara e havia uma tempestade gigantesca na frente da janela, com ressaca e tudo. O c\u00e9u ficou escuro, cheio de raios, um espet\u00e1culo maravilhoso. Ali\u00e1s, \u00e9 muito por causa do mar que meu filme preferido se chama \u201cLimite\u201d, realizado em 1931, quando o cinema ainda n\u00e3o tinha som: nesse cl\u00e1ssico do cinema mudo, o mar, a antiga cidade de Angra dos Reis e a Serra do Mar no antigo estado brasileiro do Rio de Janeiro (onde tem um peda\u00e7o do Condom\u00ednio hoje em dia) s\u00e3o filmados de maneira t\u00e3o po\u00e9tica que parecem ser personagens da hist\u00f3ria sendo contada. Enfim, segundo a Sara, ter uma praia na Natureza bem diante da praia artificial n\u00e3o chega a ser uma compensa\u00e7\u00e3o por n\u00e3o se surfar num mar \u201cde verdade\u201d, mas \u00e9 tudo muito lindo.<\/p>\n<p>A namorada do Benjamin me conta que as piscinas de ondas come\u00e7aram a ser levadas a s\u00e9rio em competi\u00e7\u00f5es de surfe na segunda d\u00e9cada do segundo mil\u00eanio. No in\u00edcio as ondas eram sempre as mesmas para equilibrar a competi\u00e7\u00e3o entre os participantes, mas com o tempo acabou se concluindo que isso ficava meio chato para quem assistia. Com o tempo, as ondas artificiais passaram a ser mais e mais aleat\u00f3rias, para que o inesperado, sempre presente nas ondas naturais, pudesse participar das competi\u00e7\u00f5es de surfe. \u00c9 claro que existe um limite, pelo que diz a Sara: no mar da Natureza \u00e0s vezes n\u00e3o existem ondas, o que n\u00e3o faz sentido acontecer numa competi\u00e7\u00e3o de surfe oficial em piscina, n\u00e9.<\/p>\n<p>A Sara, como j\u00e1 comentei, vai todos os anos para a Natureza surfar. Normalmente cada viagem \u00e9 para um pico (lugar, no jarg\u00e3o do surfe) diferente. Ela prefere praias com ondas menores, onde ela pode dar a\u00e9reos, que \u00e9 a melhor manobra dela. Em tubos, como nos antigos Hava\u00ed e Taiti, ela n\u00e3o se d\u00e1 t\u00e3o bem.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Clicando <a href=\"https:\/\/substack.com\/inbox\/post\/160207745?r=2m0pd&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=true&amp;triedRedirect=true\">aqui<\/a> voc\u00ea pode cadastrar o seu e-mail para receber meus textos semanalmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje \u00e0 tarde a Sara tem uma competi\u00e7\u00e3o de surfe na piscina de ondas n.1 do nosso Edif\u00edcio, vou aproveitar para falar com ela sobre o estado de nervos do Benjamin, num piquenique num Andar Livre depois da competi\u00e7\u00e3o. A piscina de ondas se situa no mesmo primeiro piso do Edif\u00edcio, que tamb\u00e9m \u00e9 o piso da Rodovi\u00e1ria, e \u00e9 alucinadamente linda. Ela tem a altura de um andar de Cub\u00edculos mais um Andar Intermedi\u00e1rio e um Andar Livre \u2013 uns dez metros, ent\u00e3o. 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Ali\u00e1s, \u00e9 muito por causa do mar que meu filme preferido se chama \u201cLimite\u201d, realizado em 1931, quando o cinema ainda n\u00e3o tinha som: nesse cl\u00e1ssico do cinema mudo, o mar, a antiga cidade de Angra dos Reis e a Serra do Mar no antigo estado brasileiro do Rio de Janeiro (onde tem um peda\u00e7o do Condom\u00ednio hoje em dia) s\u00e3o filmados de maneira t\u00e3o po\u00e9tica que parecem ser personagens da hist\u00f3ria sendo contada. Enfim, segundo a Sara, ter uma praia na Natureza bem diante da praia artificial n\u00e3o chega a ser uma compensa\u00e7\u00e3o por n\u00e3o se surfar num mar \u201cde verdade\u201d, mas \u00e9 tudo muito lindo. A namorada do Benjamin me conta que as piscinas de ondas come\u00e7aram a ser levadas a s\u00e9rio em competi\u00e7\u00f5es de surfe na segunda d\u00e9cada do segundo mil\u00eanio. 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