{"id":5764,"date":"2025-03-09T18:45:29","date_gmt":"2025-03-09T21:45:29","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5764"},"modified":"2025-03-10T09:35:28","modified_gmt":"2025-03-10T12:35:28","slug":"livros-que-minha-mae-amava-8-o-drible-de-sergio-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5764","title":{"rendered":"Livros que minha m\u00e3e amava: 8. &#8220;O Drible&#8221;, de S\u00e9rgio Rodrigues"},"content":{"rendered":"<p>Minha m\u00e3e insistia para eu ler \u201cO Drible\u201d, de S\u00e9rgio Rodrigues (Companhia das Letras, 220 p\u00e1ginas, lan\u00e7ado em 2013). Insistia e insistia.<\/p>\n<p>Mas eu n\u00e3o queria ler. E n\u00e3o queria por um motivo besta: o autor tinha um blog, no site da Revista Veja (acho), no qual, n\u00e3o bastando falar mal de meu livro preferido na \u00e9poca, \u201c<a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1408\">2666<\/a>\u201d, de <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=roberto-bolano\">Roberto Bola\u00f1o<\/a>, ainda dizia que o chat\u00edssimo \u201c<a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=701\">Os detetives selvagens<\/a>\u201d, do mesmo autor, era melhor &#8211; porque mais completo, ou mais bem pensado, ou alguma coisa no g\u00eanero. O grande escritor chileno fez sua obra-prima sabendo que estava com os dias contados: na ideia de S\u00e9rgio Rodrigues, isso fazia com que o livro fosse meio mal-acabado. Cito de mem\u00f3ria, mas acho que era isso.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Rodrigues ainda falou mal de \u201c<a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4257\">Ver\u00e3o<\/a>\u201d, de <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=j-m-coetzee\">J.M.Coetzee<\/a>, uma obra-prima absoluta, e se divertia dizendo que a mulher dele, ou outra pessoa pr\u00f3xima, achava que ele n\u00e3o manjava nada de nada por n\u00e3o gostar do meu livro preferido do grande escritor sul-africano.<\/p>\n<p>Bem, enfim, um dia, uns meses atr\u00e1s, fui procurar aqui em casa \u201cO Drible\u201d, na edi\u00e7\u00e3o que minha m\u00e3e tinha literalmente me empurrado para eu ler \u2013 digo que ela insistia. N\u00e3o achei a edi\u00e7\u00e3o, e comprei outro exemplar.<\/p>\n<p>O romance \u00e9 contado em primeira pessoa por Neto, um revisor meio fracassado cuja m\u00e3e tinha se suicidado quando ele era crian\u00e7a. Ele era filho de Murilo Filho, um grande cronista de futebol meio senil, que no passado tinha sido um conquistador e mulherengo inveterado, um informante da ditadura e um pai basicamente ausente na educa\u00e7\u00e3o do filho. Eles tinham ficado anos sem se falar, e quando o livro come\u00e7a Neto estava com o costume de visitar semanalmente o pai na ch\u00e1cara dele. Murilo Filho, nestas ocasi\u00f5es, basicamente ficava falando sem parar sobre futebol \u2013 algumas passagens do livro j\u00e1 s\u00e3o antol\u00f3gicas para f\u00e3s do esporte. Al\u00e9m disso, o retrato que S\u00e9rgio Rodrigues faz do Rio de Janeiro dos anos 1950 em diante \u00e9 extremamente interessante. Mas o forte mesmo desta pequena obra-prima \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o conturbada entre pai e filho.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que minha m\u00e3e n\u00e3o iria insistir tanto para que eu lesse um livro ruim.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Importante ressaltar que achei a vers\u00e3o que minha m\u00e3e tinha me dado assim que terminei de ler a minha vers\u00e3o do romance! A foto que acompanha o texto mostra as duas edi\u00e7\u00f5es, a minha e a dela.<\/p>\n<p>Quem quiser receber meus textos semanalmente, clique <a href=\"https:\/\/open.substack.com\/pub\/fabriciomuller\/p\/o-drible-de-sergio-rodrigues?r=2m0pd&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=true\">aqui<\/a> e cadastre seu e-mail.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha m\u00e3e insistia para eu ler \u201cO Drible\u201d, de S\u00e9rgio Rodrigues (Companhia das Letras, 220 p\u00e1ginas, lan\u00e7ado em 2013). Insistia e insistia. Mas eu n\u00e3o queria ler. E n\u00e3o queria por um motivo besta: o autor tinha um blog, no site da Revista Veja (acho), no qual, n\u00e3o bastando falar mal de meu livro preferido na \u00e9poca, \u201c2666\u201d, de Roberto Bola\u00f1o, ainda dizia que o chat\u00edssimo \u201cOs detetives selvagens\u201d, do mesmo autor, era melhor &#8211; porque mais completo, ou mais bem pensado, ou alguma coisa no g\u00eanero. O grande escritor chileno fez sua obra-prima sabendo que estava com os dias contados: na ideia de S\u00e9rgio Rodrigues, isso fazia com que o livro fosse meio mal-acabado. Cito de mem\u00f3ria, mas acho que era isso. S\u00e9rgio Rodrigues ainda falou mal de \u201cVer\u00e3o\u201d, de J.M.Coetzee, uma obra-prima absoluta, e se divertia dizendo que a mulher dele, ou outra pessoa pr\u00f3xima, achava que ele n\u00e3o manjava nada de nada por n\u00e3o gostar do meu livro preferido do grande escritor sul-africano. Bem, enfim, um dia, uns meses atr\u00e1s, fui procurar aqui em casa \u201cO Drible\u201d, na edi\u00e7\u00e3o que minha m\u00e3e tinha literalmente me empurrado para eu ler \u2013 digo que ela insistia. N\u00e3o achei a edi\u00e7\u00e3o, e comprei outro exemplar. O romance \u00e9 contado em primeira pessoa por Neto, um revisor meio fracassado cuja m\u00e3e tinha se suicidado quando ele era crian\u00e7a. Ele era filho de Murilo Filho, um grande cronista de futebol meio senil, que no passado tinha sido um conquistador e mulherengo inveterado, um informante da ditadura e um pai basicamente ausente na educa\u00e7\u00e3o do filho. Eles tinham ficado anos sem se falar, e quando o livro come\u00e7a Neto estava com o costume de visitar semanalmente o pai na ch\u00e1cara dele. Murilo Filho, nestas ocasi\u00f5es, basicamente ficava falando sem parar sobre futebol \u2013 algumas passagens do livro j\u00e1 s\u00e3o antol\u00f3gicas para f\u00e3s do esporte. Al\u00e9m disso, o retrato que S\u00e9rgio Rodrigues faz do Rio de Janeiro dos anos 1950 em diante \u00e9 extremamente interessante. Mas o forte mesmo desta pequena obra-prima \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o conturbada entre pai e filho. \u00c9 claro que minha m\u00e3e n\u00e3o iria insistir tanto para que eu lesse um livro ruim. *** Importante ressaltar que achei a vers\u00e3o que minha m\u00e3e tinha me dado assim que terminei de ler a minha vers\u00e3o do romance! A foto que acompanha o texto mostra as duas edi\u00e7\u00f5es, a minha e a dela. 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