{"id":5690,"date":"2025-01-12T18:54:10","date_gmt":"2025-01-12T21:54:10","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5690"},"modified":"2025-01-12T18:56:41","modified_gmt":"2025-01-12T21:56:41","slug":"charles-dickens-henry-james-e-um-album-de-fotos-no-facebook","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5690","title":{"rendered":"Charles Dickens, Henry James e um \u00e1lbum de fotos no Facebook"},"content":{"rendered":"<p>Foi num livro (\u201cDrible\u201d, de S\u00e9rgio Rodrigues) &#8211; que minha m\u00e3e insistiu por anos para que eu lesse, que s\u00f3 estou lendo agora (e amando) e que ser\u00e1 tema de minha s\u00e9rie \u201c<a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=nedier\">Livros que minha m\u00e3e amava<\/a>\u201d -, que li o seguinte trecho:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c- Ah, ent\u00e3o esse \u00e9 o nosso Dickens \u2013 riu um homem de suspens\u00f3rios sentado de frente para ele. Meu rosto queimava.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Eu percebi na hora, pelo contexto, que aquele homem de suspens\u00f3rios era o jornalista e escritor Nelson Rodrigues &#8211; afinal, li a biografia dele escrita pelo Ruy Castro muitos anos atras, tamb\u00e9m recomendada pela minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Mas o que mais me tocou na mem\u00f3ria foi a men\u00e7\u00e3o ao escritor brit\u00e2nico Charles Dickens (1812-1870).<\/p>\n<p>N\u00e3o sei de onde que tirei meu preconceito contra Dickens na inf\u00e2ncia. Minhas fontes impressas principais de cultura eram a Enciclop\u00e9dia Abril e a Revista Veja. Foi de uma dessas? Sei eu, eu sei que eu tinha a ideia de que Dickens era um romancista meio brega e muito meloso.<\/p>\n<p>Bem, isso mudou quando Morrissey recomendou o escritor como sugest\u00e3o de leitura numa entrevista, ali num momento entre o final dos anos 1990 e in\u00edcio dos anos 2000. Todos os f\u00e3s do ex-vocalista da banda inglesa Smiths sabem que ele \u00e9 obcecado por Oscar Wilde, e alguns sabem que ele declamou um texto de Marcel Proust num show. Quanto a Dickens, s\u00f3 soube que ele citou este escritor naquela entrevista, e mais nada (por uma coincid\u00eancia engra\u00e7ada, uma outra das raras sugest\u00f5es liter\u00e1rias de Morrissey foi \u201cO livro do desassossego\u201d, de Fernando Pessoa, que minha m\u00e3e amava imensamente e que ser\u00e1 tamb\u00e9m tema da s\u00e9rie \u201cLivros que minha m\u00e3e amava\u201d).<\/p>\n<p>Enfim, dica do Morrissey \u00e9 dica do Morrissey e entrei numa \u201cfase Dickens\u201d, muitos anos atras. Eu me apaixonei. N\u00e3o tenho bem certeza quais livros dele eu li, mas certamente nesta lista est\u00e3o inclu\u00eddos os romances \u201cGrandes esperan\u00e7as\u201d (que foi o que mais gostei), \u201cAs aventuras do sr. Pickwick\u201d, \u201cUm conto de duas cidades\u201d, \u201cDavid Copperfield\u201d, \u201cOliver Twist\u201d (e, quem sabe, \u201cA pequena Dorrit\u201d).<\/p>\n<p>Ainda nos anos 1990 estava na moda o tal \u201cc\u00e2none liter\u00e1rio ocidental\u201d do cr\u00edtico brit\u00e2nico Harold Bloom, sobre o qual o famoso jornalista brasileiro Paulo Francis falava bastante, e que foi compilado numa obra chamada \u201cO c\u00e2none ocidental\u201d, na qual o cr\u00edtico citava e descrevia os \u2013 segundo ele &#8211; grandes escritores ocidentais. Um dia, numa livraria, dei uma folheada no livro de Bloom, e l\u00e1 estava escrito algo como \u201cque era consenso entre a cr\u00edtica especializada que o grande livro de Dickens era &#8216;A casa soturna&#8217;\u201d, sobre a qual eu pouco tinha ouvido falar. Minha \u201cfase Dickens\u201d tinha passado alguns anos antes, mas me vi na obriga\u00e7\u00e3o de ler o romance considerado \u201cpor grande parte da cr\u00edtica\u201d o melhor do grande escritor brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>Foi meio dif\u00edcil encontrar o longo (824 p\u00e1ginas) romance, que tenho numa edi\u00e7\u00e3o (Nova Fronteira, tradu\u00e7\u00e3o de Oscar Mendes) obtida provavelmente na Livraria do Chain, a preferida de <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5607\">Dalton Trevisan<\/a>.<\/p>\n<p>A leitura inicial me revelou um romance excelente, primorosamente escrito, em tom muito s\u00e9rio, muito diferente do que eu estava acostumado com Dickens. Mas tinha personagens demais! Quando eu come\u00e7ava a me sentir familiar com um personagem ou uma hist\u00f3ria, j\u00e1 entrava outra coisa. E isso aconteceu tantas vezes que eu &#8211; que estava numa fase de poucas leituras &#8211; com muita dor no cora\u00e7\u00e3o resolvi abandonar o romance escolhido \u201cpor grande parte da cr\u00edtica\u201d o melhor de Charles Dickens.<\/p>\n<p>Entro agora no tema que originou este texto: minhas pequenas maluquices. Gosto de pensar que todas as pessoas t\u00eam uma pequena mania que a maioria dos outros pode achar estranha. Assim fica mais f\u00e1cil conviver com as minhas birutices.<\/p>\n<p>Eu, por exemplo, s\u00f3 tenho um TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) que reconhe\u00e7o como tal: nunca comprar p\u00e3es em n\u00famero \u00edmpar. Se, em termos de TOC, provavelmente n\u00e3o saio disso, eu tenho uma pequena mania, um neg\u00f3cio que eu levo muito a s\u00e9rio, mas que sei que n\u00e3o tem a menor import\u00e2ncia. Este \u201cneg\u00f3cio\u201d s\u00e3o meus \u00e1lbuns de fotos \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/media\/set\/?set=a.101137806623367&amp;type=3\">cinema<\/a>\u201d, \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/media\/set\/?set=a.101137229956758&amp;type=3\">literatura<\/a>\u201d, \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/media\/set\/?set=a.101131979957283&amp;type=3\">m\u00fasicas<\/a>\u201d, \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/media\/set\/?set=a.2749567338447054&amp;type=3\">esportes<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/media\/set\/?set=a.101131019957379&amp;type=3\">tv<\/a>\u201d no Facebook.<\/p>\n<p>Cada um destes \u00e1lbuns tem retratos daquelas pessoas que eu considero as mais importantes em seus campos. Sobre o \u00e1lbum \u201cm\u00fasicas\u201d, por exemplo, escrevi <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5102\">aqui<\/a> o seguinte:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEu n\u00e3o sei como explicar direito, mas acho que isso deve acontecer meio com todo o mundo: umas m\u00fasicas batem diferente das outras. Sei l\u00e1, \u00e9 como se elas tocassem um nervo que as outras n\u00e3o tocam. Normalmente os m\u00fasicos, ou compositores, ou cantores, ou bandas, que t\u00eam m\u00fasicas que \u2018batem\u2019 aqui comigo est\u00e3o no meu \u00e1lbum &#8216;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/media\/set\/?set=a.101131979957283&amp;type=3\">m\u00fasicas<\/a>&#8216; do Facebook. Sempre que vou colocar uma foto l\u00e1 fico me perguntando se aquele m\u00fasico comp\u00f4s (ou interpretou) coisas que realmente tocaram aquele \u2018nervo\u2019 metaf\u00f3rico\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c0s vezes fico meses (quando penso no assunto, \u00e9 claro) tentando me decidir se um artista, escritor ou esportista deve ou n\u00e3o entrar em algum \u00e1lbum de fotos no Facebook. \u00c0s vezes &#8211; como no caso das bandas <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5550\">Mg\u0142a<\/a> ou do <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5365\">The Brian Jonestown Massacre<\/a>, citadas recentemente por aqui &#8211; a identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 imediata e logo coloco as fotos correspondentes no \u00e1lbum (\u201cm\u00fasicas\u201d, nos dois casos).<\/p>\n<p>Enfim, pus um neg\u00f3cio na cabe\u00e7a: como eu tinha lido Dickens muito antes de o Facebook existir, o escritor brit\u00e2nico s\u00f3 \u201cmereceria\u201d entrar no \u00e1lbum de fotos \u201cliteratura\u201d quando eu acabasse de ler \u201cA casa soturna\u201d. Olha o tamanho da birutice do sujeito (no caso, eu). Como n\u00e3o acabei de ler o romance de Dickens \u201cmais estimado pela cr\u00edtica\u201d, ele n\u00e3o est\u00e1 no \u00e1lbum correspondente at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>E Henry James (1843-1916), que tem um livro na foto que acompanha o texto, o que tem a ver com essa maluquice? Bem, tamb\u00e9m li romances deste grande escritor americano d\u00e9cadas atr\u00e1s, e tamb\u00e9m resolvi n\u00e3o colocar sua foto no meu \u00e1lbum do Facebook enquanto n\u00e3o acabasse de ler um romance seu \u2013 no caso, \u201cAs asas da pomba\u201d (Ediouro, 555 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Marcos Santarrita): meu texto seria um paralelo entre estes dois gigantes. S\u00f3 que, quando fui ver o meu \u00e1lbum \u201cliteratura\u201d ontem, o retrato de Henry James estava l\u00e1! Sei l\u00e1 quando o coloquei, e por qu\u00ea. Mas com certeza \u00e9 coisa mais ou menos recente.<\/p>\n<p>De todo o modo, se eu fosse dar um palpite do porqu\u00ea colocar um retrato de Henry James ali, acho que \u00e9 porque um belo dia resolvi achar que essa loucura de \u00e1lbuns do Facebook \u00e9 apenas isso, uma mania inocente, e que o Henry James n\u00e3o tinha culpa da minha birutice.<\/p>\n<p><em>(Agrade\u00e7o \u00e0 minha querida sobrinha <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/paula.schefferdasilveira\">Paula Scheffer da Silveira<\/a> pela linda foto que acompanha este texto).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi num livro (\u201cDrible\u201d, de S\u00e9rgio Rodrigues) &#8211; que minha m\u00e3e insistiu por anos para que eu lesse, que s\u00f3 estou lendo agora (e amando) e que ser\u00e1 tema de minha s\u00e9rie \u201cLivros que minha m\u00e3e amava\u201d -, que li o seguinte trecho: \u201c- Ah, ent\u00e3o esse \u00e9 o nosso Dickens \u2013 riu um homem de suspens\u00f3rios sentado de frente para ele. Meu rosto queimava.\u201d Eu percebi na hora, pelo contexto, que aquele homem de suspens\u00f3rios era o jornalista e escritor Nelson Rodrigues &#8211; afinal, li a biografia dele escrita pelo Ruy Castro muitos anos atras, tamb\u00e9m recomendada pela minha m\u00e3e. Mas o que mais me tocou na mem\u00f3ria foi a men\u00e7\u00e3o ao escritor brit\u00e2nico Charles Dickens (1812-1870). N\u00e3o sei de onde que tirei meu preconceito contra Dickens na inf\u00e2ncia. Minhas fontes impressas principais de cultura eram a Enciclop\u00e9dia Abril e a Revista Veja. Foi de uma dessas? Sei eu, eu sei que eu tinha a ideia de que Dickens era um romancista meio brega e muito meloso. Bem, isso mudou quando Morrissey recomendou o escritor como sugest\u00e3o de leitura numa entrevista, ali num momento entre o final dos anos 1990 e in\u00edcio dos anos 2000. Todos os f\u00e3s do ex-vocalista da banda inglesa Smiths sabem que ele \u00e9 obcecado por Oscar Wilde, e alguns sabem que ele declamou um texto de Marcel Proust num show. Quanto a Dickens, s\u00f3 soube que ele citou este escritor naquela entrevista, e mais nada (por uma coincid\u00eancia engra\u00e7ada, uma outra das raras sugest\u00f5es liter\u00e1rias de Morrissey foi \u201cO livro do desassossego\u201d, de Fernando Pessoa, que minha m\u00e3e amava imensamente e que ser\u00e1 tamb\u00e9m tema da s\u00e9rie \u201cLivros que minha m\u00e3e amava\u201d). Enfim, dica do Morrissey \u00e9 dica do Morrissey e entrei numa \u201cfase Dickens\u201d, muitos anos atras. Eu me apaixonei. N\u00e3o tenho bem certeza quais livros dele eu li, mas certamente nesta lista est\u00e3o inclu\u00eddos os romances \u201cGrandes esperan\u00e7as\u201d (que foi o que mais gostei), \u201cAs aventuras do sr. Pickwick\u201d, \u201cUm conto de duas cidades\u201d, \u201cDavid Copperfield\u201d, \u201cOliver Twist\u201d (e, quem sabe, \u201cA pequena Dorrit\u201d). Ainda nos anos 1990 estava na moda o tal \u201cc\u00e2none liter\u00e1rio ocidental\u201d do cr\u00edtico brit\u00e2nico Harold Bloom, sobre o qual o famoso jornalista brasileiro Paulo Francis falava bastante, e que foi compilado numa obra chamada \u201cO c\u00e2none ocidental\u201d, na qual o cr\u00edtico citava e descrevia os \u2013 segundo ele &#8211; grandes escritores ocidentais. Um dia, numa livraria, dei uma folheada no livro de Bloom, e l\u00e1 estava escrito algo como \u201cque era consenso entre a cr\u00edtica especializada que o grande livro de Dickens era &#8216;A casa soturna&#8217;\u201d, sobre a qual eu pouco tinha ouvido falar. Minha \u201cfase Dickens\u201d tinha passado alguns anos antes, mas me vi na obriga\u00e7\u00e3o de ler o romance considerado \u201cpor grande parte da cr\u00edtica\u201d o melhor do grande escritor brit\u00e2nico. Foi meio dif\u00edcil encontrar o longo (824 p\u00e1ginas) romance, que tenho numa edi\u00e7\u00e3o (Nova Fronteira, tradu\u00e7\u00e3o de Oscar Mendes) obtida provavelmente na Livraria do Chain, a preferida de Dalton Trevisan. A leitura inicial me revelou um romance excelente, primorosamente escrito, em tom muito s\u00e9rio, muito diferente do que eu estava acostumado com Dickens. Mas tinha personagens demais! Quando eu come\u00e7ava a me sentir familiar com um personagem ou uma hist\u00f3ria, j\u00e1 entrava outra coisa. E isso aconteceu tantas vezes que eu &#8211; que estava numa fase de poucas leituras &#8211; com muita dor no cora\u00e7\u00e3o resolvi abandonar o romance escolhido \u201cpor grande parte da cr\u00edtica\u201d o melhor de Charles Dickens. Entro agora no tema que originou este texto: minhas pequenas maluquices. Gosto de pensar que todas as pessoas t\u00eam uma pequena mania que a maioria dos outros pode achar estranha. Assim fica mais f\u00e1cil conviver com as minhas birutices. Eu, por exemplo, s\u00f3 tenho um TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) que reconhe\u00e7o como tal: nunca comprar p\u00e3es em n\u00famero \u00edmpar. Se, em termos de TOC, provavelmente n\u00e3o saio disso, eu tenho uma pequena mania, um neg\u00f3cio que eu levo muito a s\u00e9rio, mas que sei que n\u00e3o tem a menor import\u00e2ncia. Este \u201cneg\u00f3cio\u201d s\u00e3o meus \u00e1lbuns de fotos \u201ccinema\u201d, \u201cliteratura\u201d, \u201cm\u00fasicas\u201d, \u201cesportes\u201d e \u201ctv\u201d no Facebook. Cada um destes \u00e1lbuns tem retratos daquelas pessoas que eu considero as mais importantes em seus campos. Sobre o \u00e1lbum \u201cm\u00fasicas\u201d, por exemplo, escrevi aqui o seguinte: \u201cEu n\u00e3o sei como explicar direito, mas acho que isso deve acontecer meio com todo o mundo: umas m\u00fasicas batem diferente das outras. Sei l\u00e1, \u00e9 como se elas tocassem um nervo que as outras n\u00e3o tocam. Normalmente os m\u00fasicos, ou compositores, ou cantores, ou bandas, que t\u00eam m\u00fasicas que \u2018batem\u2019 aqui comigo est\u00e3o no meu \u00e1lbum &#8216;m\u00fasicas&#8216; do Facebook. Sempre que vou colocar uma foto l\u00e1 fico me perguntando se aquele m\u00fasico comp\u00f4s (ou interpretou) coisas que realmente tocaram aquele \u2018nervo\u2019 metaf\u00f3rico\u201d. \u00c0s vezes fico meses (quando penso no assunto, \u00e9 claro) tentando me decidir se um artista, escritor ou esportista deve ou n\u00e3o entrar em algum \u00e1lbum de fotos no Facebook. \u00c0s vezes &#8211; como no caso das bandas Mg\u0142a ou do The Brian Jonestown Massacre, citadas recentemente por aqui &#8211; a identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 imediata e logo coloco as fotos correspondentes no \u00e1lbum (\u201cm\u00fasicas\u201d, nos dois casos). Enfim, pus um neg\u00f3cio na cabe\u00e7a: como eu tinha lido Dickens muito antes de o Facebook existir, o escritor brit\u00e2nico s\u00f3 \u201cmereceria\u201d entrar no \u00e1lbum de fotos \u201cliteratura\u201d quando eu acabasse de ler \u201cA casa soturna\u201d. Olha o tamanho da birutice do sujeito (no caso, eu). Como n\u00e3o acabei de ler o romance de Dickens \u201cmais estimado pela cr\u00edtica\u201d, ele n\u00e3o est\u00e1 no \u00e1lbum correspondente at\u00e9 hoje. E Henry James (1843-1916), que tem um livro na foto que acompanha o texto, o que tem a ver com essa maluquice? Bem, tamb\u00e9m li romances deste grande escritor americano d\u00e9cadas atr\u00e1s, e tamb\u00e9m resolvi n\u00e3o colocar sua foto no meu \u00e1lbum do Facebook enquanto n\u00e3o acabasse de ler um romance seu \u2013 no caso, \u201cAs asas da pomba\u201d (Ediouro, 555 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Marcos Santarrita): meu texto seria um paralelo entre estes dois gigantes.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5692,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[928,905,930,929,58,897,81,807,331,97,927,869],"class_list":["post-5690","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-charles-dickens","tag-dalton-tevisan","tag-facebook","tag-henry-james","tag-marcel-proust","tag-mgla","tag-morrissey","tag-nedier","tag-nelson-rodrigues","tag-oscar-wilde","tag-sergio-rodrigues","tag-the-brian-jonestown-massacre","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5690"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5690\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5707,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5690\/revisions\/5707"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}