{"id":5676,"date":"2025-01-06T23:19:15","date_gmt":"2025-01-07T02:19:15","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5676"},"modified":"2025-01-06T23:40:20","modified_gmt":"2025-01-07T02:40:20","slug":"fernanda-torres-escritora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5676","title":{"rendered":"Fernanda Torres escritora"},"content":{"rendered":"<p>A vencedora do Globo de Ouro de 2025 de melhor atriz de filme (drama) \u00e9 tamb\u00e9m uma excelente escritora. Seguem abaixo os dois textos que escrevi sobre os romances de Fernanda Torres. Aproveitando a vit\u00f3ria dela, acabei de comprar seu livro de cr\u00f4nicas, &#8220;Sete anos&#8221;, sobre o qual logo comento por aqui.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<h3 class=\"post-title-single\"><a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1366\">\u201cO Fim\u201d<\/a><\/h3>\n<div class=\"post-details\"><span class=\"post-detail-single\">27 de julho de 2015<\/span><\/div>\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<div class=\"post_content\">\n<p>O in\u00edcio de cada um dos cap\u00edtulo de O Fim, de Fernanda Torres, \u00e9 um mon\u00f3logo interior com os \u00faltimos momentos da vida de cada um dos cinco personagens principais da hist\u00f3ria \u2013 na continua\u00e7\u00e3o, os cap\u00edtulos s\u00e3o escritos em terceira pessoa, contando as hist\u00f3rias inter-relacionadas de \u00c1lvaro, S\u00edlvio, Ribeiro, Neto e Ciro. Os cinco amigos viveram a grande liberdade de sexo e drogas no Rio de Janeiro entre os anos 50 a 70 e terminam a vida \u2013 a partir do in\u00edcio dos anos 90 \u2013 deprim<span class=\"text_exposed_show\">idos, solit\u00e1rios e, quase sempre, abandonados pelos familiares mais pr\u00f3ximos \u2013 a quem haviam negligenciado durante toda a vida.<\/span><\/p>\n<div class=\"text_exposed_show\">\n<p>Fernanda Torres parece querer mostrar, de forma c\u00ednica e amarga, que a grande liberdade de costumes daqueles anos loucos p\u00f4de transformar quem os viveu em monstros ego\u00edstas, autoindulgentes, capazes de trocar qualquer valor moral por um naco de prazer.<\/p>\n<p>Quem conhece aquela atriz meio amalucada de Os Normais e das suas, muitas vezes, destrambelhadas entrevistas, n\u00e3o consegue imaginar que seu primeiro romance seria t\u00e3o s\u00e9rio e, porque n\u00e3o dizer, profundo \u2013 mesmo que muitas vezes bem humorado. Pelo menos, n\u00e3o me surpreendi com a qualidade indiscut\u00edvel de sua prosa: as colunas mensais que ela escreve na Folha j\u00e1 me mostravam que ali estava algu\u00e9m com um grande talento liter\u00e1rio. Fico na expectativa de seus pr\u00f3ximos livros.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<\/div>\n<h3 class=\"post-title-single\"><a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3576\">\u201cA gl\u00f3ria e seu cortejo de horrores\u201d<\/a><\/h3>\n<div class=\"post-details\"><span class=\"post-detail-single\">22 de abril de 2018<\/span><\/div>\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<div class=\"post_content\">\n<p><a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1366\">Eu tinha escrito<\/a>\u00a0o seguinte sobre o romance anterior de Fernanda Torres, \u201cO Fim\u201d, lan\u00e7ado em 2013:<\/p>\n<p>\u201cQuem conhece aquela atriz meio amalucada de Os Normais e das suas, muitas vezes, destrambelhadas entrevistas, n\u00e3o consegue imaginar que seu primeiro romance seria t\u00e3o s\u00e9rio e, porque n\u00e3o dizer, profundo \u2013 mesmo que muitas vezes bem-humorado. Pelo menos, n\u00e3o me surpreendi com a qualidade indiscut\u00edvel de sua prosa: as colunas mensais que ela escreve na Folha j\u00e1 me mostravam que ali estava algu\u00e9m com um grande talento liter\u00e1rio. Fico na expectativa de seus pr\u00f3ximos livros. \u201d<span id=\"more-3576\"><\/span><\/p>\n<p>Baseado nisso, quando descobri que Fernanda Torres tinha lan\u00e7ado um segundo romance, \u201cA gl\u00f3ria e seu cortejo de horrores\u201d (Companhia das Letras, 215 p\u00e1ginas), comprei-o assim que pude, e o livro \u00e9 o objeto do presente texto (ela tamb\u00e9m lan\u00e7ou em 2014 um livro de cr\u00f4nicas, \u201cSete Anos\u201d, que ainda n\u00e3o li).<\/p>\n<p>\u201cA gl\u00f3ria e seu cortejo de horrores\u201d conta a hist\u00f3ria do ator Mario Cardoso, personagem fict\u00edcio que \u00e9 uma esp\u00e9cie de exemplar de toda uma gera\u00e7\u00e3o: ainda jovem, nos anos 60, foi fazer uma esp\u00e9cie de teatro de guerrilha no sert\u00e3o nordestino; depois, j\u00e1 no Rio de Janeiro, ingressa na produ\u00e7\u00e3o de \u201cHair\u201d, exemplar mais famoso do desbunde hipppie; acaba sendo descoberto mais tarde em duas produ\u00e7\u00f5es de vanguarda, \u201cTio V\u00e2nia\u201d, de Tchekh\u00f3v, e \u201cNavalha na Carne\u201d, de Pl\u00ednio Marcos. O enorme sucesso destas duas montagens acaba por lev\u00e1-lo \u00e0 TV, onde faz novelas e fica rico e famoso no pa\u00eds inteiro. Anos depois, abandona a TV e cria uma montagem totalmente fracassada de \u201cRei Lear\u201d, de Shakespeare \u2013 e \u00e9 com este fracasso que \u201cA gl\u00f3ria e seu cortejo de horrores\u201d se inicia: a vida pregressa de Mario Cardoso \u00e9 contada por meio de suas reminisc\u00eancias.<\/p>\n<p>Confesso que eu achava irritantes boa parte das entrevistas do extinto programa de entrevistas do J\u00f4 Soares com atores, frequentemente se auto elogiando, falando maravilhas de seus pr\u00f3prios trabalhos: a acreditar em boa parte de que eles falavam de si mesmos no programa do J\u00f4, o teatro \u00e9 uma arte espetacular, os atores s\u00e3o pessoas especiais, participar de pe\u00e7as \u00e9 sempre recompensador e especial. Em \u201cA gl\u00f3ria e seu cortejo de horrores\u201d h\u00e1 muito pouco deste discurso cansativo: \u00e9 ressaltada, claro, a import\u00e2ncia do teatro e da arte, mas o pr\u00f3prio Mario Cardoso n\u00e3o cansa de repetir que a maior caracter\u00edstica dele \u00e9 a vaidade, o amor por si mesmo.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que no romance as coisas n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o esquem\u00e1ticas: afinal de contas, mais do que uma \u00f3tima atriz, tenho a impress\u00e3o de que Fernanda Torres \u00e9, mesmo, uma grande escritora, que escreveu mais um grande livro.<\/p>\n<p>E grandes livros t\u00eam mais de uma leitura poss\u00edvel.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><em>(Foto que acompanha o texto obtida no <a href=\"https:\/\/gshow.globo.com\/cultura-pop\/noticia\/globo-de-ouro-2025-veja-fotos-dos-vencedores.ghtml\">Gshow<\/a>)<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vencedora do Globo de Ouro de 2025 de melhor atriz de filme (drama) \u00e9 tamb\u00e9m uma excelente escritora. Seguem abaixo os dois textos que escrevi sobre os romances de Fernanda Torres. Aproveitando a vit\u00f3ria dela, acabei de comprar seu livro de cr\u00f4nicas, &#8220;Sete anos&#8221;, sobre o qual logo comento por aqui. *** \u201cO Fim\u201d 27 de julho de 2015 O in\u00edcio de cada um dos cap\u00edtulo de O Fim, de Fernanda Torres, \u00e9 um mon\u00f3logo interior com os \u00faltimos momentos da vida de cada um dos cinco personagens principais da hist\u00f3ria \u2013 na continua\u00e7\u00e3o, os cap\u00edtulos s\u00e3o escritos em terceira pessoa, contando as hist\u00f3rias inter-relacionadas de \u00c1lvaro, S\u00edlvio, Ribeiro, Neto e Ciro. Os cinco amigos viveram a grande liberdade de sexo e drogas no Rio de Janeiro entre os anos 50 a 70 e terminam a vida \u2013 a partir do in\u00edcio dos anos 90 \u2013 deprimidos, solit\u00e1rios e, quase sempre, abandonados pelos familiares mais pr\u00f3ximos \u2013 a quem haviam negligenciado durante toda a vida. Fernanda Torres parece querer mostrar, de forma c\u00ednica e amarga, que a grande liberdade de costumes daqueles anos loucos p\u00f4de transformar quem os viveu em monstros ego\u00edstas, autoindulgentes, capazes de trocar qualquer valor moral por um naco de prazer. Quem conhece aquela atriz meio amalucada de Os Normais e das suas, muitas vezes, destrambelhadas entrevistas, n\u00e3o consegue imaginar que seu primeiro romance seria t\u00e3o s\u00e9rio e, porque n\u00e3o dizer, profundo \u2013 mesmo que muitas vezes bem humorado. Pelo menos, n\u00e3o me surpreendi com a qualidade indiscut\u00edvel de sua prosa: as colunas mensais que ela escreve na Folha j\u00e1 me mostravam que ali estava algu\u00e9m com um grande talento liter\u00e1rio. Fico na expectativa de seus pr\u00f3ximos livros. *** \u201cA gl\u00f3ria e seu cortejo de horrores\u201d 22 de abril de 2018 Eu tinha escrito\u00a0o seguinte sobre o romance anterior de Fernanda Torres, \u201cO Fim\u201d, lan\u00e7ado em 2013: \u201cQuem conhece aquela atriz meio amalucada de Os Normais e das suas, muitas vezes, destrambelhadas entrevistas, n\u00e3o consegue imaginar que seu primeiro romance seria t\u00e3o s\u00e9rio e, porque n\u00e3o dizer, profundo \u2013 mesmo que muitas vezes bem-humorado. Pelo menos, n\u00e3o me surpreendi com a qualidade indiscut\u00edvel de sua prosa: as colunas mensais que ela escreve na Folha j\u00e1 me mostravam que ali estava algu\u00e9m com um grande talento liter\u00e1rio. Fico na expectativa de seus pr\u00f3ximos livros. \u201d Baseado nisso, quando descobri que Fernanda Torres tinha lan\u00e7ado um segundo romance, \u201cA gl\u00f3ria e seu cortejo de horrores\u201d (Companhia das Letras, 215 p\u00e1ginas), comprei-o assim que pude, e o livro \u00e9 o objeto do presente texto (ela tamb\u00e9m lan\u00e7ou em 2014 um livro de cr\u00f4nicas, \u201cSete Anos\u201d, que ainda n\u00e3o li). \u201cA gl\u00f3ria e seu cortejo de horrores\u201d conta a hist\u00f3ria do ator Mario Cardoso, personagem fict\u00edcio que \u00e9 uma esp\u00e9cie de exemplar de toda uma gera\u00e7\u00e3o: ainda jovem, nos anos 60, foi fazer uma esp\u00e9cie de teatro de guerrilha no sert\u00e3o nordestino; depois, j\u00e1 no Rio de Janeiro, ingressa na produ\u00e7\u00e3o de \u201cHair\u201d, exemplar mais famoso do desbunde hipppie; acaba sendo descoberto mais tarde em duas produ\u00e7\u00f5es de vanguarda, \u201cTio V\u00e2nia\u201d, de Tchekh\u00f3v, e \u201cNavalha na Carne\u201d, de Pl\u00ednio Marcos. O enorme sucesso destas duas montagens acaba por lev\u00e1-lo \u00e0 TV, onde faz novelas e fica rico e famoso no pa\u00eds inteiro. Anos depois, abandona a TV e cria uma montagem totalmente fracassada de \u201cRei Lear\u201d, de Shakespeare \u2013 e \u00e9 com este fracasso que \u201cA gl\u00f3ria e seu cortejo de horrores\u201d se inicia: a vida pregressa de Mario Cardoso \u00e9 contada por meio de suas reminisc\u00eancias. Confesso que eu achava irritantes boa parte das entrevistas do extinto programa de entrevistas do J\u00f4 Soares com atores, frequentemente se auto elogiando, falando maravilhas de seus pr\u00f3prios trabalhos: a acreditar em boa parte de que eles falavam de si mesmos no programa do J\u00f4, o teatro \u00e9 uma arte espetacular, os atores s\u00e3o pessoas especiais, participar de pe\u00e7as \u00e9 sempre recompensador e especial. Em \u201cA gl\u00f3ria e seu cortejo de horrores\u201d h\u00e1 muito pouco deste discurso cansativo: \u00e9 ressaltada, claro, a import\u00e2ncia do teatro e da arte, mas o pr\u00f3prio Mario Cardoso n\u00e3o cansa de repetir que a maior caracter\u00edstica dele \u00e9 a vaidade, o amor por si mesmo. \u00c9 claro que no romance as coisas n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o esquem\u00e1ticas: afinal de contas, mais do que uma \u00f3tima atriz, tenho a impress\u00e3o de que Fernanda Torres \u00e9, mesmo, uma grande escritora, que escreveu mais um grande livro. 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