{"id":5437,"date":"2024-09-08T19:21:09","date_gmt":"2024-09-08T22:21:09","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5437"},"modified":"2024-09-08T19:21:09","modified_gmt":"2024-09-08T22:21:09","slug":"johann-sebastian-bach-com-vikingur-olafsson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5437","title":{"rendered":"&#8220;Johann Sebastian Bach&#8221;, com V\u00edkingur \u00d3lafsson"},"content":{"rendered":"<p>O nome da cole\u00e7\u00e3o era &#8220;Os cl\u00e1ssicos mais populares do mundo&#8221;, e era composta por doze LPs com gatinhos nas capas. Como o pr\u00f3prio nome dizia, as m\u00fasicas apresentadas eram aquelas que a maioria das pessoas reconhece como &#8220;m\u00fasica cl\u00e1ssica&#8221;. O in\u00edcio da Quinta Sinfonia de Beethoven. Um trecho de &#8220;O Lago dos Cisnes&#8221;, de Tchaikovski. Algumas coisas de Chopin.<\/p>\n<p>Quem comprou a cole\u00e7\u00e3o l\u00e1 em casa n\u00e3o sei, at\u00e9 hoje, quem foi &#8211; imagino que tenha sido a minha m\u00e3e. Sei que n\u00e3o lembro de nenhum dia da minha inf\u00e2ncia sem aqueles doze (ou seriam dez?) discos por perto.<\/p>\n<p>&#8220;Os cl\u00e1ssicos mais populares do mundo&#8221; foi provavelmente a maior contribui\u00e7\u00e3o para o meu gosto musical, desde que nasci at\u00e9 hoje. Eu ouvia aqueles discos diariamente e, com o tempo, fui percebendo que, fora uma ou outra coisa &#8211; tenho que citar a \u00e1ria &#8220;Ombra mai fu&#8221;, da \u00f3pera Xerxes, de H\u00e4ndel, uma das m\u00fasicas mais bonitas que j\u00e1 ouvi -, eu gostava mesmo era de Johann Sebastian Bach. A \u00c1ria na Corda Sol. A Tocata e Fuga em R\u00e9 Menor. Alguns trechos dos Concertos de Brandemburgo. Algumas \u00e1rias de cantatas.<\/p>\n<p>Este meu interesse por Bach acabou ficando t\u00e3o intenso que acabei come\u00e7ando a comprar discos do compositor. Os concertos de Brandemburgo e pe\u00e7as para \u00f3rg\u00e3o, em dois maravilhosos exemplares da cole\u00e7\u00e3o &#8220;Mestres da M\u00fasica&#8221;, da Editora Abril (que descreviam com grande min\u00facia a vida e a obra de Bach nos fasc\u00edculos que acompanhavam os LPs). Os discos de Jo\u00e3o Carlos Martins, com pe\u00e7as completas de Partitas, Su\u00edtes Francesas, Inglesas, e por a\u00ed vai. A Arte da Fuga executada no cravo. Uma s\u00e9rie de cantatas.<\/p>\n<p>Com o tempo, a obra de Bach, que me impressionava pela beleza arrebatadora de pe\u00e7as como a \u00c1ria na Corda Sol, passou a ser para mim uma esp\u00e9cie de monolito respeit\u00e1vel, bel\u00edssimo e imponente. Eu me desfiz da minha cole\u00e7\u00e3o de LPs h\u00e1 muitos anos j\u00e1, mas acho que tinha mais de duzentos discos do compositor.<\/p>\n<p>Uns poucos anos atr\u00e1s, depois de ver um an\u00fancio no Instagram, resolvi baixar um disco simplesmente chamado &#8220;Johann Sebastian Bach&#8221;, com pe\u00e7as diversas de um pianista island\u00eas chamado V\u00edkingur \u00d3lafsson. O \u00e1lbum me impressionou tanto pela execu\u00e7\u00e3o simplesmente inacredit\u00e1vel &#8211; suave e expressiva na medida certa &#8211; do instrumentista, como pela escolha das pe\u00e7as. O disco \u00e9 uma compila\u00e7\u00e3o com as m\u00fasicas mais bonitas para teclado de Bach &#8211; e mesmo algumas transcri\u00e7\u00f5es de pe\u00e7as que n\u00e3o eram originalmente para o instrumento, como a inacredit\u00e1vel\u00a0 &#8220;Nun komm der Heiden Heiland&#8221;, do Prel\u00fadio Coral para \u00d3rg\u00e3o BWV 659, transcrito por Ferruccio Busoni.<\/p>\n<p>Ouvindo esse disco me senti crian\u00e7a, maravilhado de novo com a capacidade mel\u00f3dica e expressiva de Johann Sebastian Bach.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nome da cole\u00e7\u00e3o era &#8220;Os cl\u00e1ssicos mais populares do mundo&#8221;, e era composta por doze LPs com gatinhos nas capas. Como o pr\u00f3prio nome dizia, as m\u00fasicas apresentadas eram aquelas que a maioria das pessoas reconhece como &#8220;m\u00fasica cl\u00e1ssica&#8221;. O in\u00edcio da Quinta Sinfonia de Beethoven. Um trecho de &#8220;O Lago dos Cisnes&#8221;, de Tchaikovski. Algumas coisas de Chopin. Quem comprou a cole\u00e7\u00e3o l\u00e1 em casa n\u00e3o sei, at\u00e9 hoje, quem foi &#8211; imagino que tenha sido a minha m\u00e3e. Sei que n\u00e3o lembro de nenhum dia da minha inf\u00e2ncia sem aqueles doze (ou seriam dez?) discos por perto. &#8220;Os cl\u00e1ssicos mais populares do mundo&#8221; foi provavelmente a maior contribui\u00e7\u00e3o para o meu gosto musical, desde que nasci at\u00e9 hoje. Eu ouvia aqueles discos diariamente e, com o tempo, fui percebendo que, fora uma ou outra coisa &#8211; tenho que citar a \u00e1ria &#8220;Ombra mai fu&#8221;, da \u00f3pera Xerxes, de H\u00e4ndel, uma das m\u00fasicas mais bonitas que j\u00e1 ouvi -, eu gostava mesmo era de Johann Sebastian Bach. A \u00c1ria na Corda Sol. A Tocata e Fuga em R\u00e9 Menor. Alguns trechos dos Concertos de Brandemburgo. Algumas \u00e1rias de cantatas. Este meu interesse por Bach acabou ficando t\u00e3o intenso que acabei come\u00e7ando a comprar discos do compositor. Os concertos de Brandemburgo e pe\u00e7as para \u00f3rg\u00e3o, em dois maravilhosos exemplares da cole\u00e7\u00e3o &#8220;Mestres da M\u00fasica&#8221;, da Editora Abril (que descreviam com grande min\u00facia a vida e a obra de Bach nos fasc\u00edculos que acompanhavam os LPs). Os discos de Jo\u00e3o Carlos Martins, com pe\u00e7as completas de Partitas, Su\u00edtes Francesas, Inglesas, e por a\u00ed vai. A Arte da Fuga executada no cravo. Uma s\u00e9rie de cantatas. Com o tempo, a obra de Bach, que me impressionava pela beleza arrebatadora de pe\u00e7as como a \u00c1ria na Corda Sol, passou a ser para mim uma esp\u00e9cie de monolito respeit\u00e1vel, bel\u00edssimo e imponente. Eu me desfiz da minha cole\u00e7\u00e3o de LPs h\u00e1 muitos anos j\u00e1, mas acho que tinha mais de duzentos discos do compositor. Uns poucos anos atr\u00e1s, depois de ver um an\u00fancio no Instagram, resolvi baixar um disco simplesmente chamado &#8220;Johann Sebastian Bach&#8221;, com pe\u00e7as diversas de um pianista island\u00eas chamado V\u00edkingur \u00d3lafsson. O \u00e1lbum me impressionou tanto pela execu\u00e7\u00e3o simplesmente inacredit\u00e1vel &#8211; suave e expressiva na medida certa &#8211; do instrumentista, como pela escolha das pe\u00e7as. O disco \u00e9 uma compila\u00e7\u00e3o com as m\u00fasicas mais bonitas para teclado de Bach &#8211; e mesmo algumas transcri\u00e7\u00f5es de pe\u00e7as que n\u00e3o eram originalmente para o instrumento, como a inacredit\u00e1vel\u00a0 &#8220;Nun komm der Heiden Heiland&#8221;, do Prel\u00fadio Coral para \u00d3rg\u00e3o BWV 659, transcrito por Ferruccio Busoni. 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