{"id":5420,"date":"2024-09-01T14:51:09","date_gmt":"2024-09-01T17:51:09","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5420"},"modified":"2024-09-01T17:22:03","modified_gmt":"2024-09-01T20:22:03","slug":"naufragos-traficantes-e-degredados-de-eduardo-bueno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5420","title":{"rendered":"&#8220;N\u00e1ufragos, traficantes e degredados&#8221;, de Eduardo Bueno"},"content":{"rendered":"<p>Acompanho j\u00e1 h\u00e1 alguns anos o canal do YouTube <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@BuenasIdeias\">Buenas Ideias<\/a>, do jornalista Eduardo Bueno, e agora estou tentando tirar o atraso do podcast <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/02NOWmvIQIfOuAo9JMKXes?si=0739b7dcef794749\">N\u00f3s na Hist\u00f3ria<\/a>, em que ele conversa &#8211; na maior parte do tempo sobre Hist\u00f3ria mesmo &#8211; com seus amigos Luciano Potter e Arthur Gubert.<\/p>\n<p>Quem conhece o Peninha &#8211; apelido de Eduardo Bueno &#8211; sabe bem o que esperar do seu canal e do podcast: uma verve impressionante, um senso de humor depreciativo &#8211; contra si e contra todos -, e um conhecimento de Hist\u00f3ria do Brasil impressionante. Dada sua franqueza frequentemente ferina, acho at\u00e9 natural que n\u00e3o gostem dele, mas dado seu sucesso \u00e9 poss\u00edvel que ele seja mais amado do que odiado &#8211; estou entre os primeiros, ali\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e1ufragos, traficantes e degredados&#8221; (Esta\u00e7\u00e3o Brasil, 176 p\u00e1ginas) \u00e9 um edi\u00e7\u00e3o revista e ampliada em 2016 da obra &#8211; j\u00e1 cl\u00e1ssica &#8211; lan\u00e7ado em 1998. O estilo do livro &#8211; ao contr\u00e1rio daquele do podcaster e youtuber Eduardo Bueno &#8211; \u00e9 s\u00f3brio e conciso. Mas a hist\u00f3ria que ele conta \u00e9 fascinante e inesperada: \u00e0s vezes me pareceu estar lendo hist\u00f3rias que aconteceram numa realidade paralela.<\/p>\n<p>O livro conta, entre outros temas, a hist\u00f3ria das primeiras expedi\u00e7\u00f5es de europeus no Brasil &#8211; algumas delas ocorridas <em>antes\u00a0<\/em>do descobrimento oficial em 22 de abril de 1500 -, da luta pelo pau-brasil entre portugueses e franceses, da frustra\u00e7\u00e3o dos exploradores em n\u00e3o encontrar ouro e pedras preciosas por aqui (quando havia fortes indicativos, mais tarde confirmados, de que havia quantidades enormes destes materiais no Novo Mundo), e das primeiras feitorias instaladas por portugueses em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas o mais inesperado e fascinante da obra s\u00e3o, efetivamente, os &#8220;n\u00e1ufragos, traficantes e degredados&#8221;. Peninha conta muitas hist\u00f3rias de europeus que eram simplesmente largados por aqui por castigo ou por outro motivo, ou que naufragaram e n\u00e3o tinham mais para onde ir, ou que resolviam viver no Brasil para traficar pau-brasil e, mais tarde, ind\u00edgenas. O que mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que quase todos eles passaram a viver como \u00edndios, com grande n\u00famero de mulheres e liderando comunidades.<\/p>\n<p>Um tempo estranho no qual as diferen\u00e7as entre povos eram bem menores do que se acredita hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acompanho j\u00e1 h\u00e1 alguns anos o canal do YouTube Buenas Ideias, do jornalista Eduardo Bueno, e agora estou tentando tirar o atraso do podcast N\u00f3s na Hist\u00f3ria, em que ele conversa &#8211; na maior parte do tempo sobre Hist\u00f3ria mesmo &#8211; com seus amigos Luciano Potter e Arthur Gubert. 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O livro conta, entre outros temas, a hist\u00f3ria das primeiras expedi\u00e7\u00f5es de europeus no Brasil &#8211; algumas delas ocorridas antes\u00a0do descobrimento oficial em 22 de abril de 1500 -, da luta pelo pau-brasil entre portugueses e franceses, da frustra\u00e7\u00e3o dos exploradores em n\u00e3o encontrar ouro e pedras preciosas por aqui (quando havia fortes indicativos, mais tarde confirmados, de que havia quantidades enormes destes materiais no Novo Mundo), e das primeiras feitorias instaladas por portugueses em nosso pa\u00eds. Mas o mais inesperado e fascinante da obra s\u00e3o, efetivamente, os &#8220;n\u00e1ufragos, traficantes e degredados&#8221;. Peninha conta muitas hist\u00f3rias de europeus que eram simplesmente largados por aqui por castigo ou por outro motivo, ou que naufragaram e n\u00e3o tinham mais para onde ir, ou que resolviam viver no Brasil para traficar pau-brasil e, mais tarde, ind\u00edgenas. 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