{"id":5413,"date":"2024-08-25T13:45:54","date_gmt":"2024-08-25T16:45:54","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5413"},"modified":"2026-03-22T19:44:17","modified_gmt":"2026-03-22T22:44:17","slug":"os-etruscos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5413","title":{"rendered":"Os Etruscos"},"content":{"rendered":"<p>Eu n\u00e3o sei se foi no Discovery Channel ou no History em que assisti, alguns anos atr\u00e1s, um document\u00e1rio sobre os etruscos. Fiquei fascinado. N\u00e3o tinha ideia de que aquele povo, que viveu aproximadamente entre os s\u00e9culos VIII e V antes da Era Comum, era t\u00e3o semelhantes aos gregos e romanos &#8211; n\u00e3o sei por qu\u00ea, eu achava que eles deviam ser bem mais atrasados.<\/p>\n<p>Li recentemente tr\u00eas livros sobre este povo &#8211; &#8220;A civiliza\u00e7\u00e3o dos Etruscos&#8221;, de Philippe Azziz (Editions Ferni, 348 p\u00e1ginas, dentro da cole\u00e7\u00e3o &#8220;Grandes Civiliza\u00e7\u00f5es Desaparecidas&#8221;, sem indica\u00e7\u00e3o de tradu\u00e7\u00e3o, publicado originalmente em 1976), &#8220;Os Etruscos &#8211; uma civiliza\u00e7\u00e3o reencontrada&#8221;, de Attilio Gaudio, 205 p\u00e1ginas, Edi\u00e7\u00f5es MM, tradu\u00e7\u00e3o de Charles Marie Antoine Bou\u00e9ry, publicado originalmente em 1969) e o cl\u00e1ssico &#8220;Os Etruscos&#8221;, de Raymond Bloch (260 p\u00e1ginas, Editorial Verbo, traduzido por Maria Helena Pires Noronha e Fernando Noronha, publicado originalmente em 1958, dentro da cole\u00e7\u00e3o &#8220;Historia Mundi&#8221;) &#8211; e vou comentar aqui alguns aspectos sobre esta civiliza\u00e7\u00e3o fascinante.<\/p>\n<p>Como os gregos, os etruscos tinham divis\u00e3o pol\u00edtica em cidades-estado, que se reuniam com alguma regularidade e que \u00e0s vezes guerreavam umas com as outras. Eles tiveram seu \u00e1pice entre os s\u00e9culos VII e V a.C., e acabaram sendo invadidos, aos poucos, pelos romanos, que acabaram de conquistar todo o seu territ\u00f3rio &#8211; noroeste da It\u00e1lia, onde hoje fica a Toscana &#8211; em 396 a.C. na batalha de Veios. Mesmo com a derrota, acredita-se que a nobreza etrusca foi absorvida pelos vencedores romanos, fazendo parte do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Sua l\u00edngua, escrita com caracteres gregos, at\u00e9 hoje \u00e9 um mist\u00e9rio para os pesquisadores: sabe-se que n\u00e3o era um idioma indo-europeu &#8211; origem comum de grande maioria das da Europa e muitas da \u00cdndia -, mas n\u00e3o muito mais do que isso. Sua literatura &#8211; que, aparentemente, era principalmente de cunho religioso, j\u00e1 que os etruscos eram famosos por seus rituais de adivinha\u00e7\u00e3o (o que continuou em Roma, mesmo depois da derrota final da Etr\u00faria, j\u00e1 que os adivinhos toscanos eram os mais respeitados no Imp\u00e9rio Romano) &#8211; foi praticamente toda perdida. O maior texto escrito em etrusco que restou \u00e9 um len\u00e7ol mortu\u00e1rio encontrado no Egito: algu\u00e9m, na \u00e9poca do Egito Romano, provavelmente, pegou aqueles tecidos cheio de textos &#8211; que ningu\u00e9m sabia para que serviam e o que significavam &#8211; para embalar um morto, e o tecido foi preservado. O imperador romano Cl\u00e1udio (cerca de 10 a.C. &#8211; 54 d.C.) tinha origens etruscas e escreveu uma Hist\u00f3ria do Povo Etrusco e uma Gram\u00e1tica do Povo Etrusco, livros que se perderam, numa verdadeira trag\u00e9dia para os estudiosos.<\/p>\n<p>A riqueza da regi\u00e3o era principalmente derivada da minera\u00e7\u00e3o, e os etruscos fizeram fortuna extraindo ferro e outros minerais de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Seus templos e resid\u00eancias eram em geral constru\u00eddos de madeira, e por isso a grande maioria deles se perdeu. Por outro lado, como eram extremamente m\u00edsticos e ligados \u00e0 vida ap\u00f3s a morte, constru\u00edram &#8211; no auge de sua civiliza\u00e7\u00e3o &#8211; t\u00famulos em concreto, enterrados embaixo do n\u00edvel do solo, que apresentam ilustra\u00e7\u00f5es da vida cotidiana dos seus nobres: grande parte do que se sabe atualmente dos seus costumes, inclusive, \u00e9 deduzido destas pinturas.<\/p>\n<p>E o que mostram estas ilustra\u00e7\u00f5es nos t\u00famulos? Basicamente, divertimento, m\u00fasica, banquetes, alegria. Para grande esc\u00e2ndalo dos romanos e gregos, os etruscos banqueteavam com suas esposas, o que era impens\u00e1vel naquelas outras civiliza\u00e7\u00f5es. Aparentemente, entre os povos mediterr\u00e2neos da \u00e9poca, em nenhum lugar as mulheres tinham tantos direitos como entre os etruscos.<\/p>\n<p>Os gregos e romanos criticavam os etruscos por excesso de indol\u00eancia e de amor aos prazeres &#8211; dadas as pinturas nos seus t\u00famulos e a sua derrota final para os romanos s\u00e9culos antes de Cristo, \u00e9 de se perguntar se seus advers\u00e1rios n\u00e3o tinham raz\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu n\u00e3o sei se foi no Discovery Channel ou no History em que assisti, alguns anos atr\u00e1s, um document\u00e1rio sobre os etruscos. Fiquei fascinado. N\u00e3o tinha ideia de que aquele povo, que viveu aproximadamente entre os s\u00e9culos VIII e V antes da Era Comum, era t\u00e3o semelhantes aos gregos e romanos &#8211; n\u00e3o sei por qu\u00ea, eu achava que eles deviam ser bem mais atrasados. Li recentemente tr\u00eas livros sobre este povo &#8211; &#8220;A civiliza\u00e7\u00e3o dos Etruscos&#8221;, de Philippe Azziz (Editions Ferni, 348 p\u00e1ginas, dentro da cole\u00e7\u00e3o &#8220;Grandes Civiliza\u00e7\u00f5es Desaparecidas&#8221;, sem indica\u00e7\u00e3o de tradu\u00e7\u00e3o, publicado originalmente em 1976), &#8220;Os Etruscos &#8211; uma civiliza\u00e7\u00e3o reencontrada&#8221;, de Attilio Gaudio, 205 p\u00e1ginas, Edi\u00e7\u00f5es MM, tradu\u00e7\u00e3o de Charles Marie Antoine Bou\u00e9ry, publicado originalmente em 1969) e o cl\u00e1ssico &#8220;Os Etruscos&#8221;, de Raymond Bloch (260 p\u00e1ginas, Editorial Verbo, traduzido por Maria Helena Pires Noronha e Fernando Noronha, publicado originalmente em 1958, dentro da cole\u00e7\u00e3o &#8220;Historia Mundi&#8221;) &#8211; e vou comentar aqui alguns aspectos sobre esta civiliza\u00e7\u00e3o fascinante. Como os gregos, os etruscos tinham divis\u00e3o pol\u00edtica em cidades-estado, que se reuniam com alguma regularidade e que \u00e0s vezes guerreavam umas com as outras. Eles tiveram seu \u00e1pice entre os s\u00e9culos VII e V a.C., e acabaram sendo invadidos, aos poucos, pelos romanos, que acabaram de conquistar todo o seu territ\u00f3rio &#8211; noroeste da It\u00e1lia, onde hoje fica a Toscana &#8211; em 396 a.C. na batalha de Veios. Mesmo com a derrota, acredita-se que a nobreza etrusca foi absorvida pelos vencedores romanos, fazendo parte do Imp\u00e9rio. Sua l\u00edngua, escrita com caracteres gregos, at\u00e9 hoje \u00e9 um mist\u00e9rio para os pesquisadores: sabe-se que n\u00e3o era um idioma indo-europeu &#8211; origem comum de grande maioria das da Europa e muitas da \u00cdndia -, mas n\u00e3o muito mais do que isso. Sua literatura &#8211; que, aparentemente, era principalmente de cunho religioso, j\u00e1 que os etruscos eram famosos por seus rituais de adivinha\u00e7\u00e3o (o que continuou em Roma, mesmo depois da derrota final da Etr\u00faria, j\u00e1 que os adivinhos toscanos eram os mais respeitados no Imp\u00e9rio Romano) &#8211; foi praticamente toda perdida. O maior texto escrito em etrusco que restou \u00e9 um len\u00e7ol mortu\u00e1rio encontrado no Egito: algu\u00e9m, na \u00e9poca do Egito Romano, provavelmente, pegou aqueles tecidos cheio de textos &#8211; que ningu\u00e9m sabia para que serviam e o que significavam &#8211; para embalar um morto, e o tecido foi preservado. O imperador romano Cl\u00e1udio (cerca de 10 a.C. &#8211; 54 d.C.) tinha origens etruscas e escreveu uma Hist\u00f3ria do Povo Etrusco e uma Gram\u00e1tica do Povo Etrusco, livros que se perderam, numa verdadeira trag\u00e9dia para os estudiosos. A riqueza da regi\u00e3o era principalmente derivada da minera\u00e7\u00e3o, e os etruscos fizeram fortuna extraindo ferro e outros minerais de seu territ\u00f3rio. Seus templos e resid\u00eancias eram em geral constru\u00eddos de madeira, e por isso a grande maioria deles se perdeu. Por outro lado, como eram extremamente m\u00edsticos e ligados \u00e0 vida ap\u00f3s a morte, constru\u00edram &#8211; no auge de sua civiliza\u00e7\u00e3o &#8211; t\u00famulos em concreto, enterrados embaixo do n\u00edvel do solo, que apresentam ilustra\u00e7\u00f5es da vida cotidiana dos seus nobres: grande parte do que se sabe atualmente dos seus costumes, inclusive, \u00e9 deduzido destas pinturas. E o que mostram estas ilustra\u00e7\u00f5es nos t\u00famulos? Basicamente, divertimento, m\u00fasica, banquetes, alegria. Para grande esc\u00e2ndalo dos romanos e gregos, os etruscos banqueteavam com suas esposas, o que era impens\u00e1vel naquelas outras civiliza\u00e7\u00f5es. 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