{"id":5380,"date":"2024-07-01T15:38:59","date_gmt":"2024-07-01T18:38:59","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5380"},"modified":"2026-01-10T13:55:19","modified_gmt":"2026-01-10T16:55:19","slug":"quem-e-vivo-sempre-aparece-3-modern-jazz-quartet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5380","title":{"rendered":"Quem \u00e9 vivo sempre aparece: 3.Modern Jazz Quartet"},"content":{"rendered":"<p>L\u00e1 em casa s\u00f3 t\u00ednhamos discos de MPB e alguma pouca coisa de m\u00fasica cl\u00e1ssica &#8211; cuja cole\u00e7\u00e3o eu aumentei desde cedo, com minha paix\u00e3o prematura por Bach. Havia bastante preconceito l\u00e1 em casa &#8211; coisa da \u00e9poca &#8211; contra m\u00fasica americana, e eu mesmo fiquei chocado comigo mesmo quando percebi um interesse incomum numa nova s\u00e9rie de <em>fasc\u00edculos-com-LP<\/em> chamada &#8220;Gigantes do Jazz&#8221;, da Editora Abril, com Louis Armostrong no primeiro item da cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie, pelo que dava para perceber pelo nome dos escritores dos textos, era francesa &#8211; \u00e9 fato sabido que veio da Fran\u00e7a a seriedade com que o jazz \u00e9 tratado hoje. Os textos do fasc\u00edculos eram autorais, &#8220;sem papas na l\u00edngua&#8221;. Por exemplo, nos exemplares sempre havia um box que tratava de um assunto correlato: num, uma entrevista em que o jornalista detonava o Ray Charles, que ficou furioso com ele; em outro, o jornalista defende por que Oscar Peterson n\u00e3o era l\u00e1 essas coisas &#8211; e, at\u00e9 onde eu sei, n\u00e3o teve nenhum fasc\u00edculo de Gigantes do Jazz com este pianista.<\/p>\n<p>Fui comprando os exemplares e logo percebi que n\u00e3o gostava tanto assim de jazz: achava interessante, mas de maneira geral s\u00f3 gostava de uma ou outra faixa. E acabei parando de comprar a cole\u00e7\u00e3o a\u00ed pelo n\u00famero 10.<\/p>\n<p>Mas l\u00e1 em casa tamb\u00e9m tinha a Enciclop\u00e9dia Abril, provavelmente a maior influ\u00eancia na minha vida em termos culturais. No (longo) verbete desta enciclop\u00e9dia sobre jazz, citavam um tal de Modern Jazz Quartet, que tinha influ\u00eancias de Bach. Opa! A\u00ed sim! Quando o exemplar sobre John Lewis &#8211; o l\u00edder do grupo &#8211; apareceu nas bancas, comprei-o e amei o que ouvi. Os m\u00fasicos sempre se vestiam a rigor e, al\u00e9m de Lewis e de Milt Jackson, comentado abaixo, o grupo ainda contava com Percy Heath &#8211; e depois Connie Kay, a partir de 1955 &#8211; no contrabaixo e Kenny Clarke na bateria. E, realmente, o Modern Jazz Quartet tinha n\u00edtidas influ\u00eancias do grande compositor Johann Sebastian Bach, e era jazz na sua melhor forma ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>S\u00f3 que tinha uma coisa esquisita: apesar de ser o compositor da maioria das m\u00fasicas e ser o l\u00edder do grupo, o que se ouvia nas faixas, em maior destaque, era o vibrafone (um xilofone maior e mais sofisticado) de Milt Jackson. De fato, no box do exemplar de John Lewis do Gigantes do Jazz, o texto era sobre a for\u00e7a expressiva do vibrafonista.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o segredo do grupo \u00e9 a tens\u00e3o entre o piano extremamente discreto de John Lewis e o vibrafone exuberante de Milt Jackson. Esta tens\u00e3o devia ser grande mesmo: segundo a Wikip\u00e9dia em portugu\u00eas,<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Em 1974, Jackson deixa o grupo, por raz\u00f5es financeiras, considerando que tocavam por pouco dinheiro, e por necessitar de mais liberdade musical. A sua sa\u00edda leva ao fim do grupo. Em 1981, juntam-se de novo para tocar em festivais e, mais tarde, tocam regularmente durante um per\u00edodo de seis meses por ano. O seu \u00faltimo trabalho foi em 1993.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1 &#8211; a cole\u00e7\u00e3o Gigantes do Jazz come\u00e7ou a ser publicada em 1980, quando eu tinha doze anos &#8211; tive fases de ouvir muito jazz, e meus m\u00fasicos preferidos &#8211; al\u00e9m do Modern Jazz Quartet &#8211; s\u00e3o John Coltrane, Chet Baker, Billie Holiday, Miles Davis e Charlie Parker.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie &#8220;Quem \u00e9 vivo sempre aparece&#8221; \u00e9 sobre sons retomados depois de muito tempo com m\u00fasicos que eu nunca tinha citado no blog, e neste texto homenageio esta grande banda de jazz. E, se voc\u00ea nunca ouviu a banda, recomendo fortemente a faixa &#8220;Blues in C minor&#8221;, composta por Milt Jackson: quem sabe voc\u00ea curta &#8211; eu mesmo acho que \u00e9 uma das melhores m\u00fasicas j\u00e1 feitas.<\/p>\n<p><i>(foto que acompanha o texto obtida na <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Modern_Jazz_Quartet\">Wikipedia em ingl\u00eas<\/a>)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e1 em casa s\u00f3 t\u00ednhamos discos de MPB e alguma pouca coisa de m\u00fasica cl\u00e1ssica &#8211; cuja cole\u00e7\u00e3o eu aumentei desde cedo, com minha paix\u00e3o prematura por Bach. Havia bastante preconceito l\u00e1 em casa &#8211; coisa da \u00e9poca &#8211; contra m\u00fasica americana, e eu mesmo fiquei chocado comigo mesmo quando percebi um interesse incomum numa nova s\u00e9rie de fasc\u00edculos-com-LP chamada &#8220;Gigantes do Jazz&#8221;, da Editora Abril, com Louis Armostrong no primeiro item da cole\u00e7\u00e3o. A s\u00e9rie, pelo que dava para perceber pelo nome dos escritores dos textos, era francesa &#8211; \u00e9 fato sabido que veio da Fran\u00e7a a seriedade com que o jazz \u00e9 tratado hoje. Os textos do fasc\u00edculos eram autorais, &#8220;sem papas na l\u00edngua&#8221;. Por exemplo, nos exemplares sempre havia um box que tratava de um assunto correlato: num, uma entrevista em que o jornalista detonava o Ray Charles, que ficou furioso com ele; em outro, o jornalista defende por que Oscar Peterson n\u00e3o era l\u00e1 essas coisas &#8211; e, at\u00e9 onde eu sei, n\u00e3o teve nenhum fasc\u00edculo de Gigantes do Jazz com este pianista. Fui comprando os exemplares e logo percebi que n\u00e3o gostava tanto assim de jazz: achava interessante, mas de maneira geral s\u00f3 gostava de uma ou outra faixa. E acabei parando de comprar a cole\u00e7\u00e3o a\u00ed pelo n\u00famero 10. Mas l\u00e1 em casa tamb\u00e9m tinha a Enciclop\u00e9dia Abril, provavelmente a maior influ\u00eancia na minha vida em termos culturais. No (longo) verbete desta enciclop\u00e9dia sobre jazz, citavam um tal de Modern Jazz Quartet, que tinha influ\u00eancias de Bach. Opa! A\u00ed sim! Quando o exemplar sobre John Lewis &#8211; o l\u00edder do grupo &#8211; apareceu nas bancas, comprei-o e amei o que ouvi. Os m\u00fasicos sempre se vestiam a rigor e, al\u00e9m de Lewis e de Milt Jackson, comentado abaixo, o grupo ainda contava com Percy Heath &#8211; e depois Connie Kay, a partir de 1955 &#8211; no contrabaixo e Kenny Clarke na bateria. E, realmente, o Modern Jazz Quartet tinha n\u00edtidas influ\u00eancias do grande compositor Johann Sebastian Bach, e era jazz na sua melhor forma ao mesmo tempo. S\u00f3 que tinha uma coisa esquisita: apesar de ser o compositor da maioria das m\u00fasicas e ser o l\u00edder do grupo, o que se ouvia nas faixas, em maior destaque, era o vibrafone (um xilofone maior e mais sofisticado) de Milt Jackson. De fato, no box do exemplar de John Lewis do Gigantes do Jazz, o texto era sobre a for\u00e7a expressiva do vibrafonista. A verdade \u00e9 que o segredo do grupo \u00e9 a tens\u00e3o entre o piano extremamente discreto de John Lewis e o vibrafone exuberante de Milt Jackson. Esta tens\u00e3o devia ser grande mesmo: segundo a Wikip\u00e9dia em portugu\u00eas, &#8220;Em 1974, Jackson deixa o grupo, por raz\u00f5es financeiras, considerando que tocavam por pouco dinheiro, e por necessitar de mais liberdade musical. A sua sa\u00edda leva ao fim do grupo. Em 1981, juntam-se de novo para tocar em festivais e, mais tarde, tocam regularmente durante um per\u00edodo de seis meses por ano. O seu \u00faltimo trabalho foi em 1993.&#8221; De l\u00e1 para c\u00e1 &#8211; a cole\u00e7\u00e3o Gigantes do Jazz come\u00e7ou a ser publicada em 1980, quando eu tinha doze anos &#8211; tive fases de ouvir muito jazz, e meus m\u00fasicos preferidos &#8211; al\u00e9m do Modern Jazz Quartet &#8211; s\u00e3o John Coltrane, Chet Baker, Billie Holiday, Miles Davis e Charlie Parker. A s\u00e9rie &#8220;Quem \u00e9 vivo sempre aparece&#8221; \u00e9 sobre sons retomados depois de muito tempo com m\u00fasicos que eu nunca tinha citado no blog, e neste texto homenageio esta grande banda de jazz. E, se voc\u00ea nunca ouviu a banda, recomendo fortemente a faixa &#8220;Blues in C minor&#8221;, composta por Milt Jackson: quem sabe voc\u00ea curta &#8211; eu mesmo acho que \u00e9 uma das melhores m\u00fasicas j\u00e1 feitas. (foto que acompanha o texto obtida na Wikipedia em ingl\u00eas)<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5384,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[262,876,872,180,875,873,874,871,870],"class_list":["post-5380","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-billie-holiday","tag-charlie-parker","tag-chet-baker","tag-john-coltrane","tag-john-lewis","tag-miles-davis","tag-milt-jackson","tag-modern-jazz-quartet","tag-quem-e-vivo-sempre-aparece","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5380","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5380"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5380\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5387,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5380\/revisions\/5387"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}