{"id":5253,"date":"2024-01-14T19:46:53","date_gmt":"2024-01-14T22:46:53","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5253"},"modified":"2024-03-10T18:05:52","modified_gmt":"2024-03-10T21:05:52","slug":"livros-que-minha-mae-amava-2-diario-de-uma-ilusao-de-philip-roth","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5253","title":{"rendered":"Livros que minha m\u00e3e amava: 3.&#8221;Di\u00e1rio de uma Ilus\u00e3o&#8221;, de Philip Roth"},"content":{"rendered":"<p>Minha m\u00e3e amava Philip Roth. Sempre repetia que adorava suas hist\u00f3rias de \u201chomens judeus\u201d &#8211; que muitas muitas vezes tamb\u00e9m s\u00e3o escritores. Durante um bom tempo, foi o escritor preferido dela ao lado de John Updike &#8211; e os dois realmente t\u00eam muito em comum: estilo l\u00edmpido, hist\u00f3rias com personagens da classe m\u00e9dia americana do tempo em que eles viviam (principalmente as \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX), linguagem crua. Philip Roth (1930-2018), conforme comentado acima, concentrava suas hist\u00f3rias em homens judeus seculares, enquanto as fam\u00edlias descritas por John Updike (1932-2019) eram normalmente protestantes. Os dois, ali\u00e1s, eram figurinhas carimbadas nas colunas do famoso jornalista Paulo Francis.<\/p>\n<p>Os dois lan\u00e7aram em um per\u00edodo muito curto dois grandes romances: Philip Roth com \u201cPastoral Americana\u201d, de 1997, e John Updike com \u201cNa beleza dos l\u00edrios\u201d, de 1996. S\u00e3o muitos pontos em comum entre as duas obras-primas, conforme comentado <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/fs220609.htm\">neste texto de Arthur Nestrovski<\/a> para a Folha de S\u00e3o Paulo. Na \u00e9poca eu e minha m\u00e3e lemos ambos os romances: eu preferi o de Updike \u2013 mais espiritualizado, sob o meu ponto de vista da \u00e9poca, quando estava come\u00e7ando acreditar em Deus -, e minha m\u00e3e preferiu o de Philip Roth. Provavelmente, se eu relesse os dois livros hoje, iria concordar com a opini\u00e3o da minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Junto com Thomas Mann e Honor\u00e9 de Balzac, Philip Roth foi um dos tr\u00eas escritores que eu simplesmente decidi parar de ler l\u00e1 pelas tantas, conforme comentei <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1807\">aqui<\/a>, em 2015; mas <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5203\">neste texto<\/a>, de setembro de 2023, eu escrevi que j\u00e1 tinha mudado de ideia.<\/p>\n<p>De fato, no meio do ano passado eu tinha lido \u201cLi\u00e7\u00e3o de Anatomia\u201d, o terceiro romance constante da edi\u00e7\u00e3o \u201cZuckerman Acorrentado\u201d, da Companhia das Letras, que apresenta \u201ctr\u00eas romances e um ep\u00edlogo\u201d nos quais o personagem principal \u00e9 Nathan Zuckerman &#8211; escritor judeu, alter ego de Philip Roth. Eu tinha lido os dois primeiros romances da trilogia, \u201cO escritor fantasma\u201d e \u201cZuckerman Libertado\u201d ainda antes de eu ter escrito aquele texto de 2015 citado acima, e lembro de poucos detalhes dos livros.<\/p>\n<p>Amei \u201cLi\u00e7\u00e3o de Anatomia\u201d! Parecia que eu precisava mesmo ler alguma coisa de Philip Roth depois de tantos anos. Nathan Zuckerman, no romance, continua fazendo um sucesso gigante como escritor, ao mesmo tempo em que tem \u00f3dio de alguns desafetos no meio liter\u00e1rio e sofre com dores excruciantes nas costas. Consegue algumas f\u00e3s para fazer massagens, trabalhar como secret\u00e1rias e fazer sexo com ele \u2013 que, muitas vezes, mal consegue se mover devido ao estado de sua coluna. Sim, o romance provavelmente seria cancelado se tivesse sido escrito nos dias de hoje, por excesso de machismo.<\/p>\n<p>Mexendo nos livros da minha m\u00e3e, descobri uma edi\u00e7\u00e3o de \u201cDi\u00e1rio de uma Ilus\u00e3o\u201d, apresentado na foto que acompanha este texto ao lado da minha edi\u00e7\u00e3o de \u201cZuckerman Acorrentado\u201d: na verdade, este romance \u00e9 o mesmo citado acima com o nome de \u201cO Escritor Fantasma\u201d, na edi\u00e7\u00e3o da Companhia das Letras.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e com certeza leu \u201cDi\u00e1rio de uma Ilus\u00e3o\u201d, devido ao estado do livro, e provavelmente tamb\u00e9m leu \u201cLi\u00e7\u00e3o de Anatomia\u201d \u2013 lembro vagamente de ter visto um exemplar do romance com ela na minha adolesc\u00eancia, mas n\u00e3o tenho certeza. De todo modo, mesmo se ela n\u00e3o o leu, certamente o teria amado se tivesse lido!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha m\u00e3e amava Philip Roth. Sempre repetia que adorava suas hist\u00f3rias de \u201chomens judeus\u201d &#8211; que muitas muitas vezes tamb\u00e9m s\u00e3o escritores. Durante um bom tempo, foi o escritor preferido dela ao lado de John Updike &#8211; e os dois realmente t\u00eam muito em comum: estilo l\u00edmpido, hist\u00f3rias com personagens da classe m\u00e9dia americana do tempo em que eles viviam (principalmente as \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX), linguagem crua. Philip Roth (1930-2018), conforme comentado acima, concentrava suas hist\u00f3rias em homens judeus seculares, enquanto as fam\u00edlias descritas por John Updike (1932-2019) eram normalmente protestantes. Os dois, ali\u00e1s, eram figurinhas carimbadas nas colunas do famoso jornalista Paulo Francis. Os dois lan\u00e7aram em um per\u00edodo muito curto dois grandes romances: Philip Roth com \u201cPastoral Americana\u201d, de 1997, e John Updike com \u201cNa beleza dos l\u00edrios\u201d, de 1996. S\u00e3o muitos pontos em comum entre as duas obras-primas, conforme comentado neste texto de Arthur Nestrovski para a Folha de S\u00e3o Paulo. Na \u00e9poca eu e minha m\u00e3e lemos ambos os romances: eu preferi o de Updike \u2013 mais espiritualizado, sob o meu ponto de vista da \u00e9poca, quando estava come\u00e7ando acreditar em Deus -, e minha m\u00e3e preferiu o de Philip Roth. Provavelmente, se eu relesse os dois livros hoje, iria concordar com a opini\u00e3o da minha m\u00e3e. Junto com Thomas Mann e Honor\u00e9 de Balzac, Philip Roth foi um dos tr\u00eas escritores que eu simplesmente decidi parar de ler l\u00e1 pelas tantas, conforme comentei aqui, em 2015; mas neste texto, de setembro de 2023, eu escrevi que j\u00e1 tinha mudado de ideia. De fato, no meio do ano passado eu tinha lido \u201cLi\u00e7\u00e3o de Anatomia\u201d, o terceiro romance constante da edi\u00e7\u00e3o \u201cZuckerman Acorrentado\u201d, da Companhia das Letras, que apresenta \u201ctr\u00eas romances e um ep\u00edlogo\u201d nos quais o personagem principal \u00e9 Nathan Zuckerman &#8211; escritor judeu, alter ego de Philip Roth. Eu tinha lido os dois primeiros romances da trilogia, \u201cO escritor fantasma\u201d e \u201cZuckerman Libertado\u201d ainda antes de eu ter escrito aquele texto de 2015 citado acima, e lembro de poucos detalhes dos livros. Amei \u201cLi\u00e7\u00e3o de Anatomia\u201d! Parecia que eu precisava mesmo ler alguma coisa de Philip Roth depois de tantos anos. Nathan Zuckerman, no romance, continua fazendo um sucesso gigante como escritor, ao mesmo tempo em que tem \u00f3dio de alguns desafetos no meio liter\u00e1rio e sofre com dores excruciantes nas costas. Consegue algumas f\u00e3s para fazer massagens, trabalhar como secret\u00e1rias e fazer sexo com ele \u2013 que, muitas vezes, mal consegue se mover devido ao estado de sua coluna. Sim, o romance provavelmente seria cancelado se tivesse sido escrito nos dias de hoje, por excesso de machismo. Mexendo nos livros da minha m\u00e3e, descobri uma edi\u00e7\u00e3o de \u201cDi\u00e1rio de uma Ilus\u00e3o\u201d, apresentado na foto que acompanha este texto ao lado da minha edi\u00e7\u00e3o de \u201cZuckerman Acorrentado\u201d: na verdade, este romance \u00e9 o mesmo citado acima com o nome de \u201cO Escritor Fantasma\u201d, na edi\u00e7\u00e3o da Companhia das Letras. Minha m\u00e3e com certeza leu \u201cDi\u00e1rio de uma Ilus\u00e3o\u201d, devido ao estado do livro, e provavelmente tamb\u00e9m leu \u201cLi\u00e7\u00e3o de Anatomia\u201d \u2013 lembro vagamente de ter visto um exemplar do romance com ela na minha adolesc\u00eancia, mas n\u00e3o tenho certeza. 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