{"id":5208,"date":"2023-10-08T17:45:14","date_gmt":"2023-10-08T20:45:14","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5208"},"modified":"2023-10-08T17:51:26","modified_gmt":"2023-10-08T20:51:26","slug":"livros-lidos-recentemente-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5208","title":{"rendered":"Livros lidos recentemente"},"content":{"rendered":"<p>O primeiro livro comentado neste texto \u00e9 \u201cCloro\u201d, de Alexandre Vidal Porto (Companhia das Letras, 127 p\u00e1ginas). Diplomata, o autor escreveu a hist\u00f3ria, com fortes tintas autobiogr\u00e1ficas (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2018\/11\/cloro-traz-personagem-homossexual-que-leva-uma-vida-de-silencio-diz-autor.shtml\">segundo o pr\u00f3prio Vidal Porto<\/a>), de um advogado bem-sucedido que resolve dar uma chance para seu homossexualismo latente desde a inf\u00e2ncia. O romance que, como \u201cMem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas\u201d, se inicia com o narrador revelando que j\u00e1 est\u00e1 morto, conta uma hist\u00f3ria forte e \u00e9 muito bem escrito.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u201cA morte de Jesus (Trilogia de Jesus Livro 3)\u201d, de J.M.Coetzee (Companhia das Letras, 216 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Rubens Siqueira) \u00e9 o final de uma trilogia; eu j\u00e1 tinha feito coment\u00e1rios sobre os dois primeiros livros <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=j-m-coetzee\">aqui<\/a>, mais ou menos nessa linha: <em>\u201cn\u00e3o d\u00e1 para entender o que o grande J.M. Coetzee (Pr\u00eamio Nobel de 2003) quis dizer com esta hist\u00f3ria (&#8230;). David tem alguma coisa a ver com Jesus Cristo? O que exatamente ele tentou mostrar com a ilha dist\u00f3pica do romance, onde as pessoas se esquecem do seu passado? Por que David (&#8230;) \u00e9 t\u00e3o irritante?\u201d<\/em> Acho que agora consegui entender o objetivo do autor, e para explicar isso pego emprestado as palavras de Camila von Holdefer em sua <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/07\/a-morte-de-jesus-poe-fim-a-trilogia-de-coetzee-e-atesta-sua-genialidade.shtml\">\u00f3tima cr\u00edtica<\/a> sobre a trilogia na Folha de S\u00e3o Paulo: <em>\u201co que Coetzee sugere \u00e9 que o leitor se deixe levar, se conseguir superar a pr\u00f3pria racionalidade j\u00e1 solidificada, pelo menino\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Outro livro de J.M. Coetzee recentemente lido \u00e9 \u201c\u00c0 espera dos b\u00e1rbaros\u201d (Companhia das Letras, 181 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Rubens Siqueira), no qual um magistrado de um imp\u00e9rio vive numa cidade fronteiri\u00e7a sempre sob a amea\u00e7a do ataque de b\u00e1rbaros \u2013 nem o magistrado, nem o imp\u00e9rio, nem os b\u00e1rbaros s\u00e3o nomeados. No in\u00edcio do romance o personagem principal, que tamb\u00e9m \u00e9 o narrador em primeira pessoa, mostra todo o seu preconceito contra os b\u00e1rbaros, mas logo se percebe que ele \u00e9 mais piedoso que o ex\u00e9rcito imperial, e as consequ\u00eancia de sua postura s\u00e3o violentas. \u201c\u00c0 espera dos b\u00e1rbaros\u201d \u00e9 espetacular, e discute profundamente muitos assuntos fundamentais: a opress\u00e3o, a viol\u00eancia, o desconhecimento \u2013 e a oblitera\u00e7\u00e3o \u2013 do pr\u00f3ximo, nem sempre visto como \u201cpr\u00f3ximo\u201d.<\/p>\n<p>Finalmente, tr\u00eas livros sobre cosmologia e ci\u00eancia: \u201cNosso universo: A hist\u00f3ria do cosmo e seus mist\u00e9rios\u201d, de Jo Dunkley (Todavia, 322 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Alexandre Bruno Tinelli), \u201cA ilha do conhecimento: Os limites da ci\u00eancia e a busca por sentido\u201d (Record, 364 p\u00e1ginas) e \u201cCria\u00e7\u00e3o imperfeita: Cosmo, vida e o c\u00f3digo oculto da natureza\u201d, ambos de Marcelo Gleiser (Record, 434 p\u00e1ginas).<\/p>\n<p>A cosmologia atual mostra que o Universo \u00e9 muito louco \u2013 para dizer o m\u00ednimo -, e muitos dos seus aspectos (como a mat\u00e9ria escura e a energia escura) est\u00e3o muito al\u00e9m da capacidade de compreens\u00e3o da ci\u00eancia atual. No primeiro dos seus dois livros citados, Marcelo Gleiser defende a tese que n\u00e3o se vai conseguir colocar toda a f\u00edsica numa explica\u00e7\u00e3o \u00fanica \u2013 simplesmente porque esta explica\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o pode existir. Na mesma linha, o segundo livro mostra v\u00e1rios dos aspectos da ci\u00eancia \u2013 n\u00e3o s\u00f3 da cosmologia \u2013 simplesmente ainda sem explica\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a obra de Jo Dunkley \u00e9 bem menos sombria, e descreve o estado atual da cosmologia num estado de aparente deslumbramento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro livro comentado neste texto \u00e9 \u201cCloro\u201d, de Alexandre Vidal Porto (Companhia das Letras, 127 p\u00e1ginas). Diplomata, o autor escreveu a hist\u00f3ria, com fortes tintas autobiogr\u00e1ficas (segundo o pr\u00f3prio Vidal Porto), de um advogado bem-sucedido que resolve dar uma chance para seu homossexualismo latente desde a inf\u00e2ncia. O romance que, como \u201cMem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas\u201d, se inicia com o narrador revelando que j\u00e1 est\u00e1 morto, conta uma hist\u00f3ria forte e \u00e9 muito bem escrito. J\u00e1 \u201cA morte de Jesus (Trilogia de Jesus Livro 3)\u201d, de J.M.Coetzee (Companhia das Letras, 216 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Rubens Siqueira) \u00e9 o final de uma trilogia; eu j\u00e1 tinha feito coment\u00e1rios sobre os dois primeiros livros aqui, mais ou menos nessa linha: \u201cn\u00e3o d\u00e1 para entender o que o grande J.M. Coetzee (Pr\u00eamio Nobel de 2003) quis dizer com esta hist\u00f3ria (&#8230;). David tem alguma coisa a ver com Jesus Cristo? O que exatamente ele tentou mostrar com a ilha dist\u00f3pica do romance, onde as pessoas se esquecem do seu passado? Por que David (&#8230;) \u00e9 t\u00e3o irritante?\u201d Acho que agora consegui entender o objetivo do autor, e para explicar isso pego emprestado as palavras de Camila von Holdefer em sua \u00f3tima cr\u00edtica sobre a trilogia na Folha de S\u00e3o Paulo: \u201co que Coetzee sugere \u00e9 que o leitor se deixe levar, se conseguir superar a pr\u00f3pria racionalidade j\u00e1 solidificada, pelo menino\u201d. Outro livro de J.M. Coetzee recentemente lido \u00e9 \u201c\u00c0 espera dos b\u00e1rbaros\u201d (Companhia das Letras, 181 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Rubens Siqueira), no qual um magistrado de um imp\u00e9rio vive numa cidade fronteiri\u00e7a sempre sob a amea\u00e7a do ataque de b\u00e1rbaros \u2013 nem o magistrado, nem o imp\u00e9rio, nem os b\u00e1rbaros s\u00e3o nomeados. No in\u00edcio do romance o personagem principal, que tamb\u00e9m \u00e9 o narrador em primeira pessoa, mostra todo o seu preconceito contra os b\u00e1rbaros, mas logo se percebe que ele \u00e9 mais piedoso que o ex\u00e9rcito imperial, e as consequ\u00eancia de sua postura s\u00e3o violentas. \u201c\u00c0 espera dos b\u00e1rbaros\u201d \u00e9 espetacular, e discute profundamente muitos assuntos fundamentais: a opress\u00e3o, a viol\u00eancia, o desconhecimento \u2013 e a oblitera\u00e7\u00e3o \u2013 do pr\u00f3ximo, nem sempre visto como \u201cpr\u00f3ximo\u201d. Finalmente, tr\u00eas livros sobre cosmologia e ci\u00eancia: \u201cNosso universo: A hist\u00f3ria do cosmo e seus mist\u00e9rios\u201d, de Jo Dunkley (Todavia, 322 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Alexandre Bruno Tinelli), \u201cA ilha do conhecimento: Os limites da ci\u00eancia e a busca por sentido\u201d (Record, 364 p\u00e1ginas) e \u201cCria\u00e7\u00e3o imperfeita: Cosmo, vida e o c\u00f3digo oculto da natureza\u201d, ambos de Marcelo Gleiser (Record, 434 p\u00e1ginas). A cosmologia atual mostra que o Universo \u00e9 muito louco \u2013 para dizer o m\u00ednimo -, e muitos dos seus aspectos (como a mat\u00e9ria escura e a energia escura) est\u00e3o muito al\u00e9m da capacidade de compreens\u00e3o da ci\u00eancia atual. No primeiro dos seus dois livros citados, Marcelo Gleiser defende a tese que n\u00e3o se vai conseguir colocar toda a f\u00edsica numa explica\u00e7\u00e3o \u00fanica \u2013 simplesmente porque esta explica\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o pode existir. Na mesma linha, o segundo livro mostra v\u00e1rios dos aspectos da ci\u00eancia \u2013 n\u00e3o s\u00f3 da cosmologia \u2013 simplesmente ainda sem explica\u00e7\u00e3o. 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