{"id":5203,"date":"2023-09-10T22:19:28","date_gmt":"2023-09-11T01:19:28","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5203"},"modified":"2023-09-10T22:19:28","modified_gmt":"2023-09-11T01:19:28","slug":"tres-romances-para-reler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5203","title":{"rendered":"Tr\u00eas romances para reler"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 meio que um mist\u00e9rio isso.<\/p>\n<p>S\u00f3 costumo reler fic\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o lembro nada do livro \u2013 normalmente no caso de obras que li muito novo, e quando algo me diz que n\u00e3o custaria nada ter uma ideia do que eu tinha lido. Entre os muitos autores de livros relidos nesta categoria eu posso citar Kafka, Faulkner, Jorge Luis Borges, Machado de Assis, Lampedusa, Homero e Virginia Woolf; e normalmente a releitura \u00e9 prazerosa.<\/p>\n<p>Outro caso s\u00e3o os livros de alguns autores que \u201cdeixo fazer parte do passado da minha mem\u00f3ria\u201d, conforme eu tinha comentado <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1807\">aqui<\/a>, como Thomas Mann, Honor\u00e9 de Balzac e Philip Roth (se bem que j\u00e1 mudei de ideia quanto a este \u00faltimo).<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e9 de \u201cEm busca do tempo perdido\u201d, da Marcel Proust, que me deixou completamente alucinado quando o li no final dos anos 1980; cheguei a reler os dois primeiros da s\u00e9rie, mas n\u00e3o me vejo mais retomando Proust no futuro.<\/p>\n<p>Outros casos espec\u00edficos s\u00e3o a B\u00edblia e o Alcor\u00e3o: estou sempre lendo um pedacinho destas obras sagradas, n\u00e3o \u00e9 como se eu tivesse necessidade de tomar a iniciativa de <em>rel\u00ea-los<\/em>. E, se eu fosse apontar hoje quais os romances que mais gostei at\u00e9 hoje, eu apontaria \u201cAs irm\u00e3s Makioka\u201d, de Junichiro Tanizaki, e \u201c2666\u201d, de Roberto Bola\u00f1o: mas me aprofundei tanto na leitura deles que n\u00e3o vejo muita necessidade de uma releitura.<\/p>\n<p>Finalmente, vamos ent\u00e3o aos livros da minha pequena lista de tr\u00eas romances que, misteriosamente, sempre quero reler e que sei que ainda vou reler muitas vezes ainda (clicando no nome dos romances abaixo tem outros detalhes sobre os livros, que eu tinha comentado anteriormente neste site), come\u00e7ando por um que s\u00f3 li duas vezes: \u201c<a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1363\">A hist\u00f3ria secreta<\/a>\u201d, de Donna Tartt. Nunca tinha ouvido falar deste livro e um belo dia minha m\u00e3e me mostrou, dizendo que tinha comprado pouco tempo antes e que o tinha amado. Resolvi ler, e nunca esqueci a hist\u00f3ria maluca de uns estudantes universit\u00e1rios americanos de literatura cl\u00e1ssica grega que bebiam sem parar. Na primeira releitura, o romance me pareceu melhor ainda.<\/p>\n<p>Conforme comentei aqui, \u00e9 impressionante como odiei \u201c<a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3305\">Recorda\u00e7\u00f5es do Escriv\u00e3o Isa\u00edas Caminha<\/a>\u201d, de Lima Barreto, na primeira leitura. Depois que descobri que muito do que ele escrevia era ir\u00f4nico, resolvi reler o romance e ele me pareceu melhor que nunca. Sempre lembro da cena em que o narrador \u2013 baseado no pr\u00f3prio Lima Barreto \u2013 descobre o preconceito, numa esta\u00e7\u00e3o de trem, contra a pele negra dele. O melhor livro da literatura brasileira, e n\u00e3o admito que ningu\u00e9m tenha uma opini\u00e3o contr\u00e1ria (brincadeira, admito sim, s\u00f3 n\u00e3o concordo). S\u00f3 n\u00e3o sei se o li tr\u00eas ou quatro vezes, mas isso n\u00e3o importa, n\u00e9.<\/p>\n<p>Finalmente, \u201c<a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=668\">A Cartucha de Parma<\/a>\u201d, de Stendhal. Lembro como fosse hoje quando comprei uma linda pequena edi\u00e7\u00e3o em franc\u00eas deste cl\u00e1ssico em papel-b\u00edblia, num sebo. Carrego esse livro sempre comigo, e j\u00e1 li o romance quatro vezes no total, tanto em franc\u00eas quanto em portugu\u00eas.<\/p>\n<p>\u00c9 engra\u00e7ado que meu nome \u00e9 baseado do personagem Fabrizio de Salina, de um romance de Lampedusa chamado \u201c<a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1244\">O Leopardo<\/a>\u201d: um bom livro, mas que nem se compara com \u201cA Cartucha de Parma\u201d, cujo personagem principal \u00e9 outro xar\u00e1 meu: Fabricio del Dongo \u00e9 um sujeito apaixonante e amalucado, meu personagem preferido na hist\u00f3ria da literatura.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e, mesmo por vias meio tortas, me batizou muito bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 meio que um mist\u00e9rio isso. S\u00f3 costumo reler fic\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o lembro nada do livro \u2013 normalmente no caso de obras que li muito novo, e quando algo me diz que n\u00e3o custaria nada ter uma ideia do que eu tinha lido. Entre os muitos autores de livros relidos nesta categoria eu posso citar Kafka, Faulkner, Jorge Luis Borges, Machado de Assis, Lampedusa, Homero e Virginia Woolf; e normalmente a releitura \u00e9 prazerosa. Outro caso s\u00e3o os livros de alguns autores que \u201cdeixo fazer parte do passado da minha mem\u00f3ria\u201d, conforme eu tinha comentado aqui, como Thomas Mann, Honor\u00e9 de Balzac e Philip Roth (se bem que j\u00e1 mudei de ideia quanto a este \u00faltimo). Situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e9 de \u201cEm busca do tempo perdido\u201d, da Marcel Proust, que me deixou completamente alucinado quando o li no final dos anos 1980; cheguei a reler os dois primeiros da s\u00e9rie, mas n\u00e3o me vejo mais retomando Proust no futuro. Outros casos espec\u00edficos s\u00e3o a B\u00edblia e o Alcor\u00e3o: estou sempre lendo um pedacinho destas obras sagradas, n\u00e3o \u00e9 como se eu tivesse necessidade de tomar a iniciativa de rel\u00ea-los. E, se eu fosse apontar hoje quais os romances que mais gostei at\u00e9 hoje, eu apontaria \u201cAs irm\u00e3s Makioka\u201d, de Junichiro Tanizaki, e \u201c2666\u201d, de Roberto Bola\u00f1o: mas me aprofundei tanto na leitura deles que n\u00e3o vejo muita necessidade de uma releitura. Finalmente, vamos ent\u00e3o aos livros da minha pequena lista de tr\u00eas romances que, misteriosamente, sempre quero reler e que sei que ainda vou reler muitas vezes ainda (clicando no nome dos romances abaixo tem outros detalhes sobre os livros, que eu tinha comentado anteriormente neste site), come\u00e7ando por um que s\u00f3 li duas vezes: \u201cA hist\u00f3ria secreta\u201d, de Donna Tartt. Nunca tinha ouvido falar deste livro e um belo dia minha m\u00e3e me mostrou, dizendo que tinha comprado pouco tempo antes e que o tinha amado. Resolvi ler, e nunca esqueci a hist\u00f3ria maluca de uns estudantes universit\u00e1rios americanos de literatura cl\u00e1ssica grega que bebiam sem parar. Na primeira releitura, o romance me pareceu melhor ainda. Conforme comentei aqui, \u00e9 impressionante como odiei \u201cRecorda\u00e7\u00f5es do Escriv\u00e3o Isa\u00edas Caminha\u201d, de Lima Barreto, na primeira leitura. Depois que descobri que muito do que ele escrevia era ir\u00f4nico, resolvi reler o romance e ele me pareceu melhor que nunca. Sempre lembro da cena em que o narrador \u2013 baseado no pr\u00f3prio Lima Barreto \u2013 descobre o preconceito, numa esta\u00e7\u00e3o de trem, contra a pele negra dele. O melhor livro da literatura brasileira, e n\u00e3o admito que ningu\u00e9m tenha uma opini\u00e3o contr\u00e1ria (brincadeira, admito sim, s\u00f3 n\u00e3o concordo). S\u00f3 n\u00e3o sei se o li tr\u00eas ou quatro vezes, mas isso n\u00e3o importa, n\u00e9. Finalmente, \u201cA Cartucha de Parma\u201d, de Stendhal. Lembro como fosse hoje quando comprei uma linda pequena edi\u00e7\u00e3o em franc\u00eas deste cl\u00e1ssico em papel-b\u00edblia, num sebo. 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