{"id":5197,"date":"2023-08-20T18:01:22","date_gmt":"2023-08-20T21:01:22","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5197"},"modified":"2023-08-20T18:01:22","modified_gmt":"2023-08-20T21:01:22","slug":"cantatas-39-73-93-105-107-131-de-bach","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5197","title":{"rendered":"Cantatas 39, 73, 93, 105, 107 &amp; 131 de bach"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea lembra das comunidades do Orkut? Eu acho que s\u00f3 criei uma, sobre Cantatas de Bach. A frase de apresenta\u00e7\u00e3o era meio pomposa, no esquema de \u201co melhor acervo da hist\u00f3ria da m\u00fasica universal\u201d, ou coisa que o valha. A comunidade nunca fez muito sucesso, mas quando do fim daquela rede social ela j\u00e1 tinha de uns trinta a quarenta membros.<\/p>\n<p>Muito antes da internet foi que comprei o primeiro LP com cantatas de Johann Sebastian Bach (1685-1750), ainda no in\u00edcio da adolesc\u00eancia. Ele era um assombro, com \u201cMeine Seufzer, meine Tr\u00e4nen\u201d (BWV 13) de um lado e \u201cWo gehest du hin?\u201d (BWV 166) (muitos anos depois, j\u00e1 casado, comprei uma caixa com cinco CDs com \u201cas melhores cantatas de Bach\u201d e dentro dela estas duas cantatas estavam num disco chamado \u201ccantatas para tenor\u201d). Aquele LP n\u00e3o me parecia deste planeta, e as \u00e1rias principais das duas cantatas eram provavelmente as coisas mais bonitas que eu j\u00e1 tinha ouvido at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois disso, durante muitos anos basicamente comprei todos os LPs com cantatas de Bach que passaram na minha frente; mas quem viveu os anos 80 sabe como era dif\u00edcil conseguir \u201ccertos\u201d discos &#8211; e os de cantatas eram bem dif\u00edceis de achar, de modo que nem eram tantos discos assim. E Bach comp\u00f4s mais de 200 cantatas, o que me dava, o que \u00e9 compreens\u00edvel, a frustra\u00e7\u00e3o de saber que tinha tanta m\u00fasica maravilhosa por a\u00ed que eu n\u00e3o tinha acesso. Bach foi, durante grande parte da minha vida, meu compositor preferido (hoje eu n\u00e3o sei quem \u00e9&#8230; Brahms, quem sabe?), e eu amava tudo o que eu ouvia dele, mas as cantatas conseguiam ser algo melhor ainda. Anos mais tarde li um livro de Franz Rueb chamado \u201c48 varia\u00e7\u00f5es sobre Bach\u201d (Companhia das Letras, traduzido por Jo\u00e3o Azenha Jr., 376 p\u00e1ginas) que, entre muitas outras informa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m defende a ideia de que a grande arte composta por Bach estava mesmo era nas cantatas.<\/p>\n<p>A\u00ed \u00e9 que a porca torce o rabo. Se o melhor de Bach est\u00e1 nas cantatas, o pior tamb\u00e9m. Certos corais e \u00e1rias s\u00e3o muito alegres, at\u00e9 com uns tambores de fundo. Chato demais. Mozart era brilhante em m\u00fasicas alegres, Bach bem menos. Outro problema das cantatas \u00e9 que as partes lindas s\u00e3o intensas demais, e nem sempre estou com esp\u00edrito de me aprofundar tanto em termos musicais.<\/p>\n<p>E assim fui ouvindo muito menos cantatas do que gostaria: e se uma, encontrada por acaso no Spotify, tivesse mais partes chatas do que lindas? Valeria a pena a procura? Boa parte do tempo, minha pregui\u00e7a de procurar alguma \u00e1ria maravilhosa ganhava esta \u201cluta\u201d interna, e eu deixava tudo como estava.<\/p>\n<p>Enfim, uns meses atr\u00e1s achei um lan\u00e7amento no Spotify com as cantatas 39, 73, 93, 105, 107 &amp; 131 (<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/4rX12RzVmBv91yhyQG03ty?si=5wPj8d5uRWuwb2YoqbC3eQ\">link<\/a>) \u2013 originalmente \u00e9 um CD duplo da Virgin Veritas \u2013 com o Collegium Vocale, Ghent regido por Philippe Herreweghe, e neste n\u00e3o tem uma s\u00f3 faixa que n\u00e3o seja espetacular.<\/p>\n<p>Quando o escuto, parece que estou novamente ouvindo o primeiro disco com cantatas de Bach que ouvi na vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea lembra das comunidades do Orkut? Eu acho que s\u00f3 criei uma, sobre Cantatas de Bach. A frase de apresenta\u00e7\u00e3o era meio pomposa, no esquema de \u201co melhor acervo da hist\u00f3ria da m\u00fasica universal\u201d, ou coisa que o valha. A comunidade nunca fez muito sucesso, mas quando do fim daquela rede social ela j\u00e1 tinha de uns trinta a quarenta membros. Muito antes da internet foi que comprei o primeiro LP com cantatas de Johann Sebastian Bach (1685-1750), ainda no in\u00edcio da adolesc\u00eancia. Ele era um assombro, com \u201cMeine Seufzer, meine Tr\u00e4nen\u201d (BWV 13) de um lado e \u201cWo gehest du hin?\u201d (BWV 166) (muitos anos depois, j\u00e1 casado, comprei uma caixa com cinco CDs com \u201cas melhores cantatas de Bach\u201d e dentro dela estas duas cantatas estavam num disco chamado \u201ccantatas para tenor\u201d). Aquele LP n\u00e3o me parecia deste planeta, e as \u00e1rias principais das duas cantatas eram provavelmente as coisas mais bonitas que eu j\u00e1 tinha ouvido at\u00e9 ent\u00e3o. Depois disso, durante muitos anos basicamente comprei todos os LPs com cantatas de Bach que passaram na minha frente; mas quem viveu os anos 80 sabe como era dif\u00edcil conseguir \u201ccertos\u201d discos &#8211; e os de cantatas eram bem dif\u00edceis de achar, de modo que nem eram tantos discos assim. E Bach comp\u00f4s mais de 200 cantatas, o que me dava, o que \u00e9 compreens\u00edvel, a frustra\u00e7\u00e3o de saber que tinha tanta m\u00fasica maravilhosa por a\u00ed que eu n\u00e3o tinha acesso. Bach foi, durante grande parte da minha vida, meu compositor preferido (hoje eu n\u00e3o sei quem \u00e9&#8230; Brahms, quem sabe?), e eu amava tudo o que eu ouvia dele, mas as cantatas conseguiam ser algo melhor ainda. Anos mais tarde li um livro de Franz Rueb chamado \u201c48 varia\u00e7\u00f5es sobre Bach\u201d (Companhia das Letras, traduzido por Jo\u00e3o Azenha Jr., 376 p\u00e1ginas) que, entre muitas outras informa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m defende a ideia de que a grande arte composta por Bach estava mesmo era nas cantatas. A\u00ed \u00e9 que a porca torce o rabo. Se o melhor de Bach est\u00e1 nas cantatas, o pior tamb\u00e9m. Certos corais e \u00e1rias s\u00e3o muito alegres, at\u00e9 com uns tambores de fundo. Chato demais. Mozart era brilhante em m\u00fasicas alegres, Bach bem menos. Outro problema das cantatas \u00e9 que as partes lindas s\u00e3o intensas demais, e nem sempre estou com esp\u00edrito de me aprofundar tanto em termos musicais. E assim fui ouvindo muito menos cantatas do que gostaria: e se uma, encontrada por acaso no Spotify, tivesse mais partes chatas do que lindas? Valeria a pena a procura? Boa parte do tempo, minha pregui\u00e7a de procurar alguma \u00e1ria maravilhosa ganhava esta \u201cluta\u201d interna, e eu deixava tudo como estava. Enfim, uns meses atr\u00e1s achei um lan\u00e7amento no Spotify com as cantatas 39, 73, 93, 105, 107 &amp; 131 (link) \u2013 originalmente \u00e9 um CD duplo da Virgin Veritas \u2013 com o Collegium Vocale, Ghent regido por Philippe Herreweghe, e neste n\u00e3o tem uma s\u00f3 faixa que n\u00e3o seja espetacular. Quando o escuto, parece que estou novamente ouvindo o primeiro disco com cantatas de Bach que ouvi na vida.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5198,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[600],"class_list":["post-5197","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-johann-sebastian-bach","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5197"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5197\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5199,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5197\/revisions\/5199"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5198"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}