{"id":5142,"date":"2023-05-09T17:37:39","date_gmt":"2023-05-09T20:37:39","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5142"},"modified":"2024-10-05T23:33:01","modified_gmt":"2024-10-06T02:33:01","slug":"minha-mae-e-rita-lee","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=5142","title":{"rendered":"Minha m\u00e3e e Rita Lee"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o gostava muito das m\u00fasicas da Rita Lee. Conheci algumas coisas do come\u00e7o da carreira solo dela que s\u00e3o maravilhosas, mas nunca ouvi muito. Conheci alguma coisa dos Mutantes tamb\u00e9m, gostava, mas n\u00e3o muito. A fase de grande sucesso dela nos anos 80 nunca me pegou. De todo modo, para mim o melhor dueto da hist\u00f3ria da MPB \u00e9 quando ela cantou \u201cJou Jou Balangandans\u201d num show com Jo\u00e3o Gilberto, que d\u00e1 para ver no YouTube e faz parte do \u00e1lbum \u201cJo\u00e3o Gilberto Prado Pereira de Oliveira\u201d, do meu cantor brasileiro preferido.<\/p>\n<p>Mas nem \u00e9 especificamente por causa dela que estou escrevendo isso. Minha m\u00e3e morreu dia 21 de abril, h\u00e1 quase tr\u00eas semanas: n\u00e3o escrevi nada sobre ela, n\u00e3o consegui.<\/p>\n<p>Agora, com a morte da Rita Lee, entendo por que: eu acho que, para todo o mundo entender como era minha m\u00e3e, \u00e9 s\u00f3 pensar na Rita Lee: irreverente, alegre, pol\u00eamica, que viveu uma vida completa e que marcou demais na sua passagem pela Terra. S\u00f3 que, ao contr\u00e1rio da Rita Lee, minha m\u00e3e n\u00e3o usava drogas.<\/p>\n<p>Quando via as fotos da cantora no final da vida me lembrava imediatamente da express\u00e3o da minha m\u00e3e, que se encontrava tamb\u00e9m no est\u00e1gio final da doen\u00e7a: as duas tinham olhares que transcendiam, mais pr\u00f3ximos da outra dimens\u00e3o do que desta.<\/p>\n<p>Enfim, estou escrevendo isso porque sei que minha m\u00e3e j\u00e1 recebeu sua alma g\u00eamea do outro lado. Imagina o deboche e a confus\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o gostava muito das m\u00fasicas da Rita Lee. Conheci algumas coisas do come\u00e7o da carreira solo dela que s\u00e3o maravilhosas, mas nunca ouvi muito. Conheci alguma coisa dos Mutantes tamb\u00e9m, gostava, mas n\u00e3o muito. A fase de grande sucesso dela nos anos 80 nunca me pegou. De todo modo, para mim o melhor dueto da hist\u00f3ria da MPB \u00e9 quando ela cantou \u201cJou Jou Balangandans\u201d num show com Jo\u00e3o Gilberto, que d\u00e1 para ver no YouTube e faz parte do \u00e1lbum \u201cJo\u00e3o Gilberto Prado Pereira de Oliveira\u201d, do meu cantor brasileiro preferido. Mas nem \u00e9 especificamente por causa dela que estou escrevendo isso. Minha m\u00e3e morreu dia 21 de abril, h\u00e1 quase tr\u00eas semanas: n\u00e3o escrevi nada sobre ela, n\u00e3o consegui. Agora, com a morte da Rita Lee, entendo por que: eu acho que, para todo o mundo entender como era minha m\u00e3e, \u00e9 s\u00f3 pensar na Rita Lee: irreverente, alegre, pol\u00eamica, que viveu uma vida completa e que marcou demais na sua passagem pela Terra. S\u00f3 que, ao contr\u00e1rio da Rita Lee, minha m\u00e3e n\u00e3o usava drogas. Quando via as fotos da cantora no final da vida me lembrava imediatamente da express\u00e3o da minha m\u00e3e, que se encontrava tamb\u00e9m no est\u00e1gio final da doen\u00e7a: as duas tinham olhares que transcendiam, mais pr\u00f3ximos da outra dimens\u00e3o do que desta. Enfim, estou escrevendo isso porque sei que minha m\u00e3e j\u00e1 recebeu sua alma g\u00eamea do outro lado. 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