{"id":4904,"date":"2021-11-21T18:06:15","date_gmt":"2021-11-21T21:06:15","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4904"},"modified":"2021-11-21T18:06:15","modified_gmt":"2021-11-21T21:06:15","slug":"psychocandy-de-jesus-and-mary-chain","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4904","title":{"rendered":"&#8220;Psychocandy&#8221;, de Jesus and Mary Chain"},"content":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio de muita gente, n\u00e3o sou saudosista quando o assunto \u00e9 m\u00fasica. Voc\u00ea nunca vai me ouvir falar a famosa frase \u201cboa mesmo era a m\u00fasica do meu tempo\u201d, por exemplo.<\/p>\n<p>Esta falta de apego ao que eu ouvia pouco tempo antes acaba, de maneira engra\u00e7ada, me fazendo ser um sujeito meio irritante para os meus amigos que continuam ouvindo estilos que eu fui praticamente parando de ouvir com o tempo. \u00c9 do jogo.<\/p>\n<p>O legal de ser esse sujeito verdadeiramente infiel a estilos musicais \u00e9 que, muito tempo depois de ter parado de ouvir alguma coisa, um belo dia me d\u00e1 saudade e resolvo conferir o que j\u00e1 n\u00e3o escutava h\u00e1 anos \u2013 ou mesmo d\u00e9cadas. Um bom exemplo aconteceu ano passado, quando parecia que eu estava de novo nas minhas aulas no cursinho, na d\u00e9cada de 80, quando coloquei para ouvir a colet\u00e2nea \u201cStanding on a beach\u201d, do Cure.<\/p>\n<p>Em outros casos a coisa vem bem mais forte, e \u00e9 sobre um disco espec\u00edfico que comprei nos anos 80 que vou comentar aqui.<\/p>\n<p>A primeira revista Bizz que comprei foi a de n\u00famero 12, aquela famosa com a Patsy Kensit (que iria deixar a Madonna para tr\u00e1s, veja s\u00f3) na capa. Enfim, nesta edi\u00e7\u00e3o tinha uma cr\u00edtica do grande Jos\u00e9 Augusto Lemos (sempre ele) falando maravilhas de \u201cPsychocandy\u201d, o primeiro disco de uma banda que eu nunca tinha ouvido falar, o Jesus and Mary Chain.<\/p>\n<p>O texto (que coloquei <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/jesus-and-mary-chain1.png\">aqui<\/a> para quem quiser ler; coloquei tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/jesus-and-mary-chain.png\">aqui<\/a> uma entrevista da banda, com Pepe Escobar, publicada na mesma edi\u00e7\u00e3o) come\u00e7ava com a sensacional frase \u201cn\u00e3o \u00e9 propriamente uma revolu\u00e7\u00e3o e sim um exerc\u00edcio de radicalismo, que segue uma l\u00f3gica safada de venenosa\u201d, e continuava comentando que o melhor do pop feito at\u00e9 ent\u00e3o tinha duas vertentes, a \u201cmelodiosa e assobi\u00e1vel\u201d de um lado, e o \u201cbarulho afiado do rock p\u00f3s-Velvet Underground\u201d do outro. Jos\u00e9 Augusto Lemos ent\u00e3o conclui que o \u201cJesus &amp; Mary Chain, num caso de in\u00e9dita esquizofrenia, opta simultaneamente pelas duas linhas e o resultado d\u00e1 num bombom recheado de cereja e \u00e1cido sulf\u00farico\u201d \u2013 e por a\u00ed vai o genial texto.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica era t\u00e3o maravilhosa que \u201cPsychocandy\u201d acabou sendo o primeiro dos muitos discos que comprei por causa da Bizz. O choque foi imediato e duradouro, e o \u00e1lbum foi um dos que mais ouvi naqueles anos: a jun\u00e7\u00e3o de melodias assobi\u00e1veis com uma microfonia maluca me pegou de jeito, na hora. Depois a banda lan\u00e7ou \u201cDarklands\u201d, sem barulho e s\u00f3 com a parte mais \u201csens\u00edvel\u201d da banda, e acabei perdendo o interesse no Jesus and Mary Chain.<\/p>\n<p>At\u00e9 que um tempinho atr\u00e1s descobri, por um amigo, que se podia ler todas as revistas Bizz online (<a href=\"https:\/\/revistabizz.blogspot.com\/\">aqui<\/a>) e resolvi revisitar a cr\u00edtica do \u201cPsychocandy\u201d &#8211; e acabei o escutando novamente o disco, com muita aten\u00e7\u00e3o. O \u00e1lbum \u00e9 t\u00e3o bom &#8211; ou ainda melhor &#8211; do que me lembrava.<\/p>\n<p>De todo modo, tenho medo agora do que vou achar de \u201cDarkland\u201d e dos discos posteriores da banda; quem sabe os escute ainda, um dia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio de muita gente, n\u00e3o sou saudosista quando o assunto \u00e9 m\u00fasica. Voc\u00ea nunca vai me ouvir falar a famosa frase \u201cboa mesmo era a m\u00fasica do meu tempo\u201d, por exemplo. Esta falta de apego ao que eu ouvia pouco tempo antes acaba, de maneira engra\u00e7ada, me fazendo ser um sujeito meio irritante para os meus amigos que continuam ouvindo estilos que eu fui praticamente parando de ouvir com o tempo. \u00c9 do jogo. O legal de ser esse sujeito verdadeiramente infiel a estilos musicais \u00e9 que, muito tempo depois de ter parado de ouvir alguma coisa, um belo dia me d\u00e1 saudade e resolvo conferir o que j\u00e1 n\u00e3o escutava h\u00e1 anos \u2013 ou mesmo d\u00e9cadas. Um bom exemplo aconteceu ano passado, quando parecia que eu estava de novo nas minhas aulas no cursinho, na d\u00e9cada de 80, quando coloquei para ouvir a colet\u00e2nea \u201cStanding on a beach\u201d, do Cure. Em outros casos a coisa vem bem mais forte, e \u00e9 sobre um disco espec\u00edfico que comprei nos anos 80 que vou comentar aqui. A primeira revista Bizz que comprei foi a de n\u00famero 12, aquela famosa com a Patsy Kensit (que iria deixar a Madonna para tr\u00e1s, veja s\u00f3) na capa. Enfim, nesta edi\u00e7\u00e3o tinha uma cr\u00edtica do grande Jos\u00e9 Augusto Lemos (sempre ele) falando maravilhas de \u201cPsychocandy\u201d, o primeiro disco de uma banda que eu nunca tinha ouvido falar, o Jesus and Mary Chain. O texto (que coloquei aqui para quem quiser ler; coloquei tamb\u00e9m aqui uma entrevista da banda, com Pepe Escobar, publicada na mesma edi\u00e7\u00e3o) come\u00e7ava com a sensacional frase \u201cn\u00e3o \u00e9 propriamente uma revolu\u00e7\u00e3o e sim um exerc\u00edcio de radicalismo, que segue uma l\u00f3gica safada de venenosa\u201d, e continuava comentando que o melhor do pop feito at\u00e9 ent\u00e3o tinha duas vertentes, a \u201cmelodiosa e assobi\u00e1vel\u201d de um lado, e o \u201cbarulho afiado do rock p\u00f3s-Velvet Underground\u201d do outro. 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