{"id":4812,"date":"2021-06-20T22:36:36","date_gmt":"2021-06-21T01:36:36","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4812"},"modified":"2024-12-28T15:18:27","modified_gmt":"2024-12-28T18:18:27","slug":"qual-a-quantidade-real-de-mortos-devido-a-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4812","title":{"rendered":"Qual a quantidade real de mortos devido \u00e0 COVID-19?"},"content":{"rendered":"<p>Qual o tamanho da trag\u00e9dia mundial do COVID-19? Desde o in\u00edcio da pandemia, ficava me perguntando qual a quantidade de mortos a mais do que o previsto desde mar\u00e7o de 2020. Cheguei a pesquisar alguma coisa nos dados estat\u00edsticos de sites como o do Banco Mundial, mas n\u00e3o fui adiante \u2013 at\u00e9 que saiu a not\u00edcia na imprensa de que <a href=\"https:\/\/saude.ig.com.br\/coronavirus\/2021-05-08\/covid-19--mundo-pode-ter-o-dobro-de-mortes-do-que-dizem-os-numeros-oficiais.html\">o mundo pode ter o dobro de mortes do que dizem os n\u00fameros oficiais<\/a>. Fui ent\u00e3o pesquisar alguns artigos sobre o assunto, e o presente texto apresenta o resumo do artigo \u201cEstimation of total mortality due to COVID-19\u201d, do IMHE (Institute for Health Metrics and Evaluation), cujo link pode ser obtido <a href=\"http:\/\/www.healthdata.org\/special-analysis\/estimation-excess-mortality-due-covid-19-and-scalars-reported-covid-19-deaths\">aqui<\/a>. Pretendo voltar nesse assunto por aqui ainda.<\/p>\n<p>Segundo o artigo, o par\u00e2metro que calcula \u201ca quantidade de mortos a mais do que o previsto\u201d se chama \u201cexcesso de mortes\u201d, \u201cdefinido como a diferen\u00e7a entre o n\u00famero observado de mortes em per\u00edodos de tempo espec\u00edficos e o n\u00famero esperado de mortes nos mesmos per\u00edodos de tempo\u201d.<\/p>\n<p>Para avaliar a mortalidade total por COVID-19, foi necess\u00e1rio verificar se a quantidade de mortos foi subnotificada, e poss\u00edveis raz\u00f5es para esta subnotifica\u00e7\u00e3o incluem:<\/p>\n<ul>\n<li>A capacidade de teste varia acentuadamente entre os pa\u00edses e dentro dos pa\u00edses ao longo do tempo;<\/li>\n<li>Em muitos pa\u00edses de alta renda, as mortes por COVID-19 em indiv\u00edduos mais velhos, especialmente em institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia, n\u00e3o foram registradas nos primeiros meses da pandemia;<\/li>\n<li>Em outros pa\u00edses, como Equador, Peru e Federa\u00e7\u00e3o Russa, a discrep\u00e2ncia entre as mortes relatadas e o \u201cexcesso de mortes\u201d sugere que a taxa de mortalidade total do COVID-19 \u00e9 muit\u00edssimo maior do que os relat\u00f3rios oficiais.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O \u201cexcesso de mortes\u201d para o caso da COVID-19 \u00e9 influenciado por seis fatores de mortalidade que se relacionam com a pandemia e o distanciamento social que veio com ela. Esses seis fatores s\u00e3o: a) a taxa total de mortalidade por COVID-19, ou seja, todas as mortes diretamente relacionadas \u00e0 infec\u00e7\u00e3o por COVID-19; b) o aumento da mortalidade devido ao adiamento dos cuidados de sa\u00fade necess\u00e1rios durante a pandemia; c) o crescimento da mortalidade devido ao aumento dos transtornos mentais, incluindo depress\u00e3o, abuso de \u00e1lcool e de opioides; d) a redu\u00e7\u00e3o na mortalidade devido a diminui\u00e7\u00f5es nas les\u00f5es devidas a redu\u00e7\u00f5es gerais na mobilidade (diminui\u00e7\u00e3o de acidentes de carro, por exemplo); e) diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de mortos devido \u00e0 menor transmiss\u00e3o de outros v\u00edrus, principalmente influenza, v\u00edrus sincicial respirat\u00f3rio e sarampo; e f) redu\u00e7\u00e3o na mortalidade devido a algumas condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas, como doen\u00e7as cardiovasculares e doen\u00e7as respirat\u00f3rias cr\u00f4nicas, que ocorrem quando indiv\u00edduos fr\u00e1geis que teriam morrido por essas condi\u00e7\u00f5es morreram mais cedo de COVID-19.<\/p>\n<p>O artigo do IMHE calcula as redu\u00e7\u00f5es de mortes em torno de 615.000 mortes ou mais, decorrentes de mudan\u00e7as comportamentais em n\u00edvel global. Os principais aumentos potenciais no excesso de mortalidade devido ao tratamento adiado e aumentos na overdose de drogas e depress\u00e3o s\u00e3o dif\u00edceis de quantificar, ou de magnitude muito menor. Dado que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias suficientes para estimar essas contribui\u00e7\u00f5es para a mortalidade excessiva, assumiu-se que o total de mortes por COVID-19 \u00e9 igual ao \u201cexcesso de mortes\u201d mas, devido a raz\u00f5es apresentadas no artigo do IMHE, concluiu-se que isto provavelmente foi subestimado. \u00c0 medida que as evid\u00eancias se fortalecem nos pr\u00f3ximos meses e anos, \u00e9 prov\u00e1vel que sejam revisadas as estimativas de mortes por COVID-19 para cima em pr\u00f3ximos trabalhos.<\/p>\n<p>A principal conclus\u00e3o do artigo \u201cEstimation of total mortality due to COVID-19\u201d \u00e9 apresentada num gr\u00e1fico, que \u00e9 a imagem que acompanha este texto, em que a linha mais clara superior \u00e9 a quantidade di\u00e1ria real de mortos, enquanto a de baixo, mais escura, \u00e9 o n\u00famero oficial. Em termos de n\u00fameros totais, do in\u00edcio da pandemia at\u00e9 31 e maio de 2021, segundo o artigo da IMHE a quantidade real de mortos chegou a 7,1 milh\u00e3o de mortos, enquanto o n\u00famero oficial correspondente foi de 3,33 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O artigo do IMHE tamb\u00e9m apresenta a subnotifica\u00e7\u00e3o estimada para pa\u00edses e estados no mundo inteiro, calculada pela divis\u00e3o entre o n\u00famero de mortos real e o oficial, apresentada abaixo. Na figura, quanto mais pr\u00f3ximo do azul escuro, maior a subnotifica\u00e7\u00e3o e, quanto mais pr\u00f3ximo do laranja vivo, menor este valor.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/covid2.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4814\" src=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/covid2-300x153.png\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/covid2-300x153.png 300w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/covid2-1024x524.png 1024w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/covid2-768x393.png 768w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/covid2.png 1099w\" sizes=\"(max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em termos de Brasil, do in\u00edcio da pandemia at\u00e9 31 de maio de 2021 foram reportados 423.307 mortos, enquanto o n\u00famero real calculado no artigo chegou a 616.914, numa subnotifica\u00e7\u00e3o de 1,46.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual o tamanho da trag\u00e9dia mundial do COVID-19? Desde o in\u00edcio da pandemia, ficava me perguntando qual a quantidade de mortos a mais do que o previsto desde mar\u00e7o de 2020. Cheguei a pesquisar alguma coisa nos dados estat\u00edsticos de sites como o do Banco Mundial, mas n\u00e3o fui adiante \u2013 at\u00e9 que saiu a not\u00edcia na imprensa de que o mundo pode ter o dobro de mortes do que dizem os n\u00fameros oficiais. Fui ent\u00e3o pesquisar alguns artigos sobre o assunto, e o presente texto apresenta o resumo do artigo \u201cEstimation of total mortality due to COVID-19\u201d, do IMHE (Institute for Health Metrics and Evaluation), cujo link pode ser obtido aqui. Pretendo voltar nesse assunto por aqui ainda. Segundo o artigo, o par\u00e2metro que calcula \u201ca quantidade de mortos a mais do que o previsto\u201d se chama \u201cexcesso de mortes\u201d, \u201cdefinido como a diferen\u00e7a entre o n\u00famero observado de mortes em per\u00edodos de tempo espec\u00edficos e o n\u00famero esperado de mortes nos mesmos per\u00edodos de tempo\u201d. 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Esses seis fatores s\u00e3o: a) a taxa total de mortalidade por COVID-19, ou seja, todas as mortes diretamente relacionadas \u00e0 infec\u00e7\u00e3o por COVID-19; b) o aumento da mortalidade devido ao adiamento dos cuidados de sa\u00fade necess\u00e1rios durante a pandemia; c) o crescimento da mortalidade devido ao aumento dos transtornos mentais, incluindo depress\u00e3o, abuso de \u00e1lcool e de opioides; d) a redu\u00e7\u00e3o na mortalidade devido a diminui\u00e7\u00f5es nas les\u00f5es devidas a redu\u00e7\u00f5es gerais na mobilidade (diminui\u00e7\u00e3o de acidentes de carro, por exemplo); e) diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de mortos devido \u00e0 menor transmiss\u00e3o de outros v\u00edrus, principalmente influenza, v\u00edrus sincicial respirat\u00f3rio e sarampo; e f) redu\u00e7\u00e3o na mortalidade devido a algumas condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas, como doen\u00e7as cardiovasculares e doen\u00e7as respirat\u00f3rias cr\u00f4nicas, que ocorrem quando indiv\u00edduos fr\u00e1geis que teriam morrido por essas condi\u00e7\u00f5es morreram mais cedo de COVID-19. O artigo do IMHE calcula as redu\u00e7\u00f5es de mortes em torno de 615.000 mortes ou mais, decorrentes de mudan\u00e7as comportamentais em n\u00edvel global. Os principais aumentos potenciais no excesso de mortalidade devido ao tratamento adiado e aumentos na overdose de drogas e depress\u00e3o s\u00e3o dif\u00edceis de quantificar, ou de magnitude muito menor. Dado que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias suficientes para estimar essas contribui\u00e7\u00f5es para a mortalidade excessiva, assumiu-se que o total de mortes por COVID-19 \u00e9 igual ao \u201cexcesso de mortes\u201d mas, devido a raz\u00f5es apresentadas no artigo do IMHE, concluiu-se que isto provavelmente foi subestimado. \u00c0 medida que as evid\u00eancias se fortalecem nos pr\u00f3ximos meses e anos, \u00e9 prov\u00e1vel que sejam revisadas as estimativas de mortes por COVID-19 para cima em pr\u00f3ximos trabalhos. 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Em termos de Brasil, do in\u00edcio da pandemia at\u00e9 31 de maio de 2021 foram reportados 423.307 mortos, enquanto o n\u00famero real calculado no artigo chegou a 616.914, numa subnotifica\u00e7\u00e3o de 1,46.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4813,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[910],"tags":[729,738,737],"class_list":["post-4812","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","tag-covid-19","tag-excesso-de-mortes","tag-imhe","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4812"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4817,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4812\/revisions\/4817"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}