{"id":4749,"date":"2021-05-16T22:43:39","date_gmt":"2021-05-17T01:43:39","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4749"},"modified":"2021-05-16T22:43:39","modified_gmt":"2021-05-17T01:43:39","slug":"texto-de-2003-sobre-o-cd-de-estreia-de-maria-rita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4749","title":{"rendered":"Texto de 2003 sobre o cd de estreia de Maria Rita"},"content":{"rendered":"<p>Foi lendo uma resenha no Estad\u00e3o que ouvi falar em Maria Rita pela primeira vez. Ela estava acompanhando o show de um violonista \u2013 mas quase todo o mundo, pelo visto, estava l\u00e1 apenas e t\u00e3o somente para ver a cantora. O tom do resenhista era de um completo deslumbramento \u2013 e, claro, havia coment\u00e1rios sobre a m\u00e3e de Maria Rita, Elis Regina, considerada por muita, mas muita gente mesmo (n\u00e3o por mim, diga-se de passagem) a maior cantora brasileira de todos os tempos.<\/p>\n<p>Bem, \u00e9 imposs\u00edvel falar em Maria Rita sem compar\u00e1-la com a sua m\u00e3e. Conforme se percebe em seu CD hom\u00f4nimo, rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela Warner, o seu timbre \u00e9, em muitos momentos, impressionantemente parecido com o de Elis. O que deixa muitos f\u00e3s da m\u00e3e emocionados \u2013 \u00e0s l\u00e1grimas \u2013 nos shows de Maria Rita.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 diferen\u00e7as: a voz da filha \u00e9 um pouco mais anasalada que a da m\u00e3e. Mais do que isto, Maria Rita \u00e9 muito mais tranq\u00fcila. Elis tinha \u2013 na minha modesta e solit\u00e1ria opini\u00e3o \u2013 tal intensidade dram\u00e1tica nas suas interpreta\u00e7\u00f5es (um engra\u00e7adinho poderia falar em agita\u00e7\u00e3o), que freq\u00fcentemente chegava a irritar. No quesito tranq\u00fcilidade, portanto, ponto para a filha.<\/p>\n<p>Vamos ao disco. Por mais que Maria Rita tenha declarado \u2013 com sabedoria \u2013 que jamais regravar\u00e1 uma m\u00fasica da m\u00e3e, o estilo das suas m\u00fasicas \u00e9 demasiadamente parecido. Tem um bolero (\u201cDos Gard\u00eanias\u201d), um samba divertido (\u201cCara Valente\u201d), as m\u00fasicas de Milton Nascimento (\u201cA Festa\u201d e \u201cEncontros e Despedidas\u201d), as da Rita Lee (\u201cAgora S\u00f3 Falta Voc\u00ea\u201d e \u201cPagu\u201d) e as confessionais sob o ponto de vista feminino (\u201cN\u00e3o Vale A Pena\u201d). Al\u00e9m disso, duas regrava\u00e7\u00f5es s\u00e3o discut\u00edveis: tanto a vers\u00e3o de Milton Nascimento para \u201cEncontros e Despedidas\u201d quanto a do Los Hermanos para \u201cVeja Bem Meu Bem\u201d s\u00e3o bem superiores \u00e0s de Maria Rita. E tem as m\u00fasicas de Rita Lee, claro \u2013 p\u00e9ssimas, p\u00e9ssimas.<\/p>\n<p>De todo o modo, \u00e9 preciso que se diga que <em>Maria Rita<\/em> est\u00e1 longe de ser um mau disco. \u201cA Festa\u201d, a &#8220;m\u00fasica de trabalho&#8221;, \u00e9 deliciosa, assim como a supracitada \u201cDos Gard\u00eanias\u201d. As in\u00e9ditas do <em>hermano<\/em> Marcelo Camelo (\u201cCara Valente\u201d e \u201cSanta Chuva\u201d) tamb\u00e9m n\u00e3o fazem feio. \u201cMenina da Lua\u201d (de Renato Mota) \u00e9 emocionante, para dizer o m\u00ednimo. Tamb\u00e9m muito boa \u00e9 \u201cLavadeira do Rio\u201d (de Lenine e B. Tavares), com uma levada de ritmos regionais do Nordeste.<\/p>\n<p>O mais espantoso, por\u00e9m, \u00e9 que as duas melhores &#8220;faixas&#8221;, a emocionante \u201cVero\u201d (de Natan Marques e Murilo Antunes) e a pungente \u201cEstrela, Estrela\u201d (de Vitor Ramil), somente podem ser obtidas quando baixadas da internet em um <em>site<\/em> secreto \u2013 que s\u00f3 pode ser acessado por quem comprar o CD original. Um verdadeiro tesouro secreto&#8230;<\/p>\n<p><em>(Texto publicado no <a href=\"https:\/\/mondobacana.wordpress.com\/\">Mondo Bacana<\/a> em 2003)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi lendo uma resenha no Estad\u00e3o que ouvi falar em Maria Rita pela primeira vez. Ela estava acompanhando o show de um violonista \u2013 mas quase todo o mundo, pelo visto, estava l\u00e1 apenas e t\u00e3o somente para ver a cantora. O tom do resenhista era de um completo deslumbramento \u2013 e, claro, havia coment\u00e1rios sobre a m\u00e3e de Maria Rita, Elis Regina, considerada por muita, mas muita gente mesmo (n\u00e3o por mim, diga-se de passagem) a maior cantora brasileira de todos os tempos. Bem, \u00e9 imposs\u00edvel falar em Maria Rita sem compar\u00e1-la com a sua m\u00e3e. Conforme se percebe em seu CD hom\u00f4nimo, rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela Warner, o seu timbre \u00e9, em muitos momentos, impressionantemente parecido com o de Elis. O que deixa muitos f\u00e3s da m\u00e3e emocionados \u2013 \u00e0s l\u00e1grimas \u2013 nos shows de Maria Rita. Mas h\u00e1 diferen\u00e7as: a voz da filha \u00e9 um pouco mais anasalada que a da m\u00e3e. Mais do que isto, Maria Rita \u00e9 muito mais tranq\u00fcila. Elis tinha \u2013 na minha modesta e solit\u00e1ria opini\u00e3o \u2013 tal intensidade dram\u00e1tica nas suas interpreta\u00e7\u00f5es (um engra\u00e7adinho poderia falar em agita\u00e7\u00e3o), que freq\u00fcentemente chegava a irritar. No quesito tranq\u00fcilidade, portanto, ponto para a filha. Vamos ao disco. Por mais que Maria Rita tenha declarado \u2013 com sabedoria \u2013 que jamais regravar\u00e1 uma m\u00fasica da m\u00e3e, o estilo das suas m\u00fasicas \u00e9 demasiadamente parecido. Tem um bolero (\u201cDos Gard\u00eanias\u201d), um samba divertido (\u201cCara Valente\u201d), as m\u00fasicas de Milton Nascimento (\u201cA Festa\u201d e \u201cEncontros e Despedidas\u201d), as da Rita Lee (\u201cAgora S\u00f3 Falta Voc\u00ea\u201d e \u201cPagu\u201d) e as confessionais sob o ponto de vista feminino (\u201cN\u00e3o Vale A Pena\u201d). Al\u00e9m disso, duas regrava\u00e7\u00f5es s\u00e3o discut\u00edveis: tanto a vers\u00e3o de Milton Nascimento para \u201cEncontros e Despedidas\u201d quanto a do Los Hermanos para \u201cVeja Bem Meu Bem\u201d s\u00e3o bem superiores \u00e0s de Maria Rita. E tem as m\u00fasicas de Rita Lee, claro \u2013 p\u00e9ssimas, p\u00e9ssimas. De todo o modo, \u00e9 preciso que se diga que Maria Rita est\u00e1 longe de ser um mau disco. \u201cA Festa\u201d, a &#8220;m\u00fasica de trabalho&#8221;, \u00e9 deliciosa, assim como a supracitada \u201cDos Gard\u00eanias\u201d. As in\u00e9ditas do hermano Marcelo Camelo (\u201cCara Valente\u201d e \u201cSanta Chuva\u201d) tamb\u00e9m n\u00e3o fazem feio. \u201cMenina da Lua\u201d (de Renato Mota) \u00e9 emocionante, para dizer o m\u00ednimo. Tamb\u00e9m muito boa \u00e9 \u201cLavadeira do Rio\u201d (de Lenine e B. Tavares), com uma levada de ritmos regionais do Nordeste. O mais espantoso, por\u00e9m, \u00e9 que as duas melhores &#8220;faixas&#8221;, a emocionante \u201cVero\u201d (de Natan Marques e Murilo Antunes) e a pungente \u201cEstrela, Estrela\u201d (de Vitor Ramil), somente podem ser obtidas quando baixadas da internet em um site secreto \u2013 que s\u00f3 pode ser acessado por quem comprar o CD original. Um verdadeiro tesouro secreto&#8230; (Texto publicado no Mondo Bacana em 2003)<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4750,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[719],"class_list":["post-4749","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-maria-rita","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4749"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4749\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4752,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4749\/revisions\/4752"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4750"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}