{"id":4729,"date":"2021-05-02T13:40:50","date_gmt":"2021-05-02T16:40:50","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4729"},"modified":"2021-05-02T13:40:50","modified_gmt":"2021-05-02T16:40:50","slug":"como-faziamos-sem-e-colecao-bau-de-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4729","title":{"rendered":"&#8220;Como faz\u00edamos sem&#8221; e cole\u00e7\u00e3o &#8220;Ba\u00fa de Hist\u00f3rias&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Existem alguns assuntos de conversa que s\u00e3o melhores que outros. Diferen\u00e7as ling\u00fc\u00edsticas, por exemplo. Experimente, numa roda de amigos, dizer que o chin\u00eas \u00e9 uma l\u00edngua tonal, o que significa que uma palavra muda totalmente o sentido se voc\u00ea a pronunciar como um pergunta, como uma afirma\u00e7\u00e3o ou como uma ordem, que voc\u00ea vai ver a rea\u00e7\u00e3o fascinada da maioria das pessoas. Outras dicas: diga, por exemplo, que o japon\u00eas tem tr\u00eas alfabetos, um deles copiado do chin\u00eas, o que faz com que uma pessoa japonesa consiga entender por alto um texto escrito em chin\u00eas, por mais as duas l\u00ednguas sejam totalmente diferentes. Que o vietnamita \u00e9 uma l\u00edngua tonal como o chin\u00eas, mas que o governo comunista de l\u00e1 resolveu mudar do alfabeto antigo para o alfabeto latino (o nosso). Resultado: para dar conta dos diversos tons utilizando as nossas letras, o vietnamita \u00e9 escrito com mais de dez acentos, que se situam acima, no meio e abaixo das letras!<\/p>\n<p>Isto at\u00e9 pode ser &#8220;cultura in\u00fatil&#8221;, que n\u00e3o vai fazer aumentar nossos sal\u00e1rios, mas que diverte e fascina. Outro assunto de conversa interessant\u00edssimo \u00e9 a chamada &#8220;hist\u00f3ria da vida privada&#8221;, a hist\u00f3ria, n\u00e3o das grandes personalidades e l\u00edderes, mas do dia-a-dia da intimidade das pessoas. Entre os assuntos que este tipo de &#8220;hist\u00f3ria \u00edntima&#8221; analisa est\u00e1 o &#8220;como viv\u00edamos sem&#8221; um ou outro novo produto ou aparelho. A tecnologia tem mudado radicalmente a vida dos seres humanos: muitas pessoas de mais de quarenta anos mal conseguem acreditar como viviam sem celulares na juventude (por mais que ningu\u00e9m sentisse falta do aparelhinho na \u00e9poca!). Um dos grandes fasc\u00ednios da recente s\u00e9rie <em>Roma<\/em>\u00b8 da <em>HBO<\/em>, por exemplo, \u00e9 o cuidado dos produtores em mostrar a vida na Rep\u00fablica Romana (pouco antes do in\u00edcio do Imp\u00e9rio) exatamente como ela era: as pessoas comiam com as m\u00e3os, usavam tochas para ilumina\u00e7\u00e3o (n\u00e3o havia luz el\u00e9trica) e at\u00e9 uma trepana\u00e7\u00e3o &#8211; cirurgia que consistia em fazer buracos no cr\u00e2nio usando uma pedra para libertar os esp\u00edritos ruins que tinham se alojado no corpo do doente &#8211; \u00e9 mostrada no seriado.<\/p>\n<p>Comer com as m\u00e3os, tochas para ilumina\u00e7\u00e3o e trepana\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos exemplos citados no delicioso <em>&#8220;Como faz\u00edamos sem&#8221;<\/em>, da jornalista mineira B\u00e1rbara Soalheiro (Panda Books, 144 p\u00e1ginas). O livro \u00e9 bem-humorado &#8211; na medida certa, ou seja, nada &#8220;engra\u00e7adinho&#8221; &#8211; e muito bem ilustrado. Em seus cap\u00edtulos curtos, mostra o que as pessoas faziam quando n\u00e3o havia anestesia, geladeira, arm\u00e1rio, dinheiro&#8230;<\/p>\n<p>Alguns exemplos apresentados no livro s\u00e3o particularmente interessantes. Antes da inven\u00e7\u00e3o do vaso sanit\u00e1rio, &#8220;o matinho era a privada de nossos antepassados. L\u00e1 pelo s\u00e9culo XVIII, quando as cidades come\u00e7aram a crescer e j\u00e1 n\u00e3o havia tanto mato por perto, a solu\u00e7\u00e3o foi usar baldes. E \u00e9 por isso que os maiores beneficiados com a inven\u00e7\u00e3o de privadas n\u00e3o foram os que estavam com vontade de usar o toalete (afinal, c\u00e1 para n\u00f3s, quando a vontade \u00e9 grande mesmo o lugar pouco importa), mas os transeuntes das grandes capitais. Depois que acabavam de fazer suas necessidades, as pessoas despejavam o conte\u00fado dos baldes nas ruas. Em Paris, para alertar quem passava, gritavam &#8216;\u00c1gua v\u00e1!&#8217; antes de jogar fezes e urina pela janela. No Rio de Janeiro ou em Salvador, nem isso eles faziam.&#8221;<\/p>\n<p>Sem avi\u00e3o, sem autom\u00f3veis e sem boas estradas, a viagem de &#8220;Ouro Preto ao Rio de Janeiro &#8211; as duas principais cidades brasileiras no s\u00e9culo XVII &#8211; levava pelo menos 12 dias. Hoje, \u00e9 assunto resolvido com apenas 50 minutos dentro de um avi\u00e3o. E se voc\u00ea \u00e9 daqueles que reclamam depois de algumas horas dentro do carro e acha que o maior problema naquele tempo era ter paci\u00eancia para ag\u00fcentar quase duas semanas de viagem, \u00e9 porque n\u00e3o tem id\u00e9ia do quanto elas eram desconfort\u00e1veis. Quem fazia a viagem com mais freq\u00fc\u00eancia eram os tropeiros, encarregados do com\u00e9rcio de animais &#8211; em geral, bois. Eles iam a cavalo, parando em fazendas para pernoitar. Um dos problemas que enfrentavam &#8211; al\u00e9m dos percal\u00e7os da estrada como lama, mosquitos e bandidos &#8211; era levar alimentos que n\u00e3o perecessem em uma viagem t\u00e3o longa. Foi dessas dificuldades que nasceram alguns pratos que comemos at\u00e9 hoje. Um dia, por exemplo, algu\u00e9m que gostava muito de feij\u00e3o teve a id\u00e9ia de mistur\u00e1-lo com farinha. Assim ficava mais f\u00e1cil transportar &#8211; e o feij\u00e3o se mantinha conservado por mais tempo. Resultado: nasceu o feij\u00e3o tropeiro, um cl\u00e1ssico da comida nacional.&#8221;<\/p>\n<p><em>&#8220;Como faz\u00edamos sem&#8221;<\/em> ainda tem muitas outras curiosidades sobre como era a vida de nossos antepassados, como o motivo pelo qual os ingleses s\u00e3o pontuais e os brasileiros n\u00e3o. Mas, para saber mais, o neg\u00f3cio \u00e9 comprar os livro. Se voc\u00ea for f\u00e3 de cultura in\u00fatil ou de um bom papo, n\u00e3o vai se arrepender.<\/p>\n<p>_____________________________________________________________<\/p>\n<p>Segundo a sua coordenadora de publica\u00e7\u00e3o, Mary del Priore, a cole\u00e7\u00e3o <em>Ba\u00fa de hist\u00f3rias<\/em>, da Jos\u00e9 Olympio Editora, apresenta raridades bibliogr\u00e1ficas, in\u00e9ditas at\u00e9 hoje e marcadas pela indiferen\u00e7a e o esquecimento, que t\u00eam interesse liter\u00e1rio, hist\u00f3rico e etnogr\u00e1fico, &#8220;raros testemunhos de um universo e um tempo que perdemos&#8221;.<\/p>\n<p>Dois exemplares desta cole\u00e7\u00e3o tratam da escravid\u00e3o durante o per\u00edodo do Imp\u00e9rio Brasileiro: <em>Cinq\u00fcenta dias a bordo de um navio negreiro<\/em>, do pastor anglicano Pascoe Grenfell Hill (123 p\u00e1ginas) e <em>Entrevistas com escravos africanos na Bahia oitocentista<\/em>, do estudioso franc\u00eas Francis de Castelnau.<\/p>\n<p>O mais interessante entre eles \u00e9 <em>Cinq\u00fcenta dias&#8230;<\/em> Em 1842 os brasileiros e portugueses ainda n\u00e3o tinham abolido o tr\u00e1fico de escravos da \u00c1frica para o Brasil, e os navios negreiros eram considerados fora-da-lei pela legisla\u00e7\u00e3o internacional. O livro do pastor Grenfell Hill conta uma hist\u00f3ria real: uma apreens\u00e3o de um navio transportando escravos por uma barca\u00e7a inglesa. O que poderia ser uma hist\u00f3ria de final feliz com a liberta\u00e7\u00e3o dos cativos, infelizmente, resultou em uma trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Os ingleses n\u00e3o podiam, simplesmente, mandar os escravos para um local pr\u00f3ximo na costa africana porque eles seriam escravizados de novo (eram pr\u00f3prios negros africanos que vendiam seus semelhantes). A solu\u00e7\u00e3o era liber\u00e1-los em um lugar distante, mas os ingleses n\u00e3o tinham o menor conhecimento de como transportar uma grande quantidade de pessoas no espa\u00e7o ex\u00edguo de um navio e com poucos v\u00edveres. Resultado da expedi\u00e7\u00e3o descrita por Grenfell Hill: uma quantidade muito maior de mortos entre os negros do que quando os portugueses ou brasileiros &#8211; que tinham grande experi\u00eancia no transporte de escravos -comandavam os navios negreiros.<\/p>\n<p>O grande interesse de Francis de Castelnau em <em>Entrevistas&#8230; <\/em>\u00e9 saber mais sobre a poss\u00edvel exist\u00eancia de uma tribo africana cujos membros tinham rabos (!). V\u00e1rios escravos entrevistados contam rapidamente suas hist\u00f3rias, das guerras que participaram, e de como foram apreendidos para serem vendidos &#8211; al\u00e9m, \u00e9 claro, de contar o que sabiam sobre a tal estranha tribo. Se a leitura do livro de Castelnau \u00e9 um pouco cansativa \u00e0s vezes &#8211; principalmente quando descreve a geografia dos lugares pelos quais os escravos passaram &#8211; por outro o livro, como documento hist\u00f3rico de uma \u00e9poca, \u00e9 de um fasc\u00ednio ineg\u00e1vel.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sobre a escravid\u00e3o \u00e9 o estudo <em>Feitio de viver &#8211; mem\u00f3rias de descendentes de escravos<\/em>, da carioca e professora da Universidade de Londrina Giz\u00ealda Melo do Nascimento (Eduel, 167 p\u00e1ginas), que apresenta 41 entrevistas com depoimentos de descendentes de escravos e sua an\u00e1lise, em linguagem acad\u00eamica.<\/p>\n<p>(publicado no suplemento dominical do jornal O Estado do Paran\u00e1 em 2006)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem alguns assuntos de conversa que s\u00e3o melhores que outros. Diferen\u00e7as ling\u00fc\u00edsticas, por exemplo. Experimente, numa roda de amigos, dizer que o chin\u00eas \u00e9 uma l\u00edngua tonal, o que significa que uma palavra muda totalmente o sentido se voc\u00ea a pronunciar como um pergunta, como uma afirma\u00e7\u00e3o ou como uma ordem, que voc\u00ea vai ver a rea\u00e7\u00e3o fascinada da maioria das pessoas. Outras dicas: diga, por exemplo, que o japon\u00eas tem tr\u00eas alfabetos, um deles copiado do chin\u00eas, o que faz com que uma pessoa japonesa consiga entender por alto um texto escrito em chin\u00eas, por mais as duas l\u00ednguas sejam totalmente diferentes. Que o vietnamita \u00e9 uma l\u00edngua tonal como o chin\u00eas, mas que o governo comunista de l\u00e1 resolveu mudar do alfabeto antigo para o alfabeto latino (o nosso). Resultado: para dar conta dos diversos tons utilizando as nossas letras, o vietnamita \u00e9 escrito com mais de dez acentos, que se situam acima, no meio e abaixo das letras! Isto at\u00e9 pode ser &#8220;cultura in\u00fatil&#8221;, que n\u00e3o vai fazer aumentar nossos sal\u00e1rios, mas que diverte e fascina. Outro assunto de conversa interessant\u00edssimo \u00e9 a chamada &#8220;hist\u00f3ria da vida privada&#8221;, a hist\u00f3ria, n\u00e3o das grandes personalidades e l\u00edderes, mas do dia-a-dia da intimidade das pessoas. Entre os assuntos que este tipo de &#8220;hist\u00f3ria \u00edntima&#8221; analisa est\u00e1 o &#8220;como viv\u00edamos sem&#8221; um ou outro novo produto ou aparelho. A tecnologia tem mudado radicalmente a vida dos seres humanos: muitas pessoas de mais de quarenta anos mal conseguem acreditar como viviam sem celulares na juventude (por mais que ningu\u00e9m sentisse falta do aparelhinho na \u00e9poca!). Um dos grandes fasc\u00ednios da recente s\u00e9rie Roma\u00b8 da HBO, por exemplo, \u00e9 o cuidado dos produtores em mostrar a vida na Rep\u00fablica Romana (pouco antes do in\u00edcio do Imp\u00e9rio) exatamente como ela era: as pessoas comiam com as m\u00e3os, usavam tochas para ilumina\u00e7\u00e3o (n\u00e3o havia luz el\u00e9trica) e at\u00e9 uma trepana\u00e7\u00e3o &#8211; cirurgia que consistia em fazer buracos no cr\u00e2nio usando uma pedra para libertar os esp\u00edritos ruins que tinham se alojado no corpo do doente &#8211; \u00e9 mostrada no seriado. Comer com as m\u00e3os, tochas para ilumina\u00e7\u00e3o e trepana\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos exemplos citados no delicioso &#8220;Como faz\u00edamos sem&#8221;, da jornalista mineira B\u00e1rbara Soalheiro (Panda Books, 144 p\u00e1ginas). O livro \u00e9 bem-humorado &#8211; na medida certa, ou seja, nada &#8220;engra\u00e7adinho&#8221; &#8211; e muito bem ilustrado. Em seus cap\u00edtulos curtos, mostra o que as pessoas faziam quando n\u00e3o havia anestesia, geladeira, arm\u00e1rio, dinheiro&#8230; Alguns exemplos apresentados no livro s\u00e3o particularmente interessantes. Antes da inven\u00e7\u00e3o do vaso sanit\u00e1rio, &#8220;o matinho era a privada de nossos antepassados. L\u00e1 pelo s\u00e9culo XVIII, quando as cidades come\u00e7aram a crescer e j\u00e1 n\u00e3o havia tanto mato por perto, a solu\u00e7\u00e3o foi usar baldes. E \u00e9 por isso que os maiores beneficiados com a inven\u00e7\u00e3o de privadas n\u00e3o foram os que estavam com vontade de usar o toalete (afinal, c\u00e1 para n\u00f3s, quando a vontade \u00e9 grande mesmo o lugar pouco importa), mas os transeuntes das grandes capitais. Depois que acabavam de fazer suas necessidades, as pessoas despejavam o conte\u00fado dos baldes nas ruas. Em Paris, para alertar quem passava, gritavam &#8216;\u00c1gua v\u00e1!&#8217; antes de jogar fezes e urina pela janela. No Rio de Janeiro ou em Salvador, nem isso eles faziam.&#8221; Sem avi\u00e3o, sem autom\u00f3veis e sem boas estradas, a viagem de &#8220;Ouro Preto ao Rio de Janeiro &#8211; as duas principais cidades brasileiras no s\u00e9culo XVII &#8211; levava pelo menos 12 dias. Hoje, \u00e9 assunto resolvido com apenas 50 minutos dentro de um avi\u00e3o. E se voc\u00ea \u00e9 daqueles que reclamam depois de algumas horas dentro do carro e acha que o maior problema naquele tempo era ter paci\u00eancia para ag\u00fcentar quase duas semanas de viagem, \u00e9 porque n\u00e3o tem id\u00e9ia do quanto elas eram desconfort\u00e1veis. Quem fazia a viagem com mais freq\u00fc\u00eancia eram os tropeiros, encarregados do com\u00e9rcio de animais &#8211; em geral, bois. Eles iam a cavalo, parando em fazendas para pernoitar. Um dos problemas que enfrentavam &#8211; al\u00e9m dos percal\u00e7os da estrada como lama, mosquitos e bandidos &#8211; era levar alimentos que n\u00e3o perecessem em uma viagem t\u00e3o longa. Foi dessas dificuldades que nasceram alguns pratos que comemos at\u00e9 hoje. Um dia, por exemplo, algu\u00e9m que gostava muito de feij\u00e3o teve a id\u00e9ia de mistur\u00e1-lo com farinha. Assim ficava mais f\u00e1cil transportar &#8211; e o feij\u00e3o se mantinha conservado por mais tempo. Resultado: nasceu o feij\u00e3o tropeiro, um cl\u00e1ssico da comida nacional.&#8221; &#8220;Como faz\u00edamos sem&#8221; ainda tem muitas outras curiosidades sobre como era a vida de nossos antepassados, como o motivo pelo qual os ingleses s\u00e3o pontuais e os brasileiros n\u00e3o. Mas, para saber mais, o neg\u00f3cio \u00e9 comprar os livro. Se voc\u00ea for f\u00e3 de cultura in\u00fatil ou de um bom papo, n\u00e3o vai se arrepender. _____________________________________________________________ Segundo a sua coordenadora de publica\u00e7\u00e3o, Mary del Priore, a cole\u00e7\u00e3o Ba\u00fa de hist\u00f3rias, da Jos\u00e9 Olympio Editora, apresenta raridades bibliogr\u00e1ficas, in\u00e9ditas at\u00e9 hoje e marcadas pela indiferen\u00e7a e o esquecimento, que t\u00eam interesse liter\u00e1rio, hist\u00f3rico e etnogr\u00e1fico, &#8220;raros testemunhos de um universo e um tempo que perdemos&#8221;. Dois exemplares desta cole\u00e7\u00e3o tratam da escravid\u00e3o durante o per\u00edodo do Imp\u00e9rio Brasileiro: Cinq\u00fcenta dias a bordo de um navio negreiro, do pastor anglicano Pascoe Grenfell Hill (123 p\u00e1ginas) e Entrevistas com escravos africanos na Bahia oitocentista, do estudioso franc\u00eas Francis de Castelnau. O mais interessante entre eles \u00e9 Cinq\u00fcenta dias&#8230; Em 1842 os brasileiros e portugueses ainda n\u00e3o tinham abolido o tr\u00e1fico de escravos da \u00c1frica para o Brasil, e os navios negreiros eram considerados fora-da-lei pela legisla\u00e7\u00e3o internacional. O livro do pastor Grenfell Hill conta uma hist\u00f3ria real: uma apreens\u00e3o de um navio transportando escravos por uma barca\u00e7a inglesa. O que poderia ser uma hist\u00f3ria de final feliz com a liberta\u00e7\u00e3o dos cativos, infelizmente, resultou em uma trag\u00e9dia. Os ingleses n\u00e3o podiam, simplesmente, mandar os escravos para um local pr\u00f3ximo na costa africana porque eles seriam escravizados de novo (eram pr\u00f3prios negros africanos que vendiam seus semelhantes). 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