{"id":4715,"date":"2021-04-25T13:52:09","date_gmt":"2021-04-25T16:52:09","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4715"},"modified":"2021-04-25T13:52:09","modified_gmt":"2021-04-25T16:52:09","slug":"meu-nome-nao-e-johnny-a-viagem-real-de-um-filho-da-burguesia-a-elite-do-trafico-de-guilherme-fiuza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4715","title":{"rendered":"&#8220;Meu Nome N\u00e3o \u00e9 Johnny \u2013 A Viagem Real de um Filho da Burguesia \u00e0 Elite do Tr\u00e1fico&#8221;, de Guilherme Fiuza"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"textgr\">Todo o mundo j\u00e1 deve ter ouvido aquela teoria de que os \u201cverdadeiros\u201d grandes traficantes do Rio de Janeiro moram confortavelmente em apartamentos na Zona Sul carioca, n\u00e3o nos morros. Quando se l\u00ea o subt\u00edtulo de <\/span><em>Meu Nome N\u00e3o \u00e9 Johnny \u2013 A Viagem Real de um Filho da Burguesia \u00e0 Elite do Tr\u00e1fico<\/em><span class=\"textgr\">, de Guilherme Fiuza (Editora Record, 336 p\u00e1ginas), pode-se pensar que estamos diante de um caso destes \u2013 ou seja, o de um traficante <\/span><em>realmente grande<\/em><span class=\"textgr\"> com educa\u00e7\u00e3o burguesa. Sinto decepcionar os partid\u00e1rios desta teoria da conspira\u00e7\u00e3o, mas a hist\u00f3ria contada neste excelente livro \u00e9 um pouco diferente. <\/span><\/p>\n<p><em>Meu Nome N\u00e3o \u00e9 Johnny<\/em><span class=\"textgr\"> conta a hist\u00f3ria de Jo\u00e3o Guilherme Estrella, rapaz bem nascido que gosta de tocar m\u00fasicas em seu viol\u00e3o e que cedo come\u00e7ou a se envolver no meio art\u00edstico. A partir da conviv\u00eancia com a \u201cturma\u201d v\u00eam as primeiras experi\u00eancias com drogas. Primeiro a maconha, depois o LSD e ent\u00e3o a coca\u00edna \u2013 que acaba viciando-o. Como necessita de cada vez maiores quantidades para consumo pr\u00f3prio, ele come\u00e7a a vender p\u00f3 (ainda em pequena escala) para arranjar dinheiro. Isto o faz entrar em contato com alguns traficantes e a coisa vai aumentando. Estrella arruma esquemas para traficar quantidades cada vez maiores diretamente da Bol\u00edvia: a coca\u00edna que ele conseguia l\u00e1 \u2013 apelidada de \u201cNelore Puro\u201d \u2013 era a mais pura do mercado de drogas no Rio da \u00e9poca (final dos anos 80\/in\u00edcio dos 90). <\/span><\/p>\n<p><span class=\"textgr\">Juntando o grande conhecimento da sociedade carioca que tem Jo\u00e3o Guilherme Estrella (ele sempre fora um sujeito extremamente soci\u00e1vel e simp\u00e1tico) com a qualidade insuper\u00e1vel de seu p\u00f3, \u00e9 \u00f3bvio que o resultado s\u00f3 pode ser um. O rapaz da Zona Sul transforma-se em um grande atacadista de drogas, chegando a fazer viagens para Amsterdam para fazer grandes vendas do \u201cNelore Puro\u201d na Europa). E, claro, neste tempo todo ele continua ingerindo quantidades fenomenais de coca\u00edna. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"textgr\">Mas se Estrella j\u00e1 passa a ser um grande traficante em termos de quantidade, em termos de viol\u00eancia ele n\u00e3o pode ser comparado aos chef\u00f5es do morro. Impulsivo, pouco se importando com as conseq\u00fc\u00eancias de seus atos, n\u00e3o s\u00f3 ele n\u00e3o tem seguran\u00e7a pessoal como sequer anda armado. Logo a Lei est\u00e1 atr\u00e1s dele. Na primeira vez consegue se safar da pol\u00edcia atrav\u00e9s de suborno. Na outra isto n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel. \u00c9 preso, recebendo uma condena\u00e7\u00e3o leve, em um grande momento da ju\u00edza que o condenou \u2013 pois ela, acertadamente, <\/span><em>acreditava no car\u00e1ter<\/em><span class=\"textgr\"> de Jo\u00e3o Guilherme Estrella. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"textgr\">Mas nem por isto o sofrimento que o protagonista passa, tanto na cadeia quanto no manic\u00f4mio judici\u00e1rio, s\u00e3o pequenos. Todos estes maus momentos acabam ajudando o rapaz da Zona Sul a se redimir. Atualmente, ele trabalha como produtor musical, n\u00e3o trafica mais e est\u00e1 recuperado do v\u00edcio da coca\u00edna. <\/span><\/p>\n<p><em>Meu Nome N\u00e3o \u00e9 Johnny<\/em><span class=\"textgr\"> (o t\u00edtulo \u00e9 baseado na not\u00edcia do Jornal do Brasil; quando da pris\u00e3o do traficante, o di\u00e1rio carioca escreveu que seu apelido era Johnny \u2013 o que nunca fora verdade) \u00e9 uma obra extremamente bem escrita, em uma linguagem simples, direta e envolvente. \u00c9 o tipo do livro dif\u00edcil de parar de ler. Outra qualidade \u00e9 que, em nenhum momento, o autor Guilherme Fiuza parece querer dar uma li\u00e7\u00e3o de moral aos leitores. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"textgr\">Fiuza nem precisa disto, na verdade. A hist\u00f3ria fala por si.<\/span><\/p>\n<p><em>(Publicado no <a href=\"https:\/\/mondobacana.wordpress.com\/\">Mondo Bacana<\/a> em 2008) <\/em><\/p>\n<p><em>(foto obtida no <a href=\"https:\/\/www.posfacio.com.br\/2010\/06\/02\/meu-nome-nao-e-johnny-guilherme-fiuza\/\">Posf\u00e1cio<\/a>)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo o mundo j\u00e1 deve ter ouvido aquela teoria de que os \u201cverdadeiros\u201d grandes traficantes do Rio de Janeiro moram confortavelmente em apartamentos na Zona Sul carioca, n\u00e3o nos morros. Quando se l\u00ea o subt\u00edtulo de Meu Nome N\u00e3o \u00e9 Johnny \u2013 A Viagem Real de um Filho da Burguesia \u00e0 Elite do Tr\u00e1fico, de Guilherme Fiuza (Editora Record, 336 p\u00e1ginas), pode-se pensar que estamos diante de um caso destes \u2013 ou seja, o de um traficante realmente grande com educa\u00e7\u00e3o burguesa. Sinto decepcionar os partid\u00e1rios desta teoria da conspira\u00e7\u00e3o, mas a hist\u00f3ria contada neste excelente livro \u00e9 um pouco diferente. Meu Nome N\u00e3o \u00e9 Johnny conta a hist\u00f3ria de Jo\u00e3o Guilherme Estrella, rapaz bem nascido que gosta de tocar m\u00fasicas em seu viol\u00e3o e que cedo come\u00e7ou a se envolver no meio art\u00edstico. A partir da conviv\u00eancia com a \u201cturma\u201d v\u00eam as primeiras experi\u00eancias com drogas. Primeiro a maconha, depois o LSD e ent\u00e3o a coca\u00edna \u2013 que acaba viciando-o. Como necessita de cada vez maiores quantidades para consumo pr\u00f3prio, ele come\u00e7a a vender p\u00f3 (ainda em pequena escala) para arranjar dinheiro. Isto o faz entrar em contato com alguns traficantes e a coisa vai aumentando. Estrella arruma esquemas para traficar quantidades cada vez maiores diretamente da Bol\u00edvia: a coca\u00edna que ele conseguia l\u00e1 \u2013 apelidada de \u201cNelore Puro\u201d \u2013 era a mais pura do mercado de drogas no Rio da \u00e9poca (final dos anos 80\/in\u00edcio dos 90). Juntando o grande conhecimento da sociedade carioca que tem Jo\u00e3o Guilherme Estrella (ele sempre fora um sujeito extremamente soci\u00e1vel e simp\u00e1tico) com a qualidade insuper\u00e1vel de seu p\u00f3, \u00e9 \u00f3bvio que o resultado s\u00f3 pode ser um. O rapaz da Zona Sul transforma-se em um grande atacadista de drogas, chegando a fazer viagens para Amsterdam para fazer grandes vendas do \u201cNelore Puro\u201d na Europa). E, claro, neste tempo todo ele continua ingerindo quantidades fenomenais de coca\u00edna. Mas se Estrella j\u00e1 passa a ser um grande traficante em termos de quantidade, em termos de viol\u00eancia ele n\u00e3o pode ser comparado aos chef\u00f5es do morro. Impulsivo, pouco se importando com as conseq\u00fc\u00eancias de seus atos, n\u00e3o s\u00f3 ele n\u00e3o tem seguran\u00e7a pessoal como sequer anda armado. Logo a Lei est\u00e1 atr\u00e1s dele. Na primeira vez consegue se safar da pol\u00edcia atrav\u00e9s de suborno. Na outra isto n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel. \u00c9 preso, recebendo uma condena\u00e7\u00e3o leve, em um grande momento da ju\u00edza que o condenou \u2013 pois ela, acertadamente, acreditava no car\u00e1ter de Jo\u00e3o Guilherme Estrella. Mas nem por isto o sofrimento que o protagonista passa, tanto na cadeia quanto no manic\u00f4mio judici\u00e1rio, s\u00e3o pequenos. Todos estes maus momentos acabam ajudando o rapaz da Zona Sul a se redimir. Atualmente, ele trabalha como produtor musical, n\u00e3o trafica mais e est\u00e1 recuperado do v\u00edcio da coca\u00edna. Meu Nome N\u00e3o \u00e9 Johnny (o t\u00edtulo \u00e9 baseado na not\u00edcia do Jornal do Brasil; quando da pris\u00e3o do traficante, o di\u00e1rio carioca escreveu que seu apelido era Johnny \u2013 o que nunca fora verdade) \u00e9 uma obra extremamente bem escrita, em uma linguagem simples, direta e envolvente. \u00c9 o tipo do livro dif\u00edcil de parar de ler. Outra qualidade \u00e9 que, em nenhum momento, o autor Guilherme Fiuza parece querer dar uma li\u00e7\u00e3o de moral aos leitores. Fiuza nem precisa disto, na verdade. A hist\u00f3ria fala por si. (Publicado no Mondo Bacana em 2008) (foto obtida no Posf\u00e1cio)<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4716,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[712],"class_list":["post-4715","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","tag-guilherme-fiuza","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4715"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4715\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4717,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4715\/revisions\/4717"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4716"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}