{"id":4637,"date":"2021-02-07T19:45:26","date_gmt":"2021-02-07T22:45:26","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4637"},"modified":"2021-02-07T19:45:26","modified_gmt":"2021-02-07T22:45:26","slug":"alias-grace-vulgo-grace","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4637","title":{"rendered":"&#8220;Alias Grace&#8221;, &#8220;Vulgo Grace&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 muito comum se ouvir que o \u201clivro \u00e9 sempre melhor que o filme\u201d. Eu n\u00e3o compartilho dessa opini\u00e3o, e quando a escuto normalmente cito o livro \u201cLaranja Mec\u00e2nica\u201d, de Anthony Burgess, para mim bastante inferior ao filme hom\u00f4nimo de Stanley Kubrick.<\/p>\n<p>S\u00e9ries n\u00e3o s\u00e3o filmes, mas achei que seria divertido comparar a miniss\u00e9rie \u201cAlias Grace\u201d (Netflix, seis epis\u00f3dios de cerca de 45 minutos cada um) com o livro que lhe deu origem, traduzido no Brasil como \u201cVulgo Grace\u201d, da escritora canadense Margaret Atwood (Rocco, 512 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Geni Hirata). Na verdade, fiquei t\u00e3o entusiasmado com a s\u00e9rie que acabei lendo o livro logo que acabei de assisti-la.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 baseada num fato real: Grace Marks, uma irlandesa vivendo no Canad\u00e1, \u00e9 condenada \u00e0 morte em 1843 junto com o cocheiro James McDermott pelo assassinato do patr\u00e3o dos dois, o fazendeiro Thomas Kinnear, e de sua governanta, Nancy Montgomery. McDermott \u00e9 efetivamente enforcado, mas Grace Marks tem sua pena comutada para pris\u00e3o perp\u00e9tua.<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria contada pelo livro e pela s\u00e9rie um m\u00e9dico, Dr. Simon Jordan, \u00e9 contratado pelo reverendo Verrenger (vivido pelo grande diretor David Cronenberg!), l\u00edder de um grupo que luta pela absolvi\u00e7\u00e3o de Grace Marks, para conseguir elementos psicol\u00f3gicos para inocent\u00e1-la. Acho que n\u00e3o vale a pena contar muito mais a respeito da hist\u00f3ria para n\u00e3o estragar a surpresa.<\/p>\n<p>Vamos \u00e0 compara\u00e7\u00e3o entre a s\u00e9rie e o livro, ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Inicialmente, \u00e9 interessante notar que a pr\u00f3pria Margaret Atwood, assim como tinha feito na s\u00e9rie <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=the-handmaids-tale\">\u201cHandmaid\u2019s Tale\u201d<\/a>, tamb\u00e9m baseada num romance seu, faz uma pequena ponta em \u201cAlias Grace\u201d \u2013 ela mesma, portanto, n\u00e3o parece muito incomodada em querer defender a superioridade do livro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 s\u00e9rie, n\u00e9?<\/p>\n<p>Brincadeiras \u00e0 parte, tanto \u201cAlias Grace\u201d quanto \u201cVulgo Grace\u201d s\u00e3o obras de extrema qualidade, e a s\u00e9rie \u00e9 muito fiel ao livro \u2013 embora este, como normalmente acontece, seja mais detalhado do que aquela. E eu me emocionei igualmente com o final da s\u00e9rie e o do livro, por mais que, quando li \u201cVulgo Grace\u201d, eu j\u00e1 soubesse o que me esperava.<\/p>\n<p>Enfim, se eu fosse escolher um dos dois, escolheria a s\u00e9rie mesmo. N\u00e3o por nada, mas Sarah Gadon, a atriz que faz Grace Marks e <a href=\"http:\/\/pt.series-tv-shows.com\/alias-grace\/\">que est\u00e1 na imagem que acompanha este texto<\/a>, atua de maneira t\u00e3o espetacular que desempata esse jogo que teria tudo para terminar com placar igual para os dois lados!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 muito comum se ouvir que o \u201clivro \u00e9 sempre melhor que o filme\u201d. Eu n\u00e3o compartilho dessa opini\u00e3o, e quando a escuto normalmente cito o livro \u201cLaranja Mec\u00e2nica\u201d, de Anthony Burgess, para mim bastante inferior ao filme hom\u00f4nimo de Stanley Kubrick. 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Na hist\u00f3ria contada pelo livro e pela s\u00e9rie um m\u00e9dico, Dr. Simon Jordan, \u00e9 contratado pelo reverendo Verrenger (vivido pelo grande diretor David Cronenberg!), l\u00edder de um grupo que luta pela absolvi\u00e7\u00e3o de Grace Marks, para conseguir elementos psicol\u00f3gicos para inocent\u00e1-la. Acho que n\u00e3o vale a pena contar muito mais a respeito da hist\u00f3ria para n\u00e3o estragar a surpresa. Vamos \u00e0 compara\u00e7\u00e3o entre a s\u00e9rie e o livro, ent\u00e3o. Inicialmente, \u00e9 interessante notar que a pr\u00f3pria Margaret Atwood, assim como tinha feito na s\u00e9rie \u201cHandmaid\u2019s Tale\u201d, tamb\u00e9m baseada num romance seu, faz uma pequena ponta em \u201cAlias Grace\u201d \u2013 ela mesma, portanto, n\u00e3o parece muito incomodada em querer defender a superioridade do livro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 s\u00e9rie, n\u00e9? 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