{"id":4560,"date":"2020-12-13T16:10:34","date_gmt":"2020-12-13T19:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4560"},"modified":"2020-12-13T16:26:17","modified_gmt":"2020-12-13T19:26:17","slug":"a-destruicao-dos-judeus-europeus-de-raul-hilberg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4560","title":{"rendered":"&#8220;A destrui\u00e7\u00e3o dos judeus europeus&#8221;, de Raul Hilberg"},"content":{"rendered":"<p>Provavelmente a obra mais importante sobre o Holocausto, \u201cA destrui\u00e7\u00e3o dos judeus europeus\u201d, do austr\u00edaco-americano Raul Hilberg, \u00e9 um calhama\u00e7o cuja edi\u00e7\u00e3o brasileira, da Amarilys Editora, tem 1664 p\u00e1ginas e cinco tradutores (Carolina Barcellos, Laura Folgueira, Lu\u00eds Protasio, Mauricio Tamboni, Sonia Augusto). A primeira edi\u00e7\u00e3o da obra \u00e9 de 1961, mas ela teve v\u00e1rias atualiza\u00e7\u00f5es at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 2000 (o autor faleceu em 2007); o livro, que serviu inclusive como base para o monumental filme \u201cShoah\u201d, de Claude Lanzmann (ver, inclusive, o coment\u00e1rio do cineasta na capa da edi\u00e7\u00e3o da Amarilys Editora, que \u00e9 a imagem que acompanha este texto), foi o trabalho de uma vida.<\/p>\n<p>Como o pr\u00f3prio Hilberg comenta na obra, quando da sua primeira edi\u00e7\u00e3o, em 1961, o Holocausto era um assunto quase esquecido: no meio da Guerra Fria, Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tinham outas preocupa\u00e7\u00f5es mais imediatas e pouca vontade de melindrar a mem\u00f3ria de suas aliadas, respectivamente as Alemanhas Ocidental e Oriental. O autor, inclusive, descreve como sua pesquisa sobre a destrui\u00e7\u00e3o dos judeus europeus era vista com ceticismo quando da elabora\u00e7\u00e3o da obra. Enfim, os ventos mudaram e o Holocausto &#8211; tamb\u00e9m por causa deste monumental \u201cA destrui\u00e7\u00e3o dos judeus europeus\u201d \u2013 \u00e9 atualmente objeto de gigantesco interesse, tanto por parte dos pesquisadores quanto do p\u00fablico em geral.<\/p>\n<p>O livro, realmente, merece a fama que tem. Praticamente todo escrito com enfoque sobre os perpetradores alem\u00e3es, \u201cA destrui\u00e7\u00e3o dos judeus europeus\u201d mostra com um grande n\u00famero de documentos como os nazistas foram destruindo suas v\u00edtimas aos poucos: a partir de leis racistas que lhe tiravam paulatinamente os seus direitos, os judeus iam se sentindo mais e mais oprimidos e humilhados e acabavam tendo pouca ou nenhuma for\u00e7a de rea\u00e7\u00e3o. Este processo de destrui\u00e7\u00e3o era sistem\u00e1tico e organizado. Nem todos os pa\u00edses ocupados ou aliados da Alemanha, por outro lado, tiveram o mesmo comportamento quanto \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o judia, e o livro mostra com detalhes a atua\u00e7\u00e3o de cada uma dessas na\u00e7\u00f5es a este respeito.<\/p>\n<p>Mas, claro, o livro tem muito mais: descri\u00e7\u00e3o dos campos de exterm\u00ednio, das Marchas da Morte, dos <em>Einsatzgruppen<\/em> (esquadr\u00f5es m\u00f3veis que assassinavam popula\u00e7\u00f5es judias em pa\u00edses como a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a Ucr\u00e2nia), da burocracia envolvida no processo da destrui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o judia, da rea\u00e7\u00e3o p\u00edfia e \u00e0s vezes at\u00e9 revoltante dos pa\u00edses aliados contra o Holocausto durante a guerra.<\/p>\n<p>Enfim, o livro \u00e9 de leitura dolorosa, mas fundamental para quem quer entender mais sobre a destrui\u00e7\u00e3o dos judeus europeus durante a Segunda Guerra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Provavelmente a obra mais importante sobre o Holocausto, \u201cA destrui\u00e7\u00e3o dos judeus europeus\u201d, do austr\u00edaco-americano Raul Hilberg, \u00e9 um calhama\u00e7o cuja edi\u00e7\u00e3o brasileira, da Amarilys Editora, tem 1664 p\u00e1ginas e cinco tradutores (Carolina Barcellos, Laura Folgueira, Lu\u00eds Protasio, Mauricio Tamboni, Sonia Augusto). A primeira edi\u00e7\u00e3o da obra \u00e9 de 1961, mas ela teve v\u00e1rias atualiza\u00e7\u00f5es at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 2000 (o autor faleceu em 2007); o livro, que serviu inclusive como base para o monumental filme \u201cShoah\u201d, de Claude Lanzmann (ver, inclusive, o coment\u00e1rio do cineasta na capa da edi\u00e7\u00e3o da Amarilys Editora, que \u00e9 a imagem que acompanha este texto), foi o trabalho de uma vida. Como o pr\u00f3prio Hilberg comenta na obra, quando da sua primeira edi\u00e7\u00e3o, em 1961, o Holocausto era um assunto quase esquecido: no meio da Guerra Fria, Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tinham outas preocupa\u00e7\u00f5es mais imediatas e pouca vontade de melindrar a mem\u00f3ria de suas aliadas, respectivamente as Alemanhas Ocidental e Oriental. O autor, inclusive, descreve como sua pesquisa sobre a destrui\u00e7\u00e3o dos judeus europeus era vista com ceticismo quando da elabora\u00e7\u00e3o da obra. Enfim, os ventos mudaram e o Holocausto &#8211; tamb\u00e9m por causa deste monumental \u201cA destrui\u00e7\u00e3o dos judeus europeus\u201d \u2013 \u00e9 atualmente objeto de gigantesco interesse, tanto por parte dos pesquisadores quanto do p\u00fablico em geral. O livro, realmente, merece a fama que tem. Praticamente todo escrito com enfoque sobre os perpetradores alem\u00e3es, \u201cA destrui\u00e7\u00e3o dos judeus europeus\u201d mostra com um grande n\u00famero de documentos como os nazistas foram destruindo suas v\u00edtimas aos poucos: a partir de leis racistas que lhe tiravam paulatinamente os seus direitos, os judeus iam se sentindo mais e mais oprimidos e humilhados e acabavam tendo pouca ou nenhuma for\u00e7a de rea\u00e7\u00e3o. Este processo de destrui\u00e7\u00e3o era sistem\u00e1tico e organizado. Nem todos os pa\u00edses ocupados ou aliados da Alemanha, por outro lado, tiveram o mesmo comportamento quanto \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o judia, e o livro mostra com detalhes a atua\u00e7\u00e3o de cada uma dessas na\u00e7\u00f5es a este respeito. Mas, claro, o livro tem muito mais: descri\u00e7\u00e3o dos campos de exterm\u00ednio, das Marchas da Morte, dos Einsatzgruppen (esquadr\u00f5es m\u00f3veis que assassinavam popula\u00e7\u00f5es judias em pa\u00edses como a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a Ucr\u00e2nia), da burocracia envolvida no processo da destrui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o judia, da rea\u00e7\u00e3o p\u00edfia e \u00e0s vezes at\u00e9 revoltante dos pa\u00edses aliados contra o Holocausto durante a guerra. 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