{"id":4530,"date":"2020-11-20T14:46:40","date_gmt":"2020-11-20T17:46:40","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4530"},"modified":"2020-11-20T16:50:59","modified_gmt":"2020-11-20T19:50:59","slug":"a-maca-envenenada-de-michel-laub","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4530","title":{"rendered":"&#8220;A ma\u00e7\u00e3 envenenada&#8221;, de Michel Laub"},"content":{"rendered":"<p>Roberto Bola\u00f1o, em seu monumental \u201c2666\u201d, escreveu algo (cito de mem\u00f3ria) no sentido de que um conto pode ser perfeito, mas um grande romance deve ter, por defini\u00e7\u00e3o, imperfei\u00e7\u00f5es e exageros \u2013 j\u00e1 que a vida n\u00e3o \u00e9 perfeita mesmo.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante pensar nisso: algumas raras vezes eu termino de ler uma hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o e penso comigo: \u201cisso aqui foi perfeito\u201d. Um ou outro conto de <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=julio-cortazar\">Cort\u00e1zar<\/a> e <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=alice-munro\">Alice Munro<\/a>, quase todo Kafka e mesmo um romance \u2013 <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3878\">\u201cAs irm\u00e3s Makioka\u201d<\/a>, de Junichiro Tanizaki \u2013 me passaram essa sensa\u00e7\u00e3o de perfei\u00e7\u00e3o. E, como Bola\u00f1o mesmo d\u00e1 a entender, achar que uma obra \u00e9 perfeita n\u00e3o quer dizer necessariamente que ela seja melhor que outras, \u201cimperfeitas\u201d e impactantes. Pensando nisso tudo, comecei a brincar comigo procurando defeitos nos meus livros preferidos, e foi mais ou menos simples: v\u00e1 l\u00e1, \u201cAda ou Ardor\u201d, de <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=vladimir-nabokov\">Nabokov<\/a>, o j\u00e1 citado <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1408\">\u201c2666\u201d<\/a>, de Roberto Bola\u00f1o, \u201cEm busca do tempo perdido\u201d, de <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=marcel-proust\">Marcel Proust<\/a>, a s\u00e9rie \u201cMinha luta\u201d, de <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=karl-ove-knausgard\">Karl Ove Knausgard<\/a> ou mesmo a poesia de <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?tag=georg-trakl\">Georg Trakl<\/a> t\u00eam l\u00e1 seus trechos chatos, normalmente ausentes das obras \u201cperfeitas\u201d.<\/p>\n<p>Enfim, tudo isso para falar que \u201cA ma\u00e7\u00e3 envenenada\u201d, do ga\u00facho Michel Laub (Companhia das Letras, 120 p\u00e1ginas, publicado originalmente em 2013), que conta basicamente a hist\u00f3ria do relacionamento atormentado entre o narrador da hist\u00f3ria e sua primeira namorada, sobre o qual o show do Nirvana em S\u00e3o Paulo em 1993 teve papel importante, \u00e9 basicamente uma rara hist\u00f3ria \u201cperfeita\u201d &#8211; e que li de uma sentada.<\/p>\n<p>Lindo demais.<\/p>\n<p><em>(foto de Michel Laub obtida no site da <a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/autor.php?codigo=01288\">Companhia das Letras<\/a>)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberto Bola\u00f1o, em seu monumental \u201c2666\u201d, escreveu algo (cito de mem\u00f3ria) no sentido de que um conto pode ser perfeito, mas um grande romance deve ter, por defini\u00e7\u00e3o, imperfei\u00e7\u00f5es e exageros \u2013 j\u00e1 que a vida n\u00e3o \u00e9 perfeita mesmo. \u00c9 interessante pensar nisso: algumas raras vezes eu termino de ler uma hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o e penso comigo: \u201cisso aqui foi perfeito\u201d. 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Enfim, tudo isso para falar que \u201cA ma\u00e7\u00e3 envenenada\u201d, do ga\u00facho Michel Laub (Companhia das Letras, 120 p\u00e1ginas, publicado originalmente em 2013), que conta basicamente a hist\u00f3ria do relacionamento atormentado entre o narrador da hist\u00f3ria e sua primeira namorada, sobre o qual o show do Nirvana em S\u00e3o Paulo em 1993 teve papel importante, \u00e9 basicamente uma rara hist\u00f3ria \u201cperfeita\u201d &#8211; e que li de uma sentada. Lindo demais. (foto de Michel Laub obtida no site da Companhia das Letras)<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4531,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[665,584],"class_list":["post-4530","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-michel-laub","tag-nirvana","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4530"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4530\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4536,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4530\/revisions\/4536"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}