{"id":4447,"date":"2020-09-06T20:18:26","date_gmt":"2020-09-06T23:18:26","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4447"},"modified":"2020-09-06T20:18:28","modified_gmt":"2020-09-06T23:18:28","slug":"bob-le-flambeur-bob-o-jogador-de-jean-pierre-melville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4447","title":{"rendered":"Bob le flamb\u00eaur (Bob, o jogador), de Jean-Pierre Melville"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/x2-576x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4448\" srcset=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/x2-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/x2-169x300.jpeg 169w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/x2.jpeg 720w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O g\u00eanero <em>polar<\/em>, \u00e0s vezes chamado de <em>noir franc\u00eas<\/em>,\n\u00e9 um estilo que come\u00e7ou baseado no filme noir americano<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>,\ne que continuou com grande sucesso at\u00e9 os anos 1980<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>.\nA Vers\u00e1til Home V\u00eddeo tem lan\u00e7ado caixas de DVDs de <em>noir franc\u00eas<\/em> \u2013 j\u00e1 est\u00e1\nno volume 5. <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 assisti a um n\u00famero razo\u00e1vel de filmes deste estilo fascinante, e confesso que tive um motivo de estranhamento com o ator que faz o personagem principal de \u201cBob le flamb\u00eaur\u201d (Bob, o jogador), de Jean-Pierre Melville, lan\u00e7ado em 1956. Explico: muitos desses filmes t\u00eam atores que aparecem  em mais de um deles \u2013 casos dos gigantes Jean Gabin e Alain Delon (que coestrelam o sensacional \u201cG\u00e2ngsteres de casaca\u201d, de 1953, inclusive). J\u00e1 Roger Duchesne \u00e9 o ator principal deste \u201cBob le flamb\u00eaur\u201d, e \u00e9 t\u00e3o expressivo que est\u00e1 na capa do volume 2 da s\u00e9rie da Vers\u00e1til, conforme se pode verificar na foto que acompanha este texto. Depois de assistir ao filme, estranhei mais ainda ele n\u00e3o estrelar outros filmes do g\u00eanero, j\u00e1 que a atua\u00e7\u00e3o dele tamb\u00e9m \u00e9 impressionante. \u201cBob le flamb\u00eaur\u201d conta a hist\u00f3ria de um g\u00e2ngster decadente com pouco mais de cinquenta anos que quer encerrar sua carreira no crime com um assalto espetacular \u2013 uma tem\u00e1tica semelhante a de outros filmes da \u00e9poca, inclusive.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta est\u00e1 nos extras da cole\u00e7\u00e3o da Vers\u00e1til, num\ndocument\u00e1rio chamado apropriadamente \u201cDi\u00e1rio de um vil\u00e3o\u201d, de Dominique Maillet.\nNele, o roteirista e escritor Thierry Crifo resume a vida de Roger Duchesne \u2013\ncujo nome verdadeiro era Roger Andr\u00e9 Charles Jordens -, que faz o Bob do t\u00edtulo\ndo filme Jean-Pierre Melville. O ator nasceu em 1906 em Luxeuil-les-Bains em\n1906 e faleceu em Mureaux no dia de Natal de 1996 \u2013 com noventa anos, portanto -,\nou seja, \u201ctanto no in\u00edcio quanto no fim da vida estava pr\u00f3ximo de uma roleta\u201d,\nno dizer de Thierry Crifo.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da Segunda Guerra, Duchesne escreveu cinco romances\npoliciais, mas n\u00e3o fez sucesso. Foi para o interior, ent\u00e3o, trabalhar como\nmec\u00e2nico \u2013 e \u00e9 at\u00e9 l\u00e1 que o diretor Jean-Pierre Melville vai para cham\u00e1-lo para\nestrelar \u201cBob le flamb\u00eaur\u201d. Por excesso de d\u00edvidas, os g\u00e2ngsteres da regi\u00e3o do\nPigalle, em Paris, n\u00e3o queriam deixar que Duchesne trabalhasse ali, e Melville\nteve que convencer os bandidos da regi\u00e3o do contr\u00e1rio. O filme foi lan\u00e7ado em\n1955, e em 1957 o ator trabalha novamente, em \u201cMarchands de filles\u201d, de Maurice\nCloche \u2013 e \u00e9 quando termina a carreira no cinema do ator, conhecido at\u00e9 hoje quase\nque exclusivamente por seu papel magn\u00edfico em \u201cBob le flamb\u00eaur\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que raz\u00e3o um ator deste n\u00edvel terminou sua carreira cinematogr\u00e1fica cerca de quarenta anos antes de sua morte? A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 dada tamb\u00e9m por Thierry Crifo no document\u00e1rio \u201cDi\u00e1rio de um vil\u00e3o\u201d: durante a ocupa\u00e7\u00e3o francesa, possivelmente por causa de d\u00edvidas de jogo, Duchesne foi um colaborador ativo da Carlingue, a Gestapo francesa \u2013 pode at\u00e9 ter torturado um membro da resist\u00eancia. Entre 1933 e 1943 ele tinha participado de mais de trinta filmes, \u201ccom pap\u00e9is secund\u00e1rios em filmes importantes, e pap\u00e9is principais em filmes de menor or\u00e7amento\u201d, ainda segundo Thierry Crifo. Depois da guerra, Duchesne ficou preso alguns meses por suas atividades de colaborador.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior ironia desta hist\u00f3ria tr\u00e1gica \u00e9 que o diretor Jean-Pierre\nMelville, que deu o grande papel da vida de Roger Duchesne, era judeu.<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.frenchfilms.org\/best-policiers.html\">http:\/\/www.frenchfilms.org\/best-policiers.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.rueducine.com\/cinema-policier-francais-de-1945-a-2015\/\">http:\/\/www.rueducine.com\/cinema-policier-francais-de-1945-a-2015\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O g\u00eanero polar, \u00e0s vezes chamado de noir franc\u00eas, \u00e9 um estilo que come\u00e7ou baseado no filme noir americano[1], e que continuou com grande sucesso at\u00e9 os anos 1980[2]. A Vers\u00e1til Home V\u00eddeo tem lan\u00e7ado caixas de DVDs de noir franc\u00eas \u2013 j\u00e1 est\u00e1 no volume 5. J\u00e1 assisti a um n\u00famero razo\u00e1vel de filmes deste estilo fascinante, e confesso que tive um motivo de estranhamento com o ator que faz o personagem principal de \u201cBob le flamb\u00eaur\u201d (Bob, o jogador), de Jean-Pierre Melville, lan\u00e7ado em 1956. Explico: muitos desses filmes t\u00eam atores que aparecem em mais de um deles \u2013 casos dos gigantes Jean Gabin e Alain Delon (que coestrelam o sensacional \u201cG\u00e2ngsteres de casaca\u201d, de 1953, inclusive). J\u00e1 Roger Duchesne \u00e9 o ator principal deste \u201cBob le flamb\u00eaur\u201d, e \u00e9 t\u00e3o expressivo que est\u00e1 na capa do volume 2 da s\u00e9rie da Vers\u00e1til, conforme se pode verificar na foto que acompanha este texto. Depois de assistir ao filme, estranhei mais ainda ele n\u00e3o estrelar outros filmes do g\u00eanero, j\u00e1 que a atua\u00e7\u00e3o dele tamb\u00e9m \u00e9 impressionante. \u201cBob le flamb\u00eaur\u201d conta a hist\u00f3ria de um g\u00e2ngster decadente com pouco mais de cinquenta anos que quer encerrar sua carreira no crime com um assalto espetacular \u2013 uma tem\u00e1tica semelhante a de outros filmes da \u00e9poca, inclusive. A resposta est\u00e1 nos extras da cole\u00e7\u00e3o da Vers\u00e1til, num document\u00e1rio chamado apropriadamente \u201cDi\u00e1rio de um vil\u00e3o\u201d, de Dominique Maillet. Nele, o roteirista e escritor Thierry Crifo resume a vida de Roger Duchesne \u2013 cujo nome verdadeiro era Roger Andr\u00e9 Charles Jordens -, que faz o Bob do t\u00edtulo do filme Jean-Pierre Melville. O ator nasceu em 1906 em Luxeuil-les-Bains em 1906 e faleceu em Mureaux no dia de Natal de 1996 \u2013 com noventa anos, portanto -, ou seja, \u201ctanto no in\u00edcio quanto no fim da vida estava pr\u00f3ximo de uma roleta\u201d, no dizer de Thierry Crifo. Depois da Segunda Guerra, Duchesne escreveu cinco romances policiais, mas n\u00e3o fez sucesso. Foi para o interior, ent\u00e3o, trabalhar como mec\u00e2nico \u2013 e \u00e9 at\u00e9 l\u00e1 que o diretor Jean-Pierre Melville vai para cham\u00e1-lo para estrelar \u201cBob le flamb\u00eaur\u201d. Por excesso de d\u00edvidas, os g\u00e2ngsteres da regi\u00e3o do Pigalle, em Paris, n\u00e3o queriam deixar que Duchesne trabalhasse ali, e Melville teve que convencer os bandidos da regi\u00e3o do contr\u00e1rio. O filme foi lan\u00e7ado em 1955, e em 1957 o ator trabalha novamente, em \u201cMarchands de filles\u201d, de Maurice Cloche \u2013 e \u00e9 quando termina a carreira no cinema do ator, conhecido at\u00e9 hoje quase que exclusivamente por seu papel magn\u00edfico em \u201cBob le flamb\u00eaur\u201d. Mas por que raz\u00e3o um ator deste n\u00edvel terminou sua carreira cinematogr\u00e1fica cerca de quarenta anos antes de sua morte? A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 dada tamb\u00e9m por Thierry Crifo no document\u00e1rio \u201cDi\u00e1rio de um vil\u00e3o\u201d: durante a ocupa\u00e7\u00e3o francesa, possivelmente por causa de d\u00edvidas de jogo, Duchesne foi um colaborador ativo da Carlingue, a Gestapo francesa \u2013 pode at\u00e9 ter torturado um membro da resist\u00eancia. Entre 1933 e 1943 ele tinha participado de mais de trinta filmes, \u201ccom pap\u00e9is secund\u00e1rios em filmes importantes, e pap\u00e9is principais em filmes de menor or\u00e7amento\u201d, ainda segundo Thierry Crifo. Depois da guerra, Duchesne ficou preso alguns meses por suas atividades de colaborador. A maior ironia desta hist\u00f3ria tr\u00e1gica \u00e9 que o diretor Jean-Pierre Melville, que deu o grande papel da vida de Roger Duchesne, era judeu. [1] http:\/\/www.frenchfilms.org\/best-policiers.html [2] http:\/\/www.rueducine.com\/cinema-policier-francais-de-1945-a-2015\/<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4448,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[647,648,649],"class_list":["post-4447","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinema","tag-jean-pierre-melville","tag-roger-duchesne","tag-versatil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4447","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4447"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4447\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4451,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4447\/revisions\/4451"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4448"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}