{"id":441,"date":"2015-03-11T00:57:53","date_gmt":"2015-03-11T00:57:53","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=441"},"modified":"2015-03-20T17:54:52","modified_gmt":"2015-03-20T17:54:52","slug":"bem-vindo-ao-clube-de-jonathan-coe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=441","title":{"rendered":"Bem-vindo ao clube, de Jonathan Coe"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que a d\u00e9cada de 70 na Inglaterra \u00e9 o personagem principal de <em>Bem-vindo ao clube<\/em>, de Jonathan Coe (Editora Record, 496 p\u00e1ginas). Contando as hist\u00f3rias de alguns estudantes \u2013 e alguns de seus pais \u2013 vivendo na cidade de Birmingham entre os anos de 1973 e 1979, o autor tra\u00e7a um bem-sucedido painel de uma \u00e9poca.<!--more--><\/p>\n<p>A Inglaterra mostrada por Coe \u00e9 um pa\u00eds que vive o fim de uma era, a era trabalhista. Os sindicatos, poderos\u00edssimos na d\u00e9cada anterior, come\u00e7avam a perder sua influ\u00eancia &#8211; num pren\u00fancio da derrota inapel\u00e1vel que viriam a sofrer na era Thatcher. A decad\u00eancia do\u00a0 trabalhismo, que levou a Inglaterra a uma forte decad\u00eancia econ\u00f4mica, \u00e9 mostrado principalmente nos problemas vividos pelo sindicato do personagem Bill Anderton, enquanto que o conservadorismo \u00e9 representado, entre outros, pelas id\u00e9ias do insuport\u00e1vel Paul, irm\u00e3o mais novo do personagem principal do livro, Ben Trotter \u2013 este um rapaz t\u00edmido, sens\u00edvel e bom aluno.<\/p>\n<p>O fim da era do rock progressivo, de longas e pretensiosas can\u00e7\u00f5es, e o in\u00edcio da era punk, com seus tr\u00eas acordes em m\u00fasicas de tr\u00eas minutos, n\u00e3o \u00e9 esquecido em <em>Bem-vindo ao clube<\/em>, principalmente numa passagem particularmente dram\u00e1tica: uma longa e estranha su\u00edte do personagem Phillip tem execu\u00e7\u00e3o simplesmente recusada pela sua banda por que o baterista e baixista, depois de pouco tempo tocando aquela m\u00fasica progressiva, come\u00e7aram a tocar insanamente um tema punk \u2013 no primeiro (e \u00fanico) ensaio do grupo.<\/p>\n<p>Os temas pol\u00eamicos dos movimentos pela independ\u00eancia da Irlanda do Norte e do Pa\u00eds de Gales tamb\u00e9m s\u00e3o mostrados por Jonathan Coe: enquanto que a irm\u00e3 de Ben fica perturbada mentalmente ap\u00f3s ver seu noivo ser assassinado brutalmente por uma bomba do IRA (Ex\u00e9rcito Republicano Irland\u00eas, organiza\u00e7\u00e3o terrorista e pol\u00edtica que luta pelo fim do dom\u00ednio brit\u00e2nico na Irlanda do Norte), o pr\u00f3prio Ben \u00e9 obrigado a ouvir um longo e violento discurso do tio de sua namorada &#8211; partid\u00e1rio da independ\u00eancia do Pa\u00eds de Gales &#8211; contra os ingleses.<\/p>\n<p>Mas <em>Bem-vindo ao clube<\/em> n\u00e3o seria t\u00e3o bom se se concentrasse apenas em mostrar um retrato da Inglaterra dos anos 70: a verdade \u00e9 que o livro de Jonathan Coe consegue prender a aten\u00e7\u00e3o do leitor da primeira \u00e0 \u00faltima p\u00e1gina tamb\u00e9m por diversas outras qualidades. O autor n\u00e3o se perde com o grande n\u00famero de personagens apresentados: praticamente todos \u2013 principais e secund\u00e1rios \u2013 s\u00e3o interessantes e coerentes, e a apari\u00e7\u00e3o deles raramente parece for\u00e7ada. O livro tamb\u00e9m apresenta algumas t\u00e9cnicas diferentes de narra\u00e7\u00e3o durante o seu desenrolar (por exemplo: em primeira e terceira pessoas; narrativas jornal\u00edstica e epistolar), mas sempre de forma justific\u00e1vel &#8211; al\u00e9m de n\u00e3o dificultar demais o trabalho do leitor.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que <em>Bem-vindo ao clube <\/em>\u00e9 um excelente livro, muito bem escrito \u2013 mas com um vi\u00e9s um pouco melanc\u00f3lico: d\u00e1 a impress\u00e3o, \u00e0s vezes, que Jonathan Coe parece saudoso da <em>velha Inglaterra<\/em>. Estou ansioso, ali\u00e1s, para ver se esta impress\u00e3o se confirma em <em>O C\u00edrculo Fechado <\/em>(lan\u00e7ado recentemente no exterior), a continua\u00e7\u00e3o de <em>Bem-vindo ao clube<\/em>, situando os mesmos personagens no final da d\u00e9cada de 90.<\/p>\n<p><em>(texto escrito no site <a href=\"https:\/\/www.google.com.br\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=1&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=0CB0QFjAA&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.mondobacana.com%2Fedicao-36-rem%2Fbem-vindo-ao-clube.html&amp;ei=sF4MVfbuFK7LsATahICACw&amp;usg=AFQjCNGaAuDGXTt0o0oC7ATcMrQiy3pqKg&amp;bvm=bv.88528373,d.cWc\">Mondo Bacana<\/a>, em 2008)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que a d\u00e9cada de 70 na Inglaterra \u00e9 o personagem principal de Bem-vindo ao clube, de Jonathan Coe (Editora Record, 496 p\u00e1ginas). 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