{"id":4403,"date":"2020-05-03T14:38:30","date_gmt":"2020-05-03T17:38:30","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4403"},"modified":"2020-05-03T14:38:32","modified_gmt":"2020-05-03T17:38:32","slug":"livros-sobre-o-nazismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4403","title":{"rendered":"Livros sobre o nazismo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"538\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/714QoMPq-kL-538x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4404\" srcset=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/714QoMPq-kL-538x1024.jpg 538w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/714QoMPq-kL-158x300.jpg 158w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/714QoMPq-kL-768x1462.jpg 768w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/714QoMPq-kL.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 538px) 100vw, 538px\" \/><figcaption>fonte: Amazon<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O regime nazista,\ncomandado por Adolf Hitler na Alemanha, foi um dos mais brutais de todos os\ntempos, sen\u00e3o o mais brutal: n\u00e3o s\u00f3 provocou a Segunda Guerra Mundial como\nassassinou friamente, fora dos campos de batalha, cerca de seis milh\u00f5es de\njudeus, quinhentos mil ciganos e cinco milh\u00f5es de pessoas de outras etnias.\nToda esta barb\u00e1rie ainda chama muito a aten\u00e7\u00e3o dos historiadores e do p\u00fablico\nem geral, e novos lan\u00e7amentos de hist\u00f3ria e de fic\u00e7\u00e3o abordam diferentes\naspectos do regime nacional-socialista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Falecido\nrecentemente, o historiador alem\u00e3o Joachim Fest escreveu aquela que \u00e9\nconsiderada por grande parte dos especialistas como a melhor de todas as\nbiografias de Adolf Hitler. O segundo volume desta obra foi relan\u00e7ado em 2006\n(o primeiro tinha sa\u00eddo em 2005): <em>Hitler &#8211; vol. 2 <\/em>&nbsp;(Nova Fronteira, 528 p\u00e1ginas). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro tomo\ncobria a vida de Hitler desde o seu nascimento at\u00e9 a posse como Chanceler\n(cargo equivalente ao Primeiro-Ministro de um pa\u00eds parlamentarista) alem\u00e3o, em 30\nde janeiro de 1933. <em>Hitler &#8211; vol. 2 <\/em>inicia-se nesta data e termina com a\nmorte do <em>F\u00fchrer<\/em> no seu bunker em Berlim, quando da derrota da Alemanha\nem 1945. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dois volumes\ndesta biografia s\u00e3o extremamente detalhados, precisos e bem escritos, fruto de\num trabalho s\u00e9rio e obsessivo do historiador. Merecem totalmente o imenso\nprest\u00edgio que obtiveram ao longo dos anos, desde a sua publica\u00e7\u00e3o na Alemanha\nem 1973.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o leitor leigo, uma boa introdu\u00e7\u00e3o ao modo nazista de pensar e de governar encontra-se em <em>It\u00e1lia Nazista e Alemanha Nazista <\/em>(Madras, 180 p\u00e1ginas), escrita pelo catedr\u00e1tico de Hist\u00f3ria Europeia Moderna da Universidade Estadual da Carolina do Norte Alexander J. De Grand. A obra faz uma compara\u00e7\u00e3o entre os regimes fascista da It\u00e1lia e nazista da Alemanha em rela\u00e7\u00e3o a assuntos como a marcha para o poder, os sistemas econ\u00f4micos, as comunidades, a cultura, os militares, a expans\u00e3o e a guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dificilmente\nalgu\u00e9m que n\u00e3o tenha ficado chocado com a barb\u00e1rie nazista n\u00e3o tenha algum dia\nse perguntado como estaria hoje o mundo se o Eixo &#8211; alian\u00e7a entre a Alemanha, a\nIt\u00e1lia e o Jap\u00e3o &#8211; tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial. Uma fantasia &#8211;\nt\u00e9trica, como n\u00e3o poderia deixar de ser &#8211; neste sentido foi criada pelo\nescritor de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Philip K. Dick no romance <em>O homem do castelo\nalto<\/em>, publicado originalmente em 1962 e apenas agora lan\u00e7ado no Brasil\n(Aleph, 304 p\u00e1ginas). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro mostra\ncomo seria o in\u00edcio dos anos sessenta ap\u00f3s a derrota dos Aliados. Neste\nassustador mundo fict\u00edcio, os japoneses governam a Costa Oeste dos Estados\nUnidos e a Alemanha, a Costa Leste. Hitler est\u00e1 t\u00e3o doente que j\u00e1 n\u00e3o tem mais\ncondi\u00e7\u00f5es de governar, e o ditador do Reich agora \u00e9 o antigo fiel escudeiro do\nex-<em>F\u00fchrer<\/em>, Martin Bormann. Os\ndirigentes nazistas (como sempre ocorrera, ali\u00e1s), travam ferozes lutas\ninternas por nacos de poder: com Heinrich Himmler j\u00e1 falecido, os mais\nimportantes mandat\u00e1rios alem\u00e3es s\u00e3o o ministro da aeron\u00e1utica e ex-vice premi\u00ea Hermann\nG\u00f6ring, o ministro da propaganda Joseph Goebbels, o ex-dirigente da juventude\nnazista, o moderado Baldur Von Schirach, e os cru\u00e9is Arthur Seyss-Inquart e Reinhard\nHeydrich \u2013 que, na fic\u00e7\u00e3o de Philip K. Dick, n\u00e3o tinha sido morto em\ndecorr\u00eancia de um atentado em Praga perpetrado por terroristas tchecos,\nconforme realmente ocorreu no ano de 1942. Na \u00c1frica, os nazistas promoveram um\nmonstruoso genoc\u00eddio contra a popula\u00e7\u00e3o negra e, em todo o mundo, d\u00e3o total\npublicidade ao assassinato em massa de judeus nas c\u00e2maras de g\u00e1s &#8211; que\ncontinua, claro, com todo o f\u00f4lego. Os eslavos que n\u00e3o s\u00e3o escravizados ou\nassassinados s\u00e3o mandados para regi\u00f5es distantes da Sib\u00e9ria. N\u00e3o satisfeitos em\ncolonizar a Terra, os alem\u00e3es mandam os primeiros seres humanos para Marte.\nAinda na parte tecnol\u00f3gica, os nazistas criam foguetes de linhas comerciais que\nfazem o trajeto Estados Unidos-Europa em menos de uma hora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O homem do\ncastelo alto <\/em>se passa na\nCosta Oeste dos Estados Unidos, na regi\u00e3o de San Francisco. No romance, os\namericanos s\u00e3o cidad\u00e3os de segunda classe, totalmente subjugados ao poder\njapon\u00eas, que \u00e9 bem menos agressivo que o correspondente nazista: o governo\nimperial permite alguma liberdade de imprensa e jamais perseguiu judeus. Os\njaponeses, al\u00e9m disso, admiram a cultura americana, apreciando o jazz e o\nblues, e colecionam objetos fabricados nos Estados Unidos no per\u00edodo anterior \u00e0\nSegunda Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro conta a hist\u00f3ria de alguns personagens &#8211; quase todos aficionados pelo milenar livro chin\u00eas de adivinha\u00e7\u00e3o, o <em>I Ching <\/em>&#8211; vivendo nesta Costa Oeste fict\u00edcia. O espi\u00e3o alem\u00e3o que quer, com grande risco de vida, passar informa\u00e7\u00f5es extremamente importantes para o governo japon\u00eas. O artes\u00e3o judeu que fez opera\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas e mudou seus documentos para esconder sua origem. A mulher problem\u00e1tica que namora um rapaz pretensamente italiano que ela acaba descobrindo ser um espi\u00e3o alem\u00e3o preparado para assassinar o escritor de um romance que contava a hist\u00f3ria de um mundo em que o Eixo perdeu a guerra. O comerciante americano de objetos antigos que est\u00e1 sempre querendo agradar os superiores japoneses. O burocrata japon\u00eas que sofre com as pol\u00edticas nazistas e com as guerras de espionagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O homem do\ncastelo alto <\/em>\u00e9 um livro\nsombrio e melanc\u00f3lico, e que gruda na mem\u00f3ria do leitor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a obra de\nPhilip K. Dick angustia quando trata de um tempo presente que poderia ter\nacontecido com a vit\u00f3ria alem\u00e3 na Segunda Guerra Mundial, <em>Di\u00e1rio de um\nskinhead &#8211; um infiltrado no movimento neonazista<\/em>, do jornalista espanhol\nAntonio Salas (Planeta, 280 p\u00e1ginas) assusta ao falar do nazismo &#8220;de\nverdade&#8221; nos dias atuais. &nbsp;O autor,\nque utilizou um pseud\u00f4nimo para assinar o livro por motivos \u00f3bvios, passou mais\nde um ano como infiltrado entre violentos <em>skinheads<\/em>\nespanh\u00f3is, sempre filmando tudo com uma c\u00e2mera escondida. O risco que ele\ncorreu nesta empreitada foi, obviamente, enorme, e o jornalista brasileiro Tim\nLopes, brutalmente assassinado por traficantes cariocas ao fazer uma reportagem\nsemelhante em 2002, \u00e9 citado no livro do espanhol para dar uma id\u00e9ia do perigo\nda situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para infiltrar-se na extrema-direita espanhola, Salas come\u00e7ou pelo maior meio de comunica\u00e7\u00e3o dos <em>skinheads<\/em> na atualidade: a internet. Ele demorou cerca de tr\u00eas meses \u2013 por seguran\u00e7a, sempre em <em>lan houses<\/em> &#8211; navegando por <em>chats<\/em> e <em>sites<\/em> nazistas, entrando em contato com pessoas do movimento, aprendendo sua g\u00edria especializada e seus c\u00f3digos de conduta, antes de pegar coragem e conhecer pessoalmente alguns de seus objetos de estudo. Como era de se esperar, para ser um infiltrado convincente ele rapou o cabelo, passou a se vestir como um <em>skinhead<\/em> e a defender (somente em p\u00fablico, claro) ideias nazistas. As muitas aventuras perigosas pelas quais Salas passou e os sentimentos \u2013 muitas vezes contradit\u00f3rios e surpreendentes \u2013 que ele teve neste empreitada perigosa s\u00e3o narrados com grande detalhe, resultando numa leitura de grande impacto na maior parte do tempo. Entre os resultados mais importantes da investiga\u00e7\u00e3o do jornalista est\u00e3o a descoberta das \u00edntimas liga\u00e7\u00f5es dos <em>skinheads<\/em> com os partidos legais de extrema-direita (que sempre negaram este contato) e com muitas torcidas organizadas do futebol espanhol \u2013 o que ajuda a explicar o recente aumento do racismo observado em arquibancadas europeias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>(textos publicados em 2006 na Revista Dominical do jornal O Estado do Paran\u00e1)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O regime nazista, comandado por Adolf Hitler na Alemanha, foi um dos mais brutais de todos os tempos, sen\u00e3o o mais brutal: n\u00e3o s\u00f3 provocou a Segunda Guerra Mundial como assassinou friamente, fora dos campos de batalha, cerca de seis milh\u00f5es de judeus, quinhentos mil ciganos e cinco milh\u00f5es de pessoas de outras etnias. Toda esta barb\u00e1rie ainda chama muito a aten\u00e7\u00e3o dos historiadores e do p\u00fablico em geral, e novos lan\u00e7amentos de hist\u00f3ria e de fic\u00e7\u00e3o abordam diferentes aspectos do regime nacional-socialista. Falecido recentemente, o historiador alem\u00e3o Joachim Fest escreveu aquela que \u00e9 considerada por grande parte dos especialistas como a melhor de todas as biografias de Adolf Hitler. O segundo volume desta obra foi relan\u00e7ado em 2006 (o primeiro tinha sa\u00eddo em 2005): Hitler &#8211; vol. 2 &nbsp;(Nova Fronteira, 528 p\u00e1ginas). O primeiro tomo cobria a vida de Hitler desde o seu nascimento at\u00e9 a posse como Chanceler (cargo equivalente ao Primeiro-Ministro de um pa\u00eds parlamentarista) alem\u00e3o, em 30 de janeiro de 1933. Hitler &#8211; vol. 2 inicia-se nesta data e termina com a morte do F\u00fchrer no seu bunker em Berlim, quando da derrota da Alemanha em 1945. Os dois volumes desta biografia s\u00e3o extremamente detalhados, precisos e bem escritos, fruto de um trabalho s\u00e9rio e obsessivo do historiador. Merecem totalmente o imenso prest\u00edgio que obtiveram ao longo dos anos, desde a sua publica\u00e7\u00e3o na Alemanha em 1973. Para o leitor leigo, uma boa introdu\u00e7\u00e3o ao modo nazista de pensar e de governar encontra-se em It\u00e1lia Nazista e Alemanha Nazista (Madras, 180 p\u00e1ginas), escrita pelo catedr\u00e1tico de Hist\u00f3ria Europeia Moderna da Universidade Estadual da Carolina do Norte Alexander J. De Grand. A obra faz uma compara\u00e7\u00e3o entre os regimes fascista da It\u00e1lia e nazista da Alemanha em rela\u00e7\u00e3o a assuntos como a marcha para o poder, os sistemas econ\u00f4micos, as comunidades, a cultura, os militares, a expans\u00e3o e a guerra. Dificilmente algu\u00e9m que n\u00e3o tenha ficado chocado com a barb\u00e1rie nazista n\u00e3o tenha algum dia se perguntado como estaria hoje o mundo se o Eixo &#8211; alian\u00e7a entre a Alemanha, a It\u00e1lia e o Jap\u00e3o &#8211; tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial. Uma fantasia &#8211; t\u00e9trica, como n\u00e3o poderia deixar de ser &#8211; neste sentido foi criada pelo escritor de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Philip K. Dick no romance O homem do castelo alto, publicado originalmente em 1962 e apenas agora lan\u00e7ado no Brasil (Aleph, 304 p\u00e1ginas). O livro mostra como seria o in\u00edcio dos anos sessenta ap\u00f3s a derrota dos Aliados. Neste assustador mundo fict\u00edcio, os japoneses governam a Costa Oeste dos Estados Unidos e a Alemanha, a Costa Leste. Hitler est\u00e1 t\u00e3o doente que j\u00e1 n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00f5es de governar, e o ditador do Reich agora \u00e9 o antigo fiel escudeiro do ex-F\u00fchrer, Martin Bormann. Os dirigentes nazistas (como sempre ocorrera, ali\u00e1s), travam ferozes lutas internas por nacos de poder: com Heinrich Himmler j\u00e1 falecido, os mais importantes mandat\u00e1rios alem\u00e3es s\u00e3o o ministro da aeron\u00e1utica e ex-vice premi\u00ea Hermann G\u00f6ring, o ministro da propaganda Joseph Goebbels, o ex-dirigente da juventude nazista, o moderado Baldur Von Schirach, e os cru\u00e9is Arthur Seyss-Inquart e Reinhard Heydrich \u2013 que, na fic\u00e7\u00e3o de Philip K. Dick, n\u00e3o tinha sido morto em decorr\u00eancia de um atentado em Praga perpetrado por terroristas tchecos, conforme realmente ocorreu no ano de 1942. Na \u00c1frica, os nazistas promoveram um monstruoso genoc\u00eddio contra a popula\u00e7\u00e3o negra e, em todo o mundo, d\u00e3o total publicidade ao assassinato em massa de judeus nas c\u00e2maras de g\u00e1s &#8211; que continua, claro, com todo o f\u00f4lego. Os eslavos que n\u00e3o s\u00e3o escravizados ou assassinados s\u00e3o mandados para regi\u00f5es distantes da Sib\u00e9ria. N\u00e3o satisfeitos em colonizar a Terra, os alem\u00e3es mandam os primeiros seres humanos para Marte. Ainda na parte tecnol\u00f3gica, os nazistas criam foguetes de linhas comerciais que fazem o trajeto Estados Unidos-Europa em menos de uma hora. O homem do castelo alto se passa na Costa Oeste dos Estados Unidos, na regi\u00e3o de San Francisco. No romance, os americanos s\u00e3o cidad\u00e3os de segunda classe, totalmente subjugados ao poder japon\u00eas, que \u00e9 bem menos agressivo que o correspondente nazista: o governo imperial permite alguma liberdade de imprensa e jamais perseguiu judeus. Os japoneses, al\u00e9m disso, admiram a cultura americana, apreciando o jazz e o blues, e colecionam objetos fabricados nos Estados Unidos no per\u00edodo anterior \u00e0 Segunda Guerra Mundial. O livro conta a hist\u00f3ria de alguns personagens &#8211; quase todos aficionados pelo milenar livro chin\u00eas de adivinha\u00e7\u00e3o, o I Ching &#8211; vivendo nesta Costa Oeste fict\u00edcia. O espi\u00e3o alem\u00e3o que quer, com grande risco de vida, passar informa\u00e7\u00f5es extremamente importantes para o governo japon\u00eas. O artes\u00e3o judeu que fez opera\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas e mudou seus documentos para esconder sua origem. A mulher problem\u00e1tica que namora um rapaz pretensamente italiano que ela acaba descobrindo ser um espi\u00e3o alem\u00e3o preparado para assassinar o escritor de um romance que contava a hist\u00f3ria de um mundo em que o Eixo perdeu a guerra. O comerciante americano de objetos antigos que est\u00e1 sempre querendo agradar os superiores japoneses. O burocrata japon\u00eas que sofre com as pol\u00edticas nazistas e com as guerras de espionagem. O homem do castelo alto \u00e9 um livro sombrio e melanc\u00f3lico, e que gruda na mem\u00f3ria do leitor. Se a obra de Philip K. Dick angustia quando trata de um tempo presente que poderia ter acontecido com a vit\u00f3ria alem\u00e3 na Segunda Guerra Mundial, Di\u00e1rio de um skinhead &#8211; um infiltrado no movimento neonazista, do jornalista espanhol Antonio Salas (Planeta, 280 p\u00e1ginas) assusta ao falar do nazismo &#8220;de verdade&#8221; nos dias atuais. &nbsp;O autor, que utilizou um pseud\u00f4nimo para assinar o livro por motivos \u00f3bvios, passou mais de um ano como infiltrado entre violentos skinheads espanh\u00f3is, sempre filmando tudo com uma c\u00e2mera escondida. O risco que ele correu nesta empreitada foi, obviamente, enorme, e o jornalista brasileiro Tim Lopes, brutalmente assassinado por traficantes cariocas ao fazer uma reportagem semelhante em 2002, \u00e9 citado no livro do espanhol para dar uma id\u00e9ia do perigo da situa\u00e7\u00e3o. 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