{"id":4395,"date":"2020-04-20T21:52:44","date_gmt":"2020-04-21T00:52:44","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4395"},"modified":"2020-04-20T21:57:29","modified_gmt":"2020-04-21T00:57:29","slug":"leituras-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4395","title":{"rendered":"Leituras na pandemia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/20200420_214348-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4396\" srcset=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/20200420_214348-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/20200420_214348-300x225.jpg 300w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/20200420_214348-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>foto do autor<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cO imp\u00e9rio de Hitler\u201d, do brit\u00e2nico Mark Mazower (Companhia\ndas Letras, 801 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Claudio Carina e Lucia Boldrini), conta o\nque os alem\u00e3es aprontaram em toda a Europa quando colonizaram grande parte do\ncontinente entre 1939 e 1945. O livro mostra que a ideologia racial nazista era\nmais importante que considera\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas ou econ\u00f4micas \u2013 e que isto acabou tendo\nimport\u00e2ncia fundamental na derrota do regime de Hitler em 1945.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o acho que a literatura deva defender posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 n\u00e3o explicitamente, pelo menos. \u201cA barata\u201d, de Ian McEwan (Companhia das Letras, 104 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de J\u00f3rio Dauster), faz exatamente isso: o livro, em que uma barata se transforma no primeiro-ministro ingl\u00eas (a alus\u00e3o \u00e0 \u201cMetamorfose\u201d, de Kafka, \u00e9 \u00f3bvia), \u00e9 declaradamente uma den\u00fancia contra o Brexit \u2013 como o posf\u00e1cio, escrito pelo autor, deixa muito claro. Mas o livro \u00e9 muito divertido e, como sempre no caso do grande escritor ingl\u00eas, \u00e9 extremamente bem escrito. <\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei sabendo depois de ter comprado o livro que \u201cBlade Runner\u201d, de Philip K Dick (Aleph, 283 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Ronaldo Bressane) se chamava inicialmente \u201cAndroides sonham com ovelhas el\u00e9tricas\u201d. Assisti ao filme baseado no livro muitos anos atr\u00e1s, e lembro que gostei muito. O romance &#8211; uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que conta a hist\u00f3ria de um ca\u00e7ador de androides que estavam causando perigo \u00e0s pessoas &#8211; n\u00e3o me impressionou tanto (creio que se ele tivesse metade do tamanho seria melhor). De todo modo, as discuss\u00f5es que o livro desperta &#8211; sobre consci\u00eancia, empatia e sobre o que, afinal, nos faz humanos \u2013 s\u00e3o muito interessantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Aparentemente, \u201cN\u00e3o me abandone jamais\u201d, do escritor Pr\u00eamio Nobel de Literatura de 2017, o ingl\u00eas Kazuo Ishiguro (Companhia das Letras, 343 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Beth Vieira), conta a hist\u00f3ria de uma escola na Inglaterra, com alunos vivendo as situa\u00e7\u00f5es normais da inf\u00e2ncia\/adolesc\u00eancia: o bullying, a amizade, a descoberta do sexo. Mas n\u00e3o \u00e9 bem isso. Melhor n\u00e3o contar mais nada, mas vou dar uma dica: se voc\u00ea quiser ler o livro, recomendo que nem leia as orelhas do romance, uma obra-prima assustadora publicada originalmente em 2005. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO imp\u00e9rio de Hitler\u201d, do brit\u00e2nico Mark Mazower (Companhia das Letras, 801 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Claudio Carina e Lucia Boldrini), conta o que os alem\u00e3es aprontaram em toda a Europa quando colonizaram grande parte do continente entre 1939 e 1945. O livro mostra que a ideologia racial nazista era mais importante que considera\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas ou econ\u00f4micas \u2013 e que isto acabou tendo import\u00e2ncia fundamental na derrota do regime de Hitler em 1945. N\u00e3o acho que a literatura deva defender posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 n\u00e3o explicitamente, pelo menos. \u201cA barata\u201d, de Ian McEwan (Companhia das Letras, 104 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de J\u00f3rio Dauster), faz exatamente isso: o livro, em que uma barata se transforma no primeiro-ministro ingl\u00eas (a alus\u00e3o \u00e0 \u201cMetamorfose\u201d, de Kafka, \u00e9 \u00f3bvia), \u00e9 declaradamente uma den\u00fancia contra o Brexit \u2013 como o posf\u00e1cio, escrito pelo autor, deixa muito claro. Mas o livro \u00e9 muito divertido e, como sempre no caso do grande escritor ingl\u00eas, \u00e9 extremamente bem escrito. Fiquei sabendo depois de ter comprado o livro que \u201cBlade Runner\u201d, de Philip K Dick (Aleph, 283 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Ronaldo Bressane) se chamava inicialmente \u201cAndroides sonham com ovelhas el\u00e9tricas\u201d. Assisti ao filme baseado no livro muitos anos atr\u00e1s, e lembro que gostei muito. O romance &#8211; uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que conta a hist\u00f3ria de um ca\u00e7ador de androides que estavam causando perigo \u00e0s pessoas &#8211; n\u00e3o me impressionou tanto (creio que se ele tivesse metade do tamanho seria melhor). De todo modo, as discuss\u00f5es que o livro desperta &#8211; sobre consci\u00eancia, empatia e sobre o que, afinal, nos faz humanos \u2013 s\u00e3o muito interessantes. Aparentemente, \u201cN\u00e3o me abandone jamais\u201d, do escritor Pr\u00eamio Nobel de Literatura de 2017, o ingl\u00eas Kazuo Ishiguro (Companhia das Letras, 343 p\u00e1ginas, tradu\u00e7\u00e3o de Beth Vieira), conta a hist\u00f3ria de uma escola na Inglaterra, com alunos vivendo as situa\u00e7\u00f5es normais da inf\u00e2ncia\/adolesc\u00eancia: o bullying, a amizade, a descoberta do sexo. Mas n\u00e3o \u00e9 bem isso. 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