{"id":4222,"date":"2019-10-20T14:20:16","date_gmt":"2019-10-20T17:20:16","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4222"},"modified":"2019-10-20T14:20:19","modified_gmt":"2019-10-20T17:20:19","slug":"longe-das-aldeias-de-robertson-frizero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4222","title":{"rendered":"&#8220;Longe das Aldeias&#8221;, de Robertson Frizero"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/10446104_810521465627827_3768857520574550274_o-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4223\" srcset=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/10446104_810521465627827_3768857520574550274_o-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/10446104_810521465627827_3768857520574550274_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/10446104_810521465627827_3768857520574550274_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/10446104_810521465627827_3768857520574550274_o.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>fonte: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/robertsonfrizero\/photos\/a.810521438961163\/810521465627827\/?type=1&amp;theater\">Facebook<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> S\u00e3o tantas as qualidades de \u201cLonge das Aldeias\u201d, de <a href=\"http:\/\/www.frizero.com.br\/\">Robertson Frizero<\/a> (77 p\u00e1ginas, Terceiro Selo, lan\u00e7ado em 2015), que \u00e9 at\u00e9 meio dif\u00edcil saber por qual come\u00e7o.\u00a0 De todo modo, vamos l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira coisa que me chamou a aten\u00e7\u00e3o no romance \u00e9 o <em>n\u00e3o dito<\/em>: \u00e9 impressionante a quantidade de coisas que n\u00e3o s\u00e3o expl\u00edcitas. Li \u201cLonge das Aldeias\u201d com a sensa\u00e7\u00e3o de que estava numa esp\u00e9cie de labirinto, em que alguns caminhos levavam a lugar nenhum, enquanto outros, efetivamente, faziam aumentar a compreens\u00e3o de onde eu estava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acho que o segundo aspecto que me chamou a aten\u00e7\u00e3o no romance \u00e9 o fato de ele ser <em>exatamente o contr\u00e1rio <\/em>do que eu esperava: conheci Robertson Frizero num grupo (de e-mails, est\u00e1vamos no fim dos anos 90!) sobre a banda portuguesa Madredeus, que eu amava incondicionalmente, hoje um tantinho a menos, e que o Robertson continua amando do mesmo jeito de sempre (sou meio traidor para m\u00fasica, meus amigos sabem disso).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bem, o neg\u00f3cio \u00e9 que um livro chamado \u201cLonge das Aldeias\u201d, de um escritor f\u00e3 de Madredeus, na minha cabe\u00e7a deveria ser um livro buc\u00f3lico, que trataria da beleza e da melancolia de uma aldeia em Portugal, cheio de saudade, mar, e amor \u2013 temas caros \u00e0 grande banda portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que nada! \u201cLonge das Aldeias\u201d fala de guerra, de genoc\u00eddio, de sofrimento e fam\u00edlias destro\u00e7adas \u2013 e tudo daquela maneira elusiva comentada acima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o romance \u00e9 grande literatura n\u00e3o apenas por causa do comentado acima: a solu\u00e7\u00e3o que Robertson Frizero d\u00e1 para os conflitos \u00e9 brilhante, digna dos grandes mestres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meses depois que acabei de ler esta pequena obra-prima, ainda fico impressionado em com o quanto de coisas o autor conseguiu colocar em apenas 77 p\u00e1ginas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, finalmente, voc\u00ea, que me l\u00ea, deve estar achando que n\u00e3o falei nada sobre o enredo, n\u00e9? Fato. \u00c9 uma homenagem: uma resenha elusiva para uma obra-prima elusiva!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o tantas as qualidades de \u201cLonge das Aldeias\u201d, de Robertson Frizero (77 p\u00e1ginas, Terceiro Selo, lan\u00e7ado em 2015), que \u00e9 at\u00e9 meio dif\u00edcil saber por qual come\u00e7o.\u00a0 De todo modo, vamos l\u00e1. A primeira coisa que me chamou a aten\u00e7\u00e3o no romance \u00e9 o n\u00e3o dito: \u00e9 impressionante a quantidade de coisas que n\u00e3o s\u00e3o expl\u00edcitas. Li \u201cLonge das Aldeias\u201d com a sensa\u00e7\u00e3o de que estava numa esp\u00e9cie de labirinto, em que alguns caminhos levavam a lugar nenhum, enquanto outros, efetivamente, faziam aumentar a compreens\u00e3o de onde eu estava. Acho que o segundo aspecto que me chamou a aten\u00e7\u00e3o no romance \u00e9 o fato de ele ser exatamente o contr\u00e1rio do que eu esperava: conheci Robertson Frizero num grupo (de e-mails, est\u00e1vamos no fim dos anos 90!) sobre a banda portuguesa Madredeus, que eu amava incondicionalmente, hoje um tantinho a menos, e que o Robertson continua amando do mesmo jeito de sempre (sou meio traidor para m\u00fasica, meus amigos sabem disso).&nbsp; Bem, o neg\u00f3cio \u00e9 que um livro chamado \u201cLonge das Aldeias\u201d, de um escritor f\u00e3 de Madredeus, na minha cabe\u00e7a deveria ser um livro buc\u00f3lico, que trataria da beleza e da melancolia de uma aldeia em Portugal, cheio de saudade, mar, e amor \u2013 temas caros \u00e0 grande banda portuguesa. Que nada! \u201cLonge das Aldeias\u201d fala de guerra, de genoc\u00eddio, de sofrimento e fam\u00edlias destro\u00e7adas \u2013 e tudo daquela maneira elusiva comentada acima. E o romance \u00e9 grande literatura n\u00e3o apenas por causa do comentado acima: a solu\u00e7\u00e3o que Robertson Frizero d\u00e1 para os conflitos \u00e9 brilhante, digna dos grandes mestres.&nbsp; Meses depois que acabei de ler esta pequena obra-prima, ainda fico impressionado em com o quanto de coisas o autor conseguiu colocar em apenas 77 p\u00e1ginas. E, finalmente, voc\u00ea, que me l\u00ea, deve estar achando que n\u00e3o falei nada sobre o enredo, n\u00e9? 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