{"id":4087,"date":"2019-07-07T16:47:28","date_gmt":"2019-07-07T19:47:28","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4087"},"modified":"2019-07-07T16:49:23","modified_gmt":"2019-07-07T19:49:23","slug":"joao-gilberto-1931-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=4087","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Gilberto (1931-2019)"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"615\" src=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/xGettyImages-108384891-1.jpg.pagespeed.ic_.Cmbu3FX1YH-1024x615.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4088\" srcset=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/xGettyImages-108384891-1.jpg.pagespeed.ic_.Cmbu3FX1YH-1024x615.jpg 1024w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/xGettyImages-108384891-1.jpg.pagespeed.ic_.Cmbu3FX1YH-300x180.jpg 300w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/xGettyImages-108384891-1.jpg.pagespeed.ic_.Cmbu3FX1YH-768x461.jpg 768w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/xGettyImages-108384891-1.jpg.pagespeed.ic_.Cmbu3FX1YH.jpg 1086w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Jo\u00e3o Gilberto: <a href=\"https:\/\/epoca.globo.com\/guilherme-amado\/morre-cantor-compositor-joao-gilberto-23789346\">Revista \u00c9poca<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O meu professor de viol\u00e3o amava Jo\u00e3o Gilberto de uma maneira\nque eu achava meio incompreens\u00edvel: ele me mostrava, vibrando, aqueles acordes\ndissonantes que s\u00f3 mesmo o baiano genial conseguia criar. Aquilo fazia pouco\nsentido para mim, mas eu tentava: comprei alguns discos, e at\u00e9 gravei em\ncassete um show de Jo\u00e3o Gilberto que passou na TV. Mas n\u00e3o conseguia entender o\nque ele tinha de t\u00e3o genial. <\/p>\n\n\n\n<p>Tudo mudou quando fiz um est\u00e1gio onde tocava a R\u00e1dio Ouro Verde o dia inteiro. Foi s\u00f3 ent\u00e3o que percebi que as mesmas m\u00fasicas interpretadas por outros cantores e pelo Jo\u00e3o Gilberto eram completamente diferentes: o baiano conseguia fazer algo perfeito, direto, sem um resqu\u00edcio de brega. Sim, a explica\u00e7\u00e3o de por que o Jo\u00e3o Gilberto \u00e9 melhor que os outros \u00e9 complicada para quem, como eu, n\u00e3o entende de t\u00e9cnica musical. J\u00e1 li alguns cr\u00edticos elogiando a maneira como ele fazia as frases, essas coisas; <a href=\"https:\/\/cultura.estadao.com.br\/noticias\/musica,tinhamos-que-estar-prevenidos-para-o-dia-em-que-joao-gilberto-nao-estivesse-mais-aqui,70002908940?fbclid=IwAR01rYYjnbjOECpfZnY9Nvxn7bBV_Ew5ev_ScCLnRbDpLQSPFSzOscfYz2s\">Zuza Homem de Mello<\/a>, por exemplo, escreveu ontem (obrigado, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fabetinha\">F\u00e1bio Bianchini<\/a>) que <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cOuvir Jo\u00e3o Gilberto requer aprendizado. Requer concentra\u00e7\u00e3o apurad\u00edssima para se usufruir de tudo ao mesmo tempo: precis\u00e3o microm\u00e9trica do viol\u00e3o, a identifica\u00e7\u00e3o das notas formando acordes, as sutis altera\u00e7\u00f5es harm\u00f4nicas, o balan\u00e7o r\u00edtmico irresist\u00edvel, a destreza de seus dedos acertando as cordas do bra\u00e7o do viol\u00e3o, a posi\u00e7\u00e3o da m\u00e3o direita no jogo de vai e vem, a justeza equilibrada entre o volume do instrumento e da voz, a dic\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel, a emiss\u00e3o na medida certa, a min\u00facia das quase impercept\u00edveis mudan\u00e7as na divis\u00e3o, as defasagens r\u00edtmicas e altera\u00e7\u00f5es mel\u00f3dicas, a arg\u00facia dos sil\u00eancios, a supress\u00e3o do sup\u00e9rfluo, a valoriza\u00e7\u00e3o dos esses, dos erres, das consoantes e vogais; do sentido das palavras, das profundas notas graves, a capacidade de fazer vir \u00e0 tona a inten\u00e7\u00e3o do verso, a delicadeza em mostrar a m\u00fasica como nunca se ouviu antes.\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O trecho reproduzido acima faz pouco sentido para mim, sou\nobrigado a reconhecer. S\u00f3 sei que Jo\u00e3o Gilberto cantava muito melhor que os\noutros, embora n\u00e3o saiba explicar bem por qu\u00ea. N\u00e3o importa.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu fui um viciado intermitente por sua m\u00fasica: lembro, por exemplo, quando a Val\u00e9ria se queixou de que n\u00e3o aguentava mais ouvir aquele CD de MP3 s\u00f3 com m\u00fasicas de Jo\u00e3o Gilberto no carro; ou quando eu comprava a revista Veja antes de ir para a faculdade, lia quase inteira no carro mesmo, ouvindo a fita de \u201cJo\u00e3o\u201d, o disco de 1991; consegui at\u00e9 ir num show dele, muito tenso, e que descrevi <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1854\">aqui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora ele morreu, ficamos um pouco \u00f3rf\u00e3os, mas com esperan\u00e7a\nde que algu\u00e9m libere alguma grava\u00e7\u00e3o de show, ou de telefone mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Descanse em paz, g\u00eanio da ra\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O meu professor de viol\u00e3o amava Jo\u00e3o Gilberto de uma maneira que eu achava meio incompreens\u00edvel: ele me mostrava, vibrando, aqueles acordes dissonantes que s\u00f3 mesmo o baiano genial conseguia criar. Aquilo fazia pouco sentido para mim, mas eu tentava: comprei alguns discos, e at\u00e9 gravei em cassete um show de Jo\u00e3o Gilberto que passou na TV. Mas n\u00e3o conseguia entender o que ele tinha de t\u00e3o genial. Tudo mudou quando fiz um est\u00e1gio onde tocava a R\u00e1dio Ouro Verde o dia inteiro. Foi s\u00f3 ent\u00e3o que percebi que as mesmas m\u00fasicas interpretadas por outros cantores e pelo Jo\u00e3o Gilberto eram completamente diferentes: o baiano conseguia fazer algo perfeito, direto, sem um resqu\u00edcio de brega. Sim, a explica\u00e7\u00e3o de por que o Jo\u00e3o Gilberto \u00e9 melhor que os outros \u00e9 complicada para quem, como eu, n\u00e3o entende de t\u00e9cnica musical. J\u00e1 li alguns cr\u00edticos elogiando a maneira como ele fazia as frases, essas coisas; Zuza Homem de Mello, por exemplo, escreveu ontem (obrigado, F\u00e1bio Bianchini) que \u201cOuvir Jo\u00e3o Gilberto requer aprendizado. Requer concentra\u00e7\u00e3o apurad\u00edssima para se usufruir de tudo ao mesmo tempo: precis\u00e3o microm\u00e9trica do viol\u00e3o, a identifica\u00e7\u00e3o das notas formando acordes, as sutis altera\u00e7\u00f5es harm\u00f4nicas, o balan\u00e7o r\u00edtmico irresist\u00edvel, a destreza de seus dedos acertando as cordas do bra\u00e7o do viol\u00e3o, a posi\u00e7\u00e3o da m\u00e3o direita no jogo de vai e vem, a justeza equilibrada entre o volume do instrumento e da voz, a dic\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel, a emiss\u00e3o na medida certa, a min\u00facia das quase impercept\u00edveis mudan\u00e7as na divis\u00e3o, as defasagens r\u00edtmicas e altera\u00e7\u00f5es mel\u00f3dicas, a arg\u00facia dos sil\u00eancios, a supress\u00e3o do sup\u00e9rfluo, a valoriza\u00e7\u00e3o dos esses, dos erres, das consoantes e vogais; do sentido das palavras, das profundas notas graves, a capacidade de fazer vir \u00e0 tona a inten\u00e7\u00e3o do verso, a delicadeza em mostrar a m\u00fasica como nunca se ouviu antes.\u201d O trecho reproduzido acima faz pouco sentido para mim, sou obrigado a reconhecer. S\u00f3 sei que Jo\u00e3o Gilberto cantava muito melhor que os outros, embora n\u00e3o saiba explicar bem por qu\u00ea. N\u00e3o importa. Eu fui um viciado intermitente por sua m\u00fasica: lembro, por exemplo, quando a Val\u00e9ria se queixou de que n\u00e3o aguentava mais ouvir aquele CD de MP3 s\u00f3 com m\u00fasicas de Jo\u00e3o Gilberto no carro; ou quando eu comprava a revista Veja antes de ir para a faculdade, lia quase inteira no carro mesmo, ouvindo a fita de \u201cJo\u00e3o\u201d, o disco de 1991; consegui at\u00e9 ir num show dele, muito tenso, e que descrevi aqui. Agora ele morreu, ficamos um pouco \u00f3rf\u00e3os, mas com esperan\u00e7a de que algu\u00e9m libere alguma grava\u00e7\u00e3o de show, ou de telefone mesmo. 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