{"id":3984,"date":"2019-02-17T15:28:00","date_gmt":"2019-02-17T18:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3984"},"modified":"2019-02-17T15:28:03","modified_gmt":"2019-02-17T18:28:03","slug":"o-cavaleiro-inexistente-de-italo-calvino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3984","title":{"rendered":"&#8220;O cavaleiro inexistente&#8221;, de Italo Calvino"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"766\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/14-766x1024-766x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3985\" srcset=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/14-766x1024.jpg 766w, https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/14-766x1024-224x300.jpg 224w\" sizes=\"(max-width: 766px) 100vw, 766px\" \/><figcaption>fonte: <a href=\"http:\/\/bookhaven.stanford.edu\/tag\/italo-calvino\/\">Stanford University<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agilulfo \u00e9 um cavaleiro medieval do ex\u00e9rcito de Carlos Magno que porta o tempo todo uma armadura branca \u2013 o tempo todo <em>mesmo<\/em>, j\u00e1 que ele n\u00e3o existe. Quando abre a viseira do elmo, \u00e9 o vazio que os demais veem dentro da armadura sempre imaculada. Agilulfo n\u00e3o se alimenta, nunca dorme e \u00e9 um cavaleiro extremamente compenetrado, corajoso e detalhista. Seu escudeiro teve v\u00e1rios nomes, conforme o lugar do mundo em que morou, e agora \u00e9 chamado de Gurdulu. Ele \u00e9 deficiente mental, tem uma for\u00e7a descomunal e um excelente car\u00e1ter \u2013 todo mundo gosta dele. Rambaldo \u00e9 um jovem que quer lutar nas batalhas contra os \u201cinfi\u00e9is\u201d mu\u00e7ulmanos para matar o emir Isoarre e assim vingar a morte do pai, o marqu\u00eas de Rossiglione. Brabante \u00e9 uma mulher que luta juntamente com os homens, gosta de fazer sexo com os demais soldados e se apaixona por Agilulfo. J\u00e1 Torrismundo \u00e9 um jovem cavaleiro que diz ter provas de que o cavaleiro inexistente n\u00e3o defendeu a virgindade de uma donzela quinze anos antes \u2013 defesa esta que permitiu a Agilulfo o t\u00edtulo de paladino de Carlos Magno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os personagens acima s\u00e3o os principais de \u201cO cavaleiro\ninexistente\u201d (Companhia das Letras, 118 p\u00e1ginas), romance escrito em 1959 pelo\nescritor italiano Italo Calvino (1923-1985). Sobre o livro, <a href=\"https:\/\/fgusmaocouching.blogs.sapo.pt\/4468.html\">Fernando A. R. de Gusm\u00e3o<\/a>\nescreve, por exemplo, que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c(&#8230;) Em outra\nvertente, Agilulfo \u00e9, tamb\u00e9m, o homem p\u00f3s-moderno, fracassado em seu projeto de\nser algu\u00e9m, de ser um ser espec\u00edfico, passando toda a vida como sujeito\npotencial, sempre reprimido, somente Ser enquanto subordinado aos interesses do\nOutro &#8211; social. Nesse sentido, podemos perceb\u00ea-lo, tamb\u00e9m, como um ser-vitrine\nda atual sociedade\/espet\u00e1culo, perdido em sua exterioridade, vivendo fun\u00e7\u00e3o de\numa contemporaneidade artificial, descart\u00e1vel, que se cumpre na celeridade e na\nimpessoalidade do fast-food, na qual ele n\u00e3o passa de mais um\npassante\/int\u00e9rprete\/plateia do shopping\/moda.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo bem, nada contra. S\u00f3 que eu, por outro lado, n\u00e3o percebi sentido nenhum em \u201cO cavaleiro inexistente\u201d, que acho que seria um livro at\u00e9 divertido se tivesse apenas um quinto do seu tamanho. Do jeito que foi escrito, suas mais de cem p\u00e1ginas demoram uma eternidade para passar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agilulfo \u00e9 um cavaleiro medieval do ex\u00e9rcito de Carlos Magno que porta o tempo todo uma armadura branca \u2013 o tempo todo mesmo, j\u00e1 que ele n\u00e3o existe. 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J\u00e1 Torrismundo \u00e9 um jovem cavaleiro que diz ter provas de que o cavaleiro inexistente n\u00e3o defendeu a virgindade de uma donzela quinze anos antes \u2013 defesa esta que permitiu a Agilulfo o t\u00edtulo de paladino de Carlos Magno. Os personagens acima s\u00e3o os principais de \u201cO cavaleiro inexistente\u201d (Companhia das Letras, 118 p\u00e1ginas), romance escrito em 1959 pelo escritor italiano Italo Calvino (1923-1985). Sobre o livro, Fernando A. R. de Gusm\u00e3o escreve, por exemplo, que: \u201c(&#8230;) Em outra vertente, Agilulfo \u00e9, tamb\u00e9m, o homem p\u00f3s-moderno, fracassado em seu projeto de ser algu\u00e9m, de ser um ser espec\u00edfico, passando toda a vida como sujeito potencial, sempre reprimido, somente Ser enquanto subordinado aos interesses do Outro &#8211; social. Nesse sentido, podemos perceb\u00ea-lo, tamb\u00e9m, como um ser-vitrine da atual sociedade\/espet\u00e1culo, perdido em sua exterioridade, vivendo fun\u00e7\u00e3o de uma contemporaneidade artificial, descart\u00e1vel, que se cumpre na celeridade e na impessoalidade do fast-food, na qual ele n\u00e3o passa de mais um passante\/int\u00e9rprete\/plateia do shopping\/moda.\u201d Tudo bem, nada contra. S\u00f3 que eu, por outro lado, n\u00e3o percebi sentido nenhum em \u201cO cavaleiro inexistente\u201d, que acho que seria um livro at\u00e9 divertido se tivesse apenas um quinto do seu tamanho. 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