{"id":3943,"date":"2019-01-13T14:18:30","date_gmt":"2019-01-13T17:18:30","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3943"},"modified":"2019-01-13T14:18:30","modified_gmt":"2019-01-13T17:18:30","slug":"antologia-poetica-de-anna-akhmatova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3943","title":{"rendered":"\u201cAntologia Po\u00e9tica\u201d, de Anna Akhm\u00e1tova"},"content":{"rendered":"<p>A poetisa russa Anna Akhm\u00e1tova nasceu num sub\u00farbio de Odessa, em 1889, e faleceu em 1966, em Moscou. Morou a vida toda na R\u00fassia, e era considerada uma das melhores e mais populares poetisas do pa\u00eds.<!--more--><\/p>\n<p>S\u00e3o informa\u00e7\u00f5es simples, mas impressionantes: sim, ela passou pela Revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro de 1917, pela de outubro do mesmo ano, pelo Grande Terror (1936-1938) do governo St\u00e1lin (que foi de 1924 a 1953), pelo processo de \u201cdesestaliniza\u00e7\u00e3o\u201d de Khrushchov (cujo governo foi de 1953 a 1964) e, finalmente, pelo in\u00edcio do governo de Leonid Brejnev (1964-1982).<\/p>\n<p>Assim como tantos artistas de primeiro time, Anna Akhmat\u00f3va sofreu muito nas m\u00e3os de St\u00e1lin: seu primeiro marido foi fuzilado, seu terceiro marido morreu num campo de concentra\u00e7\u00e3o, e seu filho foi preso. Mesmo assim, como comentamos antes, ela nunca saiu da R\u00fassia \u2013 mais do que isso, ela <i>nunca quis sair da R\u00fassia<\/i>: inclusive, em muitas de suas poesias, ela se queixa de outros poetas que n\u00e3o quiseram permanecer no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esta \u201cAntologia Po\u00e9tica\u201d, publicada pela L&amp;PM (208 p\u00e1ginas), cuja sele\u00e7\u00e3o de poemas ficou a cargo de Lauro Machado Coelho, apresenta poesias selecionadas de Anna Akhmat\u00f3va em ordem cronol\u00f3gica \u2013 o que ajuda o leitor a acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o da poetisa \u2013 e com notas que situam os poemas no contexto hist\u00f3rico da \u00e9poca. Sua obra \u00e9 frequentemente melanc\u00f3lica, raramente irada, e quase sempre bel\u00edssima \u2013 como no exemplo abaixo, retirado do livro \u201cRevoada Branca\u201d. Segundo Lauro Machado Coelho, o poema fala do \u201cmomento em que Anna se preparava para se afastar definitivamente de [seu amigo] Bor\u00eds Anrep, que ia emigrar\u201d &#8211; ela, como vimos, jamais emigrou.<\/p>\n<blockquote><p><i>\u201cN\u00e3o somos bons de despedidas. \/ <\/i><i>Passeamos lado a lado, os ombros tocando-se. \/ <\/i><i>J\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando a escurecer. \/ <\/i><i>Est\u00e1s pensativo, eu n\u00e3o digo nada. \/\/ <\/i><i>Entramos nesta igreja para ver \/ <\/i><i>algu\u00e9m sendo enterrado, batizado, se casando; \/ <\/i><i>depois vamos embora, sem olhar um para o outro. \/ <\/i><i>Por que \u00e9 que para n\u00f3s nada d\u00e1 certo? \/\/ <\/i><i>Vamos sentar na neve pisoteada \/ <\/i><i>do cemit\u00e9rio, suspirando de leve. \/ <\/i><i>Com a ponta da bengala, tra\u00e7ar\u00e1s pal\u00e1cios \/ <\/i><i>em que viveremos felizes para sempre.\u201d<\/i><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poetisa russa Anna Akhm\u00e1tova nasceu num sub\u00farbio de Odessa, em 1889, e faleceu em 1966, em Moscou. 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