{"id":3827,"date":"2018-09-02T12:42:49","date_gmt":"2018-09-02T15:42:49","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3827"},"modified":"2018-09-02T12:43:55","modified_gmt":"2018-09-02T15:43:55","slug":"trecho-do-meu-livro-memorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3827","title":{"rendered":"Trecho do meu livro &#8220;Mem\u00f3rias&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center\"><a name=\"_Toc522029010\"><\/a><a name=\"_Toc519348166\"><\/a>IX<\/h2>\n<p>Abre-fecha \u00e9 um tipo de origami usado pelas crian\u00e7as para brincar. \u00c9 um neg\u00f3cio complexo que, quando manipulado, t\u00eam abertos alternadamente quatro compartimentos \u2013 cada um deles ocultando uma diferente possibilidade. De modo que s\u00e3o oito reparti\u00e7\u00f5es no total, e a crian\u00e7a que est\u00e1 mexendo na geringon\u00e7a vai abrindo o brinquedo e a outra escolhe uma das oito possibilidades ocultas. Podem ser frutas, n\u00fameros, animais, plantas.<\/p>\n<p>O garoto se chamava Paulo e, depois das f\u00e9rias, trouxe v\u00e1rios abre-fechas para os amigos. Perguntei onde estava o meu. \u201cPara voc\u00ea n\u00e3o tem\u201d, me respondeu Paulo, na maior desfa\u00e7atez. Aposto que ficou at\u00e9 indignado com a minha pergunta.<\/p>\n<p>Eu detestava ir para aula. Aquelas horas todas eram uma agonia sem fim. Nada do que os professores falavam me interessava, tudo era chato, tudo era desinteressante. As f\u00e9rias come\u00e7avam, normalmente, em dezembro, e terminavam no final de fevereiro. A minha depress\u00e3o come\u00e7ava no in\u00edcio de fevereiro e ia aumentando at\u00e9 o final do m\u00eas \u2013 quando ent\u00e3o a tristeza chegava ao m\u00e1ximo na minha pobre cabe\u00e7a de estudante. Eu detestava tanto ir para aula que todos os domingos ficava deprimido, e o in\u00edcio do Fant\u00e1stico era um momento de tristeza profunda. Quando eu ia para cama, finalmente, sofria horrivelmente com o pesado sil\u00eancio que desabava l\u00e1 em casa. Ouvia um e outro carro fazendo pega nas proximidades, e a lembran\u00e7a do som do carro andando velozmente numa cidade vazia me d\u00e1 tristeza at\u00e9 hoje.<!--more--><\/p>\n<p>Custava me trazer um abre-fecha para minorar minha dor, Paulo?<\/p>\n<p><em>(link da foto: <a href=\"http:\/\/www.adrianasuzuki.com.br\">http:\/\/www.adrianasuzuki.com.br<\/a>)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IX Abre-fecha \u00e9 um tipo de origami usado pelas crian\u00e7as para brincar. \u00c9 um neg\u00f3cio complexo que, quando manipulado, t\u00eam abertos alternadamente quatro compartimentos \u2013 cada um deles ocultando uma diferente possibilidade. De modo que s\u00e3o oito reparti\u00e7\u00f5es no total, e a crian\u00e7a que est\u00e1 mexendo na geringon\u00e7a vai abrindo o brinquedo e a outra escolhe uma das oito possibilidades ocultas. Podem ser frutas, n\u00fameros, animais, plantas. O garoto se chamava Paulo e, depois das f\u00e9rias, trouxe v\u00e1rios abre-fechas para os amigos. Perguntei onde estava o meu. \u201cPara voc\u00ea n\u00e3o tem\u201d, me respondeu Paulo, na maior desfa\u00e7atez. Aposto que ficou at\u00e9 indignado com a minha pergunta. Eu detestava ir para aula. Aquelas horas todas eram uma agonia sem fim. Nada do que os professores falavam me interessava, tudo era chato, tudo era desinteressante. As f\u00e9rias come\u00e7avam, normalmente, em dezembro, e terminavam no final de fevereiro. A minha depress\u00e3o come\u00e7ava no in\u00edcio de fevereiro e ia aumentando at\u00e9 o final do m\u00eas \u2013 quando ent\u00e3o a tristeza chegava ao m\u00e1ximo na minha pobre cabe\u00e7a de estudante. Eu detestava tanto ir para aula que todos os domingos ficava deprimido, e o in\u00edcio do Fant\u00e1stico era um momento de tristeza profunda. 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