{"id":3672,"date":"2018-06-17T21:55:19","date_gmt":"2018-06-18T00:55:19","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3672"},"modified":"2018-06-17T21:55:19","modified_gmt":"2018-06-18T00:55:19","slug":"o-mestre-e-a-margarida-de-mikhail-bulgakov-e-macunaima-de-mario-de-andrade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3672","title":{"rendered":"&#8220;O Mestre e a Margarida&#8221;, de Mikhail Bulg\u00e1kov e &#8220;Macuna\u00edma&#8221;, de M\u00e1rio de Andrade"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->A escritora e cr\u00edtica liter\u00e1ria Noemi Jaffe \u00e9 respons\u00e1vel por este texto estar apresentado como segue: em uma <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq2101201027.htm\">cr\u00edtica publicada na Folha de S\u00e3o Paulo em 21 de janeiro de 2010<\/a>, ela comenta sobre as incr\u00edveis coincid\u00eancias entre &#8220;O Mestre e a Margarida&#8221;, do russo Mikhail Bulg\u00e1kov e o nosso &#8220;Macuna\u00edma&#8221;, de M\u00e1rio de Andrade.<\/p>\n<p>Explico: eu estava lendo &#8220;O Mestre e a Margarida&#8221; (Editora 34, 408 p\u00e1ginas) &#8211; que conta a hist\u00f3ria da visita do diabo, disfar\u00e7ado de ilusionista, \u00e0 Moscou sob o regime comunista de St\u00e1lin, fazendo (junto com seus assessores, entre eles um gato falante) tudo o que \u00e9 tipo de confus\u00e3o e matando gente aqui e ali &#8211; quando li a cr\u00edtica de Noemi Jaffe comparando este livro com &#8220;Macuna\u00edma&#8221;. Fiquei curioso, e finalmente resolvi ler o cl\u00e1ssico de M\u00e1rio de Andrade (Livraria Martins Editora, 136 p\u00e1ginas), que tenho desde o long\u00ednquo 1981 (conforme a foto que acompanha este texto), e que nunca tinha lido.<\/p>\n<p>Realmente, a semelhan\u00e7a entre os dois livros \u00e9 impressionante: &#8220;Macuna\u00edma&#8221; &#8211; que conta a hist\u00f3ria do personagem t\u00edtulo, um \u00edndio pregui\u00e7oso e &#8220;sem nenhum car\u00e1ter&#8221; -, assim como &#8220;O Mestre e a Margarida&#8221;, tem acontecimentos inesperados acontecendo o tempo todo numa velocidade impressionante: os dois livros t\u00eam mortos que ressuscitam, fortunas em dinheiro vivo que aparecem e somem do nada, personagens que voam por dist\u00e2ncias enormes &#8211; de uma cidade a outra, de um estado a outro &#8211; em minutos. Os personagens principais &#8211; o diabo no romance russo, Macuna\u00edma no brasileiro &#8211; n\u00e3o t\u00eam o menor respeito pelas outras pessoas, e s\u00f3 se divertem &#8211; quase sempre \u00e0s custas dos outros.<\/p>\n<p>Mikhail Bulg\u00e1kov provavelmente quis fazer, em &#8220;O Mestre e a Margarida&#8221;, uma cr\u00edtica ao totalitarismo stalinista &#8211; o diabo, matando gente a torto e a direito, seria o pr\u00f3prio St\u00e1lin. J\u00e1 M\u00e1rio de Andrade provavelmente tinha como principal objetivo fazer um apanhado do rico folclore brasileiro, j\u00e1 que boa parte do que \u00e9 contado em &#8220;Macuna\u00edma&#8221; \u00e9 retirado de lendas locais. De todo modo, a semelhan\u00e7a entre os dois livros salta aos olhos e o mais estranho, conforme comenta Noemi Jaffe em sua cr\u00edtica, \u00e9 que<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;M\u00e1rio de Andrade escreveu &#8220;Macuna\u00edma&#8221; ao longo de cinco dias, em 1927. O livro foi publicado em 1928. Mikhail Afanassievich Bulg\u00e1kov escreveu &#8216;O Mestre e a Margarida&#8217; ao longo de 11 anos, de 1929 a 1940, em Moscou. N\u00e3o haveria, portanto, como um autor ter lido o outro, a n\u00e3o ser que o russo lesse portugu\u00eas, algo improv\u00e1vel.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Um belo mist\u00e9rio para a hist\u00f3ria da literatura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A escritora e cr\u00edtica liter\u00e1ria Noemi Jaffe \u00e9 respons\u00e1vel por este texto estar apresentado como segue: em uma cr\u00edtica publicada na Folha de S\u00e3o Paulo em 21 de janeiro de 2010, ela comenta sobre as incr\u00edveis coincid\u00eancias entre \"O Mestre e a Margarida\", do russo Mikhail Bulg\u00e1kov e o nosso \"Macuna\u00edma\", de M\u00e1rio de Andrade. Explico: eu estava lendo \"O Mestre e a Margarida\" (Editora 34, 408 p\u00e1ginas) - que conta a hist\u00f3ria da visita do diabo, disfar\u00e7ado de ilusionista, \u00e0 Moscou sob o regime comunista de St\u00e1lin, fazendo (junto com seus assessores, entre eles um gato falante) tudo o que \u00e9 tipo de confus\u00e3o e matando gente aqui e ali - quando li a cr\u00edtica de Noemi Jaffe comparando este livro com \"Macuna\u00edma\". Fiquei curioso, e finalmente resolvi ler o cl\u00e1ssico de M\u00e1rio de Andrade (Livraria Martins Editora, 136 p\u00e1ginas), que tenho desde o long\u00ednquo 1981 (conforme a foto que acompanha este texto), e que nunca tinha lido. Realmente, a semelhan\u00e7a entre os dois livros \u00e9 impressionante: \"Macuna\u00edma\" - que conta a hist\u00f3ria do personagem t\u00edtulo, um \u00edndio pregui\u00e7oso e \"sem nenhum car\u00e1ter\" -, assim como \"O Mestre e a Margarida\", tem acontecimentos inesperados acontecendo o tempo todo numa velocidade impressionante: os dois livros t\u00eam mortos que ressuscitam, fortunas em dinheiro vivo que aparecem e somem do nada, personagens que voam por dist\u00e2ncias enormes - de uma cidade a outra, de um estado a outro - em minutos. Os personagens principais - o diabo no romance russo, Macuna\u00edma no brasileiro - n\u00e3o t\u00eam o menor respeito pelas outras pessoas, e s\u00f3 se divertem - quase sempre \u00e0s custas dos outros. Mikhail Bulg\u00e1kov provavelmente quis fazer, em \"O Mestre e a Margarida\", uma cr\u00edtica ao totalitarismo stalinista - o diabo, matando gente a torto e a direito, seria o pr\u00f3prio St\u00e1lin. J\u00e1 M\u00e1rio de Andrade provavelmente tinha como principal objetivo fazer um apanhado do rico folclore brasileiro, j\u00e1 que boa parte do que \u00e9 contado em \"Macuna\u00edma\" \u00e9 retirado de lendas locais. De todo modo, a semelhan\u00e7a entre os dois livros salta aos olhos e o mais estranho, conforme comenta Noemi Jaffe em sua cr\u00edtica, \u00e9 que \"M\u00e1rio de Andrade escreveu \"Macuna\u00edma\" ao longo de cinco dias, em 1927. O livro foi publicado em 1928. Mikhail Afanassievich Bulg\u00e1kov escreveu 'O Mestre e a Margarida' ao longo de 11 anos, de 1929 a 1940, em Moscou. 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