{"id":3619,"date":"2018-05-16T21:40:31","date_gmt":"2018-05-17T00:40:31","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3619"},"modified":"2018-05-16T21:43:08","modified_gmt":"2018-05-17T00:43:08","slug":"basalt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3619","title":{"rendered":"Basalt"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"TextRun SCXW130724703\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\"><span class=\"NormalTextRun SCXW130724703\">N\u00e3o sei quantos anos durou a minha fase <\/span><\/span><span class=\"TextRun SCXW130724703\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\"><span class=\"SpellingError SCXW130724703\">metaleira<\/span><\/span><span class=\"TextRun SCXW130724703\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\"><span class=\"NormalTextRun SCXW130724703\">: a\u00ed pelo in\u00edcio dos anos 2000 eu descobri que <\/span><\/span>o <i>rock <\/i><i>indie<\/i> j\u00e1 n\u00e3o me trazia nada de interessante, e achei que mudar um pouco de perspectiva me faria bem. Eu diminu\u00ed sensivelmente a quantidade de metal ouvido quando comecei a ouvir Bones, o prol\u00edfico rapper, a\u00ed pelo ano de 2013, e hoje escuto mais rap do que qualquer outro estilo. Mas nunca parei de ouvir metal, e nunca passei a desgostar do estilo: digamos que eu tenha apenas \u201cdado um tempo\u201d.<\/p>\n<p>Tudo isso para dizer que, apesar de eu n\u00e3o estar muito em dia com os lan\u00e7amentos de metal, me considero, ainda, um razo\u00e1vel conhecedor do estilo. E, nesse sentido, fiquei extremamente impressionado o primeiro disco da banda paulistana Basalt, \u201cO Cora\u00e7\u00e3o Negro da Terra\u201d, lan\u00e7ado no final de 2016 (e dispon\u00edvel no Spotify). As m\u00fasicas s\u00e3o cantadas em portugu\u00eas, e o som, impressionante, me lembrou a banda de black metal ucraniana Drudkh, pelo peso unido com a melancolia. Mas ainda tem mais, conforme conto abaixo na entrevista com Pedro Alves, um dos guitarristas da banda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>\u201cCantar em portugu\u00eas \u00e9 muito mais natural\u201d \u2013 entrevista com Pedro Alves, guitarrista do Basalt\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A ideia da cria\u00e7\u00e3o do Basalt surgiu em 2015, quando Pedro e o Luiz Mazetto \u2013 jornalista, autor do livro \u201cN\u00f3s somos a tempestade\u201d, sobre a cena de metal alternativo americana \u2013 resolveram juntar esfor\u00e7os para cria\u00e7\u00e3o de uma banda. Pedro tinha uma banda de doom\/stoner\/psicod\u00e9lico, o Magzilla, enquanto que o Luiz tocava na banda de grindcore Meant do Suffer, de Araras \u2013 e foi quando ele saiu da sua banda que o processo de cria\u00e7\u00e3o do Basalt se acelerou.\u00a0\u00a0<!--more--><\/p>\n<p>Luiz chamou o Marcelo Fonseca, que participou de bandas como Constrito e C\u00famplice, para os vocais, e este chamou o Cuca, o primeiro baixista do Basalt (hoje substitu\u00eddo pelo Leonardo). O baterista, Victor Miranda, toca na banda de <em>thrashcore<\/em> Surra, e foi encontrado num post do Facebook.<\/p>\n<p>J\u00e1 no primeiro o ensaio deu para sacar que o Basalt iria funcionar: Pedro trouxe uma m\u00fasica meio pronta, que acabou se transformando em \u201cVanitas\u201d, que faz paz parte de \u201cO Cora\u00e7\u00e3o Negro da Terra\u201d, enquanto que o Luiz veio com um <i>riff<\/i> que acabou dando em outra faixa do disco, \u201cTerra Morta\u201d.<\/p>\n<p>Em seis meses de ensaio o Basalt j\u00e1 tinha todas as m\u00fasicas prontas: a banda queria lan\u00e7ar os discos de uma vez, antes que outras ideias come\u00e7assem a aparecer na sonoridade da banda; mas, infelizmente, a demora at\u00e9 o lan\u00e7amento do CD foi de quase dois anos: problemas com a arte, com a prensagem&#8230; at\u00e9 a fal\u00eancia da f\u00e1brica que iria prensar o disco apareceu para atrapalhar o processo, tornando a espera angustiante.<\/p>\n<p>Aqui um coment\u00e1rio adicional: para o Pedro, no \u201cmetal ainda \u00e9 relevante ter um disco lan\u00e7ado, o que n\u00e3o ocorre com rap, eletr\u00f4nica ou funk, estilos que encontraram outros formatos de lan\u00e7amento de m\u00fasica\u201d. Para o guitarrista do Basalt, \u201co rock tem apego muito grande com costumes antigos\u201d.<\/p>\n<p>O Basalt ainda lan\u00e7ou um Split, \u201cAtl\u00e2ntico\u201d, com a banda portuguesa Redemptus: o engra\u00e7ado da coisa \u00e9 que foi muito mais f\u00e1cil lan\u00e7ar um disco com portugueses, do outro lado do oceano, do que aqui no Brasil.<\/p>\n<p>Atualmente o Basalt est\u00e1 criando as m\u00fasicas para um novo disco. Segundo Pedro, \u201co som j\u00e1 est\u00e1 diferente, com novas din\u00e2micas, mais <em>d-beat<\/em>, hardcore, meio Converge\u201d. Mas est\u00e3o conseguindo manter a identidade. A banda partiu de uma m\u00fasica longa, de doze minutos, j\u00e1 dividida em duas, e j\u00e1 est\u00e1 juntando novos sons. Os planos \u00e9 juntar dez m\u00fasicas at\u00e9 julho e depois partir para grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como a banda mistura muitas influ\u00eancias &#8211; Luiz curte bandas de post metal como Neurosis e Isis; Pedro e Victor s\u00e3o da ala do black metal; o Marcelo, que vem do hardcore, gosta de uma grande gama de estilo de sons diferentes; e o Leo, finalmente, \u00e9 um \u201cbaita <em>headbanger<\/em>\u201d -, \u00e9 importante que o som do Basalt n\u00e3o tenha \u201cjeito de recorte\u201d.<\/p>\n<p>A banda est\u00e1 meio sem fazer shows porque est\u00e1 concentrada na elabora\u00e7\u00e3o das novas m\u00fasicas. De todo modo, a ideia \u00e9 fazer menos shows em S\u00e3o Paulo e mais em outras cidades.<\/p>\n<p>Falei para o Pedro que, para mim, a influ\u00eancia principal de \u201cO Cora\u00e7\u00e3o Negro da Terra\u201d \u00e9 o black metal, mas ele me disse que a banda j\u00e1 foi definda por v\u00e1rios estilos, como sludge e post-metal \u2013 al\u00e9m do pr\u00f3prio black metal. Para o Pedro, ser definido como post-metal talvez englobe mais g\u00eaneros, mas ele mesmo n\u00e3o gosta tanto deste termo porque ele \u00e9 amplo demais. Para o guitarrista do Basalt, a utiliza\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros auxilia na comunica\u00e7\u00e3o \u2013 se voc\u00ea n\u00e3o conhece uma banda, facilita voc\u00ea saber se ela \u00e9 de \u201cblack metal\u201d ou \u201csludge\u201d. Pode ser que, com o tempo, as pessoas achem o r\u00f3tulo correto para o Basalt.<\/p>\n<p>Finalmente, perguntado sobre como ele se sentia com a banda lan\u00e7ando m\u00fasicas em portugu\u00eas, Pedro disse que inicialmente esta foi uma escolha do vocalista Marcelo, que se sente mais confort\u00e1vel cantando na pr\u00f3pria l\u00edngua materna. Pedro mesmo mudou em rela\u00e7\u00e3o a este assunto e hoje, mesmo em seus projetos solos, ele percebeu que expressar sentimentos na pr\u00f3pria l\u00edngua \u00e9 muito mais f\u00e1cil, mais natural.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei quantos anos durou a minha fase metaleira: a\u00ed pelo in\u00edcio dos anos 2000 eu descobri que o rock indie j\u00e1 n\u00e3o me trazia nada de interessante, e achei que mudar um pouco de perspectiva me faria bem. Eu diminu\u00ed sensivelmente a quantidade de metal ouvido quando comecei a ouvir Bones, o prol\u00edfico rapper, a\u00ed pelo ano de 2013, e hoje escuto mais rap do que qualquer outro estilo. Mas nunca parei de ouvir metal, e nunca passei a desgostar do estilo: digamos que eu tenha apenas \u201cdado um tempo\u201d. Tudo isso para dizer que, apesar de eu n\u00e3o estar muito em dia com os lan\u00e7amentos de metal, me considero, ainda, um razo\u00e1vel conhecedor do estilo. E, nesse sentido, fiquei extremamente impressionado o primeiro disco da banda paulistana Basalt, \u201cO Cora\u00e7\u00e3o Negro da Terra\u201d, lan\u00e7ado no final de 2016 (e dispon\u00edvel no Spotify). As m\u00fasicas s\u00e3o cantadas em portugu\u00eas, e o som, impressionante, me lembrou a banda de black metal ucraniana Drudkh, pelo peso unido com a melancolia. 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