{"id":3372,"date":"2017-12-03T23:37:39","date_gmt":"2017-12-04T02:37:39","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3372"},"modified":"2017-12-03T23:37:39","modified_gmt":"2017-12-04T02:37:39","slug":"vozes-de-tchernobil-de-svetlana-aleksievitch","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3372","title":{"rendered":"\u201cVozes de Tchern\u00f3bil\u201d, de Svetlana Aleksi\u00e9vitch"},"content":{"rendered":"<p>O desastre de Tchern\u00f3bil foi o maior acidente nuclear da hist\u00f3ria, e ocorreu em 26 de abril de 1986, na antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, praticamente na fronteira entre as atuais Ucr\u00e2nia e Bielorr\u00fassia. Quem v\u00ea a foto que acompanha este texto, retirada da Wikip\u00e9dia e que mostra o estado do reator 4 da Usina Nuclear de Tchern\u00f3bil logo ap\u00f3s o acidente, n\u00e3o consegue ter ideia das consequ\u00eancias tr\u00e1gicas do desastre. Como dizem muitos dos depoimentos mostrados no espetacular \u201cVozes de Tchern\u00f3bil\u201d, de Svetlana Aleksi\u00e9vitch (Companhia das Letras, 383 p\u00e1ginas), Pr\u00eamio Nobel de 2015, os sovi\u00e9ticos n\u00e3o estavam preparados para aquilo. O sol nascia da mesma maneira que antes, os campos pareciam limpos, os rios continuavam com as mesmas cores de sempre, n\u00e3o havia uma guerra. Por que ent\u00e3o, perguntavam-se os moradores na regi\u00e3o em torno da usina, todos tinham que ir embora de onde sempre tinham vivido?<!--more--><\/p>\n<p>As obras de Svetlana Aleksi\u00e9vitch \u2013 j\u00e1 comentei sobre \u201cO fim do homem sovi\u00e9tico\u201d aqui \u2013 se comp\u00f5em de depoimentos de entrevistados pela autora. Centenas deles. \u00c9 como se a escritora ucraniana \u201cficasse quieta\u201d para deixar que os participantes dos acontecimentos desabafassem &#8211; o resultado \u00e9 impressionante. Em \u201cVozes de Tchern\u00f3bil\u201d o leitor fica sabendo que o governo sovi\u00e9tico mandou centenas de pessoas praticamente para a morte certa no aterramento dos restos do reator 4 \u2013 e, o que \u00e9 mais doloroso, se tantos n\u00e3o tivessem se sacrificado as consequ\u00eancias para a Europa como um todo seriam ainda muito piores; que muitos governantes, durante um bom tempo, preferiram fingir que estava tudo bem do que tomar provid\u00eancias r\u00e1pidas \u2013 e isto causou muitas mortes desnecess\u00e1rias; que boa parte das crian\u00e7as da regi\u00e3o ficaram t\u00e3o vulner\u00e1veis devido \u00e0s consequ\u00eancias da radia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tinham energia para nada: fracas, nem brincar conseguiam. Svetlana Aleksi\u00e9vitch n\u00e3o poupa detalhes de sofrimento, agonia, desespero e dor dos seus entrevistados. Creio que \u00e9 o mais pr\u00f3ximo que um leitor consegue chegar para tentar entender o que foi aquela trag\u00e9dia \u2013 cujas consequ\u00eancias a Ucr\u00e2nia, a Bielorr\u00fassia e a R\u00fassia sofrem at\u00e9 hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desastre de Tchern\u00f3bil foi o maior acidente nuclear da hist\u00f3ria, e ocorreu em 26 de abril de 1986, na antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, praticamente na fronteira entre as atuais Ucr\u00e2nia e Bielorr\u00fassia. Quem v\u00ea a foto que acompanha este texto, retirada da Wikip\u00e9dia e que mostra o estado do reator 4 da Usina Nuclear de Tchern\u00f3bil logo ap\u00f3s o acidente, n\u00e3o consegue ter ideia das consequ\u00eancias tr\u00e1gicas do desastre. 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