{"id":3277,"date":"2017-09-15T14:44:04","date_gmt":"2017-09-15T17:44:04","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3277"},"modified":"2017-09-15T14:44:04","modified_gmt":"2017-09-15T17:44:04","slug":"ele-simplesmente-nao-esta-a-fim-de-voce-e-garotas-que-dizem-ni","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3277","title":{"rendered":"&#8220;Ele simplesmente n\u00e3o est\u00e1 a fim de voc\u00ea&#8221; e &#8220;Garotas que dizem ni&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>(texto publicado no suplemento dominical do jornal O Estado do Paran\u00e1 em 2006)<\/em><\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o do costumes e a inven\u00e7\u00e3o da p\u00edlula anticoncepcional, nos anos 60, permitiram que as mulheres passassem a ter, em rela\u00e7\u00e3o ao que acontecia nas d\u00e9cadas anteriores, uma liberdade sexual muito maior. Al\u00e9m disso, o aumento da participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho fez com que elas, cada vez mais, n\u00e3o precisassem mais procurar maridos que as sustentassem. Isto tudo, entretanto, n\u00e3o resultou necessariamente em um aumento da felicidade para as mulheres. Dar pistas para solucionar o dilema em que muitas solteiras ou divorciadas vivem nos dias de hoje \u00e9 o objetivo do terapeuta sexual Ian Kerner no livro <em>Fala s\u00e9rio! Voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 a fim dele <\/em>(Best Seller, 192 p\u00e1ginas).<\/p>\n<p><!--more-->O livro, obviamente, \u00e9 uma resposta ao j\u00e1 famoso <em>Ele simplesmente n\u00e3o est\u00e1 a fim de voc\u00ea<\/em>, dos roteiristas do seriado <em>Sex and the city<\/em>, Greg Behrendt e Liz Tuccillo \u2013 livro que \u00e9 citado de maneira delet\u00e9ria, inclusive, mais de uma vez por Ian Kerner em <em>Fala s\u00e9rio!<\/em> (que, pouco \u00e9tico, sequer relaciona o nome dos seus autores).<\/p>\n<p>Para Kerner, as mulheres que querem ter rela\u00e7\u00f5es sexuais \u201ccomo os homens\u201d \u2013 isto \u00e9, com uma grande quantidade de parceiros -, muito freq\u00fcentemente, acabam rapidamente criando um envolvimento emocional com eles, o que \u00e9 causa, quase sempre, de frustra\u00e7\u00e3o. Como se sabe, a separa\u00e7\u00e3o entre sexo e amor \u00e9 muito mais clara na cabe\u00e7a dos homens no que das mulheres, e \u00e9 por isso que \u00e9 t\u00e3o freq\u00fcente a \u201cs\u00edndrome do dia seguinte\u201d, quando elas ficam esperando, desesperadamente, um telefonema do parceiro sexual do dia anterior \u2013 quase sempre, sem sucesso.<\/p>\n<p>Muitos homens, por outro lado, sabendo que conseguem rapidamente novas parceiras (gra\u00e7as, n\u00e3o custa insistir, \u00e0 libera\u00e7\u00e3o sexual) acabam n\u00e3o se interessando em manter rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis e duradouras. Assim come\u00e7a um c\u00edrculo vicioso que as deixa cada vez mais frustradas: se n\u00e3o fazem sexo logo, eles perdem a paci\u00eancia e v\u00e3o procurar outra; se fazem, eles as deixam do mesmo jeito. Com isto \u2013 e aqui \u00e9 o ponto principal do livro de Ian Kerner \u2013 as mulheres v\u00e3o baixando cada vez mais suas exig\u00eancias e, literalmente, v\u00e3o para a cama com qualquer um, deixando distante o sonho de casar (ou ter um relacionamento est\u00e1vel) e ter filhos.<\/p>\n<p>Como sair desta situa\u00e7\u00e3o? Basicamente, com um aumento na auto-estima. N\u00e3o cair na conversa de qualquer um. Respeitar-se mais &#8211; percebendo, claro, que n\u00e3o est\u00e1 assim <em>t\u00e3o a fim dele<\/em>. N\u00e3o ficar desesperada por estar sem namorado. Sentir-se bem consigo mesma. Livrar-se de relacionamentos obsessivos.<\/p>\n<p>Por outro lado, se a mulher for sonhadora demais, que busque um homem \u201creal\u201d, e n\u00e3o um \u201cpr\u00edncipe encantado\u201d que s\u00f3 existe nas hist\u00f3rias infantis&#8230; Agora, se ela quiser mesmo fazer sexo \u201ccomo os homens fazem\u201d, ent\u00e3o que n\u00e3o se envolva emocionalmente \u2013 exatamente do modo como os homens costumam agir.<\/p>\n<p>Se o livro de Ian Kerner \u00e9 de um homem, mas voltado para o sexo feminino, <em>\u00c9 imposs\u00edvel ler um s\u00f3 &#8211; hist\u00f3rias para devorar a qualquer hora<\/em> (Matrix, 151 p\u00e1ginas) \u00e9 uma colet\u00e2nea de textos escrita por tr\u00eas mulheres jornalistas, as \u201cGarotas que dizem Ni\u201d, falando de pequenos detalhes de suas vidas \u2013 mas que n\u00e3o \u00e9 dirigido para nenhum dos sexos em especial.<\/p>\n<p>Grupo formado no in\u00edcio de 2003 pelas jornalistas paulistas Clarissa Passos (a Clara McFly), Fl\u00e1via Pegorin (a Fl\u00e1 Wonka), e Viviana Agostinho, (a Vivi Griswold), as \u201cGarotas que dizem Ni\u201d (uma alus\u00e3o aos <em>Cavaleiros que Dizem Ni<\/em> do filme <em>Em Busca do C\u00e1lice Sagrado<\/em>, do grupo ingl\u00eas Monty Python) t\u00eam um site com cr\u00f4nicas di\u00e1rias e tinham, at\u00e9 janeiro deste ano, uma coluna na Revista \u00c9poca.<\/p>\n<p>Com 60 textos selecionados entre os favoritos das jornalistas e do p\u00fablico que freq\u00fcenta o site delas, reeditados sem a pressa da publica\u00e7\u00e3o, <em>\u00c9 imposs\u00edvel ler um s\u00f3<\/em> \u00e9 um painel de coment\u00e1rios sobre assuntos cotidianos, manias, lembran\u00e7as do tempo de inf\u00e2ncia e afins: caracter\u00edsticas das novelas mexicanas, esportes \u201cde macho\u201d, sab\u00f5es em p\u00f3, coisas que as av\u00f3 dizia, amor pelos dicion\u00e1rios&#8230; nada de grande import\u00e2ncia, afinal de contas. N\u00e3o que isto seja impeditivo para que se fa\u00e7a algo de valor: \u00e9 s\u00f3 lembrar do seriado <em>Seinfeld<\/em>, declaradamente sobre \u201co nada\u201d, para que se perceba que assuntos insignificantes podem resultar em algo realmente bom, engra\u00e7ado e original.<\/p>\n<p>A maioria dos textos do livro est\u00e1 mais para o interessante do que para o desinteressante: entre os melhores, podemos citar <em>Bola de papel<\/em>, sobre papeizinhos de divulga\u00e7\u00e3o de sortistas e videntes, <em>Eu acho que vi um chatinho<\/em>, a respeito dos chatos, <em>Contos de catraca<\/em>, com coment\u00e1rios ouvidos no \u00f4nibus, <em>Aqui \u00f3<\/em>, sobre spams, e <em>Dez maneiras de irritar seu irm\u00e3o <\/em>(t\u00edtulo auto-explicativo). Mas <em>\u00c9 imposs\u00edvel ler um s\u00f3 <\/em>tamb\u00e9m tem textos t\u00e3o sem gra\u00e7a que deixam o leitor se perguntando o que ele tem a ver com as opini\u00f5es das mo\u00e7as. Interessa saber que elas acham um cl\u00e1ssico como <em>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/em>, de Machado de Assis, chato? Que uma delas odiou ter feito a Primeira Comunh\u00e3o? Que elas t\u00eam saudade do mime\u00f3grafo? Que elas n\u00e3o gostavam de f\u00edsica e matem\u00e1tica?<\/p>\n<p>De todo o modo, os pontos fracos n\u00e3o chegam a desestimular a leitura do primeiro livro das \u201cGarotas que dizem Ni\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(texto publicado no suplemento dominical do jornal O Estado do Paran\u00e1 em 2006) A revolu\u00e7\u00e3o do costumes e a inven\u00e7\u00e3o da p\u00edlula anticoncepcional, nos anos 60, permitiram que as mulheres passassem a ter, em rela\u00e7\u00e3o ao que acontecia nas d\u00e9cadas anteriores, uma liberdade sexual muito maior. Al\u00e9m disso, o aumento da participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho fez com que elas, cada vez mais, n\u00e3o precisassem mais procurar maridos que as sustentassem. Isto tudo, entretanto, n\u00e3o resultou necessariamente em um aumento da felicidade para as mulheres. Dar pistas para solucionar o dilema em que muitas solteiras ou divorciadas vivem nos dias de hoje \u00e9 o objetivo do terapeuta sexual Ian Kerner no livro Fala s\u00e9rio! 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