{"id":3247,"date":"2017-09-04T22:34:39","date_gmt":"2017-09-05T01:34:39","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3247"},"modified":"2017-09-04T22:34:39","modified_gmt":"2017-09-05T01:34:39","slug":"lima-barreto-triste-visionario-de-lilia-moritz-schwarcz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3247","title":{"rendered":"\u201cLima Barreto \u2013 Triste vision\u00e1rio\u201d, de Lilia Moritz Schwarcz"},"content":{"rendered":"<p>Confesso que n\u00e3o gostei nem de \u201cTriste fim de Policarpo Quaresma\u201d nem de \u201cRecorda\u00e7\u00f5es do Escriv\u00e3o Isa\u00edas Caminha\u201d, do escritor carioca Lima Barreto (1881-1922), lidos h\u00e1 alguns anos. Gostei bem mais, numa leitura recente, de \u201cClara dos Anjos\u201d. De todo modo, a vida do autor sempre me fascinou, e foi com este esp\u00edrito que li \u201cLima Barreto \u2013 Triste vision\u00e1rio\u201d, biografia de Lilia Moritz Schwarcz lan\u00e7ada h\u00e1 poucos meses (Companhia das Letras, 648 p\u00e1ginas). N\u00e3o me arrependi \u2013 ali\u00e1s, me deu vontade de reler os dois romances citados no in\u00edcio, para ver se mudo de ideia.<\/p>\n<p>Neto de escravos e oriundo de uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia, Lima Barreto come\u00e7ou a estudar engenharia na faculdade, mas n\u00e3o conseguia passar em algumas mat\u00e9rias e ia se atrasando no curso. Seu pai &#8211; que tinha sido um tip\u00f3grafo de alguma import\u00e2ncia durante o Imp\u00e9rio e que, depois da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, passou a ser administrador de um hosp\u00edcio na Ilha do Governador &#8211; enlouquece e Lima Barreto \u00e9 obrigado a sair da universidade para cuidar do pai. Logo passa num concurso para amanuense \u2013 funcion\u00e1rio p\u00fablico que escrevia c\u00f3pias de documentos e registros a m\u00e3o \u2013 e come\u00e7a a sustentar a fam\u00edlia: o pai, enlouquecido, dois irm\u00e3os e uma irm\u00e3 (sua m\u00e3e tinha falecido quando o escritor tinha apenas cinco anos). Lima Barreto odiava trabalhar na reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica: gostava mesmo era de literatura. Al\u00e9m dos romances (fora os citados acima, vale mencionar \u201cNuma e a ninfa\u201d e \u201cVida e morte de M. J. Gonzaga de S\u00e1\u201d) e contos que escreveu, era cronista e colaborava com diversas publica\u00e7\u00f5es da ent\u00e3o capital do Brasil, a cidade do Rio de Janeiro. \u00c0 medida que o tempo passava, foi desenvolvendo um alcoolismo que acabaria por mat\u00e1-lo ainda jovem, com quarenta anos \u2013 mas, mesmo bebendo muito, nunca parou de produzir.<!--more--><\/p>\n<p>Lima Barreto era um cr\u00edtico feroz da intelectualidade dominante da \u00e9poca \u2013 in\u00edcio da Rep\u00fablica &#8211; e acreditava numa literatura engajada, de forte cunho social: nas suas obras, o racismo, que ele pr\u00f3prio sentia na pele, \u00e9 combatido sem meias palavras. Seus livros, por outro lado, eram depreciados por descreverem e criticarem, \u201csem imagina\u00e7\u00e3o\u201d (atrav\u00e9s do uso de nomes falsos), pessoas muito conhecidas da sociedade &#8211; o que \u00e9 engra\u00e7ado de se pensar, j\u00e1 que sua obra sobreviveu, com louvor, ao teste do tempo. Seus cr\u00edticos (entre os quais eu me incluo, ainda) n\u00e3o sabiam de nada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confesso que n\u00e3o gostei nem de \u201cTriste fim de Policarpo Quaresma\u201d nem de \u201cRecorda\u00e7\u00f5es do Escriv\u00e3o Isa\u00edas Caminha\u201d, do escritor carioca Lima Barreto (1881-1922), lidos h\u00e1 alguns anos. Gostei bem mais, numa leitura recente, de \u201cClara dos Anjos\u201d. De todo modo, a vida do autor sempre me fascinou, e foi com este esp\u00edrito que li \u201cLima Barreto \u2013 Triste vision\u00e1rio\u201d, biografia de Lilia Moritz Schwarcz lan\u00e7ada h\u00e1 poucos meses (Companhia das Letras, 648 p\u00e1ginas). N\u00e3o me arrependi \u2013 ali\u00e1s, me deu vontade de reler os dois romances citados no in\u00edcio, para ver se mudo de ideia. Neto de escravos e oriundo de uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia, Lima Barreto come\u00e7ou a estudar engenharia na faculdade, mas n\u00e3o conseguia passar em algumas mat\u00e9rias e ia se atrasando no curso. Seu pai &#8211; que tinha sido um tip\u00f3grafo de alguma import\u00e2ncia durante o Imp\u00e9rio e que, depois da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, passou a ser administrador de um hosp\u00edcio na Ilha do Governador &#8211; enlouquece e Lima Barreto \u00e9 obrigado a sair da universidade para cuidar do pai. Logo passa num concurso para amanuense \u2013 funcion\u00e1rio p\u00fablico que escrevia c\u00f3pias de documentos e registros a m\u00e3o \u2013 e come\u00e7a a sustentar a fam\u00edlia: o pai, enlouquecido, dois irm\u00e3os e uma irm\u00e3 (sua m\u00e3e tinha falecido quando o escritor tinha apenas cinco anos). Lima Barreto odiava trabalhar na reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica: gostava mesmo era de literatura. 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