{"id":3211,"date":"2017-07-25T21:06:23","date_gmt":"2017-07-26T00:06:23","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3211"},"modified":"2017-09-04T23:48:24","modified_gmt":"2017-09-05T02:48:24","slug":"minhas-musicas-preferidas-7-go-hard-la-la-la-de-kreayshawn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3211","title":{"rendered":"Minhas m\u00fasicas preferidas: 7. \u201cGo Hard (La.La.La)\u201d, de Kreayshawn"},"content":{"rendered":"<p>Para voc\u00ea ver como \u00e0s vezes a pessoa pode ser preconceituosa sem se dar conta. Se uns anos atr\u00e1s algu\u00e9m me contasse que um dos meus raps preferidos seria cantado por uma mulher branca, eu provavelmente riria na cara da pessoa. A partir disto, d\u00e1 para imaginar o meu espanto quando Leonardo Gama, sempre ele, me mostrou o clipe de \u201cGo Hard (La.La.La)\u201d, da rapper Kreayshawn \u2013 claro, branca. Eu assistia e assistia \u00e0quele clipe \u2013 lan\u00e7ado em 2012, acho que foi naquela \u00e9poca mesmo que o conheci \u2013 sem acreditar direito que um muro de preconceito imbecil contra mulheres (n\u00e3o gostei das poucas rappers que ouvi) E brancos (tinha Eminem, aprovado por negros, e Beastie Boys, mais indie que qualquer outra coisa, que n\u00e3o contavam) no rap estava sendo destru\u00eddo inapelavelmente num clipe avassalador de tr\u00eas minutos e pouco.<\/p>\n<p>O v\u00eddeo de \u201cGo Hard (La.La.La)\u201d era totalmente diferente de tudo o que eu j\u00e1 tinha visto at\u00e9 ent\u00e3o. S\u00f3 Kreayshawn, morena, que canta, mas outra rapper, Lil Debbie, loira, fica o tempo fazendo palha\u00e7adas ao lado dela. A principal influ\u00eancia do clipe s\u00e3o hist\u00f3rias em quadrinhos: a rapper e sua amiga aparecem em cen\u00e1rios coloridos, no meio de desenhos de olhos enormes, sorvetes e doces gigantes, pessoas fantasiadas de animais, grafites, p\u00e1ginas de jornal, autom\u00f3veis de fantasia; elas mesmas s\u00e3o enquadradas fazendo parte de HQs coloridas e alucinadas. Neste cen\u00e1rio infanto-juvenil, Lil Debbie realmente parece fazer parte de um especial para crian\u00e7as e adolescentes \u2013 mas Kreayshawn nem tanto, com sua postura ao mesmo tempo divertida e desafiadora, que s\u00f3 d\u00e1 mais charme para a coisa toda. Nada disso seria memor\u00e1vel, claro, se n\u00e3o fosse o som: \u201cGo Hard (La.La.La)\u201d \u00e9 pesada, divertida, grudenta, com um refr\u00e3o matador \u2013 tem at\u00e9 umas batidas de rap e scratches t\u00edpicos dos anos 80 l\u00e1 pelo final da m\u00fasica. Um deslumbre.<!--more--><\/p>\n<p>Al\u00e9m de todo o exposto, quando \u201cGo Hard (La.La.La)\u201d surgiu eu mal sabia que existia toda uma cena de rap alternativo, da qual Kreayshawn fazia parte (e acho que ainda faz). Como boa parte do que escuto hoje em dia (Ashley All Day, Bones, $uicideboy$, a pr\u00f3pria Lil Debbie) faz parte deste estilo, tenho plena consci\u00eancia de que Kreayshawn e seu alucinado \u201cGo Hard (La.La.La)\u201d (ela ainda tem dois clipes memor\u00e1veis, \u201cGucci Gucci\u201d e \u201cBumpin Bumpin\u201d) foi a precursora da coisa toda para mim, uma verdadeira anunciadora de novos tempos. \u201cHey, bitch, do you really, really, really wanna go hard?\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para voc\u00ea ver como \u00e0s vezes a pessoa pode ser preconceituosa sem se dar conta. Se uns anos atr\u00e1s algu\u00e9m me contasse que um dos meus raps preferidos seria cantado por uma mulher branca, eu provavelmente riria na cara da pessoa. A partir disto, d\u00e1 para imaginar o meu espanto quando Leonardo Gama, sempre ele, me mostrou o clipe de \u201cGo Hard (La.La.La)\u201d, da rapper Kreayshawn \u2013 claro, branca. Eu assistia e assistia \u00e0quele clipe \u2013 lan\u00e7ado em 2012, acho que foi naquela \u00e9poca mesmo que o conheci \u2013 sem acreditar direito que um muro de preconceito imbecil contra mulheres (n\u00e3o gostei das poucas rappers que ouvi) E brancos (tinha Eminem, aprovado por negros, e Beastie Boys, mais indie que qualquer outra coisa, que n\u00e3o contavam) no rap estava sendo destru\u00eddo inapelavelmente num clipe avassalador de tr\u00eas minutos e pouco. O v\u00eddeo de \u201cGo Hard (La.La.La)\u201d era totalmente diferente de tudo o que eu j\u00e1 tinha visto at\u00e9 ent\u00e3o. S\u00f3 Kreayshawn, morena, que canta, mas outra rapper, Lil Debbie, loira, fica o tempo fazendo palha\u00e7adas ao lado dela. A principal influ\u00eancia do clipe s\u00e3o hist\u00f3rias em quadrinhos: a rapper e sua amiga aparecem em cen\u00e1rios coloridos, no meio de desenhos de olhos enormes, sorvetes e doces gigantes, pessoas fantasiadas de animais, grafites, p\u00e1ginas de jornal, autom\u00f3veis de fantasia; elas mesmas s\u00e3o enquadradas fazendo parte de HQs coloridas e alucinadas. Neste cen\u00e1rio infanto-juvenil, Lil Debbie realmente parece fazer parte de um especial para crian\u00e7as e adolescentes \u2013 mas Kreayshawn nem tanto, com sua postura ao mesmo tempo divertida e desafiadora, que s\u00f3 d\u00e1 mais charme para a coisa toda. Nada disso seria memor\u00e1vel, claro, se n\u00e3o fosse o som: \u201cGo Hard (La.La.La)\u201d \u00e9 pesada, divertida, grudenta, com um refr\u00e3o matador \u2013 tem at\u00e9 umas batidas de rap e scratches t\u00edpicos dos anos 80 l\u00e1 pelo final da m\u00fasica. 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