{"id":3151,"date":"2017-05-08T23:47:22","date_gmt":"2017-05-09T02:47:22","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3151"},"modified":"2017-05-07T23:48:42","modified_gmt":"2017-05-08T02:48:42","slug":"mrs-dalloway-de-virginia-woolf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3151","title":{"rendered":"\u201cMrs. Dalloway\u201d, de Virginia Woolf"},"content":{"rendered":"<p>Li alguns livros de Virginia Woolf (1882-1941) na adolesc\u00eancia: lembro que gostei muito de \u201cPasseio Ao Farol\u201d, achei \u201cOrlando\u201d muito estranho, entendi muito pouco de \u201cAs Ondas\u201d e basicamente nada de \u201cMrs. Dalloway\u201d (1925) \u2013 e \u00e9 este \u00faltimo que reli recentemente (Cole\u00e7\u00e3o Grandes Nomes da Literatura, da Folha de S\u00e3o Paulo, 188 p\u00e1ginas). Obviamente, me senti lendo o romance na primeira vez.<!--more--><\/p>\n<p>Um dos nomes mais importantes do vanguardismo liter\u00e1rio do sec. XX, em \u201cMrs. Dalloway\u201d Virginia Wolf fez o mesmo que James Joyce no cl\u00e1ssico Ulysses (1922), ao situar o intervalo temporal de seu romance em um \u00fanico dia: nas palavras do cr\u00edtico liter\u00e1rio e colunista Manuel da Costa Pinto, \u201cdesde o momento em que\u201d a personagem t\u00edtulo Clarissa Dalloway \u201csai de casa para comprar flores (pois dar\u00e1 uma recep\u00e7\u00e3o em casa \u00e0 noite) at\u00e9 o momento em que acontece a festa\u201d.<\/p>\n<p>Neste dia, Peter Walsh volta para Londres depois de cinco anos nas col\u00f4nias. Impulsivo e aventureiro, ele era apaixonado por Clarissa e chegou a se declarar para ela no in\u00edcio da idade adulta (eles agora s\u00e3o cinquent\u00f5es). Ela tamb\u00e9m gostava muito dele, mas acabou se casando com Richard Dalloway, jovem mais rico, promissor e que, no dia em que o livro se passa, \u00e9 deputado na C\u00e2mara dos Comuns. Por que Clarissa escolheu Dalloway e n\u00e3o Peter Walsh para se casar com ela \u00e9 um dos temas principais de \u201cMrs. Dalloway\u201d, e que perpassa boa parte dos pensamentos dos personagens. O fato \u00e9 que tanto Peter Walsh quanto Sally Seton, ex-melhor amiga de Clarissa e que tamb\u00e9m volta para Londres por acaso no dia da festa, continuam deslumbrados pelos supostos brilhantismo, bondade e intelig\u00eancia de Mrs. Dalloway \u2013 personagem que, a mim, pareceu apenas uma mulher f\u00fatil, fria e interesseira.<\/p>\n<p>Em geral, quando a cr\u00edtica fala de \u201cMrs. Dalloway\u201d, os coment\u00e1rios dizem respeito aos desejos reprimidos homossexuais da personagem-t\u00edtulo, \u00e0 escrita fluida e impressionista \u2013 \u00e0s vezes \u00e9 dif\u00edcil acompanhar os fluxos de consci\u00eancia dos diversos personagens -, ao cotidiano elevado ao n\u00edvel de \u201cgrande Arte\u201d, e \u00e0 outra hist\u00f3ria do romance, sobre Septimus, jovem bem-sucedido que entra em profunda confus\u00e3o mental depois de participar da Primeira Guerra Mundial. Concordo com tudo. Mas o brilho de uma escritora que consegue pintar uma personagem fria e calculista de maneira t\u00e3o sutil que nem os demais personagens (nem boa parte da cr\u00edtica, eu acrescentaria de maneira insegura) conseguem perceber \u00e9 o que mais me impressionou nesta obra-prima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Li alguns livros de Virginia Woolf (1882-1941) na adolesc\u00eancia: lembro que gostei muito de \u201cPasseio Ao Farol\u201d, achei \u201cOrlando\u201d muito estranho, entendi muito pouco de \u201cAs Ondas\u201d e basicamente nada de \u201cMrs. Dalloway\u201d (1925) \u2013 e \u00e9 este \u00faltimo que reli recentemente (Cole\u00e7\u00e3o Grandes Nomes da Literatura, da Folha de S\u00e3o Paulo, 188 p\u00e1ginas). 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