{"id":3139,"date":"2017-05-07T23:41:24","date_gmt":"2017-05-08T02:41:24","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3139"},"modified":"2017-05-07T23:41:24","modified_gmt":"2017-05-08T02:41:24","slug":"a-obscena-senhora-d-de-hilda-hilst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3139","title":{"rendered":"\u201cA Obscena Senhora D\u201d, de Hilda Hilst"},"content":{"rendered":"<p>Quando conversava com o cr\u00edtico teatral Anatol Rosenfeld por que seus livros eram um sucesso de cr\u00edtica, mas um fracasso de p\u00fablico, Hilda Hilst (1930-2004) comentava frequentemente: &#8220;por que acham que escrevo para eruditos? Eu falo t\u00e3o claro. Falo at\u00e9 sobre a bunda\u201d. &#8220;Tua bunda \u00e9 terrivelmente intelectual, Hilda&#8221;, respondia Rosenfeld. Esta hist\u00f3ria, contada na Folha de S\u00e3o Paulo de 20 de abril de 2013, resume bem a impress\u00e3o inicial e o resultado da leitura de um romance como \u201cA Obscena Senhora D\u201d (Cole\u00e7\u00e3o Grandes Nomes da Literatura, da Folha de S\u00e3o Paulo, 54 p\u00e1ginas).<!--more--><\/p>\n<p>O t\u00edtulo, obviamente, parece o de um livro pornogr\u00e1fico &#8211; n\u00e3o s\u00f3 pelo termo \u201cobscena\u201d, como pelo fato de a \u201cSenhora D\u201d ser chamada apenas pela letra inicial, como era costume em algumas obras er\u00f3ticas (\u201cA Hist\u00f3ria de O\u201d, por exemplo).<\/p>\n<p>O livro tem basicamente tr\u00eas personagens: Hill\u00e9 (a pr\u00f3pria Senhora D), seu marido e o pai dela. Logo no in\u00edcio Ehud, o esposo, falece, e boa parte do livro conta as lembran\u00e7as da Senhora D; outra parte significativa mostra as conversas de Hill\u00e9 com o seu pai. Hilda Hilst mostra sua personagem como desequilibrada: ficava no v\u00e3o da escada dias seguidos, se fechava em casa ou aparecia despenteada e com cara de maluca para os vizinhos, falava sozinha, era obcecada por seus pensamentos.<\/p>\n<p>O que escrevi acima \u00e9 apenas uma tentativa previamente fadada ao fracasso de resumir o romance. O que importa em \u201cA Obscena Senhora D\u201d (publicado originalmente em 1982) \u00e9 o fluxo de consci\u00eancia e as conversas e os pensamentos jogados aparentemente sem nenhuma organiza\u00e7\u00e3o &#8211; a pontua\u00e7\u00e3o \u00e9 frequentemente desrespeitada, com frases come\u00e7ando com letras min\u00fasculas e sem ponto final. No meio do palavr\u00f3rio aparentemente ca\u00f3tico, o leitor vai captando ideias e sensa\u00e7\u00f5es sobre sexo, amor, mal-estar f\u00edsico, nojo, afetos \u2013 e no final de tudo a Senhora D tenta achar Deus.<\/p>\n<p>Com linguagem frequentemente pr\u00f3xima da poesia, \u201cA Obscena Senhora D\u201d \u00e9 um livro impressionante, dif\u00edcil, mas n\u00e3o chato. Apesar de ser praticamente imposs\u00edvel entender todos os detalhes do que Hilda Hilst colocou em sua obra, concordo plenamente com C\u00e1ssio Starling Carlos quando escreveu, na contracapa do romance, que, quando o livro acaba, \u201cd\u00e1 vontade de recome\u00e7ar para sentir tudo de novo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando conversava com o cr\u00edtico teatral Anatol Rosenfeld por que seus livros eram um sucesso de cr\u00edtica, mas um fracasso de p\u00fablico, Hilda Hilst (1930-2004) comentava frequentemente: &#8220;por que acham que escrevo para eruditos? 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