{"id":3123,"date":"2017-04-09T23:17:12","date_gmt":"2017-04-10T02:17:12","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3123"},"modified":"2017-04-09T23:17:12","modified_gmt":"2017-04-10T02:17:12","slug":"os-frutos-da-terra-de-andre-gide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3123","title":{"rendered":"&#8220;Os Frutos da Terra&#8221;, de Andr\u00e9 Gide"},"content":{"rendered":"<p>Alguns livros influenciaram profundamente minha maneira de ver o mundo. A B\u00edblia. O Livro da Vida de Santa Teresa d\u2019\u00c1vila. O Homem Eterno, de G. K. Chesterton. A Interpreta\u00e7\u00e3o dos Sonhos, de Sigmund Freud. Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust. A Lanterna na Popa, de Roberto Campos.<\/p>\n<p>O primeiro destes livros foi \u201cOs Frutos da Terra\u201d, de Andr\u00e9 Gide. Eu li h\u00e1 tanto tempo que n\u00e3o lembro direito os detalhes do meu amor por ele. Havia algo como deixar-se levar pela vida, amar a natureza, n\u00e3o ter preocupa\u00e7\u00f5es com posses ou dinheiro. De todo modo, eu lembro bem que carregava o livro de cima para baixo, e lia trechos dele para os coitados que estivessem por ali.<\/p>\n<p>Reli h\u00e1 pouco o livro, agora em franc\u00eas. \u201cLes Nourritures Terrestres\u201d \u00e9 uma obra dif\u00edcil de classificar: tem trechos de poesias em prosa, trechos de poesias rimadas, pequenas hist\u00f3rias, filosofia, tudo de maneira aparentemente desordenada \u2013 n\u00e3o d\u00e1 para imaginar o que a pr\u00f3xima p\u00e1gina nos reserva.<!--more--><\/p>\n<p>O livro, realmente, \u00e9 fascinante: a ideia principal por tr\u00e1s de \u201cLes Nourritures Terrestres\u201d \u00e9 que devemos deixar os sentidos nos levarem, sem nenhum tipo de repress\u00e3o, nenhum tipo de ang\u00fastia: viajar sem destino, aproveitando cada pequeno detalhe que a natureza reserva para nosso prazer.<\/p>\n<p>Lendo sobre o livro na Wikip\u00e9dia, encontro o seguinte coment\u00e1rio de Jean Gu\u00e9henno: \u201ca juventude intelectual francesa dever\u00e1 se curar do \u2018gidismo\u2019 para retomar o movimento da hist\u00f3ria. Ela compreender\u00e1 que ser jovem \u00e0 maneira de M\u00e9nalque ou de Nathana\u00ebl (personagens principais de \u2018Os Frutos da Terra\u2019) \u00e9 ser terrivelmente velho? Esta busca de prazeres, este prazer minucioso e aplicado pressup\u00f5e a renda, um patrim\u00f4nio, e aponta para o fim de uma ra\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que eu realmente me perguntava a todo tempo durante a leitura de \u201cLes Nourritures Terrestres\u201d&#8230; quem paga por esta busca desenfreada pelo prazer dos sentidos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns livros influenciaram profundamente minha maneira de ver o mundo. A B\u00edblia. O Livro da Vida de Santa Teresa d\u2019\u00c1vila. O Homem Eterno, de G. K. Chesterton. A Interpreta\u00e7\u00e3o dos Sonhos, de Sigmund Freud. Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust. A Lanterna na Popa, de Roberto Campos. O primeiro destes livros foi \u201cOs Frutos da Terra\u201d, de Andr\u00e9 Gide. Eu li h\u00e1 tanto tempo que n\u00e3o lembro direito os detalhes do meu amor por ele. Havia algo como deixar-se levar pela vida, amar a natureza, n\u00e3o ter preocupa\u00e7\u00f5es com posses ou dinheiro. De todo modo, eu lembro bem que carregava o livro de cima para baixo, e lia trechos dele para os coitados que estivessem por ali. Reli h\u00e1 pouco o livro, agora em franc\u00eas. \u201cLes Nourritures Terrestres\u201d \u00e9 uma obra dif\u00edcil de classificar: tem trechos de poesias em prosa, trechos de poesias rimadas, pequenas hist\u00f3rias, filosofia, tudo de maneira aparentemente desordenada \u2013 n\u00e3o d\u00e1 para imaginar o que a pr\u00f3xima p\u00e1gina nos reserva.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3126,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[403],"class_list":["post-3123","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-andre-gide","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3123"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3123\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3127,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3123\/revisions\/3127"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3126"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}