{"id":3068,"date":"2017-01-12T21:45:47","date_gmt":"2017-01-13T00:45:47","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3068"},"modified":"2017-01-12T21:49:09","modified_gmt":"2017-01-13T00:49:09","slug":"manson-de-jeff-guinn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3068","title":{"rendered":"\u201cManson\u201d, de Jeff Guinn"},"content":{"rendered":"<p>Segundo Jeff Guinn, o autor da brilhante biografia \u201cManson\u201d (Darkside, 520 p\u00e1ginas), a persist\u00eancia macabra da fama do assassino Charles Manson se deve ao fato de que ele e boa parte de seus seguidores ainda est\u00e3o vivos, aparecendo na internet, presos e lutando por seus direitos \u00e0 condicional. Do mesmo modo, o jornalista Andr\u00e9 Barcinski, no seu extinto blog no R7 (agora ele est\u00e1 no UOL) nunca entendeu o fasc\u00ednio que este criminoso med\u00edocre exerce sobre as pessoas. Discordo dos dois.<!--more--><\/p>\n<p>Nascido em 1934, Charles Manson s\u00f3 causou problemas por onde esteve. Passou grande parte da vida \u2013 antes dos crimes Tate-LaBianca, que trouxeram sua fama macabra \u2013 em pres\u00eddios e reformat\u00f3rios. S\u00f3 se relacionava com as pessoas para o pr\u00f3prio proveito, sem se preocupar com as consequ\u00eancias que seus atos poderiam causar aos outros. Tinha pouco talento para m\u00fasica, um ego imenso e uma vontade incomensur\u00e1vel de fama e fortuna \u2013 mas n\u00e3o conseguiu nada disso.<\/p>\n<p>No famoso \u201cver\u00e3o do amor de 67\u201d na Calif\u00f3rnia, auge do movimento hippie, Charles Manson, rec\u00e9m-sa\u00eddo da cadeia, sem emprego e sem dinheiro, resolve inventar algumas ideias malucas para angariar seguidores. Logo arranja uma turma de rapazes e mo\u00e7as e vai morar com eles numa esp\u00e9cie de ch\u00e1cara, que era um antigo set de filmagem de westerns. Ele tinha controle total sobre o grupo: por exemplo, fazia com que as mo\u00e7as fossem revirar lixo atr\u00e1s de comida, limpassem a casa e a lou\u00e7a, e que os rapazes consertassem as motos e carros (muitos deles roubados ou pegos de empr\u00e9stimo e n\u00e3o devolvidos) e fizessem as reformas necess\u00e1rias na casa. No final do dia distribu\u00eda LSD a todos e controlava at\u00e9 as rela\u00e7\u00f5es sexuais que deveriam manter a seguir.<\/p>\n<p>Para aumentar o poder sobre o grupo (que chegou a ter em torno de 40 pessoas) come\u00e7ou a inventar hist\u00f3rias malucas. Manson dizia a seus seguidores que era uma esp\u00e9cie de Cristo, e que o livro b\u00edblico do Apocalipse previa o \u201cHelter Skelter\u201d &#8211; uma guerra racial entre negros e brancos que terminaria com a vit\u00f3ria dos negros. S\u00f3 que, segundo a mente doentia do \u201cguru\u201d, estes n\u00e3o teriam capacidade de controlar o mundo e chamariam Manson e seus seguidores para que fossem os novos mandantes da humanidade.<\/p>\n<p>Para acelerar o \u201cHelter Skelter\u201d (obviamente inspirado na m\u00fasica dos Beatles), Manson ordenou os crimes que mais tarde seriam chamados \u201cTate-LaBianca\u201d: em 9 de agosto de 1969 foram assassinados a atriz Sharon Tate (de \u201cBeb\u00ea de Rosimary\u201d) na casa do marido dela, o diretor Roman Polanski (que estava viajando), e mais quatro amigos; no dia seguinte foi a vez do casal Rosemary e Leno LaBianca. Sete mortes horrendas (alguns dos assassinados levaram diversas facadas) em bairros ricos de Los Angeles e com toques teatrais: o sangue das v\u00edtimas foi usado para manchar as paredes das casas com termos como \u201cHelter Skelter&#8221;, &#8220;Death to pigs&#8221; (&#8220;morte aos porcos&#8221;) e &#8220;Rise&#8221; (&#8220;subida&#8221;). Manson tinha tanto poder sobre seus seguidores que sequer entrou nas casas das v\u00edtimas nos dias dos assassinatos; de todo modo, tanto ele quanto os perpetradores dos crimes (\u201cTex\u201d Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten) foram condenados \u00e0 morte em 1971, comutada para pris\u00e3o perp\u00e9tua quando a Calif\u00f3rnia aboliu a pena capital, no ano seguinte.<\/p>\n<p>Para mim, o que \u00e9 realmente chocante em Charles Manson \u00e9 que n\u00e3o se espera que <em>hippies <\/em>ajam assim: normalmente eles s\u00e3o sin\u00f4nimo de \u201cpaz e amor\u201d, e n\u00e3o dessa loucura sem sentido. \u00c9 monstruoso pelo inesperado, como aqueles meninos de 11 anos que torturaram e mataram uma crian\u00e7a de 2 anos em 2002, na Inglaterra.<\/p>\n<p>Para corroborar esta ideia, a foto que acompanha este texto mostra Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten durante o julgamento. Quem imaginaria que estas mo\u00e7as sorridentes fossem assassinas cru\u00e9is?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo Jeff Guinn, o autor da brilhante biografia \u201cManson\u201d (Darkside, 520 p\u00e1ginas), a persist\u00eancia macabra da fama do assassino Charles Manson se deve ao fato de que ele e boa parte de seus seguidores ainda est\u00e3o vivos, aparecendo na internet, presos e lutando por seus direitos \u00e0 condicional. Do mesmo modo, o jornalista Andr\u00e9 Barcinski, no seu extinto blog no R7 (agora ele est\u00e1 no UOL) nunca entendeu o fasc\u00ednio que este criminoso med\u00edocre exerce sobre as pessoas. 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